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Racismo não 13/Mar/2014 às 08:20
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Patroa para doméstica: "Tenho nojo da sua cor e do seu cabelo"

"Tenho nojo da sua cor e do seu cabelo". Doméstica acusa patroa de agressão e racismo

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Nilza diz que patroa se exaltou no momento de fazer o acerto (Foto: Sérgio Isso)

A empregada doméstica Nilza Neves Ribeiro, 49 anos, natural da Bahia, procurou a polícia de Rio Preto, na última segunda-feira, 10, para denunciar a patroa. Segundo o boletim de ocorrência, ao se negar a assinar o acerto para sua demissão, ela teria sido empurrada e xingada pela ex-patroa. “Tenho nojo da sua cor e do seu cabelo”, teria dito a mulher para Nilza.

“Eu não concordei com o valor que ela queria pagar. Ela então pegou no meu braço, me empurrou dizendo para sair da casa dela e depois me xingou”. Segundo ela, a patroa se negou a pagar o aviso prévio e apresentou o valor de R$ 1,4 mil para o acerto.

Nesta terça-feira, 11, a doméstica esteve na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e confirmou que pretende dar continuidade no processo. Separada, mãe de três filhos já adultos, Nilza mora no distrito de Engenheiro Schmitt e chorou ao se lembrar das ofensas. “Nunca passei por isso na minha vida, foi muita humilhação.”

Ela trabalhou durante um ano e quatro meses na residência da ex-patroa, localizada num condomínio de classe média. Afirma que além da faxina, fazia o almoço. “Eu cozinhava todo dia. Ela comeu da minha comida todo esse tempo e depois vem falar um negócio desse?”, diz a doméstica.

Para seu atual companheiro, Nilza foi vítima de racismo. “Acho que ela não poderia ter falado assim. Deveria ter pensado antes de ofender alguém dessa forma”, afirma o pintor Anderlanio Ferreira da Conceição, 28 anos.

Segundo Nilza, pedreiros que trabalham numa construção ao lado da residência ouviram a discussão e devem ser chamados como testemunha durante as investigações. Nesta terça-feira, a delegada Dálice Ceron, da DDM, informou que o caso vai ser apurado como injúria qualificada devido aos xingamentos racistas.

“É diferente de racismo. Racismo é quando uma pessoa tem algum direito suprimido em razão de sua cor ou raça, por exemplo”, explica. Por se tratar de um crime de natureza privada, previsto no Código Penal, ela deve representar à acusada formalmente à Justiça para dar continuidade do caso.

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Comentários

  1. Suely Postado em 13/Mar/2014 às 08:44

    Daqui a pouco aparece alguém que diz: " a patroa só se exaltou, ela não falou isso por mal". Nojo quem tem sou eu em saber que pessoas digníssimas como a senhora Nilza Neves Ribeiro ainda passem por essa situação.

    • Melissa Postado em 13/Mar/2014 às 11:20

      Só a educação vence o racismo. Pode ser na escola, na rua, em casa (principalmente). Mas gostaria, também, que mexessem no bolso dessas pessoas e que passassem uns bons anos na cadeia.

  2. Thiago Teixeira Postado em 13/Mar/2014 às 08:47

    Essa Patroa falou o que está engasgado na garganta da elite branca de olhos azuis. Eles (as) tem Nojo da raça negra, e nos aturam por puro medo da processo. O racismo no Brasil é o pior do mundo, pois ele é frio e disfarçado. Assisto na TV vários engenheiros dando entrevista referente as obras governamentais, mas quando chegam no projeto que estou atuando as repórteres (todas loiras obviamente) me perguntam com espanto: "Mas você que é o gerente da ponte????" Rapidinho elas pegam todos os dados técnicos comigo, explicam a um assessor branquinho do governo, posicionam o poste na frente de uma equipe trabalhando e entrevistam este.

    • Suely Postado em 13/Mar/2014 às 09:00

      PQP, hein, Thiago! Da próxima vez em que houver uma entrevista, recuse-se a falar qualquer coisa.

      • Valter Augusto Postado em 26/Jul/2014 às 13:57

        É isso aí:seja mais esperto,mano!

    • Melissa Postado em 13/Mar/2014 às 11:13

      O racismo no Brasil, infelizmente, é cultural. Se você reclama, dizem que não foi isso que queriam dizer ou que você não entendeu direito, que o filho do primo do cunhado do vizinho é negro, que foi só uma piada ou brincadeira, que o racista é o próprio negro. E todo esse blá blá blá.

      • José Ferreira Postado em 13/Mar/2014 às 12:56

        Nesse caso não foi racismo, foi injúria racial, por motivos que foram mostrados na reportagem. Entretanto, ela merece punição.

