Redação Pragmatismo
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Polícia Militar 06/Jun/2014 às 20:20
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O dia em que a PM traiu Datena

Não só Datena, mas os grandes veículos de comunicação só prestam solidariedade e cobram apurações contra abusos da polícia apenas quando seus funcionários se encontram entre as vítimas

datena band pm
Datena (Divulgação)

O apresentador José Luiz Datena é um caso patológico de um peso e duas medidas. Esbravejador contrário às manifestações, repetidor compulsivo dos termos “vândalos” e “vandalismo”, por vezes aplaude a ação truculenta de policiais. Seu programa é baseado nisso.

Quando a vítima é alguém de seu clube, o discurso muda de figura.

Após a agressão sofrida por um cinegrafista da Band nesta quarta-feira (dia 04), Datena chamou o policial de “tranqueira”, desfiou críticas ao despreparo, intimou as autoridades a se pronunciarem. Até aí normal, ele faz isso dezenas de vezes todos os dias.

Um responsável pela área de comunicação da PM procurou a produção do programa dispondo-se a falar do assunto. Datena estufou o peito: “Só aceito falar com o governador de São Paulo ou o secretário de Segurança”. Normal, é Datena.

Então o secretário Fernando Grella entrou em contato via telefone, informou que o PM agressor já havia sido identificado e detido. Datena sendo Datena, ‘sugeriu’ que o secretário pedisse desculpas ao cinegrafista agredido. “Nossa solidariedade ao funcionário agredido”, disse Grella.

Datena não perdia o fôlego: “A gente respeita a corporação. Agora, aquele cara merece ser retirado das ruas. É necessário separar o ‘joio do trigo’”, pedindo mais que a punição informada pelo secretário de segurança.

Por que as grandes emissoras e veículos de comunicação prestam solidariedade e cobram apurações contra abusos da polícia apenas quando seus funcionários se encontram entre as vítimas?

A guinada na cobertura das manifestações de junho de 2013 deu-se em função da bala de borracha que atingiu o olho da repórter Guiliana Valone, da Folha de S. Paulo. Até então, os manifestantes eram considerados vândalos sem causa.

Após a noite de 13 de junho em que a repórter (e mais centenas de manifestantes e profissionais da mídia) foi covardemente agredida, o jornal e seus congêneres viraram o disco.

Datena disse no calor de sua indiganação: “Houve uma agressão desnecessária e isso não combina com a imagem dos policiais.” Existe agressão “necessária” que combina então?

Há um detalhe interessante no episódio. Logo após sofrer a agressão, o cinegrafista (identificado apenas como Hércules), dirige-se aos policias que o estão cercando e depois de demonstrar espanto por ter sido agredido solta a frase que ‘separa o joio do trigo’, como tanto grifou Datena. O cinegrafista diz aos policiais: “Pô meu, estou com vocês”.

Como assim? O que quer dizer isso? Essa postura é covarde, tendenciosa, interesseira.

Os profissionais desses veículos são poupados e resguardados nas situações de conflito das manifestações. A Band já teve um cinegrafista entre as vítimas fatais das manifestações. Seria bom deixar de acreditar e estimular a ideia de que pimenta, bomba e bala de borracha nos olhos dos outros é refresco.

Veja também: Datena tenta manipular telespectador sobre protestos e se dá mal

Mauro Donato, DCM

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Comentários

  1. poliana Postado em 06/Jun/2014 às 16:41

    é q no dos outros é refresco!! esse senhor n deveria ter qq espaço na mídia! é um fdp demagógico e tucano visceral! sem contar o extremo mal gosto de seu programa! tenho pavor de programinhas policiais sensacionalistas de fim de tarde. essas pragas deveriam ser banidas da mídia!

    • Helena Postado em 06/Jun/2014 às 17:46

      Concordo plenamente. Esses tipos insuflam o ódio na cabeça das pessoas. Eles são co responsáveis pelos linchamentos recém acontecidos pelo Brasil. Em busca de audiência e pelos seus ótimos salários, descem ao mais baixo nível sem nenhum escrúpulo banalizando a violência em rede nacional e atiçando o ódio.

  2. Rogerio Postado em 06/Jun/2014 às 16:49

    Não confunda a PM que traiu com a p... Que pariu!

  3. renato Postado em 06/Jun/2014 às 17:18

    ingenuidade achar que qualquer veiculo de comunicação se importa com a morte ou agressão de um funcionário. Morreu? põe outro no lugar,de preferencia mais barato. Politica no Brasil tem mais a ver com o capital que com o indivíduo e nesse momento crítico que vivemos o cidadão está valendo menos que a palavra do Maluf.

  4. Luiz Postado em 06/Jun/2014 às 17:41

    "Foi mal fessor". (TIROTEIO, Tiago, 2013)

  5. Rafael Martini Postado em 06/Jun/2014 às 18:26

    “Só aceito falar com o governador de São Paulo ou o secretário de Segurança”, ou seja, é o tipo de gente que faz uso da velha indagação "você sabe com quem está falando?". E se faz isso com autoridades públicas, o que não fará no dia a dia? Imagine ter de servir a mesa desse infeliz, cortar seu cabelo, fazer faxina, enfim. Os que estão a volta e trabalham para esse sujeito asqueroso é que são verdadeiros heróis. Tenho asco desse cara e de seu arremedo de programa e lamento por quem vê nele um "defensor do povo", ou o que quer que o valha.

  6. Denisbaldo Postado em 07/Jun/2014 às 00:42

    Datena...simplesmente o lixo do lixo. O que esperar deste ser?

  7. Deisi Postado em 07/Jun/2014 às 10:51

    O Dapena, está cada dia pior, a tempos seu jornaleco se transformou em palanque eleitoreiro, com apoio do Mitre, chega ao cúmulo de não terem pauta no dia que era esperada a greve geral em cinquenta cidades, mas como só teve em quatro, sua competente equipe não preparou nenhuma matéria, foi o maior fiasco, pior que O fala Brasil que logo de manhã prepararam helicóptero do comandante Hamilton que foi frustrante, mais eles tinham outras matérias, quanta incompetência.

  8. Ronaldo Ferreira Postado em 07/Jun/2014 às 10:58

    Filho da mãe esse repórter que apanha e bana o rabo pro policial agressor...meta um processo nele seu cordeirinho.