Redação Pragmatismo
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Polícia Militar 19/May/2014 às 15:10
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A barbárie da PM-SP e a mentira na TV

Vítima da brutalidade da PM paulista, Patrícia relata como quase ficou cega no protesto do último dia 15. Secretaria de segurança afirmou que não havia “mulher ferida” na manifestação

patrícia violência pm sp
Patrícia Rodsenko (Reprodução)

Patrícia Rodsenko, Facebook

É com tristeza e indignação que venho compartilhar com vocês como me tornei recentemente mais uma das vítimas do nosso fracassado sistema de segurança pública. Na última quinta-feira, 15 de maio, enquanto voltava para casa durante os protestos que tomavam a Avenida Paulista e a Rua da Consolação, fui brutalmente atingida por um dos armamentos que a Polícia Militar do Estado de São Paulo tem usado para conter manifestantes e, como ocorreu comigo, qualquer outra pessoa que esteja ao alcance de suas ações desmedidas e injustificáveis.

Após sair de um cinema com uma amiga na Rua Augusta, fomos para um café ali perto e aguardamos um pouco. Quando a manifestação já parecia ter se dispersado, fomos para a Rua da Consolação pegar nosso ônibus.

Foi nesse pequeno trajeto que tudo aconteceu. Enquanto um grupo de manifestantes tentava se reunir novamente, duas viaturas policiais subiram no sentido oposto atirando bombas e outros dos seus artefatos “não-letais”.

Ouvi dois grandes estouros e logo depois senti uma pancada muito forte no meu rosto, na região dos olhos. Sem entender direito o que havia acontecido, percebi apenas que eu sangrava muito. Minha roupa estava cheia de sangue e eu não conseguia mais abrir meu olho esquerdo. Fui socorrida por minha amiga, cuja presença foi inestimável, e por pessoas que estavam na rua no momento. Alguns médicos que participavam de uma conferência num hotel próximo ao Metro Paulista também me deram os primeiros socorros. A todos gostaria de agradecer imensamente pela solidariedade.

Pensei que ficaria cega, mas por absoluta sorte meu olho não foi atingido. Concluí depois que, infelizmente, a sorte é muitas vezes a única coisa que nos protege da violência policial. Tive “apenas” o nariz quebrado e, segundo o relato médico que tive ao ser atendida no Hospital das Clínicas, uma lesão no osso abaixo dos olhos. E eis o resultado de mais uma ação policial: alguns pontos no rosto, anti-inflamatórios que não consegui adquirir pelo sistema público de saúde, uma cirurgia que farei nesta semana para reparar meu nariz e, o que talvez mais me dói como cidadã brasileira, mais um profundo golpe nos nossos direitos. Em nome da ordem pública e da preservação do patrimônio, se ignora outro dever constitucional do Estado em matéria de segurança pública: a proteção da integridade e da incolumidade das pessoas.

Por que tanta repressão arbitrária? Por que tanto despreparo, tanta violência? Para impedir manifestantes radicais de danificarem bancos e lojas, a polícia atira assumindo o risco de cegar alguém aleatoriamente? Não há inteligência policial para evitar excessos sem pôr em risco a vida de todos nós? É mesmo essa a policia que foi instituída como um dever do Estado para proteger a população? Uma polícia que atira no meu rosto é uma polícia que nos põe em dúvida com relação ao seu próprio sentido de existir!

Não pretendo entrar na discussão política sobre os gastos com o Mundial da FIFA, a qualidade dos serviços públicos no Brasil ou o verdadeiro nível de democracia em nosso país. Essas são discussões extremamente importantes, mas que ficam ofuscadas quando nosso direito básico de ser protegido pelo Estado se transforma na possibilidade de ser atacado por ele arbitraria e brutalmente.

Como um direito humano fundamental, o verdadeiro sentido da segurança jamais será o de uma prerrogativa do Estado para se defender de críticas e dos seus opositores, mas um direito que todas as pessoas têm de não se sentirem vulneráveis em relação à violência de quem quer que seja.

Como alguns de vocês sabem, moro numa das regiões mais pobres da cidade mais rica do país. Aqui, cada pessoa que sabe da violência que sofri me aconselha a não seguir adiante com meu testemunho e a não buscar reparação judicial pelo que estou sofrendo. Infelizmente, as pessoas (e a minha mãe talvez mais que todos) temem que eu possa ser alvo de retaliações policiais.

