Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 11/Feb/2014 às 12:45
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129 milhões de mulheres sofrem com a mutilação genital

De acordo com a ONU, 129 milhões de mulheres sofrem com as consequências da retirada do clitóris e lábios vaginais

No mundo, 129 milhões de mulheres não sentem prazer durante a relação sexual, sofrem com intensas dores e têm dificuldades para manter os órgãos genitais limpos. Um número que impressiona e que, caso as tendências atuais persistam, pode aumentar em 86 milhões até 2030, segundo alerta da ONU (Organização das Nações Unidas) na última quinta-feira, Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

A circuncisão feminina, que consiste na amputação do clitóris – em alguns casos, dos lábios vaginais também – é uma prática secular que continua acontecendo em muitas comunidades, principalmente no Norte da África e no Oriente Médio, e tem como objetivo condicionar a liberdade sexual das mulheres até ao casamento.

“Não há nenhuma razão religiosa, de saúde ou de desenvolvimento para mutilar ou cortar qualquer menina ou mulher”, afirmou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em comunicado. “Embora alguns argumentem que é uma ‘tradição’, devemos lembrar que a escravidão, as mortes por honra e outras práticas desumanas foram defendidas com o mesmo argumento”, lembrou.

Na maioria dos lugares onde é praticada, a mutilação genital feminina é considerada fundamental na preparação da mulher para a vida adulta e o casamento. Em países como a Somália, Guiné-Bissau, Djibuti e Egito, mais de 90% das meninas são circuncisadas. Nessas culturas, altamente machistas e patriarcais e onde a virgindade e a fidelidade matrimonial são valorizadas, a pressão é intensa para controlar o comportamento sexual feminino. Muitas meninas escutam que a retirada do clitóris e dos lábios vaginais é para deixá-las mais “limpas” e “bonitas”.

Os traumas começam na preparação do procedimento em algumas localidades, quando muitas meninas e até bebês com menos de 12 meses, como sublinha a ONU, têm as pernas e os braços amarrados. Depois, o uso de giletes e outros objetos cortantes sem a correta higienização ou anestesia, quando não levam à morte, provocam infecções que podem perdurar por toda a vida.

Os casos de infibulação também trazem riscos durante o parto: segundo um estudo da OMS (Organização Mundial da Saúde), a mortalidade de bebês é 55% maior em mulheres que sofreram procedimentos para redução do orifício vaginal. Em alguns casos, o que resta dos lábios vaginais é costurado, provocando dores e infeccções urinárias. Somente o marido pode “desamarrar” a costura, quando deseje ter relações sexuais.

Felizmente, de acordo com as Nações Unidas, há sinais positivos de progresso para acabar com a prática. “As meninas entendem instintivamente os perigos de serem mutiladas, e muitas mães, que viram ou experimentaram o trauma, querem proteger suas filhas de passar pelo mesmo”, disse o secretário-geral da ONU, que citou o caso de um pai no Sudão que se recusou a deixar as filhas serem mutiladas e, com isso, acabou criando uma campanha de conscientização mundial — “Saleema”

“Saleema”, desenho animado produzido pelo Unicef para banir mutilação genital feminina no Sudão:

Além disso, recentemente, Uganda, Quênia e Guiné-Bissau adotaram leis para terminar com a prática. Na Etiópia os responsáveis foram presos, julgados e penalizados com ampla cobertura da imprensa. “Nosso desafio atual é dar verdadeiro significado a este Dia, usando-o para ganhar apoio público, criar mecanismos práticos e legais e ajudar todas as mulheres e meninas afetadas ou em risco de mutilação genital”, disse Ban ki-Moon.

Filme

Flor do deserto, uma produção norte-americana, narra a história verídica de Waris Dirie, garota somali que, aos 13 anos, foge de sua tribo rumo à Londres para escapar de um casamento arranjado com um homem de 60 anos.

Na Inglaterra, ela descobre que é diferente quando revela à amiga Marylin que foi circuncisada aos três anos de idade, seguindo costume de seu povo. Embora sofra dores e tenha dificuldades até mesmo para urinar, ela acha tudo muito normal. Porém, a amiga lhe diz que as mulheres inglesas e em muitas outras partes do mundo não sofrem o que ela sofreu.

