Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 02/Apr/2014 às 12:14
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Arrastada por policiais e obrigada a fazer uma cesariana que não queria

Em trabalho de parto, mulher é levada por policias armados e obrigada a fazer uma cesariana que não queria. Aconteceu em Torres, Rio Grande do Sul

“Vieram buscar a gestante em casa, com policiais armados, ambulância e mandato judicial para preservar a vida do nascituro, a pedido da médica, dra. burra que além de não saber fazer parto pélvico (dado SUPER duvidoso), disse que o bebê nasceu mal com circulares de cordão e mecônio mesmo chorando e respirando bem, depois de negar ao pai o direito (concedido por uma lei federal) de acompanhar a cirurgia!Estivemos no hospital durante a tarde para uma avaliação com direito a eco obstétrica de urgência e tudo onde constataram placenta e líquido amniótico normal, bebê com sinais vitais bons e mãe em perfeita saúde. A mãe de recusou a ser internada, assinamos um termo de responsabilidade e fomos liberadas. A noite, em franco trabalho de parto, luzes apagadas, velas acesas só esperando o momento certo de ir ao hospital batem na porta, um bando de pessoas loucas com argumentos vazios. QUESTIONEI: quando médico mata bebês dentro do mesmo hospital a justiça não trabalha com tanta rapidez!! Estou em luto, por mais um parto roubado no Brasil e o terceiro pra essa mesma mulher, guerreira e batalhadora que teve o direito sobre seu próprio corpo arrancado a ferro, por quase 10 policiais armados! LUTO ETERNO!”

grávida obrigada fazer cesária
Adelir de Goes, em foto publicada no Facebook (Reprodução)

Esse depoimento é de autoria da doula Stephany Hendz a respeito do que viveu a gestante a quem atendia. Se você ainda não entendeu, é isso mesmo: uma gestante foi retirada de dentro de sua casa, em trabalho de parto, e foi obrigada a fazer uma cesariana, tendo sido levada à força por policiais armados.

LEIA TAMBÉM: A violência obstétrica contra as mulheres

Contra seu direito de escolha. Contra seu direito à livre autonomia. Contra sua vontade. Em solicitação a um pedido feito por uma obstetra. O Estado apropriou-se de seu corpo e fez com ele o que achou que deveria ser feito.

Isso, que realmente parece mentira embora não seja, aconteceu dia 01 de abril deste ano, na cidade gaúcha de Torres.
Quem decidiu isso? Duas obstetras mulheres. Quem autorizou a busca armada da gestante? Uma juíza.

A obstetriz e ativista pela humanização do parto Ana Cristina Duarte divulgou seus nomes:

– juíza: Liliane Maria Mog da Silva
– obstetra que atendeu gestante à tarde e quis interná-la: Andreia Castro
– obstetra citada no mandado de concessão de liminar, condução e intimação: Joana de Araújo

O movimento de mulheres usuárias dos sistemas de saúde em defesa da humanização do parto e nascimento no Brasil manifesta seu extremo REPÚDIO frente a essa ação que fere os direitos das mulheres, os direitos humanos e mancha para sempre a assistência obstétrica brasileira.

As advogadas e ativistas da organização não governamental Artemis, que atua no combate a todas as formas de violência contras as mulheres incluindo a violência obstétrica, já se encontram em plena atividade no sentido de levar adiante todas as medidas cabíveis.

Como ativista, pesquisadora da área de saúde coletiva no Brasil, cidadã e mãe desejo apenas uma coisa: que a justiça prevaleça e puna exemplarmente todas as profissionais e demais envolvidos neste grave e hediondo caso. E que as instâncias de poder manifestem-se em defesa dos direitos desta e de tantas outras gestantes o quanto antes.

Antes que sejam obrigadas a isso por organismos internacionais. A exemplo do caso de Alyne Pimentel, que morreu grávida no ano de 2002 vítima do precário atendimento da rede de saúde do Rio de Janeiro, e que somente teve seu caso considerado pelos órgãos competentes após o Brasil ser condenado pelo comitê internacional em defesa das mulheres CEDAW/ONU – o mesmo que também condenou o país no caso de Maria da Penha.

Estamos em estado de luto.

Ligia Moreiras Sena / Cientista que virou Mãe

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 02/Apr/2014 às 12:36

    Se ela parisse em casa e o bebê (toc toc toc) morresse no parto, o ESTADO seria certamente acusado de omissão juntamente com as profissionais da saúde que a atenderam. A "doula", certamente mais inteligente que a médica burra, teria escrito outra história.

    • Wilton Postado em 02/Apr/2014 às 12:51

      Havia um documento que a gestante assinou se responsabilizando ao sair do hospital. Isso é atitude de quem está mal intencionado?