Até quando seguiremos nos sentindo vulneráveis e impotentes diante da violência? É dessa outra segurança, aquela que nos permite não ser refém do medo, que precisamos para nos tornarmos um dia a sociedade que desejamos ser. É dessa outra segurança que eu e os vários jovens brasileiros que sofrem nas periferias do país precisamos. É dessa segurança que precisam inclusive os policiais que cometem esses atos totalmente descabidos e lamentáveis, moradores que são eles também dessas mesmas periferias abandonadas pelo poder público.

Pelos jornais, pude ver que na última quinta-feira, quando fui vítima do despreparo policial, o Brasil assistiu a dezenas de manifestações em várias cidades do país. Eu não estava na manifestação que ocorreu aqui em São Paulo, mas sou totalmente a favor da população se reunir e expressar suas insatisfações com o Estado. Quantas vezes forem necessárias.

Não é um favor o que os governos fazem ao deixar a população ir às ruas se expressar. É uma obrigação! A liberdade de expressão é um direito do cidadão, não é? Está na constituição, não está? Por mais que se tente, não posso culpar qualquer manifestante “radical” pelo que me ocorreu. A polícia precisa aprender a lidar com eles, com todos os outros manifestantes e não manifestantes sem abandonar outros valores fundamentais para todos nós. Sairemos crescidos desse momento político se formos capazes desse gesto.

Ontem, assisti no jornal de maior audiência do país que a Secretaria de Segurança de São Paulo desmentiu a “mulher ferida em protesto”. Eu, Patrícia Rodsenko, já apenas mais uma pessoa na estatística da violência, estava enganada quando imaginei ter sido atingida por uma bala de borracha disparada pela PM.

A Secretaria afirmou em nota que garantiu zelosamente o direito à livre manifestação e que balas de borracha não foram usadas em nenhum momento no protesto. Não pretendo entrar numa discussão semântica sobre qual o nome do artefato que atingiu meu rosto na última quinta-feira. O fato inegável é que, sendo estilhaço de bomba ou bala de borracha, esse objeto quebrou meu nariz e por pouco não me cegou.

O sangue que permanece insistente na roupa que usava no dia é inegável e foi resultado de uma violência cometida em nome e sob a responsabilidade desta mesma Secretaria de Segurança. No meio dessa disputa com a opinião pública para mudar de nome os mesmos gestos injustificáveis, me pergunto apenas porque o Estado de São Paulo teria aceitado do Governo Federal em março desse ano 314 kits com armas de balas de borracha para combater protestos na Copa deste ano. Afinal, a Secretaria de Segurança diz não fará qualquer uso deles.

patrícia rodsenko pm sp

via Viomundo

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 19/May/2014 às 15:46

    "vítimas do nosso fracassado sistema de segurança pública", "retaliações policiais", "repressão arbitrária", A culpa é da polícia ... entendi ... e quanto aos maconheiros desocupados que estavam tumultuando a cidade? Nenhuma citação, nenhum comentário, é a mesma condição de conflitos nas periferias dominados por traficantes e bandidos, toda bala perdida parte da arma dos policiais. Se não existisse traficante, a polícia não estaria lá. Se não tivesse cativeiros de sequestradores, a civil muito menos. Se não tivesse esse protesto, ou pior, se esses morféticos não tivessem provocado outra reunião para fazer motim, não teriam disparado essa droga de bala de borracha. Então Dona Patrícia, faça uma carta aos manifestantes orquestrados pela Bandeirantes, revista Veja, Folha, Rede Globo, DEM, PSDB, PPS e Black Blocs também os responsabilizando pelo ocorrido. Não seja injusta colocando 100% da culpa na PM.

    • José Ferreira Postado em 19/May/2014 às 16:03

      É fácil culpar a polícia, quero ver quando necessitar dela.

      • Bruno Postado em 20/May/2014 às 09:48

        Na periferia as pessoas precisam dela.e sabem queando aparecem?Na melhor das hipóteses no mínimo 4 horas depois.Isso quando aparecem.A policia só protege o cidadão de BEM = Branco Elitista Meritocrático.