Enquanto trabalhava em uma lanchonete, ela é descoberta por um fotógrafo e vira uma modelo de sucesso. Dirie depois se transformou em uma defensora da luta pela erradicação da prática da mutilação genital feminina e atualmente é embaixadora da ONU, além de dirigir uma ONG com seu nome. “O mundo sabe que essas mutilações são erradas, mas até agora não se fez muita coisa. Não entendo por que o mundo fica só olhando”, disse Dirie quando filme foi lançado no Festival de Veneza. E advertiu: “Em algum lugar do mundo uma menina está sendo mutilada agora. Amanhã, o mesmo destino espera outra menina”.

Marina Terra, Opera MundiUNIC Rio de Janeiro

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Comentários

  1. Pereira Postado em 11/Feb/2014 às 14:10

    Que legal !!! Até parece que esse site "descobriu" e "prestou o serviço" de infromar esse tipo de coisa. Esse tipo de paganismo os cristãos ja denunciam ja faz tempo.

    • Suzana Postado em 11/Feb/2014 às 15:04

      Desculpa, mas há um erro grotesco no uso da palavra paganismo, como se fosse sinônimo de mutilação. Paganismo é uma linha religiosa que crê em vários deuses, enquanto o Cristianismo é outra que crê em apenas um deus e em Cristo como sua base. Sendo que a discussão é outra. Considero, inclusive, que independe de religião esse tipo de atitude violenta, posto que há cristãos apoiando tais práticas em alguns países e há pagãos que lutam pela vida, abominando tais práticas. Da próxima vez, reflita sobre o que vc fala.

    • Bruno Postado em 11/Feb/2014 às 16:06

      também devíamos denunciar a pedofilia da igreja que tal?

    • Ricardo Postado em 11/Feb/2014 às 17:48

      KKKKKKK, paganismo? seria melhor lutar contra seus paganismo a mamon. A luta aqui é por direitos humanos e não questões religiosas.

    • Edna Hornes Postado em 19/Nov/2014 às 13:01

      Pereira, a questão discutida aqui não tem fundamento religioso, logo, a palavra "paganismo" não se aplica. Ainda que entre os cristãos o discurso de que todos "os outros" (não-cristãos) sejam pagãos, no mundo real não faz esse tipo de acepção entre as pessoas (que vocês mesmos dizem não fazer). O Pragmatismo não "descobriu" o tema que retratou. É um tema de DIREITOS HUMANOS discutido mundialmente. Mas não pelos cristãos, que jamais "denunciaram" a prática da mutilação feminina. Você está equivocado em sua opinião, tem desconhecimento sobre o assunto e, como cristão, está defasado.

  2. Thiago Teixeira Postado em 11/Feb/2014 às 14:58

    As mulheres (e homens com H maiúsculo) do mundo todo devem LUTAR pela soberania plena de seu próprio corpo. Ela deve decidir sobre o aborto, mutilação, esterilização e tudo mais. Jamais, em nenhuma hipótese, o homem deve mandar no corpo da mulher.

    • Pereira Postado em 11/Feb/2014 às 15:03

      Eu também acho que deva lutar pela soberania de SEUS CORPOS....aborto é uma decisão de matar outro corpo totalmente independente.

      • Ana. Postado em 11/Feb/2014 às 15:18

        Sem fundamentalismo religioso por aqui. Essa página é para quem pensa fora da caixinha. Se seus comentários e opiniões são baseados única e tão somente em crenças cristãs, sugiro que procure um lugar onde seus iguais se entendam, e não venha até aqui atacar o site ao debochar do momento em que este postou a matéria ( porque claro, se os cristão falaram antes então de que adianta o resto do mundo falar também? Hereges atrasados ) que este postou ou tentar começar um debate ( que não me parece ter a intenção de ser feito de forma construtiva ) com qualquer outro leitor.

      • Thiago Teixeira Postado em 11/Feb/2014 às 15:42

        Independente ... Retire o feto da barriga da mãe e fique filosofando com ele então.

