Redação Pragmatismo
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Exploração Trabalhador 20/May/2014 às 11:51
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‘Homens-placa’ ou ‘homens-humilhados’?

Foto escancara situação degradante de homens-placa. Clique realizado no último fim de semana mostra jovem escondido atrás de uma propaganda de um empreendimento imobiliário

foto homens placa
(Foto de César Hernandes)

Na tarde de sábado 17, na região do Brooklin, em São Paulo, o jornalista César Hernandes registrou uma cena que circulou bastante nas redes sociais durante o final da semana. Na imagem, um jovem segura a propaganda de um empreendimento imobiliário. A cena chamou a atenção pela aparência jovem do garoto: um menino negro de expressão acuada segura o cartaz de um jovem branco e de olhos claros.

“Me chamou atenção a situação degradante dessas pessoas, excluídas de cidadania. Ali ele estava exposto ao sol, a chuva e até mesmo ao trânsito”, afirma o autor da foto. O clique foi feito na esquina das avenidas Engenheiro Luiz Carlos Berrini e Padre Antonio José dos Santos. O imóvel divulgado na propaganda fica na Rua Pensilvânia, também no Brooklin. Na descrição divulgada pela construtora “o apartamento que reúne serviços, lazer e praticidade em alto padrão”.

Segundo o jornalista, que trabalha na Câmara Municipal de São Paulo junto ao vereador Ricardo Yung (PPS-SP), chamava a atenção a idade e a condição do garoto. “Diferentemente das outras placas, essa o escondia atrás da propaganda. Além disso, eu acredito que ele não tenha nem 18 anos”, afirma.

Procurada pela reportagem, a construtora Plano & Plano enviou a seguinte nota (na íntegra abaixo):

Ref. Solicitação de esclarecimentos

Em resposta às questões encaminhadas por este órgão de imprensa, a Plano&Plano esclarece que contratou a empresa SSP Mídia Exterior, responsável pela contratação e gestão dos profissionais para realizar o trabalho.

Vale considerar que a veiculação, objeto deste questionamento, aconteceu em período pré-determinado e não está mais no ar.

Colocamo-nos à disposição para quaisquer outros esclarecimentos.

Atenciosamente,

Plano&Plano

Paloma Rodrigues, CartaCapital

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 20/May/2014 às 13:25

    Pronto, que legal. Agora tiram a propaganda da rua e consequentemente o garoto perdeu o serviço. Parabéns, viva o luta contra o racismo.

    • Grey Postado em 20/May/2014 às 16:28

      Acho q vc perdeu o ponto onde "menores deveriam estar nas escolas estudando e não trabalhando" foi dito e repetido varias vezes ao longo dos anos, msm q não nessa matéria.

      • Thiago Teixeira Postado em 20/May/2014 às 17:33

        Eu com 11 anos carpia. 14 aos 18 trabalhei de off-boy. Muito mais "degradante" do que esse trabalho limpinho de ficar segurando uma droga de propaganda. Estudei a noite, fiz faculdade e não virei bandido. Hoje com a terapia do amor estamos criando vagabundos que começam a trabalhar depois dos 18. Você acha que um jovem de 18 anos vai valorizar o trabalho sendo que ele passou a vida toda amparada por leis acolhedoras?

      • Carlos Prado Postado em 21/May/2014 às 00:11

        Este pode não ser o melhor trabalho do mundo, mas discordo desta resposta padrão que dever-se-ia sempre estar na escola em vez de trabalhar em algum momento. Muitos dos que estão mergulhados em livros até os 30 anos não tem experiência profissional nenhuma, não sabe lidar com relações comerciais e agora reclamam que depois de seguir a fórmula de viver estudando não conseguem um bom emprego - claro que em nosso país sempre se pode apelar ao serviço público :( Na escola atual mesmo se aprende pouquíssimo que seja útil para alguma coisa.

  2. Rafael Martini Postado em 20/May/2014 às 20:14

    Ficar distribuindo panfletos e segurando essas anúncios de lançamento de imóveis em cruzamentos já é um trabalho insalubre para um adulto, que dirá para um adolescente, como o da foto. E ele pode trabalhar sim, contanto que seja como menor aprendiz (caso tenha entre 14 e 16 anos), onde deverá aprender algo de fato, e não num subemprego que nada lhe acrescentará, exceto sol, chuva, buzinadas e poluição na cara para servir de suporte para uma merda de placa desta.

    • Carlos Prado Postado em 21/May/2014 às 00:13

      Trabalhos mecânicos devem ser deixados para as máquinas e artefatos por nós criados, como um bom poste no caso. Que os seres humanos sejam cada vez mais aproveitados em tarefas que envolvam criatividade e decisão.

  3. Leonardo Postado em 21/May/2014 às 04:59

    Solução? Colocar o moleque de CEO do Google? Gerente da FORD? Não existe o cara começar lá de cima... quando eu era moleque 12-13 anos, no turno inverso da escola eu vendia picolé velho... essa síndrome do coitadismo é complicada em um país com problemas sociais muito maiores que isso.

  4. Klaus Postado em 21/May/2014 às 14:04

    O pior é o oprimido apoiar a opressão! A situação é degradante e preconceituosa! Mas, infelizmente, as pessoas não tem capacidade de análise social e apoiam o tipo de barbárie que estamos vivendo!

    • Carlos Prado Postado em 21/May/2014 às 23:08

      Se quer ficar buscando oprimidos e opressores em todas as relações sociais mesmo que voluntárias então vá para uma caverna onde ninguém te oprima e leve vários oprimidos com você. Assim você os salva da opressão e talvez entenda qual é a da natureza opressora. Agora se quer impedir a pessoa de aceitar tal condições, ou até melhorar as condições dela sem esforço algum de sua parte, me diga como fará sem agredir ninguém?