    • Vinicius Postado em 19/May/2014 às 16:25

      Tumultuando a cidade? Essa é muito boa, mas infelizmente, me parece apenas que você não conhece de história, não conhece nada de constituição e muito menos de política. Essas pessoas tem o direito de irem as ruas lutarem por um país melhor, e isso é garantido por lei, não é você com sua pobreza de conhecimento e cidadania que vai definir quais são ou não estes direitos, enfim, não há protesto pacífico que dure com a violência desta polícia, despreparada e psicopata. Não se esqueça dos exageros da polícia quando as pessoas começaram a ir as ruas pacificamente. Não se esqueça dos crimes do governo e da polícia durante a ditadura. Seja mais informado e consciente antes de postar comentários, você só mostra a verdadeira cara de grande parte dos brasileiros, um povo ignorante por não ter tido acesso a uma educação de qualidade, um povo que não conhece a história do país onde vive, e um povo que não se importa com desigualdades sociais. Enfim, a polícia exagerou sim e continua exagerando, uma polícia alicerçada na ditadura, despreparada, aplaudida por pessoas privilegiadas, que provavelmente nunca a enfrentarão, muito menos sua ira acéfala controlada pelos poderosos.

      • Elias Postado em 19/May/2014 às 19:53

        A maioria dos policiais tem mais formação que os manifestantes, querem manifestar manifestem de maneira inteligente de uma maneira que os políticos tremam, quebrar vidros e outras bobagens isso é crime e merecem borracha.

    • Guilherme Postado em 19/May/2014 às 16:26

      Acorde, Thiago, acorde... não se posicione como mais um traidor, defendendo uma polícia arbitrária e despreparada como essa, que não é nossa, que é daqueles que nos mantêm em lados opostos do ringue. Seu discurso ultrapassado não reflete a verdade ultima. Cuide para não oprimir aqueles que lutam pelo teu futuro.

      • Thiago Teixeira Postado em 19/May/2014 às 17:46

        sou um robozinho da globo mimimimimi...

      • Thiago Teixeira Postado em 19/May/2014 às 18:43

        A polícia é tudo de ruim, concordo, mas não está sozinha no processo. Quer protestar? Proteste, mas com fundamentos, organização e argumentação. Estas pessoas não estão representando ninguém e nem acrescentarão algo para nosso futuro.

      • Thiago Teixeira Postado em 20/May/2014 às 07:36

        Ao invés de usar o meu nome "sou um robozinho da globo mimimimimi..." assine o seu, morfético. Atitude de black bloc, esconder quem é, para praticar covardias sem motivo.

    • Bruno Postado em 20/May/2014 às 09:45

      Desde quando protestar contra o governo é ser maconheiro?E a manifestação era pacifica.só otários como vc que não acreditam que a polícia só é um braço armado da elite burguesa reacionária.Nas UPPS não existem traficantes e mesmo assim ainda ocorre brutalidades.E desde quando fazer protesto é crime é um direito garantido pela atual constituição.Desde quando são manifestantes orquestrados pela mídia burguesa?E nem havia Black bblocs.A culpa é sim da PM QUE SAI DISPARANDO CONTRA TUDO E TODOS ATÉ DENTRO DA ESTAÇÃO PAULISTA DO METRÔ DISPARARAM UMA BOMBA.cALA A SUA BOCA FILHOTE DA DITADURA.

  2. Rodrigo Postado em 19/May/2014 às 17:01

    O fato inegável é que mesmo sem saber o que lhe atingiu ela acusa categoricamente a polícia, não pode ter sido uma garrafa ou pedra jogada pelos manifestantes? Vai querer demonizar a polícia assim no inferno.

  3. carlos Postado em 19/May/2014 às 18:53

    tem puliça aqui defendendo a puliça….o dureza…..

    • Elias Postado em 19/May/2014 às 19:51

      Tem sim, e cada vez mais, muitos policiais estão feridos e não possuem textos, os PMs foram atacados por grupos já conhecidos defendidos aqui e se defenderam, inocentes infelizmente são atingidos, quem começa o tumulto geralmente nunca é a PM. Esse chororo covarde é tipico de adolescentes que batem e correm e depois apanham e choram.

  4. rafa Postado em 20/May/2014 às 10:36

    paty pode ter sido atingida por algo que não foi lançado pela polícia. direito de manifestação é direito de manifestação PACÍFICA. paty teve azar: esteve presente ali onde vândalos atuavam.