Redação Pragmatismo
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Educação 26/Mar/2014 às 11:59
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Calouro de Medicina sofre trote violento e abandona curso

Calouro abandona curso de medicina após trote violento. O estudante sofreu ferimentos físicos, perdeu a consciência e foi encontrado seminu

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Um calouro da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) abandonou a escola após ser hostilizado em trote violento. Luiz Fernando Alves, de 22 anos, sofreu ferimentos físicos, perdeu a consciência e foi encontrado seminu, na beira da piscina de um clube de Rio Preto, onde era realizada a Festa do Bicho, na noite de terça-feira, 18. Esta escola foi encampada pela Universidade Estadual do Estado de São Paulo (Unesp), portanto, é uma escola pública.

Alves denunciou à polícia que foi obrigado, junto com outros alunos, a consumir bebida alcoólica e a ficar de joelhos, enquanto veteranos despejavam cerveja gelada em seu corpo, batendo com as garrafas em sua cabeça. Foi empurrado e agredido com socos e pontapés, enquanto urinavam e vomitavam em seu corpo. As agressões foram tantas que perdeu os sentidos e, quando acordou, estava seminu, na beira da piscina, com o corpo coberto por vômito e urina. Segundo Alves, além dele, outros rapazes e moças sofreram as mesmas agressões.

No dia seguinte, ao comentar que reclamaria com o diretor da faculdade, começou a receber ameaças de morte, o que o fez abandonar a faculdade e voltar para Contagem (MG), onde moram seus familiares. Antes de partir, na sexta-feira, 21, ele fez um Boletim de Ocorrência denunciando as agressões.

— Meu filho sofreu ferimentos na coxa, na mão e no rosto e teve uma das orelhas cortada”, contou nesta segunda-feira, 24, a mãe de Luiz, Flordelice Hudson. “Ele está em consulta com o psicólogo agora, está com muito medo. Não queremos que os alunos sejam punidos, que eles terminem o curso deles. Só queremos que meu filho seja transferido para outra escola, contou.

Segundo Flordelice, a família não quer que o jovem retorne a Rio Preto. “Não sabemos o que pode acontecer se ele voltar.”

— Meu filho passou quatro anos estudando para o vestibular e estava feliz porque a escola é gratuita e não temos dinheiro para pagar ensino particular”, diz. “Ele não tem pai com dinheiro não, aqui somos eu, ele e o irmão dele, que é deficiente, acrescentou Flordelice, que é pensionista há seis anos, desde que o pai de Luiz morreu.

Em nota, a Famerp informou que abriu sindicância e que vai punir assim que identificar os alunos responsáveis pelos trotes. O delegado do 5º Distrito Policial, Airton Douglas Honorário, disse que estava à espera do Boletim de Ocorrência para iniciar a apuração do caso, que deve ser apurado como lesões corporais.

Agência Estado

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 26/Mar/2014 às 12:32

    Na minha concepção os maiores responsáveis pelos trotes violentos, pelo menos no ensino público, são os Reitores das Universidades. Estes são seres inacessíveis, estrelinhas, cheios de não me toque, geralmente possuem a graduação acadêmica máxima das universidades (MS-6, resumindo, dá aula para o PHD), tem nojo dos alunos, jamais acessam os restaurantes universitários ou demais dependência dos alunos, visitar as moradias nem pensar, e neste caso, o dia do trote, são omissos, provavelmente nem sequer lembram que haverá tal evento. Fica falha a organização dos trotes, ou simplesmente avisam que dentro do campus será proibido e que fora são de responsabilidades dos alunos. Errado, a unidade precisa participar para que o evento seja algo sadio. É mais fácil falar com o Obama do que com o reitor da Unicamp (Pensa? Paulo Renato, Pinotti ....). Estudei um ano na Unesp no campus de Bauru em 99, lá o reitor era presente e no dia da matrícula ele disse a todos: "Se algum veterano aplicar trote, será expulso da universidade". Aquele ano mataram um japonês afogado na piscina da USP, e os trotes foram proibidos pelo menos naquele campus. As bagunças eram na praça da cidade e não passava de pintar o rosto, passar palitinho (isso era escroto, pois o palitinho tinha 2 cm e era passado de boca em boca sem usar as mãos), corrente humana (mão por baixo do saco), pedágio, corte dos cabelos (nossa turma ficou com aquele corte de calvície e sem cortar nas beiradas, na máquina zero, uma semana). Sem violência, sem essa cena estranha no post de socar bebida alcoólica em ninguém.

