Redação Pragmatismo
Compartilhar
Racismo não 30/Apr/2014 às 12:24
13
Comentários

Senhor Deus das bananas, olhai pelos idiotas

Olhai pelos tolos seguidores dos idiotas, senhor deus das bananas. Porque eles são ingênuos, não sabem o que fazem. Mas, aos imbecis, portadores de mau caráter, aproveitadores de todos os matizes, racistas quatrocentões e também os de primeira geração, aplicai a dureza da lei

Racismo é crime. Sem açúcar e sem afeto, ao contrário do que pensam os adoradores da banana. É preciso investigar e punir para coibir manifestações futuras. Assim fez o Villarreal, time responsável pela torcida que atirou a campo uma banana, devorada pelo jogador Daniel Alves. O clube identificou o torcedor responsável pela atitude racista durante partida entre a equipe e o Barcelona, pelo Campeonato Espanhol, punindo-o com a suspensão do carnê de sócio e o banimento do estádio El Madrigal pelo resto da vida.

O clube não agiu sozinho, partilhou o sucesso da ação com os responsáveis pela segurança no estádio, bem como a torcida, todos imbuídos em identificar o autor da discriminação racial, para impedir, inclusive, uma possível punição desportiva à agremiação. Ou seja, ao investigar, encontrar o racista e puní-lo, o Villarreal apresenta à sociedade espanhola e ao mundo, o compromisso inequívoco de respeito aos direitos humanos, ao direito de trabalhar em condições dignas.

À presença de espírito de Daniel Alves ao comer a banana, ao transgredir e ter uma atitude inusitada diante da clássica discriminação racial que associa pessoas negras a macacos, com o objetivo de desumanizá-las, seguiu-se uma campanha marqueteira de quinta categoria nas redes sociais, evocando o macaco que as teorias evolucionistas guardaram dentro dos seres humanos.

O senhor está perplexo, senhor deus das bananas? Nós estamos, pois, ao cabo, se somos todos macacos, não existem mais racistas.

Merece algumas linhas adicionais, senhor deus das bananas, a atitude de Daniel Alves, sertanejo brioso que não teme a ingestão de veneno. Porque o senhor sabe, aquela banana era tóxica, continha uma quantidade secular de energia radioativa. E Daniel, no ímpeto de reagir (talvez de marquetear) comeu-a inteira. Mesmo um primata não faria isso. Os animais sabem reconhecer as plantas venenosas e o perigo de morte. Só nós, humanos, subvertemos a lógica da natureza e achamos que comendo a banana produziremos anticorpos que destruirão os racistas.

Ensina o manual de faxina étnica, senhor deus das bananas, que, sua eficácia está diretamente relacionada à desumanização do grupo que se quer exterminar e/ou explorar. Os nazistas comparavam os judeus a ratos e baratas. À colonização europeia, por sua vez, a associação de africanos a macacos é intrínseca.

A opressão racial é tão vil e eficiente no Brasil que consegue fazer com que um jovem destacado de sua comunidade de origem, o jogador Neymar, visivelmente, notadamente, escancaradamente afrodescendente (sem a opção do escapismo moreno), nomine-se como macaco, mas não se reconheça preto.

E, se é verdade que “todos somos macacos” (nós – os negros, os “brancos” como Neymar, e os brancos como Luciano Huck), Dani Alves e o companheiro midiático estão absolvidos do estigma do racismo que lhes é tão oneroso (a nós também) porque não é algo humano, porque não é mesmo suportável.

Mas, a diferença entre uns humanos e outros, senhor deus das bananas, é que os primeiros não têm alternativa de sobrevivência, senão, enfrentar o racismo, por isso se afirmam negros, ao tempo em que mandam os macacos-humanos plantar bananeira no asfalto quente para divertir os brancos. Quanto aos racistas, o grupo de primitivos humanóides negros manda-os para a cadeia.

