Redação Pragmatismo
Racismo não 02/Jan/2014 às 17:46
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A bailarina negra na Academia Bolshoi: "Falaram que eu devia branquear a pele"

Preciosa, uma bailarina negra na Academia Bolshoi: "Falaram que eu devia branquear a pele". Jovem vive há dois anos em Moscou e disputará importante competição internacional neste mês de janeiro

preciosa adams ballet
Preciosa Adams (Divulgação)

Preciosa Adams carrega no nome a qualidade das melhores bailarinas. Com apenas 18 anos, a jovem norte-americana estuda há dois anos na Academia Bolshoi, em Moscou, e se forma daqui a seis meses em umas das mais prestigiosas escolas de balé do mundo. A história poderia ser o sonho de toda adolescente que desde pequena calça as sapatilhas de ponta. No entanto, como se não bastasse o competitivo mundo da dança, Preciosa teve ainda que enfrentar o preconceito por ser uma das únicas bailarinas negras que passou pela academia russa.

Preciosa entrou no mundo do balé muito cedo. Aos cinco anos, começou a estudar a dança e, aos nove, entrou para um grupo comandado pelo russo Sergei Rayevsky, em Michigan, nos Estados Unidos. Durante a adolescência, a jovem estudou em Toronto, Nova York e Mônaco, antes de ganhar uma bolsa de estudos para aperfeiçoar sua técnica de balé e aprender russo, em um programa de imersão. A Rússia estava definitivamente no caminho da bailarina norte-americana. Em 2011, com apenas 16 anos, veio a mudança para Moscou.

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Em seus mais de dois anos estudando na capital russa, Preciosa contou em entrevista a Opera Mundi que foi deixada de lado em muitas apresentações por causa da cor da sua pele. Segundo ela, uma professora chegou a dizer que ela deveria “tentar branquear sua negritude” e se parecer mais com o padrão esperado pelos diretores de teatro.

A bailarina parece alheia aos comentários racistas. “Eu ri. A ideia de perfeição (da professora) é ser branco, mas temos que entender que somos lindos da maneira que somos”. Preciosa diz ainda que alguns professores na Rússia tentaram intervir em seu favor, mas tudo foi em vão.

“Eu sei por que não sou colocada em apresentações em grupo (no balé da Academia Bolshoi). Eu sou muito diferente das demais. Eu não me encaixo em nenhum grupo, mas eu não me importo. Estou preparada para solos”.

A Academia Bolshoi diz que não recebeu nenhuma reclamação formal da bailarina e declarou em nota que nenhum aluno estrangeiro fez nenhuma queixa da instituição. Preciosa diz que não fez nenhuma reclamação porque não tinha certeza se isso teria algum resultado positivo. A escola diz que todos os estudantes participam de apresentações e que a norte-americana recebeu ótimas notas.

Determinada, Preciosa lamenta não ter tido mais experiência no palco, mas acredita que os anos na Rússia foram válidos pelo aprendizado. “Nunca foi um sonho dançar no Bolshoi. Eu vim aqui só para a escola (Academia Bolshoi) e para o treinamento, não pela companhia Bolshoi”. A anuidade da Academia Bolshoi custa 680 mil rublos para estrangeiros (aproximadamente R$ 50 mil).

A bailarina disse à reportagem que seus professores russos nos Estados Unidos já tinham alertado sobre a situação de racismo na Rússia. Preciosa se mudou para Moscou sabendo o que esperava, mas não pretende continuar no país. “Não quero morar na Rússia. Eu não me sinto livre aqui. Nos EUA eu posso ser negra ou gay, por exemplo. Eu sou norte-americana e sinto falta de liberdade. Não consigo respirar aqui”. O curso dela na capital russa acaba em junho de 2014.

Sobre as polêmicas de corrupção, prostituição e venda de vagas em apresentações do Teatro Bolshoi, Preciosa se limita a dizer que não se surpreende com os escândalos da companhia e nem acha que seja exagero da imprensa.

preciosa adams

Em janeiro deste ano ano, o diretor artístico do Bolshoi, Sergei Filin, foi atacado com ácido na porta de sua casa, em um crime organizado por um dos bailarinos da companhia. Em março, a ex-solista do Teatro Anastasia Volochkova denunciou casos de prostituição e acirradas disputas no corpo de baile. E, no início de novembro, a bailarina norte-americana Joy Womack declarou que Filin teria dito que ela deveria pagar 10 mil dólares (R$ 23,5 mil) para poder se apresentar no palco do Bolshoi.