      • Thiago Teixeira Postado em 02/Apr/2014 às 15:13

        Documento para a mídia vale alguma coisa?

    • Aline Postado em 02/Apr/2014 às 12:53

      Isso é coisa de médica preguiçosa que quer ir para casa de uma vez e não quer ser importunada durante a madrugada. Preguiçosa que quer realizar o procedimento da forma mais conveniente para ela e mais perigosa para o bebê, ou tu desconhece as estatística de falecimento de mãe e filho devido a cesariana? Me espanta que tenha gente (ignorante) que ainda apoie esse crime que foi cometido.

      • Thiago Teixeira Postado em 02/Apr/2014 às 15:12

        Você está dizendo que a médica olhou no relógio e disse: "Nochta ... são 15 horas. Ai gambé, busca aquela muié prenha para gente sentar a navalha nela, pois hoje não quero perder o BBB". Se for isso ... a médica tem intimidades extras com o capitão da polícia.

    • Tammy Postado em 02/Apr/2014 às 14:31

      Thiago, Muitas mulheres sofrem essa lavagem cerebral sobre o parto cesariana. Você, então, eu nem admiro que veja com bons olhos a "forçação de barra" dessa médica para operar a mãe. Espero que este caso seja investigado e que a médica seja punida pela violência, pois, na grande maioria dos casos, os partos cesarianas são sempre "agendados" de acordo com a conveniência dos médicos e hospitais. Enquanto não sair o resultado da investigação eu fico 100% ao lado da mãe que optou por parto normal pois tem grandes chances dela ter sido a real vítima dessa história. Já vi muito médico dar desculpa esfarrapada para antecipar partos: "Você já teve uma cesariana antes, não pode ter parto normal", "o risco de morte em um parto normal é muito superior ao de uma cirurgia", "você não tem abertura suficiente", "não é indicado parto normal para crianças com mais de três quilos", ou até apelação para a vida sexual da paciente como "você vai ficar muito flácida e perder a sensibilidade em sua vagina". Isso sim é um ABSURDO. Mas não sou eu quem digo, é a Organização Mundial de Saúde. Aqui no Brasil mais de 50% dos partos são cesarianas. Se considerarmos a rede privada vai de 80 a 90%, chegando a 100% em alguns hospitais. Um índice aceitável para a OMS é entre 10 e 15%. Tem muita coisa errada aqui no Brasil. E por isso suspeito muito desse caso em questão.

      • Thiago Teixeira Postado em 02/Apr/2014 às 15:09

        Neste ponto, você tem razão. A entidades privadas não querem saber o que é tecnicamente saudável a criança ou gestante, querem meter a navalha e gerar guia de recebimento dos planos de Saúde e SUS.

      • Eduardo Postado em 02/Apr/2014 às 15:11

        Perfeita afirmação Tammy. A cesariana entrou na lista do mercado. Por isso os "médicos" abusam desta pratica. Médico no Brasil não esta preocupado com a cura, e sim com o controle. Sendo assim, mais e mais remédios curando uma doença e causando outra. Se o MP fazer uma varredura vai encontrar vários médicos nas listas dos grandes laboratórios farmacêuticos. A grande adesão dos médicos ao parto cesariano é puro comercio. Basta ver quanto custa este tipo de parto!

  2. Mariana Postado em 02/Apr/2014 às 12:39

    Acredito que tem que ser apurado se o bebê não iria sofrer por falta de oxigenação no cérebro ... eu nasci através de uma cesárea de urgência e graças ao procedimento cirúrgico tanto eu como minha mãe ficamos bem ..,o bem estar do bebê tem que estar a cima dos caprichos maternos ...agora se não sofria risco nenhum ela poderia ter escolhido o parto ,e a juíza e as obstetras deverão ser responsabilizadas

    • Tammy Postado em 02/Apr/2014 às 14:18

      Mariana, Não é capricho materno. Gravidez a termo vai até 42 semanas e pelo que diz a reportagem ela estava em trabalho de parto. Também defendo que quando a cesariana é o único caminho ela deve ser aplicada sem pestanejar. Eu conheço e você também deve conhecer algum caso de mulher que foi forçada a dar a luz em parto normal na rede pública mesmo sem condição alguma. E isso infelizmente acaba contribuindo para maquiar número sobre mortalidade no parto normal pois já vi pesquisas que afirmam que quase 90% das mortes de bebês durante parto normal foram em casos que desde sempre eram para ter sido realizadas cesarianas. Também espero que obstetras sejam responsabilizadas se comprovado que não havia risco para a mãe e paciente. Principalmente, se comprovado que elas mentiram sobre a posição do bebê. Abraços,

    • Thiago Teixeira Postado em 02/Apr/2014 às 15:07

      Mariana, você não entendeu. São dois assuntos: 1- Tanto faz se deu certo ou errado, a foco é criticar a polícia e governo. 2- Hospitais particulares arrecadam mais dos planos de saúde e SUS com a Cesária. Questões técnicas são irrelevantes, infelizmente.

