Redação Pragmatismo
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Racismo não 07/Apr/2014 às 20:29
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Homem defende mulher vítima de racismo e é esfaqueado

Após ofender funcionária negra com xingamentos racistas, jardineiro esfaqueia homem que tentou defendê-la. José Severino da Silva disse que se arrepende das ofensas raciais, mas não da facada

“Ele disse que a empresa não ia para frente porque contratava pretos”. Parece absurdo, porém, em pleno 2014, essa foi a ofensa que uma operadora de caixa na região central de Bauru ouviu na noite desta sexta-feira (4). Após ofender a funcionária, José Severino da Silva, 43 anos, ainda esfaqueou Dirceu Pereira Gonçalves, 35 anos, que foi tirar satisfações após ouvir o ato racista.

O crime ocorreu dentro de um estabelecimento, localizado na rua Treze de Maio. Descontente com a demora na fila, o jardineiro José Severino começou a ofender a funcionária, de 22 anos, que teve a identidade preservada.

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José Severino da Silva (foto) hostilizou funcionária negra e esfaqueou homem que tentou defendê-la (Reprodução)

Diante dos xingamentos racistas, outros funcionários e também clientes se indignaram e foram tirar satisfação com o homem. Ele conta que deixou as compras e tentou ir embora do estabelecimento, contudo, foi parado por seguranças do local.

Foi quando, de acordo com a Polícia Militar (PM), a discussão se tornou ainda mais intensa com o cliente Dirceu Gonçalves. Em determinado momento, o jardineiro tirou um punhal de poucos centímetros e atingiu o homem no peito, próximo ao coração.

Por sorte, era próximo ao horário de fechamento e havia poucos clientes no estabelecimento comercial. A vítima foi socorrida pela Unidade Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros e encaminhado ao Pronto-Socorro Central (PSC).

O jardineiro José Severino da Silva foi preso ainda dentro do local, pela Força Tática da PM. Ele foi conduzido à Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde, até o momento,o caso ainda não havia sido registrado.

Vítima

Informações preliminares da PM davam conta de que a vítima estava em estado grave quando foi socorrido.

Contudo, pouco após ter sido levado ao PSC e ter recebido atendimento, Dirceu Gonçalves deixou a unidade hospitalar. Ele não teria recebido alta dos médicos.

Por volta das 22h, o policiamento foi até a residência da vítima, porém, ela não foi localizado. Não se sabia mais qual era seu estado de saúde.

‘Eu me arrependo de ter xingado, mas não da facada’

Sentado no chão da Polícia Civil, José Severino da Silva parecia sequer ter noção do que havia acabado de fazer ontem à noite.

Ele se dizia homem honesto e contou que havia ido comprar pão com mortadela no lugar. O jardineiro, que veio de Alagoas, disse estar arrependido somente do ato de racismo e alegou ter sido agredido primeiro.

Leia a entrevista realizada pelo Jornal da Cidade

Jornal da Cidade – Você xingou ela mesmo?
José Severino – Xinguei de preta. ‘Tava’ demorando muito. Uma meia hora já. Eu disse que ‘tava’ demorando porque ela era morena.

JC – Mas você disse ‘morena’?
José – Na verdade, eu disse preta mesmo.

JC – E o que aconteceu logo depois?
José – Ela ficou ofendida, né? O cara que estava atrás de mim também. Quando o povo ficou bravo, eu até falei que não ia comprar mais nada e ia embora. Deixei minhas compras ali em cima e quis ir embora. Mas aí não deixaram.

JC – E o que você estava comprando
José – Mortadela e três ‘pãozinho’

JC – E aí?
José – Aí que já tinha um segurança na minha frente. E chegou esse cara e me deu um soco no olho. Aí eu tirei a faquinha que eu uso e acertei ele.

JC – E pra que o senhor usa essa faquinha?
José – Uso pra cortar as plantinhas. Sou jardineiro. Sou trabalhador. Sou honesto. Num tenho passagem.

JC – O senhor bebeu algo?
José – Não. Nada, nada.

JC – E o senhor está arrependido?
José – Tô arrependido de ter xingado a moça.

JC – E da facada?
José – Não. Ele que veio pra cima, né? Eu arrependo de ter xingado, mas não da facada.

JC – E se ele morresse?
José – Mas e se ele tivesse me cegado com o soco?

JC – E se o senhor for preso?
José – Fazer o quê? Mas não xingo mais.

JCNet

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Comentários

  1. Askeladd Postado em 07/Apr/2014 às 21:54

    Eu tento entender o motivo de um retirante nordestino e mestiço ser racista. Esse mundo sempre foi louco, mas as vezes assusta!

    • Ethiene V Postado em 08/Apr/2014 às 11:09

      Também nunca entendi.

    • rogerio david Postado em 08/Apr/2014 às 13:01

      "Eu tento entender o motivo de um retirante nordestino e mestiço ser racista". Como que um negro não se irmana com outros negros, como que pobre não se irmana com outros pobres. Porque os indivíduos não podem ser únicos e cada um ter a sua consciência. Porque os racistas daqui acham que quem é da mesma "raça" sempre deve ser corporativista. Somos todos humanos e cada um tem a sua opinião de mundo baseado em sua vivência. Não são os políticos e os "salvadores" da nação que devem dizer o que cada um deve ser. Apesar deles sonharem com isso, pois só assim o mundo será "justo".

      • Francis Rubens Postado em 10/Apr/2014 às 11:45

        Onde tá na notícia que ele é um retirante nordestino?

  2. Alberto Postado em 08/Apr/2014 às 00:00

    Desde quando defender alguém significa agredir? Que tipo de jornalismo defende esse tipo de ato? E ainda falam da apresentadora do jornal do SBT!? Sério, eu li alguma coisa errada ou interpretei alguma coisa errada? Se tu é roubado, ameaçado com uma arma, e bate no meliante tu tá errado. Mas se a pessoa é racista e tu bate nela aí tu ta certo? Como cidadão o certo é dar voz de prisão, e procurar autoridade responsável para acompanhar o homem até uma delegacia!

    • francis Postado em 10/Apr/2014 às 11:48

      Concordo Alberto, o cara não tava defendendo estava agredindo (isso pelo relato do jardineiro). Não tá certo culpar um sem responsabilizar o outro.

  3. Thiago Teixeira Postado em 08/Apr/2014 às 09:15

    Honesto????????????????

  4. Bruno Postado em 08/Apr/2014 às 10:02

    Isso é a versão dele é preciso ouvir o outro lado.Aliás se for possível gostaria que o jornal fosse atrás de outras testemunhas para ouvir o outro lado.