Redação Pragmatismo
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Capitalismo 07/May/2014 às 15:29
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É preciso acabar com o capitalismo

É evidente que para combater a pobreza extrema é essencial pôr fim à extrema riqueza. Como Eduardo Galeano disse: “este capitalismo assassino mata os famintos ao invés de matar a fome, e está em guerra contra os pobres mas não contra a pobreza”

Alguns dias atrás, Jim Yong Kim, Presidente do Banco Mundial, disse que 1 bilhão de pessoas vive hoje em extrema pobreza. Isso representa um sétimo da população, ou quase 15% dos habitantes da terra. Para ressaltar a gravidade da situação, Kim indicou que “colocar um fim à pobreza extrema exigiria que 1 milhão de pessoas deixasse de ser pobre a cada semana, durante 16 anos”.

Há cerca de 5 anos, José Vidal Beneyto escreveu que “a cada 3 segundos morre uma criança por sofrer de pobreza, e em resposta todos os dias a fortuna dos mais ricos se multiplica rapidamente”. Ele havia se aprofundado em um relatório da Organização das Nações Unidas sobre desenvolvimento de recursos humanos, desmontando a falácia da pobreza devido a circunstâncias inevitáveis. Desnutrição, fome, doença, exploração, analfabetismo, mortalidade infantil… poderiam ser eliminados se acabássemos com uma ordem social cujo principal objetivo é aumentar a riqueza dos ricos.

Leia também: O dia em que o capitalismo fez mais uma vítima fatal

Vidal Beneyto citou um relatório por Emanuel Saez e Thomas Piketty que mostrava que 1% das pessoas mais ricas dos Estados Unidos possuíam uma fortuna maior do que a que tinham, na época, 170 milhões de americanos com menos recursos. Mas isso foi há quase 5 anos. Um estudo na Universidade da Califórnia em Berkeley (Striking it richer: the evolution of top incomes in the United States – Ficando mais rico: a evolução dos rendimentos mais altos nos Estados Unidos) mostra que, de 2009 a 2012, nos Unidos Estados, os 1 por cento mais ricos da população se apropriaram de 95 por cento do aumento da receita no país. O benefício desses 1% mais ricos cresceu mais de 30% nesse período; mas, o benefício do resto foi só um pequeno 0.4 por cento.

Conforme mostrado pelos dados do Credit Suisse, em um mundo de 7,3 bilhões de habitantes, quase metade da riqueza está nas mãos de 1% da população, enquanto a outra metade é distribuída entre os 99% restantes, sendo maior o número daqueles têm menos. A desigualdade cresce sem cessar, pois a riqueza cada vez se redistribui menos e se concentra mais em muito poucas mãos.

Na Espanha, se medirmos os rendimentos dos 20 por cento mais ricos da população e dos 20% mais pobres, lembra-nos Juan Torres, veremos que a desigualdade aumentou dramaticamente desde 2007. A Espanha é o país europeu com mais desigualdade. Em 2011, apenas Bulgária e Romênia tinham maiores taxas de pobreza.

Mas isso não acontece apenas na Espanha. Na Alemanha, já existem 8 milhões de trabalhadores que ganham menos de 450 euros por mês; e, na França, o nível de pobreza é o maior desde 1997: 2 milhões de trabalhadores ganham menos de 645 euros por mês e 3,5 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar para sobreviver. Mesmo em países com reputação de mais igualitários (Suécia ou Noruega, por exemplo), a renda dos 1% mais ricos aumentou mais de 50 por cento, mas não a do resto da população.

O caso espanhol é o mais grave. De acordo com dados do Fundo Monetário Internacional, só a Lituânia o supera em aumento da desigualdade; o que significa que desigualdade e pobreza associadas atingirão níveis insustentáveis se não forem tratadas. Falar em desigualdade é, necessariamente, falar de pobreza. E a pobreza que acompanha a desigualdade tem consequências terríveis. Por exemplo, Joanna Kerr, diretora geral da ActionAid International, anunciou recentemente que, se não se agir imediatamente, mais 1 milhão de crianças poderão morrer até 2015.

Mas, não se luta contra a pobreza sem fazê-lo contra a desigualdade também. Uma desigualdade que persiste e cujas causas estruturais são a imposição de uma liberdade total para a compra e venda de bens, capitais e serviços; a completa desregulamentação da atividade econômica (principalmente financeira); a redução drástica das despesas públicas; mais a exigência de um rígido controle orçamental, especialmente em serviços e atendimento dos direitos sociais. Para não mencionar a indecente redução sistemática dos impostos para os mais ricos, que começou em 1980 e não cessou.

É evidente que para combater a pobreza extrema é essencial pôr fim à extrema riqueza. Como Eduardo Galeano disse: “este capitalismo assassino mata os famintos ao invés de matar a fome, e está em guerra contra os pobres mas não contra a pobreza”.

