Redação Pragmatismo
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São Paulo 05/Dec/2013 às 17:22
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Jovem descontrolado que depredou prefeitura lamenta: "minha vida virou do avesso"

Após dia de fúria, jovem perdeu emprego e deixou faculdade. Pierre Ramon trabalha hoje como garçom num clube de striptease. Aquela foi a sua primeira e última participação em manifestações

pierre ramon ataque prefeitura sp
Pierre Ramon durante ataque à Prefeitura de São Paulo (Arquivo)

Em 18 de junho, o então estudante de arquitetura Pierre Ramon, 20, participou de sua primeira e, até agora, última manifestação.

“Fiquei contagiado pela força do pessoal que protestava contra a tarifa de ônibus e resolvi ir ao ato. Aquele era um momento histórico e eu queria fazer parte dele.”

Durante o protesto, no entanto, Ramon protagonizou, em cadeia nacional, cenas de depredação do edifício da Prefeitura de São Paulo (relembre aqui).

Atirou pedras contra o mármore da fachada e investiu uma grade metálica contra os vidros do prédio.

De camisa branca, calça jeans e máscara –que retirava vez por outra para “respirar melhor”–, Pierre recebeu um alerta ao se misturar novamente à massa de gente que ocupava o local. “Aí, velho, você ficou visado demais. Melhor cair fora.”

Ao entrar no metrô para voltar para casa, seu celular começou a apitar. “Meus amigos começaram a me mandar centenas de mensagens porque tinham me visto ao vivo na TV”, conta. “Disseram que o [apresentador] Marcelo Resende estava dizendo que eu era o líder dos ‘black blocs’ e que tinha botado fogo num carro. Congelei.”

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Sem dinheiro para estudar, Pierre Ramon trabalha como garçom em uma boate (Jorge Araujo/Folhapress)

Pierre diz que nunca tinha ouvido falar em ‘black blocs’ e que atacou a prefeitura porque recebeu “spray de pimenta na cara”. “Nunca fui de arrumar briga. Não sou um cara agressivo. Mas, no calor da hora, acabei tomando aquela atitude”, lamenta. “Desde então, estou perdido. Minha vida virou do avesso.”

Morador da zona leste, filho de um caminhoneiro, Pierre perdeu o emprego de garçom numa casa noturna do Itaim, bairro nobre da zona sul de São Paulo.

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Sem o salário e o horário flexível do emprego anterior, se viu obrigado a trancar o curso de arquitetura. “É tudo deprê. Sem trampo, sem dinheiro… Parece que vivi uns três anos de junho para cá.”

Pierre perdeu sete quilos, em parte porque parou de pagar a academia em que treinava jiu-jítsu e muay thai.

Após errar entre um bico e outro, em setembro conseguiu emprego como garçom de uma casa de striptease no Tatuapé, zona leste. A carga horária, no entanto, não permite retomar os estudos.

Para encarar tamanho revertério, desde junho, Pierre leu quatro vezes a obra “O Alquimista”, best-seller do escritor brasileiro Paulo Coelho. “É algo que faz com que eu me desligue do que está rolando comigo e que me traz um clima de paz.”

O livro narra a viagem de um pastor em busca de um tesouro, que descobre ser sua jornada o que há de mais valioso. “Tudo na vida serve de lição”, filosofa.

Quando se entregou à polícia, dois dias depois da manifestação, foi indiciado sob a acusação de dano ao patrimônio público, crime que, cometido contra o patrimônio público, tem pena prevista de até três anos de prisão.

Na delegacia, Pierre pediu desculpas ao Movimento Passe Livre, que havia convocado o ato do dia 18 de junho.
“Fui errado e estou disposto a arcar com as consequências e pagar centavo por centavo tudo o que fiz de dano.”

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Pierre Ramon no dia do ataque (Fabio Braga/Folhapress)

O caso está em fase de inquérito, segundo seu advogado, Gerson Bellani.

Apesar de todo o infortúnio que se seguiu a sua primeira e, até agora, última participação em uma manifestação, Pierre acredita que tenha se tornado uma espécie de ícone das chamadas jornadas de junho, para o bem ou para o mal.

“Mais de 3.000 pessoas me mandaram mensagens do Facebook. Só duas me xingavam”, conta. “Uns me chamavam para torcidas organizadas, outros elogiavam o quebra-quebra, depois a dignidade de ter assumido o que fiz e, por último, a coragem de ter pedido desculpas.”

Fernanda Mena, Folhapress

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Comentários

  1. Francisco Postado em 05/Dec/2013 às 18:38

    muito Paulo Coelho faz mal pra cabeça mesmo..

  2. Rafael Postado em 05/Dec/2013 às 19:10

    Tentou bancar o revolucionário depredando e não se deu conta de que um trabalhador simples - não o alvo dos protestos - é quem iria limpar a sujeira e repor os materiais estragados. Ao menos serviu de lição, parece.

  3. La Mano Negra Postado em 05/Dec/2013 às 19:26

    Tudo que existe é aprendizado, para o bem e para o mal.

  4. Thiago Teixeira Postado em 05/Dec/2013 às 19:34

    E tem muita gente que assiste estes programas sensacionalistas e acreditam no que estes Datenas e Resendes da vida falam. As imagens nunca são ao vivo, são repetições exaustivas até inventarem uma desgraça a ser repassada ao telespectador.

  