Redação Pragmatismo
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Racismo não 16/Feb/2014 às 19:37
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Australiana é presa por racismo em Brasília

Em um salão de beleza no DF, australiana não quis ser atendida por uma manicure negra e disse que não queria ser tocada por uma “raça ruim”; a PM foi acionada e a mulher presa por racismo

Uma australiana foi presa em Brasília na noite da última sexta-feira (14) suspeita de agredir e ofender duas funcionárias e uma cliente negras de um salão de beleza da superquadra 115 Sul, além de desacatar o policial militar, também negro, que a conduziu à delegacia. Na delegacia, ela também ofendeu o agente responsável por atender a ocorrência. Parte da situação foi gravada pela recepcionista do local. O caso é investigado pela 1ª DP.

Segundo testemunhas, a suposta agressora tem cerca de 30 anos e entrou no estabelecimento para fazer as unhas do pé. A primeira pessoa que ela ofendeu foi uma manicure, que preferiu não se identificar por se sentir envergonhada. A profissional foi contratada pelo salão há uma semana.

A suposta agressora foi levada para a delegacia e foi transferida neste sábado (15) para a Penitenciária Feminina do Gama (Colmeia). Segundo a Polícia Civil, ela vive regularmente no Brasil há cinco anos e já foi detida por dirigir sob efeito de álcool.

A Polícia Civil informou que mulher foi presa por racismo e não por injúria racial porque disse que não poderia ser atendida pela funcionária negra. Ela cometeu segregação racial ao afirmar que a profissional não poderia executar o serviço por ser de “raça ruim”.

O encaminhamento para a penitenciária da Colmeia comprova que ela foi enquadrada por racismo, segundo a polícia. Se fosse por injúria, ela teria assinado um termo de comparecimento à Justiça e deixaria a delegacia. O crime de racismo é inafiançável. A suspeita pode permanecer presa por até um ano.

“Ela chegou e perguntou se havia alguém que pudesse fazer o pé dela. A recepcionista disse que sim, então ela sentou. Quando ela viu que seria eu, disse que não queria”, lembra a manicure. “Fiquei sem graça. Aí a menina disse que tinha então outra pessoa, e ela respondeu que podia ser a outra, porque ela era um pouco mais clara. Ela disse que eu era escura demais para fazer a unha dela.”

Minutos depois, a suposta agressora teria se incomodado com a presença da manicure e pedido que ela se retirasse. “Ela disse: ‘dá para você se retirar? Sua presença está me incomodando. Eu não quero que você fique perto de mim’. Subi na hora, não conseguia parar de chorar”, conta a profissional.

Dona do salão, Eliete Lima de Carvalho cuidava do cabelo de uma cliente e só percebeu o problema quando viu a manicure chorando. A proprietária subiu as escadas para o banheiro atrás dela para saber o que havia acontecido e, depois, voltou ao salão para exigir que a cliente se desculpasse.

“Ela disse que não ia se desculpar, que não tinha feito nada de errado. E aí começou a falar do trabalho da outra manicure, dizendo que ficou uma porcaria, que não ia pagar. Outra cliente, que é morena, ficou irritada e pediu para ela abaixar o tom, então ela disse ‘eu não sei por que essas pessoas de raça ruim insistem em falar comigo’. Precisei segurar a menina, que queria bater nela”, conta Eliete.

A discussão evoluiu para bate-boca e gritaria. A dona do salão acionou a Polícia Militar, mas a suposta agressora tentou fugir. Eliete afirma que pediu mais uma vez que ela se desculpasse, que a situação poderia ser contornada se ela reconhecesse que errou. “Ela disse que queria ver quem iria prendê-la por isso”, diz a proprietária.

Abordada por um PM negro, a australiana ainda teria gritado para que ele não dirigisse a palavra a ela. A cliente ofendida, as funcionárias, a dona do salão e a cliente de quem ela cuidava, que é advogada, foram para a delegacia prestar depoimento.

Assustada e desconfortável, a manicure que não quis se identificar disse que nunca passou por isso antes. “Ela insistiu que não queria nenhum de nós, pretos, falando com ela. Disse que éramos raça ruim”, conta.

De acordo com os dados mais atualizados disponíveis no site da Secretaria de Segurança Pública, houve 409 crimes raciais em 2012 no DF.

Protesto

Indignada com a situação, Eliete decidiu trabalhar com o cabelo o mais volumoso possível neste sábado. “Não admito funcionário tratar mal cliente, nem cliente tratar mal funcionário. E não admito preconceito, de forma alguma”, afirmou. “Ela me machucou profundamente. Agiu como se fosse melhor por não ser negra ou porque acha que ser manicure é ser inferior. Não aceito.”

No momento da confusão, havia cinco clientes e nove funcionárias no salão – quatro delas, negras. O estabelecimento funciona há dez anos.