O segundo grupo de humanos negros, aquele composto por pessoas descoladas que se auto-elogiam como macacas, mas não suportam o aniquilamento provocado pelo racismo, a despeito dos cartões de entrada vip para o jogo da vida (fama, dinheiro, prestígio social), optam por enfatizar, como o fez Dani Alves, que brasileiros têm samba no pé e alegria de viver. Por conseguinte, conclui-se, driblam o racismo com irreverência e criatividade.

Seguindo esse raciocínio, são capazes de entortar os adversários (e os pares) ao propor uma campanha contra o racismo tão racista quanto o ato deflagrador. Assim, eles demonstram orgulho por serem macacos, mas negam que sejam pretos. Santa lobotomia, senhor deus das bananas! Triste fim da humanidade!

Cidinha da Silva, Geledés

Recomendados para você

Comentários

  1. Matheus B. Postado em 30/Apr/2014 às 14:19

    Santa verborragia, meu Deus! Vejo simplesmente um ato de solidariedade de amigos, colegas de profissão, e outras pessoas, com o Daniel Alves. A autora mostrou que o que mais entorta as coisas hoje em dia é mesmo a ideologia.

    • Marcello Souza Postado em 30/Apr/2014 às 16:13

      Concordo, Matheus. A campanha pelo que entendi, só tenta igualizar a todos (em direito) Já o que a autora sugere é que só quem é preto pode ser chamado de macaco. Isso pra mim soa como racista. A ideia é que somos todos primatas. Somos sim diferentes, mas essas diferenças, não torna ninguém maior ou melhor. Estamos falando apenas de cor de pele que nada deve influenciar. Não acho que a campanha (brincadeira) tenha haver com dinheiro ou status social como a autora sugere. Pessoal mais encucado. Tudo tem que achar milhões de defeitos e complicações.

      • José Ferreira Postado em 30/Apr/2014 às 22:48

        É só ler Darwin. Todo mundo é macaco, e um chimpanzé tem 98% de DNA semelhante ao do ser humano, seja lá quem for.

  2. rodrigo Postado em 30/Apr/2014 às 15:44

    Distorção dos fatos!! Eu compartilhei, tenho grandes amigos negros e não vi problema algum nisso!! Tenham como as parábolas do Cristo, vc pode interpretar da melhor maneira, ou da pior, eu fui para o lado do bem!! Campanha da indignação humana contra o racismo, e sem mais demagogias baratas como o texto da autora!!

  3. Tammy Postado em 30/Apr/2014 às 16:26

    O que se sucedeu depois, a tal campanha midiática programada (que sim, pode ser criticada pela falta de reflexão), não anula a atitude de Daniel Alves. Meu santo deus das bananas!! todos nós não as comemos? Um grupo de ignorantes racistas aparecem, criam um sentido pejorativo para esse simples atos de comer bananas e eu, aceito esse sentido, e nunca mais as comerei para que eles - os ignorantes - não se vangloriem com frases do tipo: "Você viu?? Ele comeu a banana?? É um macaco!!! Meu santo deus das bananas!!! E se ele começarem a atirar bombril?? Nunca mais limparei uma panela com este tipo de abrasivo? E se atirarem desodorantes? Nunca mais os usarei??? E se eles atirarem pedras? Não posso pegá-las para atirar-lhes de volta??? Para um racista, se eu sou um negro comendo uma banana eu sou um macaco (no sentido de subumano). Para eles!!! Porque para uma pessoa que não possui preconceitos é apenas uma pessoa comendo uma fruta. E pra mim aí está a grande sacada de Daniel Alves, o sentido que ele deu foi o sentido comum para os humanos não-racistas. Banana para mim é alimento. Arma racista é para os racistas.

  4. ademar Postado em 30/Apr/2014 às 17:42

    A atitude de Daniel, espontânea me parece, foi inusitada e surtiu um efeito muito positivo, ridicularizou o indivíduo que tentava impor seu racismo e humilhação, foi excretado e preso. Mas como tudo que gera muita repercussão, aparecem os oportunistas, fazendo as campanhas de "solidariedade" , como o Luciano Huck que tirou uma casquinha e ainda faturou uns trocados lançando camiseta de sua grife como os dizeres : "somos todos macacos" , mas casos como este não devem servir como balizamento, o ato de Daniel e a repercussão tende mais para o lado positivo de alertar o problema do racismo, sempre haverá os oportunistas, como a autora deste texto também, que tentou de forma quase "lírica, poética e religiosa ", carimbar todos como racistas, preconceituosos e separatistas e inverter completamente o ato de Daniel. Menos Aparecida da Silva, menos....

