Luana Tolentino
Colaborador(a)
Compartilhar
Racismo não 06/May/2014 às 16:07
60
Comentários

O dia em que decidi não ser a mucama da sinhazinha

“Precisava encontrar alguma palavra que convencesse a minha patroa do mal que a menina havia me feito. Tereza precisava entender que a dor não era causada pelo pão, mas por todas as maldades praticadas pela filha. Minha mente parecia confusa”

Luana Tolentino*, Viomundo

Em homenagem ao dia do Trabalhador Doméstico, comemorado no último dia 27 de abril, a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) assistiu à sessão realizada na Câmara vestida de doméstica, função que já exerceu.

A meu ver, não há no Brasil outra profissão que guarde tantos traços do período escravocrata. Mesmo com a aprovação da emenda Constitucional que ampliou os direitos trabalhistas da categoria no ano passado, muitas são as mulheres que ainda são exploradas e violentadas em lares de todo o Brasil.

E, motivada pelo ato de Benedita, decidi também homenageá-las e, mesmo que timidamente, fortalecer a luta por direitos em benefício das empregadas, babás, faxineira e diaristas desse país.

O relato que se segue faz parte de um período doloroso da minha vida. Assim como Benedita e tantas outras meninas e mulheres negras, entre os 13 e 18 anos limpei vidros, lavei banheiros, encerei pisos. Como parte dessa história, por diversas vezes fui humilhada e aviltada.

Tive o privilégio de fazer escolhas. Seguir outros caminhos, mas sem jamais esquecer das minhas companheiras que permanecem nessa profissão.

******

O CASO DO PÃO MOFADO

Belo Horizonte, julho de 1999.

Eram seis e meia da manhã. Acordei com o chamado do meu pai.

No dia anterior, havia feito faxina na cozinha. Em consequência, sentia dores por todo o corpo. Estava angustiada. Não sabia como faria para ir ao colégio à noite. Há mais de uma semana não lavava a blusa do uniforme. Há mais de dois meses não havia água em casa. Aflita, busquei uma solução com a minha mãe:

– Como vou fazer para ir à escola hoje? Meu uniforme está muito sujo.

Acostumada com a vida difícil de quem nasceu na roça, respondeu com a resignação que lhe é peculiar:

– Minha filha, vá assim mesmo. É só você não ficar perto dos seus colegas.

Refleti um pouco sobre as palavras da minha mãe. O que ela propôs era impossível. Como não ficar perto dos meus colegas?! E se a professora pedisse para olhar os cadernos?! Poderia ser ainda pior…Comunicaria à direção da escola que eu estava frequentando as aulas sem tomar banho. Atormentada por todas essas possibilidades, insisti:

– Mas, mãe…. E se você estivesse no meu lugar? Iria suja para escola?!

Ela não gostou muito do meu tom desafiador. Para encerrar a conversa, devolveu a pergunta:

– O que você quer que eu faça?

Sabia que a minha mãe não podia fazer nada, mas, ao mesmo tempo, queria apenas uma blusa limpa e, assim, poder estudar em paz. Peguei as minhas coisas e fui trabalhar. Ao longo do dia, daria um jeito de lavar o uniforme e não perder a aula. Encontraria uma saída.

Ao chegar à casa da Tereza, minha patroa – não há palavra na língua portuguesa que me cause tanta ojeriza – encontrei copos, talhares e pratos espalhados sobre a mesa da copa. Patrícia, sua filha, decidiu brincar com o conjunto de louças da mãe. Puro capricho. Não existia a menor necessidade. A menina possuía um armário repleto de brinquedos.

Lavei tudo. Senti um pouco de raiva. A brincadeira atrasou todo o meu serviço. Patrícia, aos 10 anos, já sabia que eu era a empregada. Dela. Portanto, era a minha obrigação limpar e guardar tudo o que ela deixava espalhado pela casa.

Cozinha arrumada, fui à padaria. Patrícia insistia em dizer que eu era muito mole, insolente. Precisava voltar depressa. Comprei oito pães, como fazia todos os dias. Também, sem necessidade. Ninguém os comia. Ao final da semana, acumulava-se uma enorme quantidade de pães velhos na gaveta da cozinha.