    • Breno Arruda Postado em 26/Mar/2014 às 13:09

      Não foi um japonês que morreu no trote da usp. Foi alguém tão brasileiro quanto você. Mas se você estiver erroneamente se referindo a descendência, ele era, na verdade,um sino descendente.

      • Thiago Teixeira Postado em 27/Mar/2014 às 12:00

        Nossa .... muito bem observado. Sinal que você está mais interessado nas gafes do que no conteúdo. Sugiro que mande um currículo para a Fernando Mitre.

      • Sérgio César Júnior Postado em 17/Feb/2016 às 21:59

        Qual a diferença de ser um japonês ou sino-descendente, na hora de assassinar? Quer dizer que independente de ser um ser vivo, ou ser humano, o que importa mesmo é a nacionalidade para ser assassinado? Nunca vi um comentário tão irracional, tão desumano como esse. Quanta frieza e quanta naturalização da violência. Se você não sentir nem um pouco de humanismo ou qualquer outro sentimento inteligente, que nos faz perceber os abusos, exclusão social, racismo, misoginia, infanticídio, violência contra o idoso, violência banalizada em geral, você não está apto para ser um ser humano sadio. Então reflita melhor as consequências que um comentário sem-noção pode gerar contra você mesmo. Seja mais humano e perceba que a violência é sempre um absurdo e mesmo no mundo atual, não devemos aceitar contra ninguém. Antes de lançar qualquer comentário reflita um pouco sobre seus valores.

      • Luciano Pinheiro Goto Postado em 22/Feb/2016 às 13:58

        Muito bem Breno, bem esclarecido pra esse racista entender que oriental também é brasileiro como pessoas de outras etnias.

    • Dorinha Campos Postado em 26/Mar/2014 às 14:29

      Na verdade, o trote não deveria nem existir, qual o sentido? Acolher o aluno, não pode ser algo agressivo, é uma momento lindo na vida do estudante, deveria haver ações ( das instituições-conscientização da classe estudantil em geral) que favorecesse a harmonia entre veteranos e calouros.

    • Rafael Postado em 27/Mar/2014 às 00:05

      Nossa mas tudo isso que vc falou como sendo inocente também é uma baita violência.

  2. marciorogerio Postado em 26/Mar/2014 às 13:04

    na minha concepção de vida... não deverei nem ter trote universitario, em nenhuma universidade brasileira...

  3. Rafael Postado em 26/Mar/2014 às 13:11

    Neandertais

    • carol Postado em 26/Mar/2014 às 13:20

      Super.

  4. Caio Postado em 26/Mar/2014 às 13:15

    Aih perguntam, pq a galera não para com essas coisas inuteis e processam todos envolvidos?? Pq a força do trote tem que ser maior que quem recebe??

    • Thiago Teixeira Postado em 26/Mar/2014 às 19:06

      Baixa estima e o desejo doentio de ser aceito no grupo.

  5. Larissa Postado em 26/Mar/2014 às 17:19

    São esses médicos que vão "zelar" de nossas vidas daqui alguns anos!!!??

  6. Maria Postado em 26/Mar/2014 às 17:21

    Na UNESP acontece o mesmo com os calouros. Os bixos/bixetes ajoelham enquanto veteranos despejam bebidas alcoólicas em suas bocas, muitas vezes dentro dessas bebidas há animais mortos, pêlos, unhas... e muitas vezes os calouros são menores de idade. Também há festas em que os calouros devem ficar nus, e se recusam, são hostilizados pelos veteranos, como já ocorreu. É comum também que os calouros apanhem durante os trotes. A UNESP é omissa em relação a esses acontecimentos. Existe um disque trote, mas por enquanto nunca adiantou, já que ninguém é punido e já que a cultura do trote continua tão forte por lá.

