Redação Pragmatismo
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Drogas 17/Mar/2014 às 17:38
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Mãe que perdeu filha para as drogas quer se unir com traficante em campanha

Mãe que perdeu filha de 15 anos em overdose quer unir forças com traficante em campanha

mãe filha drogas overdose
Martha Fernback (dir.) e sua filha (Ilustração: Pragmatismo Politico)

A mãe de uma menina de 15 anos que morreu de overdose está buscando agora um diálogo com o traficante que forneceu a droga, na tentativa de conscientizar os jovens sobre os efeitos trágicos do consumo de tóxicos.

Em julho do ano passado, durante o verão britânico, Martha Fernback foi com amigas a um lago para andar de caiaque, próximo à cidade de Oxford, onde vivia.

Sua mãe conta que no mesmo dia recebeu uma ligação do hospital local, dizendo que Martha estava em estado grave e que os médicos estavam fazendo de tudo para tentar salvar sua vida. A menina sofreu um ataque cardíaco e morreu no mesmo dia.

Ela havia consumido meio grama de pó de MDMA – uma substância comumente confundida com o ecstasy – logo após andar de caiaque. Os legistas descobriram posteriormente que o grau de pureza da droga era de 91% – muito acima do que é consumido normalmente e com graves consequências para a saúde.

A mãe de Martha, Anne-Marie Cockburn, conta que depois do trauma de perder a filha, ela resolveu adotar uma “ação positiva” diante do caso.

“Eu acho que uma abordagem positiva em relação a isso em vez de me basear em raiva e vingança é uma atitude que me permitirá realizar mais coisas”, diz ela.

Trabalho comunitário

O diálogo com o traficante será mediado por um órgão do governo britânico chamado Equipe para Delinquentes Juvenis (Youth Offending Team, em inglês). A entidade é formada por policiais, assistentes sociais, professores, líderes comunitários e instituições de caridade.

O objetivo do órgão é investigar as circunstâncias que levam jovens a cometer crimes, e trabalhar para evitar reincidências.

Esta semana, o traficante que vendeu a droga para Martha, Alex Williams – um jovem de 17 anos – foi condenado na Justiça a trabalho comunitário.

Anne-Marie Cockburn contou que não sabe exatamente o que esperar do encontro com o traficante. Sua vontade é de formar um grupo de pessoas – que incluiria ela própria e o traficante – para visitar escolas e contar a história do episódio que levou à morte de sua filha.

Cockburn afirma que para se preparar mentalmente para o encontro ela passou um mês pensando no assunto e escrevendo sobre seus sentimentos.

“Eu sinto muitas saudades dela. Mas a raiva não vai me ajudar e não vai mudar o passado. Mas positividade pode mudar o futuro”, diz. “Martha não vai voltar mais.”

A mãe já esteve presente no mesmo local que Alex Williams durante o julgamento do traficante, e conta que sentiu “sensações muito mistas” na ocasião.

Durante o julgamento, Williams disse estar muito arrependido de fornecer a droga a Martha.

“Eu sinto muito pela perda da mãe de Martha. Não há sequer um dia em que eu não pense no assunto, e estou completamente consumido pela culpa por meus atos.”

BBC

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 17/Mar/2014 às 19:09

    Uma pessoa obesa deve então pegar o vendedor de espetinho da esquina e interroga-lo. Pois "ele que ofereceu a carne para ela". Passei toda a minha adolescência com usuários de drogas, conheci traficantes, já torci muita maconha para meus colegas muito loucos, já fui buscar droga com eles, fiquei em milhares de rodinhas de usuários, e não fiz uso algum desses produtos e nunca fui discriminado por eles. Não sou o único, outros colegas do grupo também não usavam e milhões de pessoas convivem com isso e não se drogam. Culpar traficante, vitimar o usuário é a maior patifaria que existe. A pessoa usa droga porque quer usar. Doença o escambal, é falta de personalidade e/ou auto controle.