Ao retornar, parei para tomar um café. Sentia fome. Já passavam das 9h e ainda não havia comido nada. Patrícia me olhava em silêncio, como se estivesse vigiando cada passo que eu dava. Tinha mania de espalhar moedas pela casa, como quem arma uma ratoeira e espera que o rato coma o pedaço de queijo envenenado. Aprendi a não revidar as provocações e seus insultos. Não queria confusão. Precisava do trabalho e do dinheiro. Na minha casa, além da água, faltava luz e comida. E enquanto eu cortava o pão que acabara de trazer da padaria, com o dedo em riste, ela gritou:

– Luana, deixe esse pão aí, agora! O seu pão está na gaveta.

Assustada, deixei a faca cair no chão. A única lágrima que brotou dos meus olhos teve o mesmo destino. Sobre os meus pés, um abismo que parecia não ter fim. Sentia o meu corpo despencar.

Permaneci calada. Não reagi. Não consegui processar o que ela havia me dito. Assim como eu, Patrícia sabia que os pães guardados na gaveta estavam velhos, mofados, bolorentos. Sabia que seriam despejados no lixo em breve. Não conseguia acreditar na crueldade da menina.

Em seguida, a aparente inércia, deu lugar à raiva. Ao pranto. Meus sentimentos se misturavam de maneira intensa. Não era mais possível guardá-los como me habituei a fazer. Era a minha vez de gritar:

– Cale a boca, menina! Cale a boca! Hoje eu não quero ouvir a sua voz! Com toda a minha força, arremessei o pão na direção de Patrícia. Errei o alvo. Parecia cega. De ódio.

Ao ouvir a gritaria, Tereza interrompeu o tratamento de beleza e desceu as escadas correndo, tentando entender o que se passava na cozinha. Mais uma vez, o dedo indicador era apontado para o meu rosto:

– Luana, do meu quarto, escutei você dizer que não quer ouvir a voz da Patrícia! O que significa isso?

A essa altura, não mais conseguia conter as lágrimas. Em meio ao choro, implorava para ser compreendida. Desejava a reparação da injustiça que acabara de sofrer:

– Ela disse que eu devia comer o pão mofado, Tereza! Ela disse! Respondi, desesperada.

Diante da cena, Tereza permaneceu muda por alguns instantes. Patrícia permanecia acuada, sem esboçar qualquer reação. Ao ver a filha dessa maneira, olhou no fundo dos meus olhos. Sem a menor compaixão, foi breve e direta:

– Luana, você não tem o direito de falar assim com a Patrícia! Ela é uma criança! Você devia se envergonhar do que fez! Tanto escândalo por causa de um pedaço de pão!

Tentei argumentar. Precisava encontrar alguma palavra que convencesse a minha patroa do mal que a menina havia me feito. Tereza precisava entender que a dor não era causada pelo pão, mas por todas as maldades praticadas pela filha. Minha mente parecia confusa. Desta feita, esbocei apenas duas palavras, quase a implorar:

– Mas, Tereza…

Em vão. Tereza pegou Patrícia pelas mãos. Seguiram as duas para o andar de cima. Permaneci na cozinha. Só. Humilhada. Esqueci da fome. Do pão e do café. Esqueci da blusa do uniforme sem lavar.

Sentia uma tristeza profunda. Doía-me a alma. Em meu peito, uma ponta de ódio. Sentimento desconhecido por mim até então. À Patrícia, sempre devotei um grande amor. E com esse amor, a coloquei para dormir por diversas vezes. Ajudei-a quando não conseguia se equilibrar ao aprender andar de bicicleta. Cinco anos antes, foi comigo que Patrícia aprendeu a ler e a escrever. Não entendia como ela podia ser tão perversa.

O dia estava apenas começando. Era necessário enxugar as lágrimas que teimavam em deslizar pelo meu rosto abatido diante de tamanha crueldade. A casa era enorme. Casa-Grande. Três banheiros, três salas, quatro varandas, quintal, garagem, cozinha. Tereza e Patrícia. A sinhá e a sinhazinha mimada. Decidi não ser a mucama.

Em meio a tudo isso, existiam sonhos vivos e possíveis, e o desejo de uma outra vida. Digna, sem tantas humilhações e silenciamentos.

