Redação Pragmatismo
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Juristas 30/Jan/2014 às 17:20
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A sonolenta palestra de Joaquim Barbosa em Londres

Discurso de duas horas do presidente do Supremo fez reitor da Universidade de Londres cair no sono. Passagem de Joaquim Barbosa foi financiada pelo STF; ele recebeu R$ 14 mil em diárias para 10 dias de passeio pela Europa

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O reitor Rick Trainor (esq.) em sua soneca

Joaquim Barbosa, conhecido por seus longos e acalorados debates na Presidência do Supremo Tribunal, passou por um constrangimento em Londres. Em palestra no King’s College, o reitor da Universidade, Rick Trainor, caiu no cochilo durante o discurso de duas horas de Barbosa sobre o funcionamento da Corte brasileira.

A passagem de Barbosa pelo evento foi financiada pelo STF. Ele recebeu R$ 14 mil em diárias para 10 dias de passeio pela Europa, nos quais teve apenas dois compromissos oficiais, em Paris e Londres.

A repórter Patrícia Dantas cobriu a palestra de Joaquim Barbosa em Londres para o portal DCM. Confira abaixo o seu relato:

Patrícia Dantas

O presidente do STF fechou sua temporada de três dias em Londres com uma palestra-aula no King’s College. Barbosa não deu entrevistas à imprensa antes ou depois e adotou um tom mais cauteloso do que seu padrão.

Apesar do frio de 5 graus e da chuva, o King’s College teve de disponibilizar uma sala extra com transmissão por streaming no Safra Lecture Theater. O salão principal teve seus 253 lugares tomados (o evento foi aberto e gratuito). Algumas pessoas ficaram em pé. Barbosa proibiu qualquer tipo de questionamento relacionado aos casos que ainda estão em andamento no Supremo. O diretor do King’s Brazil Institute, Anthony Pereira, deixou isso claro ao apresentar o palestrante. Segundo os organizadores, ele não recebeu cachê.

JB abriu a noite explicando como é escolhido o presidente do STF. ”O chefe da Suprema Corte não é eleito pelo presidente da República, mas sim pelos seus pares desde 1890″, disse. A conversa foi toda num inglês correto, com alguns termos jurídicos em português. “É importante para evitar a personalização e centralização do poder em apenas em um juiz. Fico muito feliz pelo Brasil ter adotado esse sistema desde o início”.

O tom, especialmente no início, foi monótono, com longas pausas reflexivas. O reitor, Rick Trainor, não aguentou e cochilou. No final, houve uma sessão de 40 minutos reservada às perguntas do auditório. Eu pude perguntar, se ele pretendia se candidatar a presidente.

Não respondeu de imediato. Preferiu passar a outras questões formuladas pelo público. Voltaria depois ao assunto da presidência. “A plateia me perguntou se eu sou candidato e eu ainda não respondi”, disse. “E, afinal, quer?”, ouviu-se no auditório repleto de brasileiros.

“Quero!”, afirmou ele, em tom irônico. Houve uma certa surpresa. Em seguida, esclareceu que estava fazendo uma piada. “Muitas pessoas se aproximam de mim nas ruas ou lugares públicos dizendo que eu deveria ser candidato. Nunca fui um político ou afiliado a qualquer partido político. Até mesmo na época da faculdade, também nunca participei de nenhuma militância política. Então, a resposta é não”.

Sobre racismo, ele disse o seguinte: “A maioria das pessoas que sofrem com a pobre educação no Brasil são negras. Negros moram em favelas, têm os trabalhos que pagam menos. Todos os indicadores apontam que esse é um dos problemas-chave na política brasileira. Brasileiros brancos não querem discutir isso. A TV no Brasil parece a TV da Dinamarca. Precisamos lidar com o assunto logo”.

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Joaquim Barbosa, depois da palestra em Londres (Foto: Patrícia Dantas, BR Press)

Sobre uma visita recente que teria feito ao presídio de Pedrinhas, no Maranhão: “Políticos não se importam com esses assuntos porque isso não traz nenhum retorno, dividendos ou votos. Esta é a razão pela qual as prisões estão nesta situação. São como o inferno. Os governos alegam que não têm equipe suficiente para construir os presídios”.

