Redação Pragmatismo
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Religião 19/Mar/2014 às 15:27
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A religião usada para cometer crimes

A religião e as igrejas usadas para atos criminosos. Pastores e impostores são investigados e presos por crimes que vão de estelionato a estupro

Lobos em pele de cordeiros. Recentes prisões de pastores ou falsos líderes religiosos alertaram a polícia e as congregações oficiais para criminosos que usam igrejas de diferentes denominações como fachada para cometer crimes. Em sete meses, pelo menos três homens foram presos, acusados de estupro, roubos, receptação e estelionato, usando a Bíblia para acobertar ações no estado. Outros suspeitos são investigados.

O delegado da 93ª DP (Volta Redonda), Antônio da Luz Furtado, diz já ter perdido a conta do número de pessoas que usam esse tipo de artifício. Recentemente, a polícia prendeu Edílson Ferreira de Sá, que comandava o rebanho de fiéis da Igreja Assembleia de Deus do Ministério Casa Família, em Volta Redonda, no Sul Fluminense.

No dia seguinte, fiéis acordaram estarrecidos com a notícia: foram encontrados na casa do pastor equipamentos avaliados em R$ 3 milhões, roubados de um estaleiro. O que mais surpreendeu, no entanto, foi a constatação de que o ‘religioso’ tinha uma ficha criminal robusta: 14 passagens pela polícia por crimes diversos, incluindo roubo, receptação e estelionato.

Com experiência na investigação de casos semelhantes, o delegado Antônio Furtado está criando uma cartilha com cuidados que as pessoas devem tomar para evitar cair na lábia de falsos líderes religiosos. “Indivíduos inescrupulosos estudam oratória e até psicologia para ganhar a confiança das vítimas e lesá-las”, ressalta o policial.

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‘Missionária’ Maria de Fátima Silva pegou 16 anos de cadeia. Pastor Reginaldo Sena dos Santos (abaixo) foi condenado a 78 anos de prisão. Marcos Pereira (dir.) foi condenado a 15 anos de prisão por estupro. (Pragmatismo Politico)

As dicas do delegado poderiam ter evitado, por exemplo, o abuso sexual de 14 meninas também em Volta Redonda. Pelo crime, o pastor Reginaldo Sena dos Santos, de 59 anos, conhecido como Ungido, e que estava fundando uma igreja no bairro Retiro, foi condenado a 78 anos de prisão. Para agir, ele contava com a ‘missionária’ Maria de Fátima Costa da Silva, 58 anos, condenada a 16 de cadeia.

No dia 7 de janeiro, o pastor Salvador Moreira, 49, foi preso em São João da Barra, no litoral norte fluminense, por estuprar sua enteada de 7 anos. Na casa dele foram encontrados vídeos pornográficos. Em agosto de 2013, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, outro pastor, de 33 anos, foi para atrás das grades pelo estupro de uma criança de 12 anos na própria igreja. Em todos os casos, os suspeitos negam os crimes.

Teóloga quer fiscalização

A luz vermelha acendeu também entre teólogos e líderes de congregações tradicionais. A teóloga Rute Felipe da Silva, da Faculdade Batista do Rio de Janeiro (Fabat), defende a criação de um órgão regulador que, sem ferir a doutrina de cada religião, possa acompanhar a conduta dos pastores.

“A missão de um bom pastor é apascentar, levar a palavra de Deus aos fiéis, estar sempre junto deles, nos momentos de alegria e tristeza. Por isso, quem pastoreia tem que ter bons fundamentos e ser um exemplo. Nunca se envolver em escândalos e crimes”, opina Rute.

Polêmico em suas posições, o pastor Silas Malafaia, líder da Igreja Assembléia de Deus Vitória em Cristo, vai mais longe. “Tem muito picareta espalhado por aí usando o nome de Deus para cometer toda a sorte de crimes. A Polícia Federal tinha que entrar nessa história e enquadrar todos os picaretas, vagabundos”, disse. Já o pastor Marcos Gladstone, da Igreja Cristã Contemporânea, defende que é dever das igrejas exigir que seus líderes tenham seriedade na pregação do Evangelho e conduta idônea. “Até antecedentes criminais de pastores deveriam ser pedidos”, diz.

