Redação Pragmatismo
Compartilhar
Meio Ambiente 27/Mar/2014 às 18:59
10
Comentários

Garrafas plásticas de água estão proibidas em São Francisco

São Francisco proíbe venda de garrafas plásticas de água. Medida, aprovada por unanimidade, deve entrar em vigor em outubro

garrafa plástica água são francisco poluição
São Francisco proíbe venda de garrafas plásticas de água. Cidade já havia banido sacolas plásticas (Reprodução)

A cidade norte-americana de São Francisco, na Califórnia, decidiu banir a venda de garrafas de água de uso individual a partir do dia 1º de outubro, depois de votação realizada no começo de março. Anteriormente, o município já havia proibido a utilização de sacolas plásticas.

Após protestos e cobranças de ativistas, São Francisco se tornou a primeira grande cidade dos Estados Unidos a se mover em direção à proibição das garrafas plásticas. No último dia 4 de março, autoridades locais decidiram, por unanimidade, que garrafas de água com capacidade menor que 600 ml não poderiam mais ser comercializadas. Também ficou decidido que, no futuro, garrafas de água não poderão ser compradas com fundos da cidade.

O banimento, a princípio, não se aplica a maratonas e outros eventos esportivos e permite a grandes eventos sem fins lucrativos, como a Parada do Orgulho Gay, que se adaptem até 2018. Ele também encoraja a cidade a aumentar o número de estações para reabastecimento de água em espaços públicos.

O principal foco da medida é reduzir os impactos ambientais gerados pela fabricação do plástico das garrafas e também pelo seu descarte. “Existem custos ambientais incríveis, enormes das garrafas plásticas de água”, afirmou o presidente do Conselho de Supervisores de São Francisco, David Chiu, idealizador da proibição. “Uma garrafa de plástico típica leva mil anos para se biodegradar”.

“Todos nós sabemos da importância de se combater as mudanças climáticas, São Francisco tem liderado a luta por nosso meio ambiente”, acrescentou Chiu. “É por isso que peço a vocês que apoiem essa medida para reduzir e desencorajar o uso dessas garrafas em São Francisco”.

Críticas

Alguns oponentes do banimento, incluindo a indústria das garrafas plásticas, afirmam que a medida reduziria a possibilidade de as pessoas escolherem uma bebida saudável para se hidratar se tiverem sede em eventos públicos, especialmente se refrigerantes e outras bebidas ainda forem vendidos.

“Se as pessoas estão em um evento e não têm um recipiente reutilizável perto delas, vão começar a procurar por bebidas embaladas”, afirmou Christopher Hogan, porta-voz da Associação Internacional de Água Engarrafada, segundo a Reuters. “Isso realmente reduz a oportunidade das pessoas de escolher a bebida mais saudável, que é a água engarrafada”.

Chiu, entretanto, afirmou que a cidade tornará mais fácil para as pessoas encher as garrafas de água que levarem de casa.

O jornal Los Angeles Times também questionou a decisão de São Francisco em um de seus editoriais, analisando se a cidade está preparada para “matar a sede de seus cidadãos” com água pública de qualidade. “Vão em frente, São Francisco e outras cidades: proíbam a garrafa de água. Mas só depois de ter investido na construção e restauração de uma rede de água pública e gratuita”, conclui o texto.

Opera Mundi

Recomendados para você

Comentários

  1. Carlos Prado Postado em 27/Mar/2014 às 19:50

    Proíbem sob risco de roubo e sequestro a venda de garrafas d'água. Se não fosse uma opção desejável ninguém comprava. Agora quem preferir tomar água engarrafada vai ser obrigado a tomar em torneiras públicas de qualidade duvidosas e manutenções, quando feitas, dispendiosas. E quanto custará essa água pública? Com certeza o público não pagaria se não fosse instituído monopólio. Agora o estado poderá vender aos cidadãos de São Francisco a água que quiser ao preço que quiser, e sem o risco de um concorrente. Aqui em minha cidade os principais concorrentes seriam os pobres vendedores ambulantes que saciam a sede dos que esperam por horas um ônibus. Se a lei vir para cá eles de certo estarão desempregados e o povo passará sede. Caso algum caia de desidratação pode ser que chegue mais rápido ao hospital público de ambulância que à sua casa de ônibus.

    • Rafael Martini Postado em 27/Mar/2014 às 20:24

      Carlos, quem quiser poderá comprar água engarrafada em São Francisco, mas em embalagens acima de 600 ml. Eu penso ser muito vantajoso eliminar este tipo de resíduo, pois a garrafa PET fabrica-se em grande quantidade, mas muitas vezes não recebe a devida atenção quando termina seu conteúdo. Além disso, não sei como será o projeto dos equipamentos para ofertar a água ao público, mas não é tarefa impossível disponibilizar bebedouros (ou seja lá o que usarão) quando já existe rede de distribuição. Ponto para São Francisco.