Eliete disse ainda que, pela manhã, comentou com as funcionárias que achou absurdo o ocorrido com o jogador Tinga, do Cruzeiro, vítima de racismo durante partida contra o Real Garcilaso, pela Taça Libertadores, no Peru. “Ainda falei que era inadmissível, que esse era o tipo de coisa que eu não conseguia acreditar que ainda existia.”

O episódio de racismo contra o jogador ocorreu na cidade peruana de Huancayo. Tinga, que é negro, entrou no segundo tempo. Sempre que ele tocava na bola, a torcida do time da casa, fazia sons que imitavam um macaco.

Geledés

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Comentários

  1. Roberta Postado em 16/Feb/2014 às 19:58

    Coisas assim que me desanimam com relação à humanidade...

    • Francisco Postado em 18/Feb/2014 às 13:46

      Ué, isso não é crime inafiançável? Como conseguiu uma hábeas tão rápido, que juiz de final de semana é esse que o concedeu? Baseado em que artigo da lei?

  2. professora Postado em 16/Feb/2014 às 20:04

    as pessoas estao se tornando cada vez mais preconceituosas. isso é assustador!!!! ao invés de o ser humano evoluir - (dado o conhecimento cada vez maior e mais disponivel a todos) - parece que regredimos. estaremos voltando para a idade da pedra???

    • LUANA Postado em 16/Feb/2014 às 22:01

      UMA TRISTE REALIDADE

  3. Marques Postado em 16/Feb/2014 às 20:08

    O engraçado é que os nativos da Austrália são negros.Pesquisa aí "os aborígenes australianos".Mas pensando bem, se ela não respeita nem a "cor" que faz parte da sua identidade histórica, vai respeitar o que mesmo?

  4. Gustavo Rodrigues Postado em 16/Feb/2014 às 20:25

    As marcas e resquícios da escravidão são de uma tristeza ímpar. Apenas um detalhe: na última linha, em '' Sempre que ele tocava na bola, a torcida do time da casa, fazia sons que imitavam um macaco.'', há um erro; não se separa o sujeito e o verbo com vírgula.

  5. Tomaz E Robinson Postado em 16/Feb/2014 às 20:31

    Isto é o redultado de vivermos numa sociedade onde o mais importante é Ter e não Ser, as pessoas estão cada vez mais valorizando os bens materias em detrinento da educação , respeito e solidariedade

  6. Grey Postado em 16/Feb/2014 às 20:52

    Austrália, apesar de que pouco conhecido disso, é um país com forte tendencias de racismo e anti-imigração. O próprio governo, não muito tempo atras, lançou um quadrinho (sem texto, para ser entendido facilmente por todos) deixando claro que imigrantes e até mesmo refugiados não são bem vindos e se forem lá, serão considerados cidadãos de segunda classe (isso com alguma sorte).

    • Oswaldo Postado em 18/Feb/2014 às 19:36

      Cada país tem direito a receber em seu território quem quiser. Não é pelo fato da Austrália não querer imigrantes que uma Australiana pode tratar um pessoa negra, branca ou de qualquer outra cor como essa aí tratou. A Austrália é um pais pouco populoso e pouco povoado, mas rico e com boa distribuição de renda. Se deixarem que todos que queiram migrem para lá o país será arruinado economicamente em pouco tempo.

    • Henrique Postado em 18/Feb/2014 às 20:58

      É verdade até certo ponto. Especialmente o novo governo que tomou posse ano passado fazendo campanha contra refugiados. Porém, 25% da população Australiana é formada por imigrantes, então dizer que é anti-imigração é piada. Quanto a ser considerado cidadão de segunda classe, eu não sinto isso. Muito pelo contrário, mesmo quando trabalhei em empregos que no Brasil te fazem um cidadão de terceira classe, sempre me senti respeitado, pois esses empregos me davam condições de viver mais que bem. Existem muitas pessoas racistas aqui com certeza, nas classes mais pobres e ignorantes, mas não tenho a menor dúvida que no Brasil, mesmo numa avaliação "per capita", o número seria muito maior.

  7. soili maria borsoi galafa Postado em 16/Feb/2014 às 21:05

    uma vergonha, esse tipo de gente se acha melhor, porem são as piores do mundo,que fique na cadeia por muito tempo

  8. Deolinda Postado em 16/Feb/2014 às 21:17

    Concordo com o Grey...Já estive lá a turismo e pude notar isso...Eu sou branca descendente de europeus e tive toda minha bagagem de mão e grande revistada...quando lá cheguei...Eles perguntaram-me no formulário que me fizeram responder se eu tinha estado nos últimos 6 meses na América do Sul...Dos países que visitei foi o que mais detestei....

