Redação Pragmatismo
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Mundo 16/May/2014 às 11:13
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Índia: chega ao fim a maior eleição do planeta

Oposição vence eleição histórica e Narendra Modi será o novo primeiro-ministro da Índia. Partido nacionalista hinduísta deverá conseguir primeira vitória por maioria absoluta em 30 anos

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Narendra Modi não tem relações firmes com os EUA: só em fevereiro os norte-americanos colocaram fim a um boicote de dez anos contra ele (Divulgação)

O candidato oposicionista Narendra Modi será o novo primeiro-ministro da Índia. Os votos apurados até o momento indicam que o hinduísta Partido do Povo Indiano (BJP, na sigla local) deverá obter maioria absoluta no que é apontada como a mais ampla vitória que o país já viu em 30 anos. “A Índia ganhou”, escreveu em sua conta no Twitter o futuro premiê e líder do BJP, após tomar conhecimento das projeções.

Dos 543 distritos eleitorais indianos, a comissão encarregada de apurar o pleito já deu por encerrada a contagem em 527 locais. Destes, o nacionalista hindu BJP sagrou-se vitorioso em 269 locais, apontando para o que pode ser a primeira vitória por maioria absoluta desde 1984.

O Partido do Congresso, que governa a Índia por 54 de seus 67 anos de independência, já reconheceu a derrota no pleito. “Aceitamos a vontade do povo, damos as boas-vindas e admitimos nossa derrota”, disse o senador Satyavrat Chaturvedi. A legenda da tradicional dinastia Nerhu-Gandhi venceu em apenas 48 distritos, seu pior registro na história.

As eleições na Índia são as maiories do planeta. São 814 milhões de eleitores no país, um colégio eleitoral superior ao total populacional dos EUA e da Europa Ocidental juntos, dos quais 66,83% compareceram às urnas.

Assista à “Canção da Vitória”, vídeo do BJP para comemorar a vitória nas eleições:

Em seu perfil no Twitter, Modi se descreve como “um homem comum e indiano orgulhoso”. No comando do estado de Gujarat desde 2001 como governador, ele construiu no árido estado estradas largas e aldeias eletrificadas, gerando aumento de renda e atraindo investimento estrangeiro.

Na campanha, Modi prometeu uma nova Índia, com um governo moderno e eficiente, livre de corrupção. Ele se comprometeu a construir trens-bala, usinas hidrelétricas, centros de produção e dezenas de cidades, permitindo que o país rivalize com a China, a enorme potência vizinha.

A China, aliás, é uma grande inspiração para o indiano: ele esteve no país em 2007 e 2011, quando deu aos líderes chineses cartões de negócios impressos em mandarim. Os EUA, por outro lado, não têm relações firmes com Modi: só em fevereiro os norte-americanos colocaram fim a um boicote de dez anos contra ele, considerado ultranacionalista.

Modi é considerado popular entre os mais jovens e mais pobres, enquanto a classe média é, em geral, contrária a ele. Entretanto, há acusações de que o candidato favorito tenha propostas agressivas contra seus oponentes, que podem ser discriminados se ele for eleito, especialmente os que não são hindus.

De todo modo, o novo líder político do 1,2 bilhão de habitantes da Índia terá que enfrentar a crescente insatisfação com corrupção e redução do crescimento do país, que desacelerou em mais de 3% nos últimos dois anos. Para absorver o novo milhão de trabalhadores que chega ao mercado de trabalho todo mês, o país teria que crescer pelo menos 8% anualmente.

Opera Mundi

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