Redação Pragmatismo
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Direita 02/Apr/2014 às 17:21
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Resposta ao blogueiro de Veja que defendeu o professor golpista

Cada cidadão consciente dos horrores da ditadura militar deve tomar para si a obrigação de não permitir que exaltem aquele processo criminoso desencadeado no Brasil há 50 anos

Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania, escreve sobre a reação dos alunos de direito da USP ao professor Eduardo Gualazzi, que, segundo ele, fazia apologia da ditadura e foi defendido pelo blogueiro Rodrigo Constantino, de Veja.com. “O regime que Constantino defende não se valia de manifestações teatrais para censurar. Preferia métodos mais “eficientes”, tais como torturas, estupros, assassinatos”, diz Guimarães. Leia o texto abaixo.

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Blogueiro de Veja Rodrigo Constantino (dir.) defendeu professor da USP que queria celebrar golpe de 1964 (Ilustração: Pragmatismo Politico)

Golpista da Veja confunde ensino com apologia à ditadura

Eduardo Guimarães

Um vídeo se alastrou pela internet a partir do último dia 31 de março. Foi feito pelos alunos da Faculdade de Direito da USP, instalada no Largo de São Francisco, em São Paulo, desde 1903. Este post não se destina a divulgar esse vídeo, mas a expor fatos que sucederam sua divulgação.

O vídeo mostra protesto feito por estudantes contra o professor Eduardo Gualazzi, quem, no dia do aniversário do golpe de 1964, em vez de dar aula resolveu afrontar não só os seus alunos, mas o próprio Centro Acadêmico XI de agosto.

Para quem não sabe, o Centro Acadêmico XI de Agosto é o órgão representativo dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco e recebe o nome “XI de Agosto” em homenagem à data da lei que criou as duas primeiras faculdades de Direito do Brasil, uma em São Paulo e outra em Olinda.

O XI de Agosto é o mais antigo centro acadêmico de Direito do país. Teve participação decisiva nas mais relevantes campanhas políticas nacionais, principalmente nos movimentos de defesa do Estado Democrático de Direito contra a ditadura militar que brotou do golpe de 1964.

O professor Gualazzi cometeu um desatino ao levar para leitura em sala de aula um texto de sua autoria intitulado “Continência a 1964”. O texto exalta a ditadura militar justamente em uma instituição cuja história se confunde com a luta contra essa ditadura.

A ligação da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco com a luta contra o regime militar é tão forte que, enquanto Gualazzi fazia apologia àquele regime em sala de aula, o próprio reitor daquela instituição, José Rogério Cruz e Tucci, participava de protesto contra a ditadura a algumas centenas de metros daquela Faculdade.

A intenção de Gualazzi, portanto, foi claramente a de provocar. O que ele estava fazendo, quando sua “aula” foi interrompida pela manifestação dos alunos, não era ensinar. O texto que lia não continha fatos históricos, mas a sua opinião sobre a ditadura.

Professores dão opiniões em sala de aula em todos os níveis de ensino. Isso é comum. Todavia, qualquer professor que disser opiniões em classe corre sérios riscos.

Conto uma história para explicar como é perigoso um professor confundir suas opiniões com a matéria que é pago para ensinar aos seus alunos.

Há alguns anos, uma de minhas filhas, durante aula na faculdade, ouviu de uma professora críticas duras a blogueiros de esquerda e, surpresa das surpresas, também ouviu o nome de seu pai ser incluído na acusação de que tais blogueiros seriam “pagos pelo governo”. Obviamente que ela protestou com veemência na mesma hora e, depois, fez queixa formal da professora, que foi advertida pela faculdade.

Apesar de o vídeo em questão já ter sido muito visto, vale explicar, para quem não viu, que os estudantes organizaram um protesto à altura da ousadia do professor de afrontar não só a eles, mas à própria instituição em que leciona.

O protesto começou do lado de fora da sala de aula. Estudantes simularam gritos de pessoas sendo torturadas e depois entraram cantando em classe, todos vestindo capuzes iguais aos que eram colocados nos presos políticos que a ditadura torturou e/ou matou.

Quem quiser ficar em cima do muro pode dizer que os dois lados erraram. Ainda assim, terá que reconhecer que quem cometeu o primeiro erro foi o tal professor Gualazzi. Contudo, à luz do amplo repúdio (inclusive internacional) à ditadura militar iniciada em 1964, é difícil qualificar a reação dos alunos como um erro. Foi mera reação a uma afronta.

