Redação Pragmatismo
mobilidade urbana 29/Jan/2014 às 21:20
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A grande cidade que se prepara para tirar os carros das ruas

Segunda maior cidade alemã inicia plano de mobilidade para tirar carros das ruas. Hamburgo começa a por em prática um projeto para ligar as maiores áreas verdes do município através de ciclovias e vias para pedestres, possibilitando o deslocamento por toda a cidade sem a necessidade de automóveis

A chamada Rede Verde (Grünes Netz) deve ser construída nos próximos 15 a 20 anos e as vias para pedestres e bicicletas ligarão todos os parques, reservas, playgrounds, jardins comunitários e cemitérios dos sete distritos do município, que correspondem a 40% da área total de Hamburgo. Aumentando o número de ciclovias e vias para pedestres e diminuindo o acesso dos carros, espera-se que a utilização de automóveis seja reduzida substancialmente.

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(Imagem: Prefeitura de Hamburgo/Envolverde)

Atualmente, Hamburgo é considerada uma das melhores cidades para se viver no mundo, mas um de seus pontos fracos é o transporte: seus oito milhões de residentes (dados referentes à região metropolitana de Hamburgo) têm como principal meio de locomoção os veículos particulares.

“Outras cidades têm anéis verdes, mas a Rede Verde de Hamburgo será única, cobrindo da área de periferia ao centro da cidade. Em 15 a 20 anos será possível explorar a cidade exclusivamente de bicicleta e a pé”, colocou AngelikaFritsch, porta-voz do departamento de planejamento urbano e meio ambiente de Hamburgo, ao jornal The Guardian.

“Para garantir que o plano integre toda a cidade, uma equipe trabalhará com uma pessoa de cada um dos sete distritos da região metropolitana. Unir esses espaços garantirá que todos os residentes poderão desfrutar de acesso à natureza e de um passeio sustentável”, afirma o plano.

Além disso, ainda mais áreas verdes serão acrescentadas, aumentando para sete mil hectares esses locais na cidade e imediações, que, além de servirem de vias para os pedestres e ciclistas, permitirão a realização de outras atividades de lazer, e serão utilizados até mesmo para conectar habitats de animais silvestres, permitindo que eles cruzem o município sem o risco de serem atropelados.

“[A Rede Verde] oferecerá oportunidades às pessoas de caminhar, nadar, fazer esportes aquáticos, desfrutar de piqueniques e restaurantes, vivenciar e observar a natureza e a vida selvagem bem no meio da cidade. Isso reduz a necessidade de pegar o carro para passeios de fim de semana fora da cidade”, observou Fritsch.

Dados do Escritório Climático do Norte da Alemanha do Instituto para Pesquisas Costeiras afirmam que, nos últimos 60 anos, a temperatura média do município aumentou em 1,2ºC para uma média de 9ºC. Nesse mesmo período, o nível do mar em Hamburgo aumentou 20 centímetros, e prevê-se que aumentará outros 30 centímetros até 2100.

Por isso, além de contribuir para aumentar a qualidade de vida da população, o plano visa ajudar no combate às mudanças climáticas – reduzindo as emissões do setor de transporte – e diminuir o risco de enchentes, que aumentou com a elevação do nível do mar.

Felizmente, a cidade não é a única a adotar essa estratégia; Copenhagen, capital da Dinamarca, também tem projetos para desenvolver um planejamento urbano mais sustentável e que combata as mudanças climáticas.

Uma das ações do município dinamarquês, por exemplo, será desenvolver ruas levemente convexas, para que a precipitação não se acumule nas vias e escorra para o meio-fio, onde será coletada. Um dos efeitos das mudanças climáticas em Copenhagen será o aumento no número e intensidade de chuvas e tempestades.

A ideia é que o plano de adaptação climática da cidade, que recentemente ganhou o prêmio Index Design Award, fique pronto até 2033. Atualmente, o município já é conhecido por ter um dos sistemas cicloviários mais abrangentes do mundo.

“Essas medidas contribuirão para uma maior qualidade de vida em Copenhagen. Temos que considerar o que constituirá uma cidade de sucesso no futuro”, comentou Morten Jastrup, analista do Sustainia, um centro de pesquisa da capital dinamarquesa.

Jéssica Lipinski, Carbono Brasil

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 29/Jan/2014 às 22:48

    A bicicleta pode ser muito utilizada nas grandes cidades do mundo se houver investimento em estacionamento para ciclistas nos terminais regionais (rodoviários ou ferroviários) e estes com conexões gratuitas em outras estações. Hoje pagar 2 ou 3 passagens e tempo de viagens longa está mais favorável o uso de transporte individual (moto ou carro) devido ao custo benefício.

  2. tiago carneiro Postado em 30/Jan/2014 às 00:45

    será que os brasileiros estariam dispostos a se livrarem do egomóvel?

  3. Janaina Postado em 30/Jan/2014 às 10:22

    Nunca! Brasileiro tem coragem de ser contra a via do ônibus !!!!

  4. Anitta Postado em 30/Jan/2014 às 14:34

    Bem que podia ser o Brasil fazendo isto né?, o Brasil só não, poderia ser todas as cidades, a vida seria bem melhor em uma cidade assim.

  5. marcelo_X Postado em 31/Jan/2014 às 21:34

    Complexo. Possível sim. Mas muito complexo. Só mesmo com vontade extrema politica que alguma coisa assim poderia ser implantada em algum lugar brasileiro. Cito um exemplo atual que está acontecendo em Curitiba. Vai (se tudo der certo) ser construido um metrô seguindo uma das "canaletas" (vias para onibus segregadas). E depois que ele for construido essas canaletas serão transformadas em um grande parque linear. Acreditem ou não que tem uma corrente forte de pessoas que tem certeza que será melhor transformar essa canaleta em via para carros. Pois na visão deles é melhor para o "fluxo". Claro que é melhor para o fluxo, para quem só tá de passagem é ótimo. E para os milhares que moram ao lado e nas proximidades? É melhor o parque ou pistas novas para carros? Então em resumo, algo assim só acontece por vontade politica, pois se for deixar para o "povo" decidir, não vai ter nada.

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