Modelo para jovens bailarinas

Preciosa não quer ser vista como um modelo no mundo do balé, ainda dominado por dançarinas brancas. “Tudo é um processo. Na época da minha mãe, todas as mulheres faziam alisamento. Agora tudo mudou. Somos mais naturais. Ninguém quer estar restrito a um padrão, uma norma que a sociedade e a TV decidiram”. E completa. “A sociedade coloca muita pressão sobre o que é aceitável ou não. Mas depende do indivíduo decidir se você vai seguir isso”.

Preciosa vai em janeiro à Suíça participar do Prix de Lausanne, uma competição para as maiores companhias de balé da Europa. Vencer o concurso praticamente significa poder escolher em que balé a bailarina quer dançar.

“Quero trabalhar em uma companhia onde eu conquiste uma vaga apenas pelo fato de eu saber dançar”, conclui Preciosa.

Sandro Fernandes, Opera Mundi

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Comentários

  1. FRANCY MARTHA DE JESUS SE Postado em 02/Jan/2014 às 22:35

    Lutadora.

  2. Thiago Teixeira Postado em 03/Jan/2014 às 11:15

    "... padrão esperado pelos diretores de teatro ..." Pelo menos foram sinceros com a bailarina, algo que no Brasil é maquiado e oculto o "padrão esperado pela sociedade".

    • Jaoanna Postado em 03/Jan/2014 às 14:26

      Correto thiago teixeira, aqui sou um problema em ser negra e ainda querer falar de racismo rsrs

    • Rafaela Postado em 04/Jan/2014 às 12:11

      Ao menos lá eles são verdadeiros...

    • Vitor Postado em 09/Jan/2014 às 00:13

      É verdade

    • Vitor Postado em 09/Jan/2014 às 00:14

      Rússia precisa de uma nova revolução comunista... esses ideais burgueses de 'perfeição' só reforça a luta de classes que existe no mundo todo

  3. FRANCISCO ALVES Postado em 03/Jan/2014 às 12:21

    Vergonha senhores esse tal de padrão esperado por diretores de teatro, pela mídia, devem ser enviados para "PQP", que aceitamos as pessoas do jeito que são, o que importa é talento de cada um exemplo de sobra temos no Brasil se falarmos no esporte, na música etc..

    • nilson Postado em 12/Jan/2014 às 19:57

      Verdade, o talento das pessoas deveria falar muito mais alto, mas infelizmente é ofuscado por padrões de perfis!

  4. renato Postado em 03/Jan/2014 às 18:06

    Como a SOCIEDADE está cheia de porta-vozes!!!! Um mais louco que o outro, logo creio que nossa Sociedade e uma coisa alienada sem vida, amorfa. Mas continua cheia de bocas e dentes. E é com certeza branca, quase translucida, precisa de fator 1000, para sair as ruas.. realmente uma vampira com belos caninos... Mas no meu pescoço...Só se for morena ou negra e mulher.

  5. Billy Postado em 03/Jan/2014 às 20:10

    Nossa sou balarino e to passado com esse noticia se ela e negra. e tem capacidade pra ser uma boa bailarina ela tinha q esta ali mostrando o potencial dela. nem qro falar mais.

    • Thiago Teixeira Postado em 06/Jan/2014 às 18:23

      Não entendo de dança mas a bailarina aparenta ter desenvoltura, não é isso que importa? Sei lá eu ....

  6. Amanda Jeanini Postado em 03/Jan/2014 às 20:17

    As respostas dela mostram que realmente é necessário o talento e mais nada.

  7. Aline 17 Postado em 04/Jan/2014 às 00:00

    Não podemos condenar todos os brancos por conta de imbecis que levam o preconceito dentro de si, mas o ballet sempre é, foi e vai ser considerado preconceituoso não apenas por esse fator, a cor, mas por pedir muitas exigências físicas que nem todos tem e que apesar de gostar ter a dança dentro de si e querer seguir em frente essas montanhas empatam constantemente..

  8. André Pacheco Postado em 04/Jan/2014 às 02:30

    Racismo é foda! E isso não é diferente aqui no Brasil, é pior, pois é um racismo "velado", não se sabe de onde vem, e por isso se torna mais difícil o seu combate. Deprimente!

  9. Luisa Postado em 04/Jan/2014 às 09:28

    Palmas pra ela, que é forte o suficiente pra passar por cima disso tudo e conquistar a educação que almeja. O mundo é muito, muito sujo é tirar o melhor dele é um desafio constante.