A razão deste post é a de rebater uma versão distorcida desses fatos que está sendo alardeada pela revista Veja através de seus colunistas, entre os quais Rodrigo Constantino. Ele publicou um post em seu blog, hospedado no portal da revista, em que afirma que o tal professor da USP foi “impedido de criticar o comunismo”.

Abaixo, o comentário de Constantino no portal da Veja:

“Vejam como agem os comunistas, esses seres jurássicos que ainda procriam e se espalham, colocando em xeque a teoria da evolução darwinista. São tolerantes, democratas, a favor do debate aberto. Só que não! São autoritários, intimidam quem pensa diferente, querem calar o contraditório no grito. Impediram uma aula sobre as tiranias vermelhas e o contexto de 1964. Invadiram a sala e humilharam o professor. É apenas assim que sabem agir: covardemente e em bando”

Ao fim deste post, o leitor que ainda não assistiu o vídeo em questão poderá assistir. Quem assistiu, sabe que o texto do professor Gualazzi não se destinou a criticar o comunismo e sim a fazer apologia da ditadura militar. O próprio título do texto (“Continência a 1964”) diz tudo.

Chega a ser bizarro que alguém que, como Constantino, apoia um regime cuja principal característica foi a censura por meios violentos se queixe do que enxerga como “censura”.

Aliás, o regime que Constantino defende não se valia de manifestações teatrais para censurar. Preferia métodos mais “eficientes”, tais como torturas, estupros, assassinatos. Sevícias inclusive a crianças e adolescentes diante dos pais, a esposas diante dos maridos etc.

Concluo externando a opinião deste blog sobre a iniciativa dos alunos da Faculdade de Direito do Largo São Francisco. É mais do que necessário que todos quantos possam não percam a oportunidade de denunciar a ditadura militar. Este país não pode mais conviver com apologias a um crime de lesa-humanidade como foi aquela ditadura.

Cada cidadão consciente dos horrores daquele período terrível de nossa história deve tomar para si a obrigação de não permitir que exaltem aquele processo criminoso desencadeado neste país há meio século.

A ausência de denúncias contundentes sobre a violação da democracia e dos direitos humanos durante cerca de duas décadas é o que faz quase metade dos brasileiros julgarem de forma tão equivocada a ditadura militar.

Este blog, pois, exorta a todo aquele que sabe a verdade a que não aceite, de modo algum, apologias de quem quer que seja à ditadura. Pode ser amigo, parente, colega de trabalho etc. Se fizer apologia da ditadura deve ser contestado prontamente, mesmo ao custo da ruptura ou do esfriamento de sua relação com aquela pessoa.

Este blogueiro tem dito nas redes sociais que não tem o menor interesse em manter amizade ou qualquer outra relação com pessoas que apoiam o regime militar de 1964. Hoje há muita informação. Todos sabem dos crimes cometidos naquele período. Quem apoia aquilo, portanto, não presta. Não vale a pena manter relações com alguém assim.

Vídeo:

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Comentários

  1. Marcos Postado em 02/Apr/2014 às 17:44

    "Teoria da evolução darwinista", nossa. Achei que ninguém mais utilizasse essa desculpa esfarrapada para explicar qualquer coisa relacionada à sociedades humanas hoje em dia.

    • Gabriel Postado em 03/Apr/2014 às 18:37

      Teoria da evolução de Darwin está para a sociedade humana assim como meu Gol 1.0 flex está para me levar a Marte. Um abraço.

  2. Thiago Teixeira Postado em 02/Apr/2014 às 17:50

    Ser contra a ditadura não significa que os estudantes sejam comunistas, a crítica do Constantino poderia ser na atitude dos estudantes baderneiros, mas viajar e distorcer a notícia em delírios a lá Reinaldo Azevedo.

  3. Monteiro Postado em 02/Apr/2014 às 17:55

    Caros amigos, venho aqui alertá-los de um erro cometido por vocês muito recorrente na imprensa brasileira - e também na internacional. É a famosa "mentira" ou vulgarmente conhecida como "forçação de barra". Já no título da reportagem lemos: "Resposta ao blogueiro de Veja que defendeu o professor golpista" - na verdade, o professor não é golpista, apenas manifestou sua opinião sobre o Golpe Militar de 1964. Logo após isso: “O regime que Constantino defende não se valia de manifestações teatrais para censurar. Preferia métodos mais “eficientes”, tais como torturas, estupros, assassinatos” - esclareço que o referido blogueiro não estava defendo algum regime, porém estava criticando a invasão dos alunos à sala de aula. Favor, corrigir.