    • Thiago Teixeira Postado em 27/Mar/2014 às 12:03

      Triste isso Maria, pelo jeito a coisa mudou de sentido. Comi dizia meu pai: "No meu tempo era diferente"!

  7. antonia Vera Postado em 26/Mar/2014 às 17:47

    Imagina um bicho desses na U.T.I?Essas faculdades estão contaminadas por essa bactérias podres até hoje e não tomam atitude alguma,a vida segue,tudo isso é para eles tão natural que nem se dão conta de quão ridículos eles são.

  8. viviane gasparelli Postado em 27/Mar/2014 às 09:47

    Lamentavel...muito triste...forca ai pra familia....

  9. Maria da Graça Postado em 27/Mar/2014 às 10:40

    Trote é algo mais absurdo do Mundo, inaceitável em qualquer Faculdade, pois ali instala-se toda a raiva contida em pessoas de caráter duvidoso!!

  10. maira Postado em 27/Mar/2014 às 18:44

    Eí, só um pouquinho!!!!! Quem fez a "recepção" dos calouros foram os veteranos de MEDICINA??????? oq é isso? Essas mesmas pessoas é q daqui no máximo 5 anos vão estar atendendo humanos em consultórios, hospitais, postos de saúde????

  11. leandro Postado em 27/Mar/2014 às 22:51

    Essa merda já deveria ter sido proibida a muito tempo. é isso que dá dar liberdade demais ao povo, só faz merda!

  12. Sérgio César Júnior Postado em 17/Feb/2016 às 21:49

    Isso é um caso que nós comprometidos com a consciência social deveríamos combater e tornar crime, esse tipo violento que acontece nos ambientes universitários, principalmente, nos campos de biomédicas, engenharia, economia, direito e cursos tecnológicos. Os motivos são preconceito racial, social e misoginia (machismo). Os estudantes dos cursos de medicina, química, farmácia, engenharia, administração, economia, direito e os de outras áreas científicas-tecnológicas não aceitam que outros colegas ocupem as cadeiras de instituições de ensino superior, ao lado deles. O complexo de inferioridade ou o medo do outro se destacar mais do que ele, o leva a tentar intimidá-lo no trote e o fazer desistir pela tática do medo. No entanto a universidade não é o lugar onde se mostra que é mais do que ninguém, muito pelo contrário, o ambiente universitário é o lugar onde o conhecimento é adquirido para ser utilizado em benefício da sociedade. A população é que deve receber do universitário a sua contribuição, dentro daquilo que ele estudou e com isso poderá ajuda-la a compreender melhor e tornar o seu convívio social melhor. Como podem pessoas que cursam as escolas superiores de biomédicas, química, biologia, física, engenharia, economia, direito, administração e outras ciências, se tornarem perversos, egoístas e utilizarem o conhecimento para tentar destruir a vida de alguém? Muitos deles fazem o juramento e principalmente, os médicos, biólogos, químicos e farmacêuticos devem ser os primeiros a servirem a humanidade e estarem sempre prontos a socorrerem alguém mesmo estando em momento de férias, lazer ou encontro com familiares. Devemos rever isso e não aceitarmos mais esses tipos de trotes. É necessário tomarmos consciência disso.

  13. Luis Postado em 19/Feb/2016 às 17:40

    https://www.youtube.com/watch?v=W0QEcxqq4qI

  14. Viviane Postado em 21/Feb/2016 às 23:43

    Há leis! Familiares, não arredem pé ou tenham receio de seguir em frente com a punição legal! Eles estão na ilegalidade... Vcs não!

  15. Pau no seu cu Postado em 22/Feb/2016 às 09:38

    Agora me diz como essas pessoas cursam medicina e quando se forma como eles vao cuida das pessoas necessitadas essas pessoas são uns animais parece que quanto mais sua inteligencia mais ignorante voce fica!