Redação Pragmatismo
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Aborto 04/Dec/2013 às 12:54
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Mulheres fizeram 5 mil abortos após descriminalização no Uruguai

Uruguai completa 1 ano de descriminalização com 5 mil abortos registrados. Antes da descriminalização, mulheres chegaram a abortar 33 mil vezes em um único ano no país

Cerca de cinco mil abortos foram realizados no Uruguai desde a descriminalização, mas ainda há “dificuldades” para a interrupção da gravidez, de acordo com estimativas oficiais e estudos da organização Mulher e Saúde do Uruguai (MYSU).

Nesta terça-feira (03), completa-se um ano desde que entrou em vigor a nova lei que não legaliza tecnicamente o aborto, mas o descriminaliza sempre que seguidos os procedimentos regulados pelo Estado.

O governo anunciou recentemente que, nos primeiros meses de 2014, poderá ser divulgado o “número oficial” de abortos realizados em instituições médicas no primeiro ano de aplicação da lei. No entanto, o vice-ministro de Saúde Pública, Leonel Briozzo, estimou na segunda-feira (02) que “se mantém a tendência” do primeiro semestre da nova legislação.

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Em julho deste ano, Briozzo informou que foram registrados 2.550 abortos nos primeiros seis meses de descriminalização, com uma média de 456 mensais. Neste período, não foram registradas mortes maternas por interrupções da gravidez praticadas em situações de risco.

O vice-ministro de Saúde Pública destacou ainda que estes dados representam dez abortos a cada mil mulheres em idade reprodutiva. Isso contrasta com os mais de 40 a cada mil que se estima que foram realizados no país entre os 1995 e 2002, quando o aborto era ilegal e não existiam políticas educativas sobre sexualidade.

A diretora da MYSU, Lilián Abracinskas, disse que os abortos no Uruguai eram 16 mil anuais em 1.978 e houve uma “explosão” de até 33 mil em 2003 “em plena crise econômica”.

Se as autoridades estimam que, na atualidade, são 5.000 os abortos anuais no país, “há um incompatibilidade grande com os números históricos e terão que estudar os motivos”, assinalou.

A organização advertiu também sobre um “número significativo” de abortos que, “por diferentes razões seguem sendo realizados de forma clandestina”.

Com a aprovação da Lei de Interrupção Voluntária da Gravidez, se materializaram “progressos” na defesa dos direitos da mulher, mas, ao mesmo tempo, “existem dificuldades” para “poder concretizar” os abortos, acrescentou.

A solicitação da interrupção voluntária da gravidez pode ser feita até a 12ª semana de gestação. O período se amplia a 14 semanas em caso de estupro e não há restrições nos caso de má-formação do feto ou risco de vida para a mãe.

Antes, as pacientes devem passar por uma comissão formada por um ginecologista, um psicólogo e um assistente social. Entre outras ações, eles conversam sobre a possibilidade de concluir a gravidez e dar a criança para adoção.

Posteriormente, há cinco dias para a reflexão. Depois, se decidir por confirmar sua vontade, é feito o aborto que é farmacológico e seguindo os critérios recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

A diretora da MYSU destacou que “ainda há muita desinformação” entre as uruguaias sobre seus direitos e pediu às autoridades sanitárias “uma campanha ampla e clara” para que os conheçam.

Agência Efe

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Comentários

  1. Thiago Teixeira Postado em 04/Dec/2013 às 13:52

    A discussão do Aborto deve estar diretamente ligado a prevenção das DST além dos métodos contraceptivos. O fato do aborto estar legalizado, não significa que a pessoas possam "relaxar" nos cuidados. Não sei como anda esta questão no Uruguai e demais países legalizados.

  2. Lucas Postado em 04/Dec/2013 às 16:08

    Thiago Teixeira, ..veja uma vez que o número de abortos tenha diminuido de 33mil para 5mil só é possível por que as pessoas foram mais conscientizadas, ao liberar o aborto o tabu acaba e a discussão fica mais aberta...

  3. Cristina Postado em 04/Dec/2013 às 21:03

    Legalizar aborto não é solução para o problema, e sim a educação sexual, prevenção de doenças e gravidez indesejada, acho um absurdo dizer que a mulher ter direito a vida, enquanto está tirando a vida de uma pessoa indefesa, se não quer ter filho, existe inúmeros métodos contraceptivos, era nisso q o governo deveria investir.

  4. Venilson Postado em 04/Dec/2013 às 23:36

    Aborto não é resolução final aos problemas de saúde pública para mulheres, um país que discrimaliza o aborto diz para si mesmo que é incapaz de corrigir as falhas presentes no trato a saúde da gestante. Um médico abortista macula o Juramento de Hipócrates no dizente: "Mesmo instado, não darei droga mortífera nem a aconselharei; também não darei pessário abortivo às mulheres. Guardarei castidade e santidade na minha vida e na minha profissão". Aborto é uma medida extrema para relações sexuais irresponsáveis [não uso de métodos contraceptivos] e para crimes sexuais [estrupo, abuso de menores]; e também a camuflagem que os poderosos [governantes] encontraram para tentar exterminar a população pobre [trabalhadora] - aqui fica a lavagem cerebral feita nas masssas no sentido de destruí-las sem precisar guerras. Ser contra o Aborto é não "coisa de religioso", ser contra é reconhecer que o ser humano tem o direito de nascer (seja pobre, rico, branco, negro) e não cabe a ninguém decidir a hora da morte. Aborto crime contra a humanidade, aborto extinção da espécie humana.

  5. Rodolfo Postado em 05/Dec/2013 às 12:51

    Deixa ver se entendi... num período tão rápido o espírito de sabedoria baixou nos uruguaios, e as ESTIMATIVAS de 33 mil abortos clandestinos, se transformaram em 5 mil abortos legais?

  6. Leo Mendes Postado em 05/Dec/2013 às 15:41

    Os números oficiais dão conta de 5 mill, o que não significa que foram SOMENTE 5 mil. A matéria mesmo registra: A organização advertiu também sobre um “número significativo” de abortos que, “por diferentes razões seguem sendo realizados de forma clandestina”. A conscientização deve passar principalmente por planejamento familiar, para que o aborto não se torne uma ferramenta banal, que fere o corpo da mulher e tira vidas. Isso não é direito da mulher, é banalização da morte . . .

  7. Lu Aguiar Postado em 05/Dec/2013 às 22:35

    No dia em que pessoas deixarem de querer mandar no corpo de mulheres em nome de moralismo e religião, entenderem que isso é questão de saúde pública, milhares de mulheres irão deixar de morrer, milhares de crianças não desejadas e sem condições de vida digna não irão precisar vir ao mundo apenas para sofrer. Aborto nunca irá acontecer deliberadamente como muitos pensam, se legalizado, apenas mulheres não irão mais morrer por isso. Se você é contra o aborto, apenas não aborte, você é quem decide pelo seu corpo, e ninguém pode te obrigar a abortar. Se você é contra aborto, lembre-se que VOCÊ é quem é contra, e VOCÊ não fará o que não concorda, certo? Mas não queira decidir por outra mulher , o corpo não é seu, o sentimento não pertence a você, , a vida não é sua.

  8. Pereira Postado em 05/Feb/2014 às 17:18

    Tem gente que acredita nesses números ...e ainda assim se dizem "inteligentes"

  9. Elias Postado em 05/Feb/2014 às 23:34

    5000 assassinas, deveriam legalizar e depois prende-las