    • Cristiano Requião Postado em 28/Mar/2014 às 10:51

      Água em garrafas plásticas descartáveis ainda não têm cinquenta anos de existência... Como era antes? Morria-se de sede? Por que não sair de casa com sua garrafinha reutilizável com água? O que se leva em consideração é considerável o dano ambiental causado pelo tereftalato e o cloreto de polivinil causam. Para a ignara é "só uma garrafinha"... Para o meio ambiente um cruel envenenamento...

      • Carlos Prado Postado em 28/Mar/2014 às 14:05

        Para o meio ambiente é só mais um pedaço de meio-ambiente. Ou esta garrafa plástica brotou de um processo sobrenatural levando em si nada que veio do meio-ambiente? E o quanto se economiza no tratamento da água? Se contabilizar quanto se gasta em estações elevatórias, encanamentos, expansões e manutenção do encanamento, manutenção das estações elevatórias, corte e restauração do asfalto e demais gastos no tratamento público de água? Vai-se medir tudo isso e dizer que não compensa mais o serviço que a companhia privada de água está fazendo, que sua distribuição no final está sendo mais eficiente?

      • Carlos Prado Postado em 28/Mar/2014 às 14:12

        Se antes era diferente hoje em dia o povo parece estar preferindo um novo jeito. Se há torneiras de água de qualidade espalhadas pela cidade e é tão mais fácil ter sempre uma garrafa de água reutilizável ao lado a todo momento então o povo é muito burro de ficar desperdiçando dinheiro comprando essas garrafas pela rua! E burrice maior é proibir o povo de comprar uma garrafa d'água quando ele quiser. Que fizessem uma campanha de conscientização, mostrando como é mais inteligente e econômico trazer sua própria garrafa em vez de comprar uma. Mas claro que todos vão ter sempre no momento de maior necessidade uma garrafa d'água bem cheia e gelada por perto, senão fosse assim haveria a oportunidade de alguém explorar esse nicho e vende... Oh, wait!

  2. Pedro Postado em 28/Mar/2014 às 01:37

    O Brasil nao tem estrutura para esse tipo de resolucao. Isso e' para pai'ses de primeiro mundo.

  3. Thiago Teixeira Postado em 28/Mar/2014 às 07:38

    Plástico é um assunto mundial. Sou favorável a usarmos medidas alternativas para evitar o uso deste artigo que é muito cômodo para o usuário e agressivo ao meio ambiente. Na minha obra bani os copos descartáveis e espalhei canecas de alumínio e bebedores individuais. Acabei com o problema de copinhos espalhados pela obra (quem disse que as pessoas jogam o copo no lixo?) reduzi custo absurdamente (eram R$ 3.500,00 de copinhos mês). Conclusão, veio o setor da segurança do trabalho, mais ministério público ameaçando multar a obra se não retornasse as porcarias dos copinhos. Voltou, agora pergunta se algum fdp desses bitolados em leis trabalhistas vão lá catar copinho na beira do rio?

    • Carlos Prado Postado em 28/Mar/2014 às 14:15

      Para ver como essas proibições são estúpidas. Queria ver eles pagarem os seus 3500 reais de prejuízo todo mês para manter seus copinhos e que pagassem alguém para recolhê-los. Mais! queria ver um vereador em cada esquina de São Francisco com um galão de 50 litros de água gelada para a população.

  4. Victor Postado em 28/Mar/2014 às 10:52

    Uma decisão que parece ousada, mas que só força o elo mais fraco dessa corrente. Vai se aplicar às garrafas de Coca-Cola, Pepsi, Dr. Pepper e etc? (se é que volumes menores que 600 ml desses produtos são comercializados na Califórnia) Acho que já é hora da sociedade se romper com algumas indústrias e sair de sua zona de conforto ou o colapso ecológico e econônico virá mais rápido do que imaginamos. As embalagens de produtos de limpeza, por exemplo, deveriam ser substituídas por volumes não-descartáveis, onde seu conteúdo só seria comercializado mediante a apresentação de um desses volumes algo como "encha aqui seu garrafão de amaciantes de roupa". Claro, os supermercados teriam que mexer o traseiro (e o bolso!!!) para se adaptar, os fabricantes, etc. E francamente, acho que tem q se mexer mesmo. E rápido. Chega de imediatismo e de desprezo pelo senso de coletividade.

    • Carlos Prado Postado em 28/Mar/2014 às 14:17

      E nessa adaptação quantos gastos inútil seriam feitos? Ou toda a infraestrutura necessária brota por mágica do nada e são os maldosos empresários que não querem mexer suas varinhas de condão?