    • renato Postado em 16/Mar/2014 às 12:30

      Thiago, na boa, ao menos você é bonito.. Por que eles também não colocam gente feia...a saber. Negro, baixinho, e feio não dá reportagem nem matéria. Só anão negro, daí sim, dá materia se ele for pobre e estiver precisando de algo, ou passando por uma situação que exija compaixão....daí vai para, até a TV.. E não tem jeito, se fizermos uma rede só para os párias do planeta, estaremos nos igualando a eles. SÓ mesmo a EDUCAÇÂO..o conhecimento..a valarização do ser HUMANO....isto leva tempo e no meio não pode haver injustiças, senão bota tudo a perder... Nas redes sociais há sempre a TENTATIVA de fazer piada com tudo tudo vale, e neste momento se ultrapassa o que é polido. Como você disse uma vez, deixa para lá, que é para não dar chance ao RACISMO, que morre por si mesmo.

  3. Bárbara Postado em 13/Mar/2014 às 09:27

    Velho, que delegada é essa? É claro que isso é racismo!! E privado? Cara, vergonha do Brasil com essas histórias de público e privado. Affe, mariaaaa!!!! Dá vontade de sumir desse mundo às vezes!!!

    • Renato Postado em 14/Mar/2014 às 19:20

      A Delegada está certa e ela não está se negando a fazer o trabalho. Vá ler o Código Penal e o de Processo Penal antes de metralhar asneiras.

  4. Melissa Postado em 13/Mar/2014 às 11:02

    Isso dói na alma. Triste.

  5. Everson Postado em 13/Mar/2014 às 11:38

    Num pais onde 87% da população tem sangue negro, onde mulatos julgam-se brancos, onde tornou-se ofensivo chamar alguem de negro, todos são morenos (de claro a escuro) e praticam o racismo velado ou explicito. Já vi muito negro discriminando negro. Somos um pedaço da Africa que imagina ser Dinamarca.

    • José Ferreira Postado em 14/Mar/2014 às 22:21

      87%??? De que país você esta a falar? Pelo que eu saiba ter sangue negro não quer dizer ser negro, pois tem alguns brancos com meia dúzia de genes negros, e há mulatos (que se dizem negros) que tem 55% de genes caucasianos. Se a questão for social, então fiquemos com os dados do IBGE que diz, baseado no Censo 2010 que temos 8% de negros, com alguns estados com mais ou com menos negros. Também devemos lembrar que temos em boa parte sangue índio, mas os grupos afroracistas não estão nem ai para eles.

  6. Luis Avena Postado em 13/Mar/2014 às 13:06

    Eu só espero que meus netos leiam, daqui a 70 anos, uma notícia dessas e pensem: "COMO ISSO PODE TER ACONTECIDO UM DIA?PORQUE A SOCIEDADE ERA TÃO PRIMITIVA SE OS SERES HUMANOS CONVIVEM ENTRE SI HÁ MILHARES DE ANOS?" Da minha geração espero bem menos do que isso!

  7. eu daqui Postado em 13/Mar/2014 às 14:17

    Nojenta mesmo é a enojada que colocou dentro da proópria casa alguém de quem tem nojo.

  8. Alexandre Lopes Postado em 13/Mar/2014 às 15:41

    Essa diferenciação entre racismo e injúria racial é totalmente artificial . Não se trata de ponto de vista de leigo que quer generalizar e jogar na vala comum, porque eu entendo um pouquinho de direito e sei o que estou falando . Nossa legislação, sobretudo a penal , é lotada de filigranas ( diferenciações baseadas em detalhes insignificantes ) que , não raro , beneficiam quem sempre esteve numa posição social hegemônica e prejudicam o pobre, negro etc . Lamentavelmente , essa delegada está seguindo uma lógica formal ; porém, uma interpretação oposta seria cabível, mas ai é preciso coragem e essa delegada se rendeu à ideologia positivista e conservadora que prevalece no nosso ordenamento jurídico .

    • Guto Postado em 13/Mar/2014 às 18:18

      Ainda acredito que a injuria deveria ter uma pena maior que o próprio crime de racismo, já que é a mais comum de acontecer e ficar impune.

  9. Guto Postado em 13/Mar/2014 às 18:16

    A justiça sempre acha uma brecha para amenizar esses criminosos, não sei o que pode explicar que ainda hoje, existe pessoas que se acham superiores as outras levando em consideração a cor da pele. Para esses que se acham, um lembrete do fim que teve o maior tolo da história que pensou dessa maneira: Adolf Hitler ;*

    • José Ferreira Postado em 13/Mar/2014 às 22:45

      Não se trata de uma brecha, mas uma diferenciação. Isso vale para outras comparações como a de homicídio culposo e o doloso. O caso da australiana de Brasília é claramente racismo, pois ela não queria ser atendida por alguém afrodescendente.

      • Guto Postado em 14/Mar/2014 às 01:00

        Ainda acredito que a injuria deveria ter uma pena maior que o próprio crime de racismo, já que é a mais comum de acontecer e ficar impune.

      • José Ferreira Postado em 14/Mar/2014 às 08:29

        O fato de ser mais comum não quer dizer que seja mais grave. Roubos e furtos são mais comuns que homicídios, e seria inadequado que esses crimes (roubo e furto) tivessem penas maiores do que os homicídios.

