Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 10/Jun/2014 às 17:29
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Eduardo Campos e Marina Silva em crise

Eduardo Campos está à beira de um ataque de nervos com Marina Silva. Ex-ministra está insatisfeita com alianças do PSB com o PSDB

eduardo campos marina silva
Eduardo Campos e Marina Silva vivem momento delicado por causa de alianças (FOTO ED FERREIRA/ESTADAO)

O presidenciável Eduardo Campos estava de muito bom humor na manhã de hoje, quando se apresentou na Amcham, a Câmara Americana de Comércio, em São Paulo. A exceção se deu num breve momento da entrevista coletiva que concedeu após procurar transmitir aos executivos de empresas dos EUA e do Brasil que representa o novo na eleição deste ano. Foi quando lhe foi lembrado que sua futura companheira de chapa, Marina Silva, considerou “um equívoco” a aliança do PSB com o PSDB de São Paulo, em torno do governador Geraldo Alckmin:

“Ela não está dizendo absolutamente nada de novo. Ela disse o que sempre disse, não acrescentou absolutamente nada ao que ela disse. Não tem nenhuma novidade”, repetiu, procurando, em seguida, distinguir sua posição:

“Nós somos de partidos diferentes, fizemos uma aliança. Temos de respeitar uns as posições dos outros”, acrescentou, tentando retomar a atitude de sorriso e tranquilidade, mas, ao mesmo tempo, encerrando a própria entrevista e deixando rapidamente o auditório para tomar um carro que já o esperava de motor ligado.

Veja também: Marina Silva provoca racha no PSB

Àquela altura, o deputado Marcio França também havia se adiantado para sair. Um dos acompanhantes de Campos na Amcham, França é o nome cotado no PSB para formar a chapa de reeleição do governador Geraldo Alckmin. Ou isso, ou ser candidato a senador com, naturalmente, o apoio tucano. França declarou, após as críticas de Marina, que, por sua vez, queria o PSB com um candidato próprio em São Paulo, que Marina deverá deixar o PSB já no próximo ano, após as eleições.

SEM TRANSFERÊNCIA

Campos negou que o PSB tenha contratado uma pesquisa Ibope para medir o potencial de transferência de votos de Marina Silva para ele. Poderia ter procurado elogiar a futura companheira de chapa, mas preferiu outro caminho:

“As pessoas falam em transferência de votos como se fosse uma caixa cheia de voto que uma pessoa dá para outra. Isso acontecia só no tempo dos coronéis”, comparou. “Não encomendamos pesquisa nenhuma, se tivéssemos encomendado eu diria”.

Pode ser, mas, como ele mesmo disse, não foi a primeira vez que Marina Silva manifestou publicamente uma divergência com as decisões do partido. No momento em que ambos precisam ganhar pontos nas pesquisas de opinião, a crítica mostra mais a diferença do que a união entre eles – e isso não parece ser bom. Depois de experimentar o sabor de chegar a dois dígitos em algumas pesquisas, o ex-governador de Pernambuco cai para 7% de intenção na pesquisa Datafolha mais recente:

“A eleição ainda não começou. O que dá para ver é que o sentimento de mudança já tem 74% do público. As pesquisas quantitativas sobre os candidatos só valerão depois”.

Aos executivos, Campos procurou mostrar que representa “o novo” na política:

“É preciso ter coragem para mudar”, afirmou, garantindo que não irá lotear o governo, em caso de ser eleito, com atendimentos de pedidos partidários.

No entanto, a adesão do PSB à chapa tucana em São Paulo, ao contrário do que defendia o grupamento Rede, de Marina, se dá exatamente na perspectiva de o chefe político partidário local ser candidato a vice-governador ou senador com o apoio do PSDB.

Do púlpito em que falou aos sócios da Amcham, como já fez o tucano Aécio Neves, em maio, Campos atacou “os governos dos últimos 20 anos”, mas evitou citar a sigla PSDB como a primeira parte deste ciclo. Ao criticar a coalisão dos socialistas com os tucanos no maior Estado da Federação, Marina, para Campos, “não disse absolutamente nada de novo”, mas também se pode entender que ela tocou num ponto nevrálgico da candidatura, com extensão para todo o discurso do presidenciável.

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 10/Jun/2014 às 17:41

    Que legal, brigar com o PT e PSDB e querer chegar a presidência? Num mundo utópico ou em filmes de ficção isso seria possível.

  2. marcelo Postado em 10/Jun/2014 às 18:17

    Dudu Campos é muito escorregadio, não tem firmeza, nem posicionamentos nem quando dá entrevista. Fraco demais!!

  3. mariri Postado em 10/Jun/2014 às 18:51

    E sobre o #OCUPEESTELITA ninguem pergunta nao?? o Pragmatismo político não vai noticiar também?? Eduardo diz que sua política é nova mas no recife o psb demonstra a mesma parceira de sempre com o setor privado, especialmente com as construtoras que chegaram a doar mais 4milhoes de reais ao psb nas eleições de 2012. Eduardo fala como se o coronelismo tivesse acabado e ninguem pergunta sobre os desmandos das grandes construtoras em recife e em pernambuco dominando os meios de comunicação, censurando jornalista (Clóvis Cavalcanti do Diário de Pernambuco), e construindo torres enormes em espaços de patrimonio historico e ambiental. Sobre isso ngm pergunta e estou cada vez mais insatisfeita com o portal de noticias de vocês que alegam uma postura mais cidadã e democrática e no entanto continuam a centralizar as discussoes no eixo sudeste do país, sem dar espaço para as questões que se encontram às margens, fora deste eixo.

  4. Diego Postado em 10/Jun/2014 às 19:38

    Gostaria de saber qual seriam os planos de governo do Aécio e do Campos. Muito fácil apenas colocar a culpa no governo atual e não mostrar nada de novo para a população. Efetivamente hoje devemos votar no menos pior.