PS: Esta história é real, apenas os nomes da menina e da mãe são fictícios, para preservar-lhes a identidade.

*Luana Tolentino foi babá, faxineira e empregada doméstica entre os 13 e 18 anos. Hoje é professora e historiadora. É ativista do Movimentos Negro e feminista.

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook.

Recomendados para você

Comentários

  1. Pereira Postado em 06/May/2014 às 16:52

    Nossa os caras se puxaram no coitadismo dessa vez. Eles já gostavam desse tipo de apelação, acharam essa história para deleite deles.

    • Rafael Rangel Postado em 06/May/2014 às 21:55

      Rapaz, você não tem o mínimo de empatia social, não tem nem ideia do significado dessa palavra. Recoheço que às vezes é difícil, tenho grande dificuldade em me colocar no seu lugar, o do opressor inescrupuloso. Cuidado, rapaz, você talvez tenha tendência sociopata.

      • Carlos Prado Postado em 07/May/2014 às 14:16

        Empatia social é uma coisa. Mas se aproveitar disso para manipular as pessoas para que elas pensem que estão ajudando aos necessitados ao invés de ajudarem os necessitados é outra.

    • Roger Postado em 07/May/2014 às 14:29

      Quem nasceu na Casa-grande não consegue ver a dor da Senzala. Para você é "coitadismo", para milhões é realidade.

      • Lilly Postado em 07/May/2014 às 15:50

        Eu acho que se errasse o alvo, jogava de novo pra acertar, e ainda falava assim: Cala a boca se não te jogo café quente, menina horrorosa, seu pai vai quebrar, e vc. vai ter que trabalhar no Sexshop!

      • Carlos Prado Postado em 07/May/2014 às 22:07

        Eu mesmo tenho histórias muito mais tristes na minha própria vida e na de meus pais, que não são velhos ainda. E nem digo que isto foi coitadismo, mas digo que tem muito por ai. Este texto foi mesmo uma aberração. Sei as vezes como é criança mimada, em pobre mesmo tem umas, e que a deputada na época era uma adolescente despreparada para tudo. Mas hoje ela não consegue avaliar que ela fez besteira em não avisar a mãe da criança antes e em esperar estourar com a menina? Hoje ela é incapaz de reavaliar que não estava certa, ou é que a história serve para a manipulação da agenda política dela?

    • John Postado em 07/May/2014 às 14:35

      Cara, você fica o dia todo lendo textos daqui, que obviamente não gosta, só pra poder reclamar nos comentários. Sinto muito pela sua vida triste; se quiser ajuda, conheço profissionais que podem lhe dar apoio. Ficar espumando na internet pode parecer uma boa ideia agora, mas certamente vai ter problemas no futuro se não procurar um tratamento.

      • Pereira Postado em 07/May/2014 às 15:05

        Jonh eu nao fico o tempo todo aqui, isso é mentira e tampouco comento tudo. Eu particularmente acho um lado bom do site, acho um exemplo daquilo que não deve ser seguido. Eu sou uma pessoa muito dinâmica, enquato escrevo comentários por aqui, estou concluido tarefas no trabalho. Levo em média poucos segundos para escrever um comentário, porque para rebater os esquerdopatas daqui não precisa muito emabasamento, vou escrevendo o que minha memória dispõe no momento de digitar o comentário.

    • Rafael Postado em 07/May/2014 às 14:46

      Sabe o que eu sinto por pessoas que pensam como você Pereira? Pena! Pena pela pequenez da sua pessoa. Pena por você nem se dar conta disso.

    • J Wilson Postado em 14/Nov/2014 às 12:56

      Voce vive em um "universo paralelo"

  2. Thiago Teixeira Postado em 06/May/2014 às 18:23

    Essas Patrícias são criadas desde o berço. Elas crescem, viram moças e são as mesmas que serão obrigadas a conviver com o povo mas nas condições de médicas, donas de comércio, diretoras de empresa, patroas de modo em geral. São as mesmas que disseminam ódio ao ver uma pessoa com o cartão do Bolsa família, e esquece que um funcionário motivado precisa do mínimo do mínimo de contratante (café da manhã, almoço, vale transporte, respeito e consideração).