  10. Vilmar calisto da silva Postado em 13/Mar/2014 às 21:24

    e uma burra desse ainda tem coragem de dizer que é fiel a deus, eu tenho certeza disso...kkkkkkkkkk

  11. Luciano Postado em 13/Mar/2014 às 22:42

    A srª Nilza deve levar a queixa adiante para não se tornar apenas estatística.

  12. Verinha Nunes Postado em 13/Mar/2014 às 22:43

    Alexandre Lopes, tô procurando teu perfil no face , mas, tá dificil. Há uma penca de ALEXANDRE LOPES. Qual é você, afinal? :-)

  13. Alexandre Lopes Postado em 14/Mar/2014 às 08:57

    José, o Guto se referiu a crimes que tenham o mesmo objeto ou conteúdo e você comparou roubos e furtos ( patrimônio ) com homicídio ( vida ) . Acho que ele fez menção ao crime mais comum; porém, dentro de um contexto específico e não de forma ampla .

    • José Ferreira Postado em 14/Mar/2014 às 09:13

      Se a questão é a vida, então mudo meu exemplo para "lesões corporais e homicídios". As lesões corporais são mais comuns que homicídios, inclusive com muitas subnotificações, nem por isso devem ter penas mais graves que os homicídios.

      • Alexandre Lopes Postado em 14/Mar/2014 às 13:53

        Na verdade, independente do pensamento do Guto, eu penso que a diferenciação ( injúria racial e racismo ) deveria acabar, porque é artificial .

      • José Ferreira Postado em 14/Mar/2014 às 14:09

        A diferenciação existe do ponto de vista técnico, é só analisar friamente.

      • Alexandre Lopes Postado em 14/Mar/2014 às 20:52

        O ponto de vista técnico é uma mentira , uma ilusão !

      • José Ferreira Postado em 14/Mar/2014 às 22:26

        Você está a falar assim porque se solidarizou com a mulher, e eu também me solidarizei com ela. E muitos que defendem penas maiores para as injúrias raciais se mostram contrários quando o crime é de homicídio, por exemplo. O pior é que o homicídio é prescritível, apesar de ser um crime pior que o racismo, que não é prescritível.

  14. Antonio Palhares Postado em 14/Mar/2014 às 17:01

    A patroa disse que sentia nojo da cor e do cabelo. Então quem tem cabelos e cor iguais os da empregada são da raça negra. Dai ela tem nojo da raça. Portanto para mim é crime de racismo sim e como tal ser tipificado.

  15. JOSE SILVSTRE Postado em 14/Mar/2014 às 23:46

    Como já foi dito antes, o racismo no Brasil é um dos mais crués do mundo, porque não existe parâmetro.

  16. José Ferreira Postado em 15/Mar/2014 às 10:18

    Ela disse que tinha nojo de quem tem cabelos iguais aos da empregada, mas não tirou nenhum direito de todos aqueles que possuem cabelos iguais aos da empregada.

  17. Moni Postado em 15/Mar/2014 às 11:24

    Todo mundo sabe do que se trata,qual era o objetivo real da patroa.Inferiorizar um ser humano que prestava serviços a ela,fazendo hora extra muitas vezes,deixando de estar ao lado daqueles que a amam,servindo dia dia com dedicação essa criatura,muitas vezes trabalhando doente,correndo para não perder a condução lotada, e da pior forma possivel pela cor,por favor!!Em pleno século que vivemos, com diversidades culturais no nosso pais,os homoxessuais lutando para serem respeitados,e essa sociedade hipócrita,porque que essa gente ao invés de querer humilhar as pessoas de cultura diferente,cor de pele, não trocam de planeta,se são tão infelizes onde estão.É lamentável que nesses casos não há justiça que irá modificar suas condutas.Os seres humanos tem que usarem mais racionalidade e dar um basta ao etnocentrismo.

  18. Samara Postado em 15/Mar/2014 às 11:47

    É claro que é um caso de racismo. A patroa falou que tinha nojo da cor e do cabelo! É óbvio!

    • José Ferreira Postado em 15/Mar/2014 às 14:24

      Ela falou, essa é a questão. Ela não impediu por causa de seu nojo da cor e do cabelo. É evidente.

  19. Assis Postado em 15/Mar/2014 às 14:13

    Racismo na esfera legal, criminal, pode até ser algo mais específico. Entretanto, independente de tipificação criminal, a ex-patroa é explicitamente racista, sim.

  20. Elias Postado em 16/Mar/2014 às 00:03

    Isso só aumenta o racismo gera um efeito inverso, hoje em dia o Brasil é muito mais racista do que antigamente, quanto mais se combater o racismo mais racista um país será. Racismo se combate esquecendo as diferenças e com educação de altíssima qualidade.

  21. Wilson Postado em 17/Mar/2014 às 13:55

    Deve ser muito doloroso ser discriminado pela cor da pele. Mas uma certa parcela da elite do país vai mais além. Não precisa nem ser negro, basta ser pobre ou ter uma profissão menos qualificada ou uma postura mais simplória para ser tratado com desdém, como se fossem seres humanos de segunda categoria.