Redação Pragmatismo
Compartilhar
Saúde 03/Mar/2014 às 19:21
12
Comentários

Casal de cubanos humilhados dá exemplo de solidariedade

Seis meses após humilhação na chegada ao Brasil, casal de cubanos do Mais Médicos desabafa: “Fomos escravos sim, porém escravos da saúde. Por ela, faremos qualquer sacrifício, e aqui estamos, trabalhando para este povo que já é nosso também”

casal cubanos humilhados ceará
Isidro Rosales Castro e Esperanza Anabel Dans Leon (Tribuna do Ceará)

É em Reriutaba, a 309 quilômetros de Fortaleza – cidade palco de uma das cenas mais vergonhosas do Brasil nos últimos anos – que trabalha o casal Isidro Rosales Castro, de 49 anos, e Esperanza Anabel Dans Leon, de 48.

Eles participam do programa Mais Médicos, através do acordo firmado entre Cuba e a Organização Pan-americana da Saúde. Trabalham de segunda a sexta-feira, oito horas por dia; o marido, na zona rural da cidade, enquanto a esposa atende na área urbana de Reriutaba.

Ambos dizem que o que os impulsionou a deixar Cuba para trás foi o amor pela medicina e também foram hostilizados e chamados de “escravos” por profissionais cearenses, na Escola de Saúde Pública de Fortaleza. “Fomos do grupo que, com muita dor, sofreu agressão na escola, mas com muito amor demonstrado pelo povo e autoridades de governo e de saúde, apagamos rapidamente esse impacto negativo”, relata Isidro.

Ao falar sobre a questão tão polêmica do pagamento, o cubano explica. “Ninguém está aqui obrigado. O dinheiro é necessário, porém não define a vida nem a dignidade das pessoas que trabalham mais por amor que por benefícios pessoais”, garante. “Geralmente, os médicos cubanos têm sentimento de solidariedade, de ajuda desinteressada a outros povos. Muitos de nossos profissionais já estiveram na África, na Ásia, nos países mais pobres da América Latina”, completa Isidro.

De acordo com o programa, os profissionais do Mais Médicos recebem bolsa de formação e ajuda de custo pago pelo Ministério da Saúde. No Ceará, 154 municípios contam com médicos do programa. As cidades ficam responsáveis por garantir alimentação e moradia.

Revista Fórum

Recomendados para você

Comentários

  1. eliane Postado em 03/Mar/2014 às 21:08

    Profissionais como vcs que amam o que fazem,fazem a diferença.

  2. luiz benedito ponzeto Postado em 04/Mar/2014 às 09:48

    Essa gente tem muita dignidade,

  3. Carlos A.T. De Lucca Postado em 04/Mar/2014 às 11:14

    Além de serem de muito bom nível profissional, o sentimento humanístico dos médicos cubanos fazem a grande diferença. Parabéns e desculpe-nos pelo sentimento classista que vocês enfrentaram, a quem vocês servem como paciente esta o verdadeiro reconhecimento. Nós os amamos e pedimos a Deus que os abençoe.

  4. renato Postado em 04/Mar/2014 às 12:56

    Contam com mie total e irrestrito apoio. VIVA CUBA !!!!

  5. Maria Aparecida Jubé Postado em 04/Mar/2014 às 13:18

    Parabéns para todos os profissionais que, diferentemente dos nossos coxinhas, estudam medicina para amparar o próximo e não para ganhar dinheiro com a desgraça alheia.

  6. Rita Postado em 04/Mar/2014 às 19:40

    Oh!! Que fofo!

  7. Antônio Carlos Macedo Postado em 04/Mar/2014 às 20:08

    Povo cubano é exemplo de dignidade, caráter e patriotismo que deveria ser seguido por nós brasileiros.

  8. Regina Ribeiro Postado em 04/Mar/2014 às 21:23

    Se receber salario com esses percentuais citados na mídia+ ajuda de custo para moradia e alimentação é remuneração escrava, imagina, sem comparar com a grande maioria de brasileiros que recebem o mínimo e mantendo o foco na área médica, o que é um salário abaixo do citado, sem adicional para moradia e alimentação??? Salário subescravo??? Pois é muitos de nós os recebemos por não termos um salário base estabelecido por lei, que garanta a remuneração igualitária para todos os médicos em qualquer região do pais, salvo os acréscimos de emergência ou de áreas de difícil acesso e péssimas condições de trabalho. Quem me dera se na minha época tivesse o "Mais Médicos", oferecendo esse percentual de remuneração, porque ao longo desses anos trabalhei em locais com péssimas condições de trabalho e péssimas remunerações( nesse caso salários municipais e estaduais) assim como muitos colegas que aos trancos e barrancos, tendo em mente a missão de ajudar a restabelecer à Saúde aos usuários do SUS, permaneceram nas emergências e ambulatórios, apesar das dificuldades, dando a sua contribuição. Vamos usar o bom senso e parar de humilhar e fazer pilhéria dos colegas cubanos, eles estão onde não queremos estar ou seja onde não aguentamos mais estar, aqui particularmente a quem esteve sempre na linha de frente e não aos colegas que saem às ruas com cartazes bizarros de abaixo aos médicos cubanos, "referências" ao dedo de Lula, do Ca de Dilma e Lula, saúde e educação padrão FIFA e mil bizarrices, sem ter tido a mínima experiência ou contato com a população pobre desse país. Só agora a classe despertou, só agora descobriram que as Unidades do SUS não acompanharam o aumento populacional e pasmem isso é também uma realidade na área privada, claro que aqui o caos é bem menor. A saúde pública foi sempre um zero à esquerda, assim também a educação ao longo desses cinquenta anos, o caos não é exclusividade de governo algum e quando algo é feito para tentar atenuar as grandes diferenças regionais, as grandes concentrações de médicos nos grandes centros, à assistência de brasileiros que não contam com um, apenas um médico em sua cidade, aqui uma grande parcela da população interiorana, aí constatamos uma grande manifestação contrária e acusação ao governo de estar usando o "Mais Médicos" com fins eleitoreiros. Nossas dificuldades são visíveis pois nossa formação é moldada em tecnologia de ponta aliada à especialidades e subespecialidades em um país emergente. Se a economia vai de vento em popa, com relação à saúde e educação estamos dando os primeiros passos e precisamos de um maior investimento nessas áreas problema aliadas a uma rigorosa fiscalização para não proporcionar desvios para outras áreas e apropriação indébita, literalmente corrupção. Vamos deixar os médicos estrangeiros darem a sua contribuição, se eles estão por aqui é porque há uma necessidade básica e um interesse particular, assumido por eles, de trabalharem nessas condições difíceis!

  9. José Postado em 05/Mar/2014 às 12:05

    Eu fui atendido por um médico cubano, na praia de Rondinha - Arroio do Sal - RS e foi a melhor consulta que fiz com um clínico geral em minha vida. Parabéns ao Dr. Manuel Macias Oria!!

  10. Renato Glória Postado em 05/Mar/2014 às 12:22

    ... obrigado aos Mais Médicos e aos Cubanos que está contribuindo para uma Atenção Básica possível e de qualidade!!! Grato.

  11. Fabrício Fernandes Postado em 05/Mar/2014 às 14:01

    Parabéns pelo profissionalismo e amor a profissão! Que isso sirva de exemplo para a classe médica branca, pomposa e elitista do Brasil!

  12. ailton Postado em 06/Mar/2014 às 06:12

    Parabens aos médiscos Cubanos e aogoverno brasileiro pela coragem.