    • Ana Postado em 07/May/2014 às 14:23

      palavras perfeitas! concordo plenamente!

    • Cátia Postado em 07/May/2014 às 14:44

      Gostei da consciência de seu comentário. Sua visão é descortinada, sem névoa. Boa!

  3. Marco Aurelio Postado em 06/May/2014 às 21:34

    Diga-se de passagem, o horror que o Bolsa-família causa à esta classe deve-se unicamente ao fato de encarecer a mão-de-obra doméstica, agora não tão barata.

    • Thiago Teixeira Postado em 07/May/2014 às 07:59

      Faz um favor cara, pegue a sua Folha de São Paulo e pesquise nas colunas sociais um evento para este final de semana, a Danuza Leão pode estar lá para compartilharem boas idéias.

      • Joao Laion Postado em 22/May/2014 às 16:55

        hahahahaha Sensacional, Thiago! Palmas!

  4. da silva Postado em 06/May/2014 às 23:00

    Nossa eu sempre achei o tal Pereira ridículo , mas desta vez exagerou na dose é patético ,e veio através deste comentário comprovar ,exatamente o que é . Esse tipo de pessoa como a tal menina , que vejo a cada dia multiplicar sem nenhum controle .Porque passa de geração à geração ; e com isso e mais algumas que eu estou perdendo a fé na humanidade . Falta respeito em todas classes sociais e segmentos , assim fica complicado o mundão ter jeito .

  5. Rodrigo Postado em 07/May/2014 às 08:24

    Imagine você, alguém que você confia e contratou para cuidar da sua filha aí você a ouve gritar: " – Cale a boca, menina! Cale a boca! Hoje eu não quero ouvir a sua voz! Com toda a minha força, arremessei o pão na direção de Patrícia. Errei o alvo. Parecia cega. De ódio." Realmente você acha isso certo? Em algum momento ela procurou a patroa para cuidar contar as humilhações ? Demitia e por justa causa! Se a mãe nunca levantou a mão contra a filha porque deveria deixar outra pessoa fazer ?

    • Juliana Postado em 07/May/2014 às 09:02

      Cara, sou a maior defensora de direitos humanos. Me compadeço com a situação da Luana. De verdade, de verdade mesmo. Mas a Tereza não tem como saber o que está se passando na vida da Luana, ela nunca saberá. Então não adianta a Luana vir contar a sua história (de fato, comovente) de vida porque a sua patroa não tem conhecimento disso! O que a Tereza sabe é que estava tudo bem até o momento em que ela ouve uma gritaria na cozinha, sua funcionária chorando logo após ter "arremessado o pão na direção da Patrícia" e gritado que "cala boca, não quero ouvir sua voz"? que isso? é uma menina de 10 anos. Mimada? Sim. Ainda assim, 10 anos. O correto talvez não seria Luana ter falado, num tom de igual pra igual: "você comeria aquele pão? então, por que acha que eu deveria?" e, aí sim, ter dado uma lição realmente valiosa pra criança. Sem julgamentos, galera. Não estou dizendo que Tereza e Patrícia estão certas no seu lugar de "sinhá" e "sinházinha" e nem a Luana como "mucama". Não existe vítima e vilão nessa história, só pontos de vista.

      • Joao Laion Postado em 22/May/2014 às 17:00

        Você já limpou a privada e lavou as calcinhas de alguém? Você limparia toda minha casa, de ponta a ponta, lavaria minha cuecas, as da minha namorada e limparia a caixa dos meus gatos por quanto? Quanto vc cobraria? Quais seriam suas exigências?

    • Bruno Postado em 07/May/2014 às 10:18

      Voce acha certo tratar uma empregada como se fosse um animal?Claro vc não passa de um desses arrogantes da classe média que acha que só porque se encontra numa condição financeira melhor tem o direito de humilhar os outros.E essa menina merecia sim um tabefe na cara dos grandes.

  6. Pereira Postado em 07/May/2014 às 11:07

    Uma pessoa que grita com uma criança de 10 anos, seja por qual motivo for, ao invés de educá-la perde totalmente a razão. Diálogo zero no caso, apelar para o vitimismo é mais fácil e exige menos intelecto.

