Redação Pragmatismo
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Desigualdade Social 02/May/2014 às 18:18
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A vida na primeira favela da Alemanha

Primeira "favela" de Berlim reúne sem-tetos e ativistas contra gentrificação. Moradores rejeitam o termo favela e preferem se referir ao local como acampamento

favela alemanha

DW

Às margens do rio Spree, no bairro berlinense de Kreuzberg, um terreno baldio, mais ou menos do tamanho de um campo de futebol, chama a atenção no meio de empreendimentos imobiliários modernos e luxuosos.

Lá, entre o mato que não para de crescer, na esquina das ruas Cuvry e Schlesische, tendas e barracas se amontoam, formando aquilo que a imprensa local chamou de “a primeira favela da Alemanha”.

Os cerca de 60 moradores da “Cuvry”, como o local foi apelidado, não gostam de se referir ao local como favela. Eles preferem chamá-lo de acampamento.

A localização das barracas não parece seguir uma lógica. No entanto, imigrantes da Romênia e da Bulgária ficam numa área separada do restante dos habitantes. Os primeiros moradores chegaram em meados de 2012, depois de uma série de projetos para ocupar o terreno não ter ido para frente.

Há duas entradas e cartazes espalhados por todos os cantos avisando que fotos são proibidas. A proibição atrapalha passeios guiados especializados em grafite, já que no local estão dois dos principais murais de arte de rua de Berlim, feitos pelo grafiteiro italiano Blu.

“Quando trago meus grupos aqui, já aviso para eles guardarem as câmeras para evitar problemas com os moradores”, conta a guia turística Caro Eickhoff.

favela alemanha berlim
Habitação típica da Cuvry, terreno onde moram cerca de 60 pessoas na região central de Berlim

A comunidade é fechada, e os habitantes são muito reticentes na hora de dar entrevistas. A grande maioria se recusa a falar com jornalistas. Os poucos que cederam aos pedidos de entrevista pediram para não ser identificados.

“Muita gente aqui já teve más experiências com a mídia, então prefere não falar”, diz uma jovem alemã que mora na Cuvry há oito meses. Vinda do interior da Alemanha para estudar em Berlim, ela procurava o endereço de um albergue na região quando ficou sabendo do acampamento.

“Minha primeira noite aqui foi dentro daquele barraco”, diz ela, apontando para uma estrutura rudimentar de madeira que, durante o dia, abriga uma biblioteca comunitária. Agora, ela divide uma tenda com dois amigos e mantém uma horta em seu pequeno quintal, onde planta tomates, pepinos e rabanetes.

Seu principal projeto para o futuro é conseguir montar uma barraca para morar sozinha. “Se depender de mim, não saio mais daqui. Essas pessoas viraram minha família.”

Em tese, qualquer um pode morar na Cuvry. De acordo com alguns moradores, quem quiser montar uma barraca no local só precisa conversar com os futuros vizinhos para verificar se o espaço está realmente livre.

Também não há uma liderança definida, e tudo é decidido em reuniões plenárias entre os moradores – desde os responsáveis por pequenos reparos nas moradias até como separar o lixo na hora de fazer a reciclagem.

favela alemanha

As discussões são, em sua maioria, feitas em inglês por conta da mistura de nacionalidades. Não há água encanada e os banheiros são improvisados, com buracos feitos no chão.

Drogas e violência

A DW Brasil visitou o local em duas ocasiões: um domingo e uma terça-feira, sempre no período da tarde. É possível ver garrafas de bebidas alcoólicas em todos os cantos – há até um bar funcionando no local. Todas as noites, uma fogueira é acesa, e, com alguma frequência, festas são realizadas. O uso de drogas é comum.

“Passo minhas tardes sempre aqui, fumando maconha e relaxando”, conta um imigrante africano de Gâmbia que pediu para não ser identificado. Um outro morador do local, que se identificou como Philip, até mostrou o lugar preferido de alguns moradores para o consumo de drogas – uma área escondida, no meio do mato, com sofás e poltronas amontoadas.

“Moro aqui há mais ou menos um ano e é perfeito porque, além de ser de graça, também tenho amigos”, explica Philip. Segundo ele, no verão há mais moradores do que o normal – durante o rigoroso inverno alemão, o número de habitantes da Cuvry cai pela metade.

A jovem alemã que acompanhou a DW Brasil durante uma das visitas ao local disse que, apesar de o clima entre os moradores ser tranquilo na maior parte do tempo, o consumo de drogas ainda é um problema. “O que me incomoda mais são as crianças que moram aqui. Um lugar assim não é o melhor ambiente para alguém crescer.”

Gentrificação

A ocupação do terreno onde a Cuvry está instalada começou em 2012, depois de artistas, ativistas e sem-teto se mudarem para o local seguindo manifestações contra a construção de um shopping center. O projeto foi interrompido após protestos dos moradores de Kreuzberg contra a gentrificação do bairro.

O impasse, porém, continua até os dias de hoje, e os moradores da Cuvry estão constantemente sob ameaça de despejo.

Há até um abaixo-assinado na internet, no site www.change.org, que pede que o local seja transformado num parque. “Queremos discutir com os habitantes, com os vizinhos e com a cidade a criação de um parque semipúblico que também funcionaria como um espaço para moradia de refugiados, sem-teto, artistas e pessoas que querem viver fora do sistema ‘normal’”, afirma o texto do abaixo-assinado.
“Sabemos que há um problema de violência e alcoolismo entre alguns dos habitantes dessa área e nós apreciamos a tolerância e paciência de nossos vizinhos e esperamos poder evitar a ação policial ou o despejo dos moradores”, diz o documento.