      • André Postado em 04/Apr/2014 às 15:08

        Caro Thiago, sua afirmação tem um equivoco, a cesária tem um valor de tabela mais baixo, seja no SUS ou em planos privados. Pode alegar que demanda de menos tempo do profissional e que pode ser feita de maneira eletiva, mas não quanto ao valor!

  3. Diego Postado em 02/Apr/2014 às 12:45

    Elas estavam esperando o momento de ir ao hospital. Leia com mais cuidado. Talvez devesse ler sobre as evidencias científicas sobre o parto. o que aconteceu foi uma violência inacreditável.

  4. Iva Santiago Postado em 02/Apr/2014 às 12:51

    Que absurdo!! Parece que agora é proibido o parto normal. Por que? Porque não tem hora, é mais barato, precisa de menos medicamentos. Ou seja, a indústria da medicina lucra menos. http://www.gazetadopovo.com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1180770

  5. Carlos Postado em 02/Apr/2014 às 13:17

    Todo mundo se manifestando em cima de um caso que ninguém sabe se é verdade ou não. Notem que não se trata de uma matéria jornalística - algo, aliás, que se vê bem pouco por aqui - mas sim de um manifesto de uma entidade que parece ser bem radical. Ninguém foi atrás do caso para saber as razões que levaram duas médicas a ingressarem na Justiça para pedir a condução da moça ao hospital. A juíza, a priori, não pode ser acusada de nada, pois certamente baseou sua decisão nos pareceres de duas profissionais teoricamente habilitadas para definir se a criança e mãe corriam ou não risco de morrerem.

    • Cauê Postado em 02/Apr/2014 às 13:49

      http://www.tjrs.jus.br/site/imprensa/noticias/?idNoticia=236190

  6. Tammy Postado em 02/Apr/2014 às 14:10

    Carlos, segue o link da Folha de São Paulo. É suficiente pra você? http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/04/1434570-justica-do-rs-manda-gravida-fazer-cesariana-contra-sua-vontade.shtml A propósito, uma gravidez a termo dura entre 37 e 42 semanas, sendo a média do trabalho de parto na 40º semana. A gestação da mulher do caso estava em 42 semanas e ela estava entrando em trabalho de parto. A mitologia médica privada cuidou para manter a ideia de bebês "sentados" não podem nascer de parto normal. Mentira. Pode sim. A técnica é diferente mas aplicada corretamente não há riscos para mãe e bebê, não mais do que o risco de uma intervenção cirúrgica. É difícil para homens entenderem o que se passa no Brasil em relação ao parto normal, pois se até as mulheres já sofrem essa "lavagem cerebral" acreditando que o parto norma é arriscado e seguro mesmo é uma cirurgia, imagine para vocês que devem pesquisar bem menos sobre o assunto. Parto cesariana aqui no Brasil é para atender a interesses privados. Imagine para um médico particular ter que ficar a disposição de sua paciente para atuar em seu parto? Um parto sem hora marcada, num feriado ou exatamente naquele único domingo do mês em que o médico conseguiu um tempinho para ficar com sua família? Imagine também a quantidade de partos que ele deixaria de fazer quando coincidissem os horários de três pacientes suas?? Imagine a quantidade de anestesistas que não seriam solicitados? A quantidade de diárias que não seriam pagas em hospital? O que acontece hoje em dia é que sem sombra de dúvidas, 99,9% das cesarianas da rede privada são eletivas e sempre "marcadas" de acordo com a agenda de médicos, pacientes e hospitais. Quase nunca consideradas a vontade natural do corpo da mãe e do bebê de nascerem. Isso é uma violência sim!!! E da pior possível!!! Porque manipulam informações que nós, muitas vezes, não podemos contestar! Por que nos fazem acreditar que se não optarmos por esse tipo de parto, morreremos. Basta ver que 85% dos partos em rede privada ocorrem em dias de semana e 78% deles são eletivos. Basta ver, também, que em países como EUA somente 25% dos partos são cesarianas (e olhe que lá tá aumentando a modinha de cesarianas por causa das famosas), no Reino Unido 10% e Japão 8%. Mas sabe, não sou eu que estou dizendo que o parto normal é o melhor. A UNICEF recomenda o parto normal, médicos pesquisadores compromissados defendem o parto normal, o corpo da mulher defende o parto normal pois é no trabalho de parto que alguns hormônios essenciais para a produção de leite materno são produzidos. Por outro lado, entendo que as mulheres também tem contribuído para esse aumento de cesarianas. O tal medo da dor do parto e a possibilidade de "pular" essa parte é simplesmente a junção da "fome com a vontade de comer" de pacientes e médicos. Também defendo que a analgesia no parto normal é um direito da mulher e principalmente o direito de não ser agredida verbalmente na hora do parto que sabemos ser uma realidade bem comum, principalmente na rede pública. Comentários do tipo "na hora de fazer não doeu" é quase uma pérola na boca de alguns médicos carniceiros.