    • André Postado em 07/May/2014 às 15:01

      Pereira, acho que faltou atenção a detalhes do texto, uma adolescente que gritou com uma criança - Luana trabalho entre os 13 e os 18 anos - isso depois de uma humilhação sofrida - largue este pão novo e vá comer o pão velho e estragado - e sabe-se lá quantas humilhações ocorreram antes? - e pra deixar claro, já vi muito: crianças "riquinhas" e mimadas que passam por cima de tudo, algumas não tem respeito nem mesmo pelos pais, quanto mais pelos escra.... ops! empregados. Ah, pra não se esquecer: comportamento de filhos frente a empregados normalmente refletem algum comportamento dos pais. Também conheci mulheres, a grande maioria nascidas no interior, em locais humildes que lá pelos seus 13, 14 anos de idade foram "arrastadas" de seus lares e do convívio da família, arrastadas com a promessa de que morando na casa do patrão, na 'cidade grande' teriam melhor acesso ao estudo e oportunidades.... isso claro, depois de faxinar a casa toda, cuidar das crianças, fazer as refeições, lavar os banheiros, as louças, as roupas sujas, aturar toda a sorte de humilhações e assédios - inclusive assédio sexual, vezes vindos dos patrões ou de seus filhos, vezes vindos de outros empregados - isso pra receber menos que um salário mínimo, dormir em um espaço apertado normalmente ao lado da área de serviços - já que não podem se esquecer que são escrav... empregadas, não saberem o que é 13º, férias??? Só quando os patrões querem viajar com os filhos e não querem uma "neguinha" do lado, ou quando a passagem aérea é mais cara que contratar uma 'babá' no destino.

    • Joao Laion Postado em 22/May/2014 às 17:02

      Espero que vc tenha esse pensamento com os meninos de rua negros tbm! = )

      • Olga Postado em 14/Nov/2014 às 20:07

        Muito bom João! ahahahahaha Adoro esse direcionamento do olhar compreensivo desse povo...

  7. Pereira Postado em 07/May/2014 às 11:09

    A menina está implorando por educação e limites, e o que recebe? gritos e o julgamento de um "crime cometido".

    • Karolina Postado em 08/May/2014 às 14:36

      Pare de deturpar o propósito do texto meu filho... tá ficando feio pra vc...

  8. Rodrigo Postado em 07/May/2014 às 12:50

    E Bruno pare de falar merda, não sou classe média. Só vejo que o certo é que cada ofensa que seja que ela receba relate a patroa, o que ela faz? Guarda e depois agride a criança verbalmente e fisicamente ao jogar o pão. Tenho certeza que se fosse uma filha sua você não iria gostar que alguém desse um tabefe. E outra a mãe não estava errada no que fez, defendeu a filha, quem aqui não defenderia sua filha? Talvez o coitadismo dela que está alto demais.

    • Giovanna Postado em 07/May/2014 às 15:11

      Se fosse a minha filha, eu mesma atacaria o pão nela. Onde já se viu? Violência não ocorre apenas em formas de gritos e tapas, viu? Opressão também é violência, das mais terriveis. Você deveria repensar onde é que estamos colocando o 'coitadismo'. Uma menina de dez anos já não é mais um anjo imaculado e tem sim o discernimento do que fez. Se a sua mãe a defende perante o oprimido está reforçando aquela atitude e não a educando (você pode pesquisar a teoria de reforço positivo/negativo do Skinner, que quiser se elucidar).

    • William Postado em 07/May/2014 às 21:07

      Alguém deu tabefe em alguém, no relato?

  9. Thiago Teixeira Postado em 07/May/2014 às 13:13

    Não é possível que o Pereira e o Rodrigo estejam falando sério. Acho que nem o Bolsonaro concordaria com as atitudes da menina rica.

  10. Pereira Postado em 07/May/2014 às 13:33

    Eu acho que o Bolsonaro colocaria a menina no pau de arara aos berros : "confeeeeessaaaaaa !!!!". Pensa bem Thiago, gritar e arremessar um objeto contra uma criança ? vários que aqui comentam ja fizeram textos inflamados contra a cultura da "violência educativa". Pergunte para qualquer pedagogo com o mínimo de conhecimento da sua área, ele te dirá que as crianças pedem e imploram limites, pois assim se sentem amadas. O problema é que os pais de hoje é que são os bananas e deixam a TV educar seu pimpolhos.