Num vídeo da campanha pelo abaixo-assinado, postado no YouTube, um dos porta-vozes da comunidade, identificado apenas como Sascha, diz que muitos dos que moram na Cuvry estão ali para lutar contra a gentrificação de Berlim.

“Nós ocupamos este espaço para mostrar que há um estilo de vida diferente do estilo de vida pregado pelo ‘sistema’”, diz ele. “Esta é uma luta contra os investidores que querem explorar a nossa cidade.”

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Comentários

  1. Alexandre Lopes Postado em 02/May/2014 às 18:57

    Adorei ! Seria um bom lugar para mim .

  2. Thiago Teixeira Postado em 02/May/2014 às 19:42

    E ai Glória Maria? Essas imagens da Europa você mostrará no fantástico. Suas "reporcagens" sobre Índia e Nigéria ainda estão entaladas na minha garganta, só mostrou o lado mais miserável dos países. Fora a pérola "A África é um pais ...".

  3. José Ferreira Postado em 02/May/2014 às 23:47

    A Alemanha está a virar Brasil. A Alemanha não é mais aquela...

  4. Elias Postado em 03/May/2014 às 00:15

    Esses sites de esquerda são uma verdadeira piada, elogiam a Coreia do Norte e mostram a "favela" da Alemanha kkkkkkkkkkkk

    • Thiago Teixeira Postado em 03/May/2014 às 07:25

      Essa mídia golpista (JN) é uma verdadeira piada, elogiam a Alemanha e mostram fotos de satélite da Coreia do Norte com pouca iluminação.

      • Elias Postado em 04/May/2014 às 09:48

        Thiago acorda para a vida, Coreia do Norte existem relatos de canibalismo, a população é completamente doutrinada, simplesmente nem se quer pensam sem o governo.

      • Thiago Teixeira Postado em 04/May/2014 às 14:44

        Aposto que você leu isso na Veja.

      • Elias Postado em 05/May/2014 às 19:24

        Thiago eu não li na veja existe net hoje em dia, sites sérios sobre isso, alienado demais.

    • Mauro Postado em 03/May/2014 às 12:42

      Essa Midia é uma piada:para ela Hugo Chaves é um ditador, Angela Merkel uma líder!

      • José Ferreira Postado em 03/May/2014 às 15:48

        A Alemanha tem uma favela. Quantas favelas tem o Brasil? Quantas submoradias tem Cuba? A Alemanha está a virar Brasil, mas falta muito até cair a esse ponto.

      • Denisbaldo Postado em 03/May/2014 às 16:08

        É mais fácil o Brasil virar a Alemanha do que o inverso. A Alemanha tem a preciosidade mais rara do planeta, um povo educado e respeitador. Eles têm cérebros ricos, e não somente um solo rico como o Brasil.

      • Elias Postado em 04/May/2014 às 09:49

        José a Alemanha tem uma das populações mais educadas do mundo, eles estudam o Brasil como alienígenas, funk lá é objeto de estudo pelo amor de deus kkkkkkk, postam uma foto de um prédio velho e pronto está virando o Brasil kkkkkkkkkkkk, esquerda tem merda na cabeça kkkkk

      • José Ferreira Postado em 04/May/2014 às 14:43

        É como disse: Para a Alemanha virar Brasil terá que cair bem mais que isso.

  5. vilmar Postado em 03/May/2014 às 20:32

    é preciso saber que não existe mais terras de indios americanos nem terras de negros africanos pra invadir e se apossar escravizando os proprios donos e viver as custas da miseria aleia. os recursos aleios tambem acabam. agora vai começar a realidade de cada povo.

    • Carlos Prado Postado em 05/May/2014 às 10:39

      Esta de explorar outros povos nunca trouxe grandes riquezas e desenvolvimento, não foi lá muito melhor para metrópole do que foi para a colônia. Não é essa a chave da riqueza. A riqueza não é fixa. Hoje tem-se um carro, amanhã um bloco enferrujado e compactado de metal; hoje se tem uma banana, amanhã já não se não tiver um cultivo da fruta. Logo não faz sentido enriquecer as custas dos outros. Um ou outro ladrão pode dar esta sorte, mas jamais se pode manter um país assim. A riqueza de um não se dá pela miséria de outro. Largam-se os homens na natureza sem nada e teremos a completa pobreza. A água potável, os vegetais passíveis de coleta e os animais a se caçar pouco durariam com um décimo da nossa população atual. Povos prósperos e ricos são aqueles que podem construir riquezas. Aqueles que acumulam capital e bens produtivos como uma fazendo da agricultura mais extensiva, como os incas; ou que fazem máquinas que produziram manufaturas mais baratas que artesões, os que tem ao seu redor fábricas e serviços variados. Riquezas não são eternas e não surgem nem da exploração de outros nem de canetadas mágicas.

  6. pauloribeirojunior Postado em 03/May/2014 às 21:59

    Uma favela na Alemanha já é interessante,imagine os problemas deles lá se são diferentes dos nossos: exclusão social, problemas com a mídia, drogas, risco de despejo, etc....Gente é Alemanha, não é a África não, que tanto a globogolpe gosta de mostrar.....

    • José Ferreira Postado em 03/May/2014 às 22:39

      O pessoal gosta de xingar a Globo (não que eu goste), mesmo quando ela não tem nada a ver com a matéria.

  7. eu daqui Postado em 05/May/2014 às 10:50

    Logo vi que só podia ser coisa de drogado mesmo........