      • Pereira Postado em 11/Feb/2014 às 15:48

        Por esse seu ponto de vista "inteligente" ..não seria necessário gravidez então. pois o embrião poderia se alimentar sozinho. O corpo da mulher é que se adequa ao feto e não o contrário. o embrião precisa da mãe apenas para se alimentar. O Corpo da mulher trata o feto como corpo estranho,por isso a placenta o protege dos anticorpos da mãe. Você é engraçado!! hehehe

      • Pereira Postado em 12/Feb/2014 às 17:17

        Onde eu citei religião ??? Esse site é um monumento a falta de coerência e a esquizofrenia. Vá la no psot que fala da mulher que matou o estuprador que eu te explico.

    • Edna Hornes Postado em 19/Nov/2014 às 13:02

      Que legal ouvir isso, Thiago!

  3. homura Postado em 11/Feb/2014 às 16:06

    Esse Pereira é tão ignóbil que chega a ser engraçado.....

    • Thaís Postado em 14/Feb/2014 às 14:25

      Sim... tristemente

      • Edna Hornes Postado em 19/Nov/2014 às 13:05

        Tristemente? Entendo o uso da expressão, Thais. Fico um tanto triste por existir gente assim. Mas acho que acima de triste, ele é patético. Só será perigoso se exercer algum tipo de poder ou se muito mais gente for como ele. Como a bancada evangélica, por exemplo: patéticos ineptos com poder. O Totalitarismo sempre cresceu por essas vias.

  4. renato Postado em 11/Feb/2014 às 16:46

    a feno axará; a feno axará...

  5. Ricardo Macedo. Postado em 11/Feb/2014 às 20:34

    O nome dessa prática é excisão e não circuncisão feminina.

  6. Alexandre Lopes Postado em 11/Feb/2014 às 21:07

    Pereira, se a mãe não quiser que seu corpo se adeque ao feto, coloque-o no ventre da sua mãe ou da sua irmã, caso queiram , para alimentá-lo .

    • Pereira Postado em 12/Feb/2014 às 09:16

      Pode ter certeza que se elas pudessem , elas salvariam dessa forma mesmo, o assassinato de milhares de crianças pelo mundo. Crianças covardemente assassinadas, que tiveram todos os seus direitos humanos violados. Como nós não podemos, apenas denunciamos essa prática criminosa chamada aborto.

      • Thaís Postado em 14/Feb/2014 às 14:34

        Pereira, sua ausência de empatia e amor vai além do que eu estou acostumada. Esse egocentrismo é a manutenção da nossa sociedade incapaz de evoluir para o bem estar geral... Insensibilidade em relação ao sofrimento alheio magoa demais

  7. Yohan Postado em 12/Feb/2014 às 08:36

    E quanto a mutilação de homens judeus ??? aí vale ?

  8. tainá Postado em 12/Feb/2014 às 11:54

    Quantas mulheres são violentadas e engravidam de quem ás abusou, caro Pereira? Achas que ela deverá manter o filho em seu ventre mesmo não existindo amor ou desejo por essa criança? Além da lembrança árdua que este ser terá sobre a mãe, ainda assim que ele nasça e seja colocado num orfanato, quais as chances de ser adotado e bem sucedido quando adulto? Esta mesma criança, como achas que vivera sabendo que nunca foi desejada ou feita com o carinho que deveria? Quantas mães jovens perdem sua infância e adolescência para serem mães, muitas vezes sozinhas porque o pai simplesmente às abandonam? Quantas mulheres que vivem na miséria engravidam e oferecem quase nada aos seus filhos por não terem como sustentá-los? O único aborto que condeno é aquele que é feito por mulheres informadas que não foram violentadas.