    • Thiago Teixeira Postado em 07/May/2014 às 18:10

      Você se comoveu com o sentimento da empregada ao longo do contexto? Não, então é perda tempo a discussão.

    • Amanda Postado em 07/May/2014 às 19:00

      Primeiro: criança de 10 anos, nenhum bebê que não sabe o que faz. Tava consciente do que fez. Segundo: A autora e personagem empregada do texto tinha entre 13-18 anos, ou seja, adolescente e não uma adulta formada. Terceiro: sério que como pai, se você ouvisse que sua filha humilhou alguém do seu convívio, você só culparia o humilhado?

    • Flora Postado em 22/May/2014 às 21:25

      tendo contato com meio-irmãos de 11 e 13 anos recentemente, te digo: eles sabem exatamente o que estão fazendo. eles sabem e querem testar até onde podem ir sem serem punidos. não há qualquer justificativa etária que desculpe essa moleca. ela inclusive deve ter argumentos bem construídos contra a moça, pode apostar.

  11. Rodrigo Postado em 07/May/2014 às 14:04

    E outra Thiago eu não disse que concordei com a atitude da criança, mas aí você gritar e ainda agredir jogando o pão contra a menina? Eu critiquei o ponto de visão na qual ela só vê o erro da menina e não nota que a mãe só a trata ( até educamente, se fosse outros aqui com seus filhos teria dado queixa e demitido por justa causa) diferente porque ela agrediu a filha. Ou você acha certo alguém de fora gritar e agredir fisicamente seus filhos? PS: Os pais deveriam ter uma conversa com a filha e a castigado.

    • Carlos Prado Postado em 07/May/2014 às 14:22

      Os caras aqui são cegos, não tem o mínimo de coerência, seguem apenas os preconceitos que mandaram eles seguirem. Você, com o mínimo de coerência, vem defender um ponto importante e o pessoal já distorce criando um espantalho do que você diz. Deve ser por pouco que não veio um ainda dizer que você é a favor de estuprar crianças.

    • Thiago Teixeira Postado em 07/May/2014 às 18:15

      Perda de tempo é discutir com pessoas que nunca sentiram na pele o que é discriminação racial ou sequer passaram fome, foram repreendidos através de assédio moral pelo seus patrões... A empregada está errada, deve morrer, certa é a família branca. Com licença que vou vomitar.

  12. Miguel Queija Postado em 07/May/2014 às 14:09

    O dever de educar é dos pais e não da doméstica.

  13. kelly Postado em 07/May/2014 às 14:25

    eu me senti muito patrícia lendo o texto e senti muita vergonha... cresci na casa grande e demorei muito para enxergar o que fazia com a senzala... sei que de nada adianta, mas queria pedir desculpas a todas as luanas que podem ter passado por minha vida

  14. Dani Postado em 07/May/2014 às 14:37

    Er... Os indignadinhos aí perceberam que a empregada era uma adolescente??? "Demitir por justa causa" alguém não registrado, meu caro?? Achar q ela teria discernimento pra agir de outra forma?? Vão ler a Veja e fiquem por lá defecando pela boca.

  15. Rodrigo Postado em 07/May/2014 às 15:19

    Ninguém aqui me respondeu. Quem aqui gostaria de vê alguém gritando e agredindo fisicamente seu filho? Ninguém responde porque se responderem vão vê que não concordam com a atitude da doméstica de gritar como uma louca e jogar coisas na menina. Ps: Antes que venha bater na mesma tecla que sou classe média,.minha mãe é empregada doméstica. Sabe o que ela faz quando a criança faz algo assim? Conta aos pais, geralmente resolve. Ela não sai agredindo as crianças.

    • Fábio Postado em 07/May/2014 às 15:50

      Os caras são sinceros não gostam de pobre, Mas essa é a realidade e acho que irá continuar assim por muito tempo, escravos e senhores da casa grande, o escravo nunca tem rezão, eu sou a favor do bolça família pra pessoa ficar em casa sem fazer nada e não ter que trabalhar pra essa gente.

    • Lilian Postado em 07/May/2014 às 16:44

      Vai saber, ela conta que não foi só pelo pão, vai que sempre contava e não adiantava e também ela trabalha desde os 13 anos, complicado defender só uma criança.

