Redação Pragmatismo
Compartilhar
Uruguai 04/Feb/2014 às 19:04
19
Comentários

Mujica pretende regular álcool e mídia em 2014

Após legalizar maconha, Uruguai pretende regular álcool e mídia em 2014. Até o final de seu mandato, Mujica também quer limitar compra de terras por empresas estrangeiras

mujica alcool maconha midia
Governo Mujica pretende regular álcool e mídia em 2014

Depois de atrair a atenção da opinião pública mundial em 2013 com a legalização da maconha, o governo do Uruguai pretende dar continuidade à sua agenda de reformas sobre temas polêmicos. As duas principais prioridades da coalizão de José Mujica neste ano são a regulação da mídia e da venda de bebidas alcoólicas.

Entre as propostas da Frente Ampla estão o aumento do controle sobre a publicidade e os pontos de venda de álcool. Os legisladores governistas querem proibir, por exemplo, a realização dos “happy hour”, situações em que as bebidas são comercializadas com preços mais baixos.

“O Uruguai precisa de regulação porque o álcool é a droga lícita que mais causa acidentes. Seus vendedores querem nos convencer de que é uma bebida refrescante e está associada a mulheres lindas”, argumentou o senador Ernesto Agazzi.

“Alguns interesses serão afetados, mas é um problema crescente. Há enormes quantidades de jovens que bebem ocasional ou frequentemente. Com essa medida, completaríamos a tríade de regulações, pois já fizemos isso com a maconha e o tabaco”, afirmou o senador Luis Gallo.

Assim como ocorreu no ano passado com a questão da maconha, a regulação da mídia e das bebidas alcoólicas contam com forte repúdio da oposição. No entanto, o governo Mujica dispõe de número suficiente de parlamentares para impulsionar tais medidas.

Outros projetos governistas que devem ser discutidos em 2014 são a limitação da compra de terras por empresas estrangeiras e a lei de responsabilidade penal do empregador.

Ainda em 2014, no mês de outubro, o Uruguai viverá as eleições que definirão o sucessor de Mujica. O favorito no pleito é justamente o antecessor do atual presidente, Tabaré Vázquez, também da Frente Ampla.

De acordo com alguns parlamentares e especialistas, o fato de ser um ano eleitoral pode dificultar a aprovação de todos esses projetos, mas a coalizão governista espera conseguir agilizar ao menos a regulação da mídia e das bebidas.

Vitor Sion, Opera Mundi

Acompanhe Pragmatismo Político no Twitter e no Facebook.

Recomendados para você

Comentários

  1. Vinícius Postado em 04/Feb/2014 às 19:37

    Não curti essa Mujica, não acho correto uma interferência no consumo de bebidas alcoólicas, como proibir o “happy hour”, também é uma questão relacionada à liberdade individual de cada pessoa. Não tenho conhecimento da legislação uruguaia sobre a publicidade infantil, mas caso essa seja permitida seria muito melhor uma lei que proibisse a publicidade infantil ou que colocasse um sensor anti-preconceitos nas campanhas publicitárias.

    • Carlos Postado em 04/Feb/2014 às 20:22

      Realmente, usam essa de ele ter liberado um pouco a maconha para promovê-lo, mas ele é mais um estatista que quer regular a vida de todos os empobrecendo. O que este faz não é tão diferente do que qualquer outro no Brasil ou nos EUA fariam, estamos todos na mesma merda. Não há para onde fugir nesse momento.

      • Peterson Silva Postado em 04/Feb/2014 às 20:45

        É, o objetivo dele é "regular a vida de todos os empobrecendo". LOL

    • Pedro Postado em 04/Feb/2014 às 23:51

      Penso que medidas como a regulamentação do "happy hour" servem como instrumento do governo para permitir que uma droga lícita bastante danosa seja aproveitada de uma forma mais consciente e menos induzida por condições que podem proporcionar o aumento cada vez mais elevado da bebida. No nosso querido Brasil, os próprios "happy hour" são responsáveis por gravíssimas infrações contra a lei seca e outros atentados ao código penal e CBT. Pensem o que for, mas a medida será, NO MíNIMO, extremamente benéfica ao bolso do governo uruguaio que irá economizar boa parte da verba destinada a acidentes causados pelo alcool.

      • Alejandra Morra Postado em 05/Feb/2014 às 07:59

        boa Pedro !

  2. Thiago Teixeira Postado em 04/Feb/2014 às 19:51

    Esse homem não existe, ele é um sonho. Happy hour é um lixo, deve ser extinto da humanidade. Devemos recrutar MAIS TERRORISTAS do Afeganistão e entrar em todo estabelecimento com carro bomba e mandar para os ares todas essas pessoas felizes se achando os cidadãos perfeitos, bebendo, falando alto e tumultuando a vizinhança com som alto. Aprovado.

    • Carlos Postado em 04/Feb/2014 às 20:19

      Estava estranhando mesmo. No começo vc parecia ter um discurso, depois mudou. É só um pouco de sarcasmo!

  3. Wegley Calixto Postado em 04/Feb/2014 às 20:19

    É óbvio que não se trata de uma interferência excessiva do Estado na esfera privada. Na verdade, é obrigação do mesmo proteger o cidadão comum dos interesses mercadológicos de grandes grupos empresariais que se valem de lobby para aprovar leias brandas quanto ao álcool e querem lucrar a qualquer custo, inclusive das vidas no trânsito. Ninguém precisa deixar de beber, mas entender que o álcool é um assunto sério e que deve ter seu consumo estritamente regulado.