    • Thiago Teixeira Postado em 16/Feb/2014 às 21:32

      Quanto ao questionário mencionando a América do Sul, quando entrei em Senegal fizeram a mesma pergunta, e tive que tomar 2 vacinas no aeroporto. Talvez sejam normas de saúde desses países ... no caso da Austrália vamos torcer que seja isso ...

      • Deolinda Postado em 16/Feb/2014 às 21:40

        É racismos mesmo, deu para sentir..

      • Thiago Teixeira Postado em 16/Feb/2014 às 23:28

        Lamentável ...

  9. Thiago Teixeira Postado em 16/Feb/2014 às 21:25

    Imaginem o que os aborígenes passam naquele país?

    • Macunaíma Postado em 17/Feb/2014 às 08:30

      Quase o mesmo que os brasileiros nativos...

      • Henrique Postado em 18/Feb/2014 às 21:09

        Sua raça foi dizimada tanto quanto a do brasileiros nativos. Até hoje eles são totalmente desintegrados da sociedade, assim como os brasileiros nativos. Porém, sua situação é muito melhor que dos brasileiros nativos, pois aqui eles ganham várias concessões e auxílios do governo. No Brasil só ganham é porrada mesmo.

  10. Alexandre Lopes Postado em 16/Feb/2014 às 21:30

    Essa australiana vai passar um longo período ao lado de pessoas de " raça ruim " . HAHAHAHAHA.... aposto que as meninas da penitenciária feminina do Gama darão a ela um ótimo tratamento, principalmente depois que o agente penitenciário contar às suas colegas de cárcere o motivo pelo qual ela foi presa. hahahahahahahaha faça bom proveito estrangeirinha de merda ... a diversão está só começando !!! OBS : Não sei por que motivo essas bostas humanas vêm para cá !! deveriam ficar juntas à sua patota de racistas , em seus países .

    • Mario Postado em 17/Feb/2014 às 09:52

      "estrangeirinha de merda". isso pode ser considerado como xenofobia.

      • Alexandre Lopes Postado em 18/Feb/2014 às 15:55

        Mario, com certeza pode , desde que se interprete o que eu disse de modo descontextualizado .

    • Bruno Postado em 17/Feb/2014 às 10:41

      Ela não vai passar ao lado de ninguém. Ela não foi presa, já teve Habeas Corpus, e possivelmente não vai dar em nada. O Brasil não tem nenhuma instituição forte e não tem capacidade nem de prender um bandido que rouba a mesma loja 20 vezes, quem dirá prender uma estrangeira. Agora essa moça é a prova viva de que o ser humano ainda é infantil e primitivo.

  11. hilda Postado em 17/Feb/2014 às 09:34

    essa preconceituosa vai levar porrada no presidio ,é o que ela merece ,me sinto indignada com essas covardias.

  12. hilda Postado em 17/Feb/2014 às 09:39

    é o que ela merece Alexandre lopes , um tratamento vip na penitenciaria do gama .kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk e sei que ela vai ter por que merece.uuuuuuuuuuuuu

  13. Hipocrisiadeumpaís Postado em 17/Feb/2014 às 10:33

    Já foi solta! Com essa justiça que só existe para os ricos , já era de se esperar!

  14. Thiago Araújo Postado em 17/Feb/2014 às 10:44

    Isso e para os brasileiros deixar de puxar saco dessa cultura inglesa nojenta que ainda querem que falemos em ingles em nosso país com eles e ainda nossa elite dominante junto a mídia da tv bobo querendo ser americanos e ingleses na terra dos tupinambas para eles não passamos de macacos subalternos servisais.

  15. renato Postado em 17/Feb/2014 às 11:12

    Ela esta certa. Vive em uma democracia. É de primeiro mundo e é Branca. É a elite do ser humano. Apesar de precisar cortar a unha. E satisfazer as exigências da DIRETA. Será recebida bem na volta a Australia. depois de um ano varrendo o Pelourinho, como serviço social cultural.

  16. érika Postado em 17/Feb/2014 às 15:46

    Ela deveria ser expulsa do nosso país no mínimo, mas, claro, depois de ficar 1 ano na prisão para que a justiça seja feita e a manicure e as outras pessoas ofendidas se sintam em em seu país, que aqui, tem que respeitar. Que absurdo isso!

  17. Luciano Postado em 17/Feb/2014 às 19:21

    Ver um racista rodar na mão da policia é muito saboroso

  18. Robson Lopes Postado em 17/Feb/2014 às 22:59

    Mas já foi solta, o que adianta o crime de racismo ser inafiançável, se a pessoa pode receber um habeas corpus só porque é réu primaria, tem residência fixa (apesar de ser australiana). O crime de racismo é desumano, uma pessoas dessas não poderia receber o um habeas corpus assim, tão rápido.