Redação Pragmatismo
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Mundo 07/Mar/2014 às 16:23
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O que ocorre na Crimeia?

A situação pode degenerar numa guerra civil? Putin intervirá militarmente? Continuará a Ucrânia a ser um país ou caminha para a secessão? Entenda a seguir o que verdadeiramente ocorre na Crimeia

Apesar de fazer parte da Ucrânia, a maioria dos cidadãos da Crimeia são de origem russa. Segundo o último censo nacional, ainda de 2001, a composição da população é a seguinte: russos 58%, ucranianos 32%, tártaros 10%.

Em Sebastopol, a cidade mais importante da Crimeia, a Rússia tem a base da sua frota do Mar Negro. Segundo o último acordo assinado com o governo ucraniano, a Rússia manteria esse porto até pelo menos 2042. “Rússia jamais, jamais, jamais abandonará Sebastopol” dizia há dois anos Igor Kasatonov, comandante da Frota Russa do Mar Negro. Por razões geoestratégicas, a Rússia não está disposta a perder a base de Sebastopol.

Dentro da Ucrânia, a Crimeia é uma região autônoma com a sua própria constituição. Nas últimas eleições presidenciais, a Crimeia votou maioritariamente por Yanoukovich, o presidente que teve de fugir há dias de Kiev.

Os tártaros constituíram, durante séculos, a maioria da população da Crimeia. Na Segunda Guerra Mundial, cerca de 20 mil tártaros colaboraram com o exército nazista (enquanto outros muitos milhares lutavam nas fileiras do exército soviético). Stalin acusou todo o povo tártaro de “colaboracionismo” e em maio de 1944 ordenou a sua deportação às estepes do Uzbequistão. Em 1947 já não existiam tártaros na Crimeia. Desde a queda da União Soviética, muitos tártaros têm regressado do Uzbequistão para a Crimeia.

ucrânia crimeia rússia mapa
O território ucraniano, com a Crimeia ao Sul (Reprodução)

A Crimeia, quando sua maioria era tártara, fez parte da Rússia desde 1774. Em 1954, Nikita Kruchev transferiu a Crimeia para a República Socialista Soviética da Ucrânia. A decisão provocou muito polêmica em Moscou: na sua carreira como político, Kruchev tinha ascendido através das fileiras do Partido Comunista Ucraniano.

Numa pesquisa realizada há dois anos na Rússia, 70% dos cidadãos russos consideraram a Crimeia como parte do seu país. Em comparação, só 30% considerou que a Chechênia é parte da Rússia. (Curiosamente, a Chechênia faz parte da Federação Russa, enquanto a Crimeia faz parte da Ucrânia).

Durante os últimos dias, a maioria russa da Crimeia tem saído à rua para protestar contra o governo recém instalado em Kiev, que consideram ilegítimo. Exigem um referendo onde possam decidir se a Crimeia: a) continua a fazer parte da Ucrânia, b) integra-se à Rússia ou c) declara a sua independência.

Contrariamente, as minorias ucraniana e tártara apoiam o novo governo de Kiev e exigem continuar integrados na Ucrânia.

Alberto Sicília, no blog Principia Marsupia

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Comentários

  1. renato Postado em 07/Mar/2014 às 21:37

    Tá dificil entender o meu querido Brasil.. Com tantos tucanos aterrorizando minha tranquilidade. Dizendo que eu vou morrer, e meu país vai afundar... è por isto que eu parabenizo o PUTIN...ele entende de Crimélia..

    • Luis Milanese Postado em 09/Mar/2014 às 20:56

      Ahn? Acho que você comentou no texto errado, amigo.

  2. Thiago Teixeira Postado em 08/Mar/2014 às 12:16

    Acho que não tem nada a ver essa história de "Ah ... todos gostam da Rússia e odeiam o presidente interino, logo tem que se anexar a Russia". Se fosse assim, Sul e Sudeste do Brasil deveria se separar e tornar-se um território Europeu. Criméia é Ucrânia, Russos podem muito bem usar a base da Criméia e manter a diplomacia com o presidente Euro-americam-poser-capitalista. Tártaros, Carie, Canal, sei lá mais quem são UCRANIANOS. E ponto final (como se minha opinião valesse alguma coisa!).

    • Lisete Postado em 10/Mar/2014 às 17:20

      de onde vc tirou que a maioria dos moradores do sul quer se separar??? Aliás, é uma minoria quase inexistente. A situação é muito diferente, até por que o Brasil não foi tomado de assalto por grupos neo nazistas.

      • arão Postado em 10/Mar/2014 às 20:55

        Fui a Rio Grande do Sul e o q mais vi foi esse sentimento q não faz parte do Brasil.

      • Lisete Postado em 11/Mar/2014 às 12:47

        Arão, vc deve realmente ter conhecido poucas pessoas no RGS e ligadas a neonazistas que não enchem uma Kombi. Eu sou do sul, gaúcha e moro em Santa Catarina e não conheço ninguém que queira se seraparar do Brasil.Cite um grupo organizado, um pessoa, político ou não que defenda esta idéia. Se fosse tãoforte este sentimento já teria algum grupo político organizado.

  3. dudu Postado em 08/Mar/2014 às 22:35

    Ucrania, russia e crimeia, é uma situaçao bem complicada, mesmo assim vimos presidente russo como um autoritario querendo pretencioso a toma a crimeia, da ucrania, que ninguem se meter com a russia, isso é cara adorfo rick, todo mundo achar russia venceu o alemaes, no fato, tropa foi dividar em partes para entrar na russia chegando em tre cidade inchuindo mosco, se alemanes esperasse pouco entranse focando só moscou com certeza venciria e esperance o rigoroso inverno russo, morrerão muito mais russo do que alemao, olha eua, frança e inglaterra ja ataca los alemao. Vejamos hoje russia tentando demostra seus poderio autoritario vimos putim verdadeiro ignorantes. Eua podia fica fora deste grande problema, coisa muito serio, pior que vimos que crimea fala russo. Isso ´d uma situaçao de duvida, puti nao usar se exercito a decisão do povo seria até justa. Mais hoje nao podemos tomas decissoes só pensando em nos mais para todos, guerra tem que acabar, todos tome juiz. Principamente russia e os estado unidos.

  4. Zenaide Guimarães Postado em 09/Mar/2014 às 20:00

    Sou contra qualquer intervenção territorial. Mas, o interessante é que no caso da Criméia, ali, no quintal da Rússia, o mundo ocidental e a imprensa enlouquecem, e a nós também. Por que a reação não foi a mesma quando os EUA invadiram Granada, Cuba, ajudaram todos os golpes militares da América Latina (60 e 70), e, recentemente, invadiram e instalaram o caos no Iraque, e obrigaram a França a intervir no Mali?. Os EUA só terão o direito de impedir algo do gênero e de criticarem outras nações quando procederem da mesma maneira, respeitando os direitos de outros países, especialmente dos subdesenvolvidos.

  5. fernando castilho Postado em 10/Mar/2014 às 06:01

    A maioria de origem russa da Criméia logicamente não quer fazer parte do governo instalado na Ucrânia, de ideias nazistas, pois seria aos poucos massacrado. A História se repete.