Alguém quis saber se, sendo um “intelectual com ideias bastante progressistas”, ele não se incomodava em ser transformado em “herói” pela maioria dos grupos conservadores no Brasil. Barbosa: “Não me importo com quem aprecia meu trabalho, conservador ou liberal. Eu faço o que acho que é certo. Sou uma pessoa realmente cautelosa. Minha orientação é fazer o que é preciso ser feito. Se liberais gostam do que faço, tudo bem, mas eu realmente não me importo com isso”.

Encerrada a apresentação, Barbosa posou para fotos com a galera. Ficou calado e fez cara de exclamação quando um jornalista indagou se assinaria o mandado de prisão do deputado federal João Paulo Cunha quando voltasse das férias (aliás, não havia nenhum profissional da mídia internacional).

O gelo só foi quebrado quando alguém perguntou se ele iria tomar uma “pint”, a tradicional cerveja inglesa servida nos pubs. “Aí, sim”, disse Joaquim Barbosa, escoltado por seguranças e por seu assessor pessoal em direção à saída.

com Brasil 247 e DCM

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Comentários

  1. mauricio augusto martins Postado em 30/Jan/2014 às 18:29

    Segundo Ali Kamel "Não Somos Racistas"...maumau

  2. Thiago Teixeira Postado em 30/Jan/2014 às 19:47

    Convenhamos, um discurso de 2 horas de um Jurista deve ser muito chato!

  3. luis Postado em 30/Jan/2014 às 20:35

    ops, acho que vim parar em um site de fofocas por engano...

    • Pedro Postado em 31/Jan/2014 às 09:12

      Exatamente o que o Luís falou, é extremamente lamentável um site de notícias que volta e meia reclama da mídia corporativa tendenciosa e fica reproduzindo essas matérias pobres e baixas, que revelam picuinhas inúteis. Por mais que se tenha a reclamar do JB, não consigo ver a pertinência desse tipo de matéria, principalmente da manchete estúpida, vazia e sensacionalista.

  4. Leo Nogueira Postado em 31/Jan/2014 às 00:50

    Edmond J. Safra Lecture Theater, no The King's College, com 253 lugares lotados? O "banqueiro magnata judeu libanês naturalizado brasileiro", "filantropo", tem nome de sala de conferência em Londres? Hummmm aí tem coelho....

  5. luiz carlos ubaldo Postado em 31/Jan/2014 às 08:07

    Não se deu conta ainda de ser um simples serviçal!

  6. Claudio-SJ Postado em 31/Jan/2014 às 08:22

    Eita... um errinho de concordância não faz mal né? Ah se fosse o Lula “A maioria das pessoas que sofrem com a pobre educação no Brasil são negras..... " A maioria das pessoas que "sofre".......é negra.....

    • Miguel Matos Postado em 03/Feb/2014 às 00:30

      As duas formas estão corretas.

  7. Claudio-SJ Postado em 31/Jan/2014 às 08:25

    Um cochilinho não faz a ninguém né? Afinal, o ilustre aí vive dormindo em plenário do STF.

  8. Jandira Postado em 31/Jan/2014 às 13:52

    Temos um país no qual o próprio movimento negro reconhece que mais de 70% da população é composta de afrodescendentes (em diversos matizes), mas somos 'um país racista'. Então, há negros e mulatos racistas também, ou não? Se o que caracteriza a idéia de 'país' é a maioria de sua população, há afrodescendentes racistas e racismo reverso também. Ou não?

    • Thiago Teixeira Postado em 31/Jan/2014 às 19:43

      Nosso país é racista porque o Negro é o mais racista de todos, venera a raça ariana, sente vergonha de suas origens e a cada dia quer ser mais branco. Dá uma volta num shopping e conta quantos casais de negros estão circulando de mãos dadas, o nojo a raça já começa por ai. Sou negro e digo em alto e bom som: Nossa negritude é um lixo.

      • isaac Postado em 01/Feb/2014 às 02:00

        Seems legit...

  9. Dinio Postado em 01/Feb/2014 às 10:45

    Inquérito 2474 ... sonegado ao Brasil por JB ... a vergonha do Judiciário Brasileiro ... só poderia dar palestra para Reis ... que é o que ele se acha!