Redação Pragmatismo
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Homofobia 26/Jun/2014 às 17:15
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Assistindo a Copa em um bar gay

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Oliver Kornblihtt, Mídia Ninja

Seguindo as recomendações de um amigo, decidi ver a partida do Brasil contra Camarões em um bar gay da Rua Frei Caneca. Diversão garantida, pensei. Ao chegar lá, me encontrei entre umas 200 pessoas, maioria homens, 90% gays. Músculos, cabelos recém cortados, olhares cruzados. Camisetas do Brasil ajustadas ao corpo, muitas cervejas na mesa, quase todos eram grupos de amigos, alguns casais. Começa a partida. Tenho que admitir, os comentários durante o jogo eram muito engraçados. “Faz um gol neymar… seu heterozinho passivão!!!!!!”.

Foi uma festa do “jogo bonito” do Brasil e os gols se sucederam. A torcida gay é entusiasmada: canta, grita, dança, segue o jogo minuto a minuto e explode de emoção quando o Brasil mete um gol.

Em algum momento me desconectei do que estava vivendo ao meu redor e me vieram as palavras de EFFY (artista argentina performática transexual, bissexual, casta, judia, ateia e estrangeira que fez de sua sexualidade e de seu corpo uma obra totalmente revolucionária).

Seguindo as recomendações de um amigo, decidi ver a partida do Brasil contra Camarões em um bar gay da Rua Frei Caneca. Diversão garantida, pensei. Ao chegar lá, me encontrei entre umas 200 pessoas, maioria homens, 90% gays. Músculos, cabelos recém cortados, olhares cruzados. Camisetas do Brasil ajustadas ao corpo, muitas cervejas na mesa, quase todos eram grupos de amigos, alguns casais. Começa a partida. Tenho que admitir, os comentários durante o jogo eram muito engraçados. “Faz um gol neymar… seu heterozinho passivão!!!!!!”. A festa do “jogo bonito” do Brasil, os gols que se sucederam, a torcida gay é entusiasmada: canta, grita, dança, segue o jogo minuto a minuto e explode de emoção quando o Brasil mete um gol.

Em algum momento me desconectei do que estava vivendo ao meu redor e me vieram as palavras de EFFY (artista argentina performática transexual, bissexual, casta, judia, ateia e estrangeira que fez de sua sexualidade e de seu corpo uma obra totalmente revolucionária).

“Com a gente pessoas heterossexuais com uma vida classificada como heteronormativa que são muito mais queer que as lésbicas, gays, travestis e transexuais que têm práticas corporais classificadas como queer. Mas seus discursos e formas de codificar o mundo são totalmente fechados e normativo-neutralizados”.

Então me coloquei a pensar no que estava vivendo ao meu redor: como as condutas heteronormativas reforçavam o estereótipo masculino (para homens) e feminino (para as mulheres lésbicas) nas quais todos pareciam estar querendo se encaixar, esses quadrados de como tem que se ver um gay (atlético, com dinheiro, profissional). E não havia nenhuma travesti no público, nenhum “putito” de favela.

Todos paulistanos de classe média acomodada fazendo uso e direito de seus privilégios adquiridos dentro do limite do gueto da Rua Frei Caneca. Perguntei a um dos caras abraçado em seu namorado se não achava que São Paulo havia muito homofóbico na rua. Me disse que não necessitava demonstrar sua sexualidade em público. É muito louco que ainda nos autocensuramos entre nós mesmos, não?

Nesse momento todas as camisetas apertadas, os braços inchados de esteroides, essa pureza tão asseada, que me fazia sentir em uma encenação, se misturaram no discurso nacionalista “vamos brasil!”, do país lindo que recebe o mundo para mostrar que é todo alegria.

“Você está ficando muito chato”, pensei. Aceitei uma cerveja oferecida e voltei a rir com as marchinhas do público que se despedia de Neymar com o grito de “Afeminada! Afeminada!”. Apropriação, somatização ou reversão do discurso homofóbico?

Quando a partida terminou explodiu a festa. Se incendiaram as caixas de som e um DJ armou seu set de música. Esperava os funks e ver todos mexendo até o chão, mas a música eletrônica deu lugar.

Volto a pensar: será possível construir um outro território onde esses códigos de gueto sejam suspensos e o gênero um pouco mais “des-feito”, as trajetórias da experiência sexual, afetiva, corporal, das pessoas sejam mais livres? Será possível em um bar gay paulistano, assistindo ao jogo Brasil contra Camarões?

E que problema seria se Neymar fosse um heterossexual e afeminado?

(Fotos: Oliver Kornblihtt)

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Comentários

  1. Eduardo Postado em 26/Jun/2014 às 17:33

    Parei de ler onde diz "Músculos, cabelos recém cortados, olhares cruzados. Camisetas do Brasil ajustadas ao corpo...". Vendo as fotos, constatei que não é bem assim. E o 'mundo gay' também não é bem assim...