    • Tammy Postado em 30/Apr/2014 às 17:50

      Concordo. As vezes penso que existem pessoas que só veem sentido em sua própria vida em razão de um inimigo. Se tiram-lhe o inimigo, tiram-lhe a razão de viver. Sempre querem que os racistas deixem de ser racistas, mas se o deixam, não aceitam ou não acreditam.

  5. Esdras Pereira Alves Neto Postado em 30/Apr/2014 às 23:50

    Eu não tenho nem palavras para descrever a atitude do Daniel Alves, pois aquele ato foi para mim o troco mais elegante para se dar a uma pessoa que se presa em fazer um ato daqueles e assim o extirpa-lo dos campos de futebol para sempre, e ainda mais ficar com essa vergonha estampada na mente pelo resto de sua vida. Valeu Dani Alves. Um forte abraço.

  6. Müller Postado em 01/May/2014 às 18:32

    Bom, essa campanha "#somostodosmacacos" também me passou uma impressão de contrassenso. Eu ficaria ofendido se me xingassem e de repente os meus amigos ao redor rebatessem o ofensor dizendo que também eram o xingamento "X", pois passa uma impressão de que todos legitimam o conceito do xingamento "X", mas para apoiar eles "rebaixariam" o ofensor ou a si mesmo para se "igualar" ao ofendido como uma forma de "defendê-lo". Num primeiro momento parece apenas uma inofensivo, mas se for refletir realmente "no que" e "do que" implica essa atitude, não é algo legal. Primeiro que já desinforma o povo, porque biologicamente não somos macacos e nem descendemos deles, mas teoricamente temos um ancestral comum, essa ideia veiculada em massa influencia equivocadamente o senso comum. Socialmente a palavra macaco está carregada de ideias negativas e pejorativas, não soa legal usá-la. Enfim, eu entendi a boa intenção( e segundas intenções: $$$...) de apoiar o Daniel Alves, mas a forma foi totalmente equivocada. E também eu acho que muito dos que postaram a foto são hipócritas, porque o que eu vi de conhecidos que postaram a frase, mas já tiveram comportamento racista, foi impressionante. A percepção do problema é muito sutil...

    • José Ferreira Postado em 01/May/2014 às 22:35

      Você deve acreditar ainda em Adão e Eva.

      • Müller Postado em 02/May/2014 às 00:19

        E você deve ler e interpretar direito as coisas antes de julgar. Não se usa o termo macaco na ciência, e também absolutamente o ser humano não descende do que o senso comum generaliza com o termo "macaco", é apenas um parente com ancestral comum na árvore genética. E a título de informação, minha plausibilidade se encontra na Teoria Sintética da evolução, blz, não julgue precipitadamente e equivocadamente...

      • José Ferreira Postado em 02/May/2014 às 11:44

        Pode não ser um macaco, mas é um primata que nem a gente. Então que mudem para #somostodosprimatas

  7. Pereira Postado em 05/May/2014 às 11:55

    Essa "campanha" do "somosmacacos" é a coias mais imbecil que eu ja vi. Eu não sou macaco , e nao tenho nada haver com macacos. Eu como cristão prefiro acreditar que eu o neymar o daniel alves o filho do neymar, os católicos , os gays , os prostituidos , os drogados , os espíritas , os índios , os negros , os bandidos , o meu filho , a minha esposa , os praticantes de candonblé e etc. são a coisa mais perfeita que o criador já fez e por isso sou chamado de ignorante, retrógrado , homofóbico e intolerante. vai entender essa gente ? #Eunaotenhonadahavercommacacos