    • Vanderson Postado em 02/Apr/2014 às 18:19

      Não podemos afirmar que o professor é golpista, mas você também não pode provar que não há uma má intensão por trás de tal texto, que presta reverência ao golpe de 64. Se fosse uma questão de opinião, a minha é de que ele está mesmo muito próximo de uma postura golpista, igual a essas pessoas que defendem a volta de uma ditadura. Se tivessem feito a mesma coisa na Alemanha quando Hitler "manifestou sua opinião" pela primeira vez, a história teria sido muito melhor.

      • Monteiro Postado em 02/Apr/2014 às 18:36

        Exatamente. Não estou defendendo o discurso do professor. E nós sabemos que se a esquerda fosse o poder na Alemanha não haveria liberdade do mesmo jeito.

    • Marcos Bicalho Postado em 03/Apr/2014 às 10:36

      Ele é golpista sim. No início do filme ele afirma que apoiou "a revolução". Quem apoiou a revolução é golpista, de golpe militar. Pode não ser golpista de golpe em 2014, pois, acho, ainda não aconteceu nem acontecerá.

  4. duda lozano Postado em 02/Apr/2014 às 18:09

    Constantino = resto de lixo

  5. Fábio Postado em 02/Apr/2014 às 18:14

    Sabe o que é mais interessante disso tudo? É que, no seu blog, o Rodrigo Constantino vive moderando minhas sempre educadas críticas às suas galhofas.

    • Monteiro Postado em 02/Apr/2014 às 18:38

      Hehe, bem-vindo ao clube dos moderados pela Veja.

      • Fábio Postado em 02/Apr/2014 às 18:47

        rsrsrs E ele diz que é "liberal sem medo da polêmica"... tá bom, só n sei o que ele entende por "polêmica"...

  6. Marcelo Navarro Postado em 02/Apr/2014 às 18:23

    Eu fico triste quando leio esses textos da Veja. Triste por saber que muita gente ainda está perdida e acredita no que eles falam. É ridículo ver que em pleno século 21 ainda se usa esse argumento típico de guerra fria (olhem só, comunistas! eles são malvados!) para generalizar intelectuais e pessoas conscientes, como se os comunistas fossem a incarnação do demônio. O cara não escreve, vomita ódio e mentiras. Aliás, verdades, porque tudo que ele disse se aplica á direita, que precisa desinformar a população e perseguir opositores para se manter no poder, ele só mudou o ator para culpar os "comunistas".

  7. Leandro Dubost Postado em 02/Apr/2014 às 23:30

    Façam um bem para si mesmo: ignorem esses colunistas da Veja. Eu sei que existe um masoquismo curioso ("que asneira falaram essa semana?"), mas ignorar é a melhor forma de enfrentar esse tipo de pensamento ignorante. Deixe ele ficar falando, mas vire de costas... Ignore a ignorância, compartilhem o conhecimento.

  8. luiz carlos ubaldo Postado em 03/Apr/2014 às 07:42

    se não fosse o bloco socialista a gente tava fudido nas mãos desses facistas que se secondem por detrás do capitalismo! veja é uma merda como tudo que a dentro e por fora dela!

  9. Eduardo Abreu Postado em 03/Apr/2014 às 07:47

    esse brogreiro é de que folhetin mesmo???? OIA???? não vou secar minhas lagrimas para ler texto de quem escreve nesta coisa, tudo que vem daí nem pra pendurar no banheiro não serve. E quem está admirado desta, repito, coisa, defender uma tristeza destas, ocorrida em nossa história. ODE A MALUQUICE DE ALGUNS.... ainda bem que os estudantes, mesmo não tendo vivido aquele tempo não deixaram prosseguir com esta "festa" macabra.

  10. Esdras Pereira Alves Neto Postado em 03/Apr/2014 às 11:48

    Eu admiro uma pessoa que se intitula professor, defender uma política barbara como foi a ditadura militar; meu eu nasci em 1963 e vivi minha infância nessa época, por isso eu não tenho muita noção dos acontecimentos, mas depois eu li a respeito da ditadura militar da época em que ela dominava e vi os depoimentos e os acontecimentos das barbáries que ocorreram com as pessoas e meu ainda ha pessoas que apoiam esse tipo de ocorrência. Olha pessoal eu acho que essas pessoas não passam de verdadeiros "aloprados sem noção" em que estão falando.

  11. Robson Postado em 26/Oct/2015 às 23:07

    Esse professor escroto se parece muito com aquele professor ditador do clipe do Pink Floyd: Another Brick the Wall

  12. Robson Postado em 26/Oct/2015 às 23:10

    desista professozinbho reacinha, voce é minoria num pais democratico!!!!