  7. Paulo Henrique Postado em 02/Apr/2014 às 21:33

    A notícia é falha. A doula foi mal intencionada e leviana em sua afirmação. A mãe só foi levada ao hospital por oficial de justiça e policiais porque havia um laudo pericial que indicava que havia um risco de morte da mãe e do bebê. Ela já havia feito duas cesárias, e o risco de rompimento do útero nessas circunstâncias é alto. Se no país não se permite aborto, eutanásia e suicídio, por que o Estado permitiria que uma mãe e uma doula pusessem duas vidas em risco?

    • Veronica Postado em 03/Apr/2014 às 09:28

      Que vida em risco? A menina nasceu ótima. Feto com síndrome de sofrimento fetal nasce e vai direto para a CTI, ou morre. Cesárea trás 2,5 mais risco de morte ao feto e 3,5 mais risco de morte à mãe: a moça estava era se preservando, a si e a sua filha, dos riscos aumentados de uma terceira cesariana!

  8. Dhoco Postado em 03/Apr/2014 às 10:50

    Eu não acredito que eu li isso. Realmente, a imbecilidade humana está tornando-se catastrófica, a que caminho andamos meu povo? Como será o nosso futuro, com pessoas defecando uma opinião/ideia má formada para todo lugar? OooO CRIATURA QUE ESCREVEU ESSA BABOSEIRA AQUI...te informa criança, a mulher e o bebê corriam risco de vida, e agora pelo que aparenta, querem mídia por um trabalho bem feito. Gente ignorante, deveria ter deixado morrer, a não, mas ae seria culpa do "estado" porque não agiu. Como dizia o Raul: "alguém pare o mundo que eu quero descer"

  9. Elias Postado em 03/Apr/2014 às 16:18

    Olhem a incoerência da esquerda, um serviço bem feito, resguardou a vida da mãe e da criança eles criticam, ao mesmo tempo defendem o aborto, é a falta de caráter em cada texto.

  10. José Postado em 08/Apr/2014 às 14:19

    Cambada de ignorantes,melhor pecar pelo atendimento do que pela falta dele,quanto ao atendimento ,são ignorantes para julgar o procedimento médico ,e se algum de vcs é médico ,pior ainda , pois não tem lógica os comentários . Até prova em contrário acredito na ética profissional,e como não houve omissão de atendimento as médicas estão de parabéns ,porque tiveram êxito no atendimento,coisa que nosso governo não faz elas fizeram ,atender de uma forma que eu considero dignas de elogios e não de críticas . Faço como minhas as palavras do Elias, que me antecedeu nesse comentário .

  11. Médico Postado em 08/Apr/2014 às 16:58

    Deixem de colocar o médico no banco dos réus e respeitem a decisão médica para determinados casos..... pois artigos médicos demonstram o risco do parto pélvico.... "A ocorrência de partos vaginais (63,8% entre os pélvicos) esteve associada à depressão fetal grave no primeiro minuto (índice de Apgar inferior a 4) em 14% dos casos e à depressão moderada (índice de Apgar entre 4 e 7) em 17,5%. Em 68,5% dos casos o índice de Apgar foi igual ou superior a 7." Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. No livro de Obstetrícia Williams 23 Ed.- Tabela 17.1 -Algumas complicações maternas e fetais associadas com apresentação pélvica: 1)Rotura Uterina, Lacerações Cervicais e lacerações perineais; 2) Atonia e Hemorragia; 3) Prolapso de cordão; 4) Lesão fetal: Fraturas de umero, clavícula e femur ou lesão de plexo braquial Estão descrito em livros e artigos médicos não estou inventando é só procurar.... a mídia estiga e manipula a opnião de vocês .... essa é verdade.... Existem bons e maus profissionais em todos as profissões... não é pq vimos um caso isolado é que devemos rotular e condenar a classe médica. As vezes o paciente não tem noção do risco que está correndo, em escolher condutas baseadas em opniões de leigos....