  10. cristina Postado em 04/Jan/2014 às 12:02

    sem alardes ... a Russia tem o melhor ballet do mundo .o que não impede que a população seja restrita á ignorância ...o fato é que ela está lá aprendendo a técnica porque é exelente e tem potencial p isso .... li a matéria e tive a mesma reação da moça ... ri ..

  11. Edwiges Postado em 04/Jan/2014 às 12:42

    Como a cor da pele pode interferir em alguma coisa? Isso é um absurdo, a sociedade é decepcionante! A beleza está nas diferenças e não nesse padrão ridículo nos imposto guela abaixo. Não podemos nos calar diante de tal barbaridade!

  12. Raimundo Simões Postado em 04/Jan/2014 às 13:39

    Nós bailarinos e bailarinas negros não devemos desistir dos nossos sonhos por causa de uma doença que se instaurou no ser humano há séculos,temos que lutar por nossos direitos.O talento para qualquer tipo de dança e ou qualquer modalidade artística independe da cor.aliás qualquer tipo de preconceito é inaceitável no ser humano sobretudo onde se produz arte.....

  13. Luccas Castro Postado em 04/Jan/2014 às 13:54

    O próprio nome já diz tudo, Preciosa, muitos tentam nos limitar de fazer algo que somos feras por preconceito, mais quando gente é, não tem como mudar nossa raiz. Preciosa é a prova.

  14. Larissa Postado em 04/Jan/2014 às 15:07

    Uma conhecida minha foi aceita na academia de ballet, porém a diretora disse que ela deveria perder um pouco de bumbum porque o bumbum dela era muito grande pra uma bailarina. Ela simplesmente não quis, até porque como diminuir o bumbum de uma pessoa? Eles são terríveis, um padrão de beleza grotesco...

  15. Lianete Postado em 06/Jan/2014 às 02:37

    É uma pena pessos que se "diz" muito inteligente fazer um papelão desse, mas tiro meu chapéu para a bailarina Preciosa, ela merece tudo de bom, porque soube suportar tudo isso e sair vitoriosa, porque não virou as costas para suas raízes. Mas no final não importa qual a cor da sua pele, se é branca ,preta , amarela , etc... nem se você tem muito dinheiro ou é muito pobre , o que importa e que todos vão prestar conta a Deus de seus atos , aí eu quero vê muito choro e ranger de dentes, mas ainda tem tempo de se consertarem basta quer. Vai com essa força Preciosa, porque você é preciosa para Deus. A paz do Senhor!

  16. Jandyra Postado em 09/Jan/2014 às 09:26

    Ela fala em liberdade nos EEUU, mas o que se sabe de lá também é a condição de pobreza e exclusão de negras e negros. Acessem dados estatísticos. Li dia desses em Carta maior.

  17. eu meu nome corretamente Postado em 09/Jan/2014 às 09:37

    Forçando a barra. O balé foi criado por brancos, com temática branca, com música de brancos e para brancos. É como querer eleger uma globeleza branca. Qta besteira...

  18. celia Postado em 09/Jan/2014 às 11:40

    Ela ...em pleno sec..XXI, ainda tem que responder a essas pessoas medíocres,,ainda outro dia vimos o que Nelson Mandela...viveu.sofreu...superou e o mundo todo viu o que essa ALMA NOBRE.....ILUMINADA...fez pelo seu povo..........sem comentários..cada qual entenda como assim o achar...Tenho dito.São poucos tem a coragem de assumir tal posicão...e quem o FAZ...é reconhecido.......

  19. Rafa Postado em 09/Jan/2014 às 15:54

    Parabéns Preciosa, você tem meu respeito e admiração por aceitar o mundo como ele é sem curvar-se à ele e PRINCIPALMENTE SEM RENDER-SE AO VITIMISMO COITADISTA QUE ASSOLA O BRASIL.

  20. Vanessa Soares Postado em 12/Jan/2014 às 03:46

    o seu movimento, a sua dança, nunca dependerá da sua cor de pele. ela é forte e Jah guia sempre!

  21. clecio luiz Postado em 16/Jan/2014 às 09:16

    O valor das pessoas deveriam ser mensurados pela suas virtudes e nao pela cor da sua pele.

  22. eu daqui Postado em 20/Jan/2014 às 14:45

    Acho balé clássico feio, sem graça e massante. Parabéns a quem o suporta. Sou mais um bom samba.

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