    • Paulo Henrique Postado em 26/Jun/2014 às 18:35

      Seria muito pequeno pensar que o mundo gay é, somente, isso mostrado nessa matéria. E quanto às cenas de preconceito, que fique claro: isso não é só coisa de hétero. Somos todos educados nos mesmos moldes, uma educação machista, excludente e heteronormativa, tão medonha, cruel e opressora.

  2. Pereira Postado em 26/Jun/2014 às 17:38

    Preferiria ainda o bar da elite do outro post, pelo menos la não pareceu ter militância gayzista como nesse aí.

    • Daniel Postado em 26/Jun/2014 às 17:51

      Pô, Pereira, vc não entendeu nada.

      • Pereira Postado em 26/Jun/2014 às 17:59

        A única coisa que da para entender nesse site é : 1) Fede a comunismo; 2) É anticristão; 3) É pago pelo PT; 4) Abona os desmandos do governo como PNDH3 , PNPS , criação de controle de mídia e etc.;5) Adora o politicamente correto; 6) Adota filosofia Gramsciana como faz seu partido mantenedor; 6) Tenta de todas as formas obter ganho político para o partido, mesmo que passe por cima da coerência.

    • Rodrigo Giotto Postado em 26/Jun/2014 às 18:37

      Se não gosta.. por que tem sempre tem aquela insaciável vontade de comentar aqui? Por que não migra pra outro site onde tenha essas suas opiniões medíocres?

    • Alexandre Postado em 26/Jun/2014 às 19:36

      e mesmo sendo tudo isso que você disse, vejo comentários seus quase todos os dias, ou é masoquista ou não deve ter coisa melhor na vida pra fazer, já que perde tempo lendo uma mídia que você mesmo condena.

      • Deisi Postado em 26/Jun/2014 às 20:55

        Realmente Alexandre, não dá para entender, nem Freud explica, mas tem uns outros muito piores, arrogantes, soberbos. Acho que o passatempo preferido dos coxinhas, é vir aqui trolar e encher o saco, mas eu estou vacinada, pulo todos comentários desses patéticos. Vai a dica, Pereira, Rodrigo, Elias, Matheus B, Carlos Prado, Esses ai me dão gastura, cruiz credo.

  3. Rodrigo Martins Postado em 26/Jun/2014 às 17:40

    Eu, gay, confesso que não entendi algumas passagens do texto, nem o propósito, nem o ponto de vista defendido.

    • Jamil Postado em 26/Jun/2014 às 18:33

      Realmente, que texto confuso e mal escrito. Primeiro que se repetem dois parágrafos, faltou revisão e parece que foi escrito em cima da hora. Não vi musculosos nas fotos, não vi tanta gente assim com camisa do Brasil super colada e eu gostaria de saber como ele sabe que os caras fortes que viu no lugar utilizam esteroides.

  4. Marcelo Postado em 26/Jun/2014 às 17:53

    Estranha reportagem onde parece que tudo que autor leu sobre as teorias liberta'rias gays pudessem ser comprovadas ou desprovadas em uma u'nica visita a um bar gay durante a copa do mundo. Sera' preciso muito mais visitas e mais observacoes para descobrir que talvez ningue'm afirmava que Neymar e' efeminado no sentido "literal".

    • Paulo Henrique Postado em 26/Jun/2014 às 18:46

      No início da leitura senti que algo não estava legal, vi despreparo, pois o profissional cedeu lugar para o pessoal.

  5. Tammy Postado em 26/Jun/2014 às 18:12

    Ai, ai, ai, ai, ai.... Meus neurônios não aguentam mais essa politização do sexo. Existe um padrão pra ser hetero, um padrão pra ser gay... tá tudo errado pra quem não está nesse padrão. Ser gay parece ter como pré-requisito ser um intelectual conhecedor de política, psicanálise, sociologia, antropologia... sua postura sexual requer um posicionamento politicamente definido, pois, ser gay é ser revolucionário. Minha Nossa!!! Tem gays que querem ser apenas... gays.

    • Renato Carvalho Postado em 26/Jun/2014 às 18:39

      E mais, no texto parece que fica evidenciado que pra ser gay tem que manter o esteriótipo do afeminado, existem os que não e os que não são! Simples assim! Mania de hétero querer ver padrão em tudo!

      • guilherme Postado em 26/Jun/2014 às 21:58

        No Brasil para ser minimamente tolerado, precisa NAO ser afeminado. Afeminados, trans e ambiguos sao execrados (inclusive pelos proprios gays, como ele demonstra no texto). Mas, obviamente, para o Sr Renato, se faz necessario somente citar o fato de existirem gays para que este creia em ditadura gaysista.