    • Pereira Postado em 07/May/2014 às 17:21

      Não adianta Rodrigo, quando você embasa minimamente o seu comentário dá pane no sistema deles.

    • Müller Postado em 07/May/2014 às 17:43

      Olha, eu também acho (baseado apenas no que está relatado) que a reação da empregada foi imatura, o que é explicável até pela própria idade que ela relata ter trabalhado(13 a 18 anos), ou seja, uma adolescente lidando com uma criança. Acho que houve uma falta de comunicação entre a empregada e a mão da garota mimada, e também me passou a impressão que a adolescente não queria era trabalhar como doméstica, independente se houvesse boas condições de trabalho, o que é compreensível pois uma adolescente deveria estar estudando e não precisar trabalhar nesse período da vida. Acho que o relato está muito tendencioso, demonizando a patroa e a filha, não estou dizendo o que a filha fez é admissível, mas que é algo esperado de algumas crianças. Acho que o ser humano é por essência egoísta e por isso, às vezes, em decorrência disso, mau. O mais profissional seria a empregada ter tido uma reunião com a patroa e relatado detalhadamente suas queixas. A partir daí as providências tomadas pela patroa poderiam ser julgadas como corretas ou não. Isso não significa que eu discorde que as condições de trabalho das empregadas domésticas no Brasil são, em geral, são condenáveis, mas para mim esta estória não é a mais adequada exemplificar esse grande problema.

      • Pereira Postado em 08/May/2014 às 10:01

        "trabalhado(13 a 18 anos)" , parece que este trecho pode ser interpretado como se a trabalhadora doméstica tivesse de 13 a 18 anos de trabalhos prestados. não acha ?

    • Thiago Teixeira Postado em 07/May/2014 às 18:12

      Se minha filha humilhar uma pessoa com extrema crueldade, é sinal que minha educação é grotesca e desumana. Nem com cachorro se faz o que a menina fez com a empregada.

    • Dani Postado em 07/May/2014 às 18:13

      Rodrigo, a doméstica era uma adolescente. Quase tão criança quanto a criança da casa. Daria pra exigir que ela tivesse maturidade e discernimento pra falar de igual pra igual com a adulta da casa? Ou a mesma sabedoria que teria a sua mãe, que certamente adquiriu experiência e placidez ao longo dos anos? Vc acha mesmo que dá pra imputar toda essa responsabilidade toda a alguém que, à época, era INIMPUTÁVEL? O erro é anterior à história, meu caro. É histórico. E é disso que trata o texto. Não adianta desviar o foco disso.

    • Pedro Ramos de Toledo Postado em 08/May/2014 às 06:48

      Filha minha nunca trataria outro ser humano dessa forma. Sua pergunta é retórica.

  16. Júlia Postado em 07/May/2014 às 15:24

    Concordo que essa criança precisava de educação, mas éexigir demais, que uma empregada entre seus 13 e 18 anos, que é humilhada diariamente e trabalha como uma escrava, dê educação para uma menina mimada. Esse não era o dever da Luana, ainda mais, sob pressão que estava. Quando Luana jogou o pão e gritou com a menina, não foi uma atitude vitimizadora contra uma criança, foi bem além. Nesse instante, Luana jogou pra fora toda sua revolta em fazer parte de dois extremos de uma sociedade tão desigual. Explodiu sua raiva, pela educação egoísta que os pais persistiam em usar. Era sua vontade de mostrar que era humana! Digna de respeito e consideração! Não uma escrava na mão da sinhazinha. Quem deve educar as crianças para que aprendam a respeitar QUALQUER ser humano, é que lhes ensinou primeiro, a desrespeitar.

  17. Felipe C. Postado em 07/May/2014 às 15:51

    Um amigo que estava na Inglaterra comentou com conhecidos (que tinham bastante grana) de lá que tinha empregada em sua casa. Os caras arregalaram os olhos e perguntaram: "Você é milionário?!" E ainda temos que ler aqui que esse tipo de "mão de obra" encareceu muito.

  18. Lilis Postado em 07/May/2014 às 16:35

    Uma vez levei uma elasticada na cara, veio do filho do meu patrão, e quando reclamei com ele, a resposta foi, nossa p/ que esse exagero, é só uma criança, e ele não levou nenhuma bronca, meu olho vermelho lacrimejando de dor e ainda levei bronca.

  19. Lilian Postado em 07/May/2014 às 16:43

    Gente, mas se não existisse pessoas que pensam como esse Pereira, não teria existido a escravidão.

  20. Kathya Ossuosky Postado em 07/May/2014 às 20:39

    A grande verdade é que se educa pelo exemplo...crianças não nascem preconceituosas, elas refletem as atitudes de seus pais. Tive quatro filhos, mas nunca tive problemas com babás ou outro tipo de empregado, pois sempre eduquei meus filhos respeitando a todos como seres humanos que somos , independente da conta bancária de cada um.

  21. Ângela Postado em 08/May/2014 às 00:31

    É triste constatar o enorme número de analfabetos funcionais que aqui comentam. Estão atribuindo o texto à Benedita, não foi ela quem escreveu, foi a historiadora e professora Luana Tolentino, não se trata de "coitadismo" ou apelo político, é um relato, real, onde ela, dos 13 aos 18 anos, ainda uma criança, foi tratada como propriedade, coisa, de que se faz o que quiser. Falta sensibilidade, discernimento e umas boas aulas de análise de texto para os "odiadores" aqui manifestos.

  22. João Paulo Nunes Vieira Postado em 08/May/2014 às 09:36

    Lá vem esse papo de coitadismo, vocês são uns hipócritas. A Luana realmente se exaltou com a criança, isso não é certo, mas vocês viram o tanto de problemas acumulados? ela estava sem roupas, sem água sem um banho decente e ainda tem que aguentar uma mimadinha de merda que se acha no direito de humilhar pessoas, é claro que ela vai explodir e aposto que qualquer um que esteja com problemas sérios também fariam, não venham com esse papo de "aí mas era uma criança" quantos e quantos de vocês não explodiram com uma criança mais nova por ele ter feito algo desagradável? outro fato é a idade dela, é muito imatura para lidar com tantos problemas ao mesmo tempo. Em questão que falaram que ela deveria ter educar, quem deveria fazer isso é a mãe de garota, claro que defender sua filha mas também ver o que a menina fez para entender o surto explosivo, nada acontece do além e todo pai deveria ter consciência que o seu filho é um monstrinho em potencial, crianças quando querem são extremamente crueis, então a mãe deveria sim defender sua filha, mas também entender o outro lado.

  23. Guilherme Postado em 08/May/2014 às 09:54

    Perdão, mas acho que a maior culpada disso tudo é a mãe da criança. Quem educa é pai e mãe. Tenho certeza que se um dia eu tratasse alguém dessa maneira (não interessando quem quer que fosse) como a menina fez, meu pai e da minha mãe seriam os primeiros a me repreenderem. Há uma inversão de valores gigantesca nessa história.

  24. Luana Postado em 08/May/2014 às 12:34

    Peço por gentileza que conservem a chamada do texto conforme está no Viomundo: "O dia em que decidi não ser a mucama da sinhazinha", e não "O dia em que desisti de ser a mucama da sinhazinha", maneira que foi publicado na página do Pragmatismo. Agradeço. L. T.

  25. Olga Postado em 14/Nov/2014 às 19:59

    Coitadismo é o nome que certos tipos humanos colocaram para diminuir, ignorar e deturpar sofrimentos reais. Querem dizer que é tudo um grande exagero (dos negros, das mulheres, dos homossexuais), que tudo é quase uma esquizofrenia social (vê coisa onde não tem; sentimento de perseguição irreal). Entendam uma coisa: o fato de que sua vida também teve momentos tristes ou o fato de que você conhece inúmeras histórias de injustiças não as tornam menos injustas. É simples. O que incomoda é que só agora se rebate e se tem políticas públicas voltadas para isso. Aí incomoda, né Pereira? Uma dica: saia da sua bolhinha e pare para conversar com o porteiro, conversar de verdade. Pare para conversar com a "mulher-que-vai-limpar-sua-casa-vez-em-quando". Ao contrário de "coitadismo", o que eu escuto é muita revolta e muita situação revoltante...