    • Diego Caspar VIas Boas Postado em 17/Mar/2014 às 21:23

      Thiago, só que chega uma hora que o controle sobre a droga é perdido amigo, pode nao ser doença na sua visão, mas vicia fortemente, ao ponto de uma pessoa usar a droga sem querer usar, simplesmente pelo fato do vicio "pedir". Espero que vc compreenda isso. Cocaina, bala eprincipalmente heroina e crack viciam ao ponto de transformar a pessoa em usuario sem querer ser. Se vc nunca teve problema com as drogas nao julgue quem tem, falta de personalidade nao é o termo a ser usado nessas circusntancias. O vicio pode nao ser uma doença patologica, mas deve sim ser tratado, mas claro numsistema de saude, nem na cadeia nem em clinica de pastor que quer grana.

      • Willian Postado em 19/Mar/2014 às 13:24

        Exato Diego, concordo em tudo.

    • Francisco Postado em 18/Mar/2014 às 11:12

      Concordo com vc, Thiago. Bom encontrar tanta sensatez em um comentário. Hoje em dia culpam todos, menos o autor dos atos. A culpa é do pai, da mãe, do zezinho pipoqueiro, esquecem que todos temos personalidade, opiniões e auto controle, terceirizam toda a culpa, somos então, todos inocentes? Fico revoltado com essa atribuição de culpa a tudo e todos, menos aos verdadeiros responsáveis.

    • mili Postado em 18/Mar/2014 às 12:43

      Eu também tive alguns colegas na faculdade que enrolavam um bag. Nunca experimentei. Eles fumavam na minha frente. Na primeira vez eles me ofereceram. Expliquei que Eu não queria e que não Tinha intenção alguma de experimentar drogas. Eles entenderam e a partir daí, nunca Mais me ofereceram, apesar de eu estar presente durante algumas rodas de maconha. Não tem diálogo. É só o sujeito escolher se quer entrar no barco ou não. Ninguém obriga. E se traficante realmente se importassem Com os danos causados pelas drogas, não teriam se tornado traficantes. Ponto.

    • londrina Postado em 18/Mar/2014 às 14:56

      pode crer thiago.

  2. Marina Postado em 17/Mar/2014 às 19:34

    MDMA, comumente confundido com ecstasy? MDMA É ecstasy...

  3. Ricardo Postado em 18/Mar/2014 às 09:23

    "MDMA, comumente confundido com ecstasy? MDMA É ecstasy..." exatamente!

  4. luciana Postado em 18/Mar/2014 às 09:32

    Com tantos esclarecimentos sobre os efeitos das drogas no corpo e as pessoas ainda continuam a se destruírem , chamam isso de liberdade? eu chamo de escravidão. A pessoa que se gosta e tem personalidade não entra nessa onda. Ser diferente num mundo com tantas dependências e modismo é o máximo!

    • jaque Postado em 19/Mar/2014 às 00:55

      Tem toda razão. Viciados não livres e sim escravos. Besta é aquele que acha que pode se livrar do vício na hora que entender . Além disso, quem anda no meio dos vicíados, viciado também é ou pelo menos, fuma ou ingere alguma droga de vez enquando. É o famoso diga-me com quem andas e eu te direi quem és.

  5. Samuel Alencar Postado em 18/Mar/2014 às 09:39

    Lamentável. Menina tão linda!

  6. Kety Postado em 18/Mar/2014 às 15:44

    Perfeito!

  7. Esdras Pereira Alves Neto Postado em 18/Mar/2014 às 17:12

    Bacana a atitude da mãe para esclarecer o perigo que as drogas causam. Parabéns.

  8. Elias Postado em 18/Mar/2014 às 23:15

    Por mais "bonito" que seja não vai mudar nada, Singapura é o único país que sabe como lidar contra as drogas, ela pode até tirar esse traficante das ruas mas os grandes traficantes muitos estão na política e esses só desaparecem com um governo e uma legislação extremamente pesada.