Redação Pragmatismo
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Mundo 11/Mar/2014 às 15:25
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Venezuela e Crimeia contrariam império dos EUA

Os EUA já viveram dias melhores; na crise da Ucrânia, Barack Obama cedeu diante de Vladimir Putin e na Venezuela, governada por Maduro, um pedido de intervenção proposto pelos norte-americanos teve 29 votos contrários

obama maduro putin
Venezuela e Crimeia provam que o império dos EUA está fragilizado (Ilustração: Pragmatismo Politico)

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está entrando para a história como o general da derrocada da diplomacia de esporas e revólver na cintura do império americano. Nas crises paralelas da Ucrânia e da Venezuela, díspares mas com traços comuns, e nas quais em ambas os Estados Unidos de Obama tentam se meter, ficou estabelecido na semana passada que a lei será respeitada antes da força.

Com o parlamento da Crimeia votando por unanimidade a ligação da região à Federação Russa e a OEA marcando 29 votos a três contra a proposta de enviar observadores à Caracas, os americanos tiveram de recuar apenas para bravatas e articulações com seus aliados da União Europeia.Antes, queriam o recuo da Rússia e o início de intervenção na Venezuela. No continente americano, eles se mostraram em completo isolamento, ao lado apenas de Canadá e Panamá. Na Europa do Leste, Putin, como já se demonstrava, falou mais alto. O leão Obama miou.

Obama marcou em sua biografia um momento preciso do processo de declínio do poderio americano nos dois telefonemas que trocou com Vladmir Putin. No último, na quinta-feira 6, ao desligarem depois de uma hora de conversa tensa, ficou claro que a Rússia, com a vontade manifesta nas ruas do povo da Crimeia, o pedido unânime do parlamento local e todas as ligações históricas e culturais existentes com a região tem ao seu lado todas as leis internacionais para promover a aproximação – e consequente cooperação e proteção.

Putin deu sua versão do telefonema, sendo o único a falar a respeito do seu conteúdo. Avisou que não tem como não atender ao pedido da Crimeia e, além disso, nada há na legislação internacional que o impeça de atender ao pedido do parlamento. Obama não teria mesmo muito a dizer em público sobre o conteúdo do telefonema. Ele terá, à luz da correlação de forças e do direito internacional, de fazer seu secretário de Estado, John Kerry, engolir as ameaças de que “está se acabando a fase da diplomacia”, prometendo instalar o caos da guerra na região.

Não há nenhuma justificativa legal que permitam aos Estados Unidos, pela via da Otan ou do que quer que seja, de enfiar as botas na Crimeia.

DERROTA NO QUINTAL – Igualmente, não será pelo envio de observadores que os Estados Unidos irão dar sequência, na Venezuela, ao seu apoio crescente ao desmoronamento do governo constitucional de Nicolás Maduro. A votação de 29 a 3 na OEA soou como um soco no estômago de Obama dentro do antigo quintal americano, servindo para mostrar que nem mais nas cercanias de suas fronteiras os EUA mandam como antes. O México não aprovou a proposta americana.

Frente a Putin ou pelas costas de Maduro, Obama perdeu. Se procurar romper com as regras internacionais, e fazer pela via clássica – como no Iraque e no Afeganistão – uma ação de guerra, não apenas atestará seu isolamento como marcará o ponto mais baixo de sua diplomacia conservadora de cunho antiquado e extemporâneo.

Com um tipo diferente da paranóia estelar de Ronald Reagan e da loucura bélica de George W. Bush, Obama vai sair das duas crises em curso como inconsequente e, ao mesmo tempo, acovardado.

Primeiro, ao apostar na crise da Ucrânia como uma oportunidade de ganho de espaço de dominação geopolítica, Obama e sua administração se mostraram amadores e irresponsáveis. Até as estrelas da bandeira americana sabem que qualquer tentativa de mudança de correlação de forças na região irá, sempre e sempre, despertar o urso russo. Misha, então, se torna Putin. Não se brinca com o segundo (ou primeiro) maior arsenal nuclear do planeta.