    • Carlos Prado Postado em 04/Feb/2014 às 21:44

      Lobby? Mas sem governo não há lobby? É dever do governo nos proteger do governo? Em momentos de álcool estritamente regulado tivemos mais mortes por álcool do que em qualquer outro momento: A lei seca americana não barrou a venda e o consumo de álcool, apenas criou um mercado negro, onde os problemas não poderiam ser resolvidos junto à lei. Então houve explosão de violência, E mais, bebidas fracas passaram a não interessar aos bandidos, era mais fácil e lucrativo manter apenas a produção de destilados cada vez mais forte. O mesmo acontece com as drogas, dinheiro do povo jogado fora em uma guerra sem fim, desvios em corrupção e aparelhagem inútil de uma polícia que poderia estar fazendo algo bom à sociedade, drogas cada vez mais fortes e fortalecimento de milícias e máfias. Álcool é um assunto seríssimo, por isso mesmo o estado deve ficar o mais longe possível.

    • Renan Postado em 04/Feb/2014 às 23:42

      Concordo!

    • Bruno Postado em 05/Feb/2014 às 09:11

      Da tanto medo quando uma pessoa fala em "Na verdade, é obrigação do mesmo (Estado) proteger o cidadão comum"

  4. Peterson Silva Postado em 04/Feb/2014 às 20:46

    A notícia falhou porque o título fala sobre a mídia mas no corpo do texto... Nada! Cadê?

  5. Jair Gadis Postado em 04/Feb/2014 às 21:05

    Países como Austrália, NZ, Canadá e EUA tem um controle muito rígido na distribuição de bebidas alcoólicas. Se os ricos fazem é vanguardismo e zelo pelo bem estardo povo, se o comunista aí tenta fazer é ditadura.

    • Carlos Prado Postado em 04/Feb/2014 às 21:48

      Vanguardismo? Quem diz isso? É um louco que acha que EUA é exemplo? Pode ter sido terra da liberdade bem antes do século XX. No mais virou a mesma política comunista que interfere na liberdade do povo. Esta história de zelo pelo bem-estar do povo é socialismo, coisa que tem muito brasileiro sendo enganado não vendo que essa de social-democrata é também distribuição de pobreza e confisco de riqueza do povo. Em qualquer situação é autoritarismo e piorará a situação.

  6. D. Abreu Postado em 04/Feb/2014 às 21:54

    Drogas recreativas devem ser reguladas de acordo com o grau de prejuízo social que acarretam. Se está dito que o álcool se mostra uma droga perigosa para o usuário e para os que o cercam, ela deve sim, ser regulada. Se "eu" faço um uso consciente, não quer dizer que outra pessoa também seja capaz de fazê-lo. Tenho problema com alcoolismo em casa, e isso não é simples como pedir para alguém limpar uma bagunça, isso requer atenção a todo momento.(o problema é que, da janela da televisão, tudo parece mais simples). Décadas e décadas de serviços públicos sem qualidade, falta de oportunidades, e desrespeito com a inteligência alheia, foram acobertadas com álcool e loteria. Se o Estado não for capaz de oferecer alternativas de entretenimento satisfatórias, educação de qualidade, proporcionar um consumo digno, sempre vamos ter graves problemas com pessoas tentando contornar os resultados (insatisfações) por si só, seja por meio das drogas (vício), seja por meio da criminalidade. Temos que observar como o caso das drogas está sendo abordado sem proibi-las em definitivo, pois sem elas... tenho medo só de imaginar no que iria dar.Mas é necessário minimizar o numero de pessoas que adoecem por elas, valendo-se de meios científicos, facilitando o acesso a umas, e restringindo a outras. Assim, devemos questionar a ética aplicada. A regulação, então, não deveria ser vista com tanta aversão por uns, pois do contrário seria um caso de irresponsabilidade por parte do poder instituído, que deveria zelar pela saúde e bem estar. A meu ver, esses que criticam tanto, aconselho que façam uma autocrítica de suas próprias amoralidades.

  7. Gustavo Augusto Postado em 04/Feb/2014 às 22:51

    Parabéns Mujica, acabando com a hipocrisia! Proibir propagandas e aumentar restrições se provou muito efetivo no caso do tabaco e espero que seja também com o álcool. Proibir não! Quem quiser beber, fumar que o faça. Mas sim desestimular o consumo.

  8. hd junior Postado em 04/Feb/2014 às 23:24

    Creio que o pres. Mujica deve está a par de pesquisas, não eleitorais, e sim estatísticas do uso da maconha e o álcool e suas consequências, que apontam o álcool mais danoso no quesito acidentes com vítimas, até fatais. Em relação à mídia concordo que no corpo do texto não diz nada que me assuste. Quanto a proibição de vendas de terras a estrangeiros, não tenho nada contra muito pelo contrário e certamente até as eleições outras idéias mirabolantes sempre hão de pintar por aí.

  9. Thiago Camilo Postado em 05/Feb/2014 às 11:08

    Se o consumo da maconha como droga lícita será regulado, controlando a quantidade que cada indivíduo pode consumir (com o objetivo de reduzir os riscos de dependência química), não faria sentido também não regular a quantidade de álcool também, que é muito mais danoso que a maconha. Eu - que bebo cerveja - falo isso com dor no coração. Mas acredito que é para o bem comum.

  10. Sophia Postado em 05/Feb/2014 às 16:04

    Como diz no texto: o álcool é a droga lícita que mais causa acidentes. Achei a medida tomada por Mujica plausivel. Campanha: menos Feliciano, mais Mujica!