    • Pereira Postado em 12/Feb/2014 às 16:54

      Como eu disse la no post a favor do aborto na espanha e no post da mulher que matou o estuprador: Existem as mais variadas desculpas para matar e cometer a maior barbárie que se tem notícia contra a vida humana. desculpa 1) ("Achas que ela deverá manter o filho em seu ventre mesmo não existindo amor ou desejo por essa criança?") Sim acho, pois a mulher embora tenha sofrido uma violência monstruosa, não têm o direito de interferir em outra vida completamente diferente da sua,que não tem culpa nenhuma do ocorrido .desculpa 2) você acabou de citar problemas sócioeconômicos : ("Quantas mulheres que vivem na miséria engravidam e oferecem quase nada aos seus filhos por não terem como sustentá-los? ") e daí ? a vida deve prevalecer sobre qualquer coisa(a declaração universal dos direitos do homen diz isso pelo menos) e ("quais as chances de ser adotado e bem sucedido quando adulto?") que direito as mulheres têm do "achar" que por ele ter menos chance de subir na vida ,deva abortar e cercear a pessoa de viver? . Gravidez indesejada("Quantas mães jovens perdem sua infância e adolescência para serem mães") , essa desculpa é responsável por 99% dos abortos feitos no mundo. O outro 1% dos abortos são os casos de estupro, nesse caso eu acho que o governo deveria intervir , muito embora seja uma visão utópica, ex : o governo poderia isentar até, quem sabe, 5 gerações a frente dessa pessoa de impostos, universidade pública sem vestibular, cargo público sem concurso compatível com a formação(sempre com o devido sigilo do ocorrido no passado). Aposto que apareceria uma penca de mulheres alegando estupro para receber o benefício. O que eu posso dizer, é que as políticas deveriam proteger a vida dessas pessoas em sua fase embrionária, já que a ciência é taxativa,e diz que a vida começa na concepção.

      • Victor Postado em 12/Feb/2014 às 18:55

        Primeiro, a vida não começa na concepção, começa no desenvolvimento completo do sistema nervoso, até lá o proto é apenas um amontoado de células, como uma alface. Bem, ainda que essa fosse a concepção vigente, ainda é inútil e ineficaz como argumento, justamente porque, até a formação de um sistema nervoso, não há qualquer chance de aquilo que está no útero experienciar qualquer tipo de sensação que for, sendo ilógico portanto que seu "assassinato" seja considerado como tal, afinal destruímos células a cada segundo propositalmente ou não, mas isso não se considera imoral justamente por não ser algo que provoque dor (perceba, tanto emocional quanto física). Continuando... a "desculpa" 1 não é desculpa porque, se a mulher de fato não quer a criança e muito menos a ama, o feto não teria sido fecundado em primeiro lugar - isso só ocorreu por um acaso, uma desventura -, logo aborta-lo é o mesmo que ter usado anticoncepcional, sendo a única diferença a disposição dos acontecimentos no tempo: essa criança não existiria de qualquer jeito. Depois, o que você acha não importa, o que importa são os direitos humanos (no caso das mulheres) que só em outro universo ditariam que a mulher deve carregar, em seu ventre, um corpo que NÃO É COMPLETAMENTE DIFERENTE DO SEU (afinal bebês não se formam fora do útero), o que faz da gravidez um processo preso de maneira inexorável ao corpo da mulher. Outro pseudo-argumento dos que são contra o aborto é o de que "a vida deve prevalecer sobre qualquer coisa"; primeiro que o embrião mal é uma vida; segundo que a mulher a ser mãe é muito mais vida que um feto, logo conclui-se que a vida a ser zelada não é a do embrião, mas sim a da mãe (mulher). Gostaria que você também linkasse a fonte desses dados de que 99% dos abortos feitos no mundo são perpetrados pela "desculpa" do perder da adolescência e de que somente 1% está ligado ao estupro. Lembrando que o aborto é uma prática ilegal, realmente me surpreende que esses dados estejam disponíveis. Enfim, a mulher, em poder de seu próprio corpo (em consonância com esse mesmo direito inalienável do homem - masculino), e o Estado, como garantidor dos direitos de todo e cada cidadão e responsável pelos mesmos, têm de intervir para que o poder patriarcal não continue ditando o rumo da vida das pessoas em aspectos completamente privados. As mulheres devem ter o direito ao aborto porque são SIM donas de seu corpo e, por isso mesmo, elas e somente elas devem poder decidir o que fazer com eles, pois o que realmente garante ao ser humano o status de cidadão perante si mesmo e os outros não são apenas leis e instituições políticas (aliás, um tanto ineficazes), mas muito mais o respeito à própria vontade e à escolha, afinal esses são os componentes da tênue linha que nos separa da condição de meros animais, lançados à sorte e sem limites.

      • Thiago Teixeira Postado em 12/Feb/2014 às 19:18

        Suas estatísticas são bem Revista Veja mesmo. Não interessa o motivo do aborto, quem decide isso é a mulher, e os motivos só convém a ela. A mulher deveria ser legitimamente dona de seu corpo.