Xavier Caño Tamayo, em Voltaire. Tradução: Marisa Choguill

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Comentários

  1. Leonardo Lemes Postado em 07/May/2014 às 18:04

    Isso aí... Não vai demorar para aparecer alguém para taxar o texto de comunista e dizer: "Por que em Cuba não deu certo?" Sendo que em nenhum momento o comunismo ou socialismo são citados. Diminuir a desigualdade não quer dizer virar comunista.

    • Matheus B. Postado em 07/May/2014 às 20:06

      Se o cara quer acabar com o capitalismo, as únicas alternativas existentes por enquanto são socialismo ou comunismo, correto? Ou acaba-se com o capitalismo sem que se coloque nada no lugar? Diminuir a igualdade é uma leitura benevolente do texto. O que está dito pelo autor, taxativamente, é que "é preciso acabar com o capitalismo", e o que não está dito, mas inferido, é que o socialismo/comunismo deve substituí-lo.

    • Carlos Prado Postado em 07/May/2014 às 21:25

      Como acabar com a "riqueza extrema" à força sem confiscar, sem roubar o que pertence a outrem? Se isto não é desrespeitar a propriedade o que é?

  2. Carlos Prado Postado em 07/May/2014 às 21:44

    Pobreza extrema? Quando que a humanidade não foi pobre? Vou dizer quando ela chegou o mais perto de não ser pobre: hoje. Não é a riqueza extrema que causa a pobreza extrema. A riqueza não é constante, quando o padeiro do meu bairro prepara um pão ele não está tirando um pão de outra pessoa, ele está criando um pão. Ai tem um valor agregado, uma riqueza. Riquezas se criam, pelas mãos humanas. Se o homem não cria riquezas então não há riquezas: ele simplesmente vive como qualquer outro animal, competindo por plantas e por caça, buscando abrigos, sendo atacado e atacando, buscando água qualquer, como qualquer outro animal, sem riquezas. Aí cria-se uma cabana, um machado, uma horta, um pomar. Aí tem-se uma vila rica, e grande desigualdade. Mas a pobreza dos outros se deve à riqueza destes? Ai cria-se um método de se extrair pedra e cimento, produzir aço e vergalhões, de se fazer casas resistentes e muitos agora tem abrigos permanentes e perenes. E o fato de alguns ainda não terem é culpa dos que tem? É culpa de alguém? Acabando-se com a riqueza apenas se acaba com a riqueza, não com a pobreza. O que que estes super-ricos tem? Suas cifras poderiam comprar alimentos para todos hoje? Mas se poderia, que alimento? Ele não tem estocado cereais e mel. Quando muito um bolo de papel. Se houvesse alimento em abundância para ser comprado por estas cifras seu preço seria irrisório. O erro é crer que para um ter tem que se tirar de outro. Como eu disse, a riqueza não é constante. Ela precisa ser criada, e se não for ela é nula. Cada um que cria ou possua sua riqueza deve poder fazer o que quiser com ela, dar para quem quiser, vender para quem quiser, quando quiser. Capitalismo não é um sistema de exploração, são apenas humanos agindo voluntariamente com o que lhes pertence. E no meio dessa rede de pessoas agindo temos os inovadores e os empreendedores, que conseguem produzir riquezas de forma mais eficiente. Disso a desigualdade de renda faz parte, porém a pobreza vai sendo eliminada com a criação de riquezas.

    • Renan Postado em 08/May/2014 às 18:13

      Tu fumou o que antes de redigir tanta abobrinha? Qualifique seu conhecimento teórico acerca do capitalismo. Assim vc não perde tempo falando coisas desconexas com a realidade. Mas admiro sua coragem, poucos são os que vem a público assumir sua ignorância na matéria. Quando a pessoa está muito distante da realidade, é difícil conseguir argumentar.

      • Carlos Prado Postado em 11/May/2014 às 23:06

        Falou e falou e não falou nada. Onde mesmo que eu estava errado? Você é mais um daqueles que acha que tudo cai do céu e quem não tem é porque foi roubado por quem tem?

  3. Carlos Prado Postado em 07/May/2014 às 21:53

    Como eu disse, o capitalismo não passa de uma rede de pessoas interagindo, onde uma não deve avançar sobre o que não lhe pertence e não se tem autorização. Se esta rede está matando, é porque existem assassinos e estes podem ser penalizados. Uma coisa chamada responsabilidade. Agora se há pessoas morrendo não porque alguém as mata tirando a rede "capitalista" de interação elas continuariam morrendo. Fome? Alimentos sempre faltaram durante toda a história e hoje ainda observamos animais estocando comida enquanto tem para enfrentar épocas em que faz falta. E as pessoas dessa rede de interação também inventaram métodos semelhantes, de estocagem, além de métodos de plantio mais eficientes e maneiras de conservar o alimento. O que precisamos é integrar mais gente à rede, precisamos levar capitalismo para os pobres: http://www.capitalismoparaospobres.com/