Templo usado como ‘escritório’

O caso de maior repercussão de pastores acusados de crimes é o de Marcos Pereira. Preso desde março de 2013 sob acusação de estupro, o pastor líder da igreja Assembleia de Deus dos Últimos Dias foi condenado a 15 anos de prisão pela 2ª Vara Criminal de São João de Meriti. Ele nega a acusação.

Em 2012, outro escândalo: o pastor Dijanio Diniz, da Igreja Pentecostal Deus é a Luz, na Zona Oeste do Rio foi preso, acusado de ser o chefe de um bando que cometia crimes usando o templo como escritório. Na ocasião, mais 10 pessoas foram detidas. Os suspeitos respondem por crimes relativos a extorsões, ameaças, comércio ilegal de combustíveis, agiotagem, exploração de transporte alternativo e até caça-níqueis. Dijanio nega tudo.

Como se precaver

Com base em seu trabalho, o delegado Antônio da Luz Furtado faz uma série de recomendações especialmente para os novos convertidos:

– Informações

Pesquisar o histórico de vida do pastor e sua formação.

– Desconfiar

Questionar religiosos que se apresentem com discursos envolventes, agindo como melhores amigos de fiéis isoladamente. É preciso prestar atenção principalmente no caso de nova igreja.

– Denunciar

Procurar imediatamente uma delegacia, caso suspeite que um pastor cometa crimes. A polícia também deve ser procurada se o fiel desconfiar que se trata de um falso líder.

– Doação de bens

Não doar quantias em dinheiro ou bens que venham a fazer falta posteriormente.

– Promessas

Alertar para garantias de cura de doenças graves e reaproximação de casais em questão de horas, por exemplo.

– Crianças e idosos

Cuidados devem ser redobrados no contato com jovens e pessoas mais velhas, que são as principais vítimas.

– Exorcismo

Os fiéis também devem ficar atentos a quem garante que faz qualquer tipo de ‘milagre’ e que cobra para isso, como para a ‘expulsão de demônios’.

FRANCISCO EDSON ALVES, O Dia

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Comentários

  1. Pereira Postado em 19/Mar/2014 às 15:54

    Puxa vida !!! eu nunca fui com a cara desse marcos pereira(ele não é meu parante), é a primeira vez que eu vejo esse site tentando separar bandido que se passa por pastor de pastor honesto. "foi a constatação de que o ‘religioso’ tinha uma ficha criminal robusta" , notem as aspas em religioso. "ele contava com a ‘missionária’ Maria de Fátima Costa da Silva" e notem as aspas em missionária. Se eu não estiver enganado e o site realmente não generalizou a comunidade evangélica e separou bem quem é bandido e quem é pastor , vou ser obrigado a agradecer o site.

  2. Fe Pinheiro Postado em 20/Mar/2014 às 09:38

    Na minha opinião o que acontece é o seguinte: Muitas pessoas que procuram a igreja, muitas vezes são pessoas que estão passando por grandes necessidades, muitas pessoas simples, que estão passando por momentos delicados em suas vidas e acabam passando por uma lavagem cerebral absurda e não conseguem observar o que acontece ao redor. Acreditando que esses falsos homens de Deus possam lhe ajudar, muitas vezes abrem as portas de suas casas, suas vidas para estas pessoas e acaba deixando espaço livre para que cometam crimes como estupros. Maldito o homem que confia no homem. Cada esquina que a gente passa tem uma porta de igreja nova, é um absurdo a quantidade de igrejas que existem, creio que deveriam haver regras e leis e com certeza puxar o antecedente criminal de novos pastores. Não julgo os evangélicos, mas as pessoas vão se deixando levar por qualquer um que grite ALELUIA ou GLÓRIA A DEUS e não param pra prestar atenção no ser humano em si. A família da minha mãe e inclusive ela são evangélicos e nós conhecemos alguns missionários e pastores picaretas, porém a gente sempre analisou a questão. Tem mais é que meter esse bando na cadeia mesmo e fazer cumprir toda a pena.

  3. eu daqui Postado em 20/Mar/2014 às 11:00

    TODAS AS RELIGÕES TEM SIDO HISTORICAMENTE USADAS PARA COMETER CRIMES. Qual é a novidade?

  4. Thiago Teixeira Postado em 20/Mar/2014 às 12:49

    Marcos Pereira fez coisas erradas e tem que pagar. Uma pena, pois eu admirava seu trabalho junto aos detentos e no resgate de pessoas sentenciadas a morte no tribunal do crime.