Na Venezuela, não há indicativos de que o governo de Maduro perdeu a sustentação que sempre teve – de praticamente metade mais um da população do país. Há que se entender que esse vizinho do Brasil é um país dividido politicamente há pelo menos 40 anos, alternando regimes militares com governos pró-americanos, até o advento do chavismo, onze anos atrás.

Nesse quadro, a Venuzuela tem mostrado solidez institucional suficiente para resolver seus próprios problemas, apesar de os EUA de Obama apostarem em todo o tipo de método de desestabilização.

Uma em cada hemisfério do globo, as crises da Ucrânia e da Venezuela marcam o instante histórico em que os Estados Unidos estão perdendo definitivamente sua estrela de xerife do mundo.

Brasil 247

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Comentários

  1. CLAUDIO LUIZ PESSUTI Postado em 11/Mar/2014 às 16:23

    De outros sites, posso admitir, mas não gostar, mas este site, que procura justamente denunciar as farsas e manipulações do governo dos EUA, me incomoda muito chamarem os nascidos nos EUA de "americanos".Americanos somos todos nós, nascidos nas Américas, argentinos, mexicanos, brasileiros , jamaicanos e também os nascidos nos EUA. Porquê não passamos a chama-los SEMPRE de estadunidenses?Ora, até a denominação de origem querem nos tomar e dizer que é só deles, já não basta o que já nos roubaram estes anos todos?

    • Aken Postado em 11/Mar/2014 às 16:54

      Sinceramente, não sei porque há tanta discussão quanto a isso. Somos latino-americanos, acho que há muito diferença cultural do México pra baixo para com os EUA e Canadá. E se fosse cunhado o termo estadunidense, o nome oficial do México é Estados Unidos do México. O Brasil já teve Estados Unidos no nome. A questão é que os EUA tem um nome muito genérico, Estados Unidos da América... não é um nome 'original' tipo Brasil, Argentina, Colômbia...

      • CLAUDIO LUIZ PESSUTI Postado em 11/Mar/2014 às 17:07

        Somos AMERICANOS meu caro. Latino americanos tem a ver com a colonização da América do Sul e Central, não com a localização do país. Utilizando o seu termo, sinceramente, não consigo entender porque do contrário.Ora, imaginem os franceses dizerem que são "europeus" e os romenos, bem, eles são romenos...As palavras tem força.É necessário entender que não é só uma questão "técnica".Se o nome dele é EUA, que seja estadunidense. Aliás, nas tvs mexicanas, se utiliza o termo estadunidense.Inclusive na CNN em espanhol...Sem problemas...

      • CLAUDIO LUIZ PESSUTI Postado em 11/Mar/2014 às 17:31

        É como a designação de "11 de Setembro".Agora não existe mais uma data no calendário designada como onze de setembro.Os estadunidenses também se "apropriaram" da data. Agora "11 de Setembro" são os atentados ocorridos em território estadunidense.Só quem é desatento não percebe que a dominação se faz em diversas frentes, não só as mais explícitas.

      • ADNAN EL KADRI Postado em 12/Mar/2014 às 17:47

        NÃO entendo muito de semântica, mas as ponderações do PESSUTI são muito razoáveis. Eles, como sempre eles os EUA, o imperialismo ianque, o governo dos EUA apropriaram-se do termo americano. Isso é verdade. Eu mesmo fico com dificuldade se os chamo de EUA, ou estados unidos e quando vou me referir a nossa querida América Latina ou América do Sul, mas tem diferença a primeira é mais abrangente e ampla, engloba a América Central e o Caribe. Mas voltando sobra-nos então o termo sul americano, ou americano do sul que não soa bem. Portanto fico com o termo latino americano, que me parece mais claro e determinante. Mas que há a manipulação é claro que há. Aliás, só observar como eles falam "In América." como se NÃO existisse a América do Sul ou a Central. Realmente com o imperialismo todo cuidado é pouco. Nós latino americanos precisamos é nos integrar mais e mais, para nos defender do "irmão" predador do Norte. Por tudo isso viva LULA E DILMA e a AMÉRICA LATINA UNIDA e INTEGRADA.

    • Vinicius Bassani Postado em 11/Mar/2014 às 18:29

      Estados Unidos da América = Americanos Republica Federativa do Brasil não te dá o direito de ser chamado de republicafederativence mas sim de brasileiro, o nome do país é América também, qual o problema?? Nossa mudou o que a sua vida isso??? Note que vários paises tem mais nomes do que conhecemos, Republica Popular da China, Estados Unidos do México, Reino Unido da Gran Bretanha e Estados Unidos da América!! Esse tipo de comentário doi de ler!! E quem nasce nos Estados Unidos da América é americano sim, qual o problema?? Mudou sua vida?? Doeu??

      • Jorte Postado em 12/Mar/2014 às 20:42

        Bem, em espanhol o nome usado é "ESTADUNIDENSE", pois é assim que chamo aqueles bárbaros lá de cima. Mas devo reconhecer que podem sim ser chamados de americanos, uma vez que o gentílico é formado a partir da raiz da denominação, ou seja, os chineses vem de China, inobstante o nome daquela República ser República Popular da China. Caso semelhante são os mexicanos, nós mesmos brasileiros. Com relação aos que nascem no Reino Unido da Grande Ilha da Bretanha (é isso mesmo!), há a particularidade, como na Espanha, da formação dos diversos reinos. Lá tem os escoceses, os ingleses e os galeses. Realmente essa discussão não deve durar muito, haja vista o nome do pais imperialista do norte, o que obriga ao reconhecimento do termo "americano" como uma forma de reconhecer pessoas que se chamam "yankies" em uma parte daquele território federado. Para nós seria interessante o uso somente de "estadunidenses" por um motivo simples, como forma de homenagem e precisão histórica: é deles a expressão inicial "estados unidos" no lugar de "reinos unidos", fato que, convenhamos, é um marco na solidificação do ideal democrático do novo mundo.

  2. Rodrigo Postado em 11/Mar/2014 às 16:47

    Afastam-se de um império e seus erros para se unir a império outro, com erros tão graves quanto. Deu na mesma.

    • renato Postado em 11/Mar/2014 às 17:48

      Eu tambem quero morar num Império, e dai a diferença de ser mandado por um dos dois. E quero a Bomba, e quero o OSCAR, e quero LIBERDADE escrita num imenso muro..

      • Rodrigo Postado em 11/Mar/2014 às 20:50

        Renato, no céu tem pão?

      • Jorge Postado em 12/Mar/2014 às 20:47

        Credo! Ainda bem que você somente quis a bomba (mesmo que isso destrua a vida na terra!), quer o Oscar (quem não quer andar no tapete vermelho? Bem eu já andei no tapete vermelho da TAM. Sei que não é a mesma coisa, mas é vermelho e PRONTO!); quer a liberdade escrita em um imenso muro...ESSA FOI PIADA! Liberdade escrita em um muro? Tem dó tá. Mas se contente: na escola que existe no Largo do Machado, Rio de Janeiro, está escrito: "Ao Povo, o Governo"...é bem melhor que LIBERDADE ESCRITA em e somente em um muro. Em tempo: esse muro não é uma lápide mortuária não, é?. Outro em Tempo: no céu tem pão????

      • Rodrigo Postado em 12/Mar/2014 às 21:41

        Jorge, é que vi uma resposta tão "nonsense", que acabei lembrando de outro Renato, o Aragão. Procure "mãe, no céu tem pão?", no youtube (um "meme").

  3. antonio gabriel Postado em 11/Mar/2014 às 22:34

    Pra mim tanto faz eu acho que sou mineiro uai ...kkkk

  4. Esdras Pereira Alves Neto Postado em 12/Mar/2014 às 20:45

    Kkkk.... " soco no estômago" essa foi boa; pois assim cai a fixa desses norte americanos que sua hegemonia imperialista está fracassada. Chupa essa Obama. KKKK...

  5. Bandido Binário Postado em 19/Mar/2014 às 03:47

    Taca bomba neles Putin, destas de Neutron, que matam só matéria orgânica, deixa o parque industrial ucraniano limpo pro ordeiro e trabalhador povo russo aproveitar. O Stálin foi muito bonzinho com os colaboracionistas da Ucrânia. Devia ter limpado este paiséco com nukes!