Redação Pragmatismo
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Ditadura Militar 30/May/2014 às 11:46
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Mujica era "indesejável" para o Brasil na década de 1970

Ditadura militar proibiu Mujica de entrar no Brasil em 1970. Presidente uruguaio fez parte de lista de "estrangeiros indesejáveis" da Polícia Federal

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Mujica em visita a Dilma no Brasil (Divulgação)

Era 1970. O Brasil vivia o período de repressão mais intenso em seus 21 anos de ditadura militar, logo depois da instauração do AI-5, em 1968. Nos porões da delegacia do DOI-CODI (Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna), na rua Tutóia, em São Paulo, milhares de militantes de esquerda eram barbaramente torturados.

Em janeiro de 1970, uma jovem de 22 anos foi colocada no pau de arara e torturada por vinte e dois dias consecutivos. Era Dilma Vana Rousseff, hoje presidente do Brasil, que relatou em depoimento que o momento mais difícil era quando recebia choques elétricos, principalmente nas partes íntimas.

Os brasileiros, porém, não eram os únicos procurados pelo governo. Documento da Polícia Federal de fevereiro de 1970 mostra uma lista de “estrangeiros indesejáveis”. Entre eles, outro futuro líder latino-americano: o uruguaio José Alberto Mujica Cordano, conhecido como Pepe Mujica.

O motivo para que o atual presidente do Uruguai fosse impedido de entrar no país era a sua atuação no MLN-T (Movimento de Liberação Nacional – Tupamaros), do qual foi um dos nove principais líderes. Na mesma época, a ditadura uruguaia, comandada por Jorge Pacheco Areco e Juan María Bordaberry, exigia perseguição — sem perdão — aos guerrilheiros tupamaros.

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Imagem do documento que impedia José Mujica de entrar no Brasil durante a ditadura militar (Vitor Sion/Opera Mundi)

Além de Mujica, a PF proibia dezenas de outros tupamaros de virem ao Brasil. Um deles, Lucia Topolanski Saavedra, atual senadora e primeira-dama do Uruguai.

Poucos meses depois, Mujica foi detido no Uruguai e ficou 14 anos na prisão, até 1985. Hoje, ele é considerado um dos presidentes mais carismáticos da América Latina. Doa 90% do seu salário para ONGs e, em março, negou-se a comparecer à missa que inaugurou o pontificado do papa Francisco por ser ateu e defender o Estado laico no Uruguai.

Comissão da verdade

Enquanto isso, no Brasil, a Comissão da Verdade completou um ano nesta semana e tenta restaurar a memória coletiva do país, indicando os agentes responsáveis pela tortura e a repressão. Isso sem saber, devido à Lei da Anistia, se eles serão julgados pelas violações aos direitos humanos, como tem ocorrido em outros países da América Latina, como a Argentina.

No que se refere à luta armada, da qual fizeram parte os grupos de Dilma e Mujica, a Comissão da Verdade esclareceu que esse tipo de ação só foi iniciada após a tortura. “A tortura começou a ser praticada nos quartéis em 1964. A tortura está na origem da ditadura militar. Ela ocorre antes da luta armada”, afirmou a historiadora Heloísa Starling, integrante do grupo de pesquisadores.

Uma das principais justificativas para a implementação do AI-5, que instituiu oficialmente a repressão em 1968, era o combate aos “subversivos que queriam um regime comunista no país”.

Vitor Sion, Opera Mundi

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Comentários

  1. Rodrigo Postado em 30/May/2014 às 14:35

    Claro, na época era um terrorista, acusado de vários seqüestros e levava o terror para própria população. quem iria querer alguém assim no seu País?

    • Luiz Orlando Postado em 30/May/2014 às 23:51

      Não seja simplista. Estava na lista negra por motivos ideológicos. Se 'trazer terror para a própria população' fosse critério, os próprio militares e todo o sistema civil que dava suporta à eles também não seria bem vindo.

    • Thiago Teixeira Postado em 31/May/2014 às 14:23

      Este "alguém assim" acaba de ser recebido pela porta da frente e pela presidenta do seu país. Este "alguém assim" é presidente de país sul americano eleito democraticamente. Este "alguém assim" é recebido com honras de chefe de estado pela Casa Branca. Este "alguém assim" é admirado internacionalmente pela sua simplicidade e implantador de uma política moderna ousando paradigmas ultrapassados e caretas como a sua.

  2. André Postado em 01/Jun/2014 às 07:49

    Os políticos daqui pidiam fazer como ele, doar 90% do que ganham. Só que não!