Redação Pragmatismo
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Uruguai 06/Jun/2014 às 12:20
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As consequências da legalização da maconha no Uruguai

Uruguai: após regulação da maconha, mortes ligadas ao tráfico da erva chegam a zero

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Nesta semana, durante debates na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado a respeito de regulamentação da maconha para uso recreativo, medicinal e industrial, o secretário nacional de drogas do Uruguai, Julio Heriberto Calzada, afirmou que seu país – o único no mundo a legalizar o cultivo, a comercialização e distribuição da maconha – conseguiu reduzir a zero o número de mortes ligadas ao uso e ao comércio da droga. A legalização foi decretada pelo presidente José Mujica há menos de um mês.

Ainda que reconhecendo que a legalização da maconha possa elevar o número de usuários, Calzada alega que “vale a pena correr o risco do aumento, desde que reduza o aumento de mortes pelo tráfico de drogas”, como relatou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), coordenador da discussão sobre o tema na CDH. O senador ainda diz que, antes de apresentar seu relatório aos integrantes da comissão, ele pretende realizar audiências com especialistas de diversos setores. Para o senador, a responsabilidade de o relatório estar em suas mãos é um “abacaxi”: “Gastei muitos anos de vida para ser o senador da educação. Não quero o carimbo de ‘senador que liberou a maconha’. Se tiver de colaborar para isso, salienta, será por “uma obrigação histórica”, da qual não possa correr, como explicou em entrevista concedida à Agência Senado.

Mesmo assim, o senador ressaltou que uma das maneiras de se livrar do tráfico de drogas é a regulamentação: “Vamos continuar vivendo com tráfico de drogas? Não. Como vamos nos livrar do tráfico? Uma das propostas que têm hoje é a regulamentação”. Além disso, o representante uruguaio também disse acreditar que a “combinação com outras ferramentas de política pública, em aspectos culturais e sociais, poderá modificar padrões de consumo e levar ao êxito na redução de usuários”.

Na audiência pública de ontem, a maioria das vozes era contrária à aplicação da experiência uruguaia no Brasil. Luiz Bassuma, ex-deputado federal, apontou que a atual população do Uruguai, em sua totalidade, provavelmente corresponde ao mesmo número de usuários de drogas no Brasil, cerca de três milhões. Bassuma argumentou que a facilitação do consumo de drogas refletiria diretamente em crianças e adolescentes e disse que regulamentar seu uso – mesmo em nome do fim da guerra contra o narcotráfico que clama a vida de milhares de pessoas todos os anos – seria incorreto.

Segundo a presidenta da CDH, senadora Ana Rita (PT-ES), a sugestão apresentada por meio de iniciativa popular foi apoiada por cerca de 20 mil pessoas em nove dias. Se tiver apoio dos parlamentares, a proposta pode ser convertida em projeto de lei. Nessa terça-feira (3), Calzada participou do seminário “Drogas: A experiência do Uruguai, um caminho fora da guerra”, em Porto Alegre.

Vinicius Gomes, Fórum

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 06/Jun/2014 às 12:35

    O próprio presidente uruguaio afirma em entrevista que o casa do Uruguai é diferente do caso brasileiro, visto a densidade populacional citando que lá tem duzentos mil usuários e ele via que poderia fazer um controle destes, até para convence-los a não usar a droga. Espero que o senador Cristovão não fique preocupado com a imagem dele apenas, e se preocupe com o custo para tratar os usuários caso haja uma liberação desta droga. É simples basta olhar o que as drogas lícitas estão fazendo com nossa juventude e com muitos pais, já existem várias leis para que estas não sejam alcançadas por jovens, como extinção de toda propaganda nos meios de comunicação, não exposição em lugar de destaque nos locais de venda e outras já conhecidas....

    • Denisbaldo Postado em 06/Jun/2014 às 13:02

      Ele não disse isso Eduardo. Ele disse que pelo fato do Uruguai ser um país pequeno e inexpressivo no cenário político mundial é muito mais fácil tomar uma decisão radical destas, afinal ninguém questionaria a influência imperial do Uruguai .O próprio EUA já está no mesmo caminho, com uma população muto maior do que a nossa. A Holanda está desativando presídios por falta de criminosos. Não adianta tapar o sol com a peneira, o melhor combate é a liberdade e a educação, o resto nós já sabemos muito bem como funciona.

      • Luiz Postado em 06/Jun/2014 às 17:57

        E outra, apesar do consumo aumentar, o consumo de cannabis é muito menos prejudicial que o do alcool (que tem o aumento do consumo incentivado por meio de publicidade na tv aberta em qualquer horario e em diversos eventos) e infinitamente, INFINITAMENTE menos prejudicial do que a guerra contra o trafico. Reduçao de danos é o nome.

      • Denisbaldo Postado em 06/Jun/2014 às 19:12

        Concordo plenamente com você Luiz, mas às vezes explicar o óbvio é tão difícil...Mas a evolução é inevitável, especialmente quando seus inimigos são...coxinhas (ignorantes)! hahahaha!

  2. eu daqui Postado em 06/Jun/2014 às 13:15

    É claro que a maconha só pode fazer bem. Imagina se não vai acabar sendo legalizada no mundo inteiro uma das drogas que imbecilizam.

    • Denisbaldo Postado em 06/Jun/2014 às 15:12

      Não se preocupe, não existe substância no mundo inteiro que faça uma pessoa ficar mais idiota do que você. E pelo visto, você consegue se cuidar, deve até conseguir limpar a bunda sozinha. O problema é o cheiro de merda que exala da sua boca.

    • ascorbila Postado em 08/Jun/2014 às 18:24

      Fala mal da maconha e aposto que bebe cerveja que pior que ''imbecilizar'' mata no trânsito =) Hipocritinha do coração do tio

  3. carlos Postado em 08/Jun/2014 às 08:50

    A experiência uruguaia mostra que a radicalização é o caminho a ser seguido. Se a legalização da erva derrubou pra zero as mortes decorrentes do tráfico, é óbvio que se legalizarem os assassinatos, os roubos, os estupros e, principalmente, os crimes de colarinho branco, começaremos a viver numa sociedade isenta de qq violência. O que os ignorantes coxinhas não entendem é que basta uma "pequena" inversão de valores para que cheguemos ao Paraíso.

    • Elias Postado em 08/Jun/2014 às 22:49

      O texto em si é uma falacia, o trafico sobrevive de uma rede de crimes, mesmo com a maconha legalizada a violência de qualquer país jamais ira diminuir por causa disso, apenas menos embate entre polícia e alguns traficantes, quanta bobagem.

    • Guilherme Gomes Postado em 28/Jun/2014 às 22:51

      Carlos, a diferença da legalização da maconha para a legalização do estupro é que na legalização da maconha o único que pode ser prejudicado é o usuário, que faz uso por escolha própria. Já viu alguém escolher ser estuprado? Seu argumento é tão raso...

  4. Alex Back Postado em 08/Jun/2014 às 11:51

    Tem muitos, muitos políticos que financiam suas campanhas com dinheiro do tráfico de drogas. Qual deles vai querer o Estado como sócio?

  5. Sandra Postado em 09/Jun/2014 às 00:08

    Eu acho que tem que proibir mesmo, reprimir, oprimir, prender,dar porrada nos viciados, encerrar num manicômio, vamos começar com a droga número 1 que causa mais dependência e mortes no país, a bebida alcoolica! Os beberrões, são um perigo pra todo mundo dirigem e matam, os embriagados que surram suas mulheres e filhos... Já ouviu dizer que o cara fumou um baseado e surrou alguém?

  6. Thaïs Postado em 15/Jul/2014 às 21:46

    Acho engraçado dizer que a legalização da maconha vai influenciar crianças ao uso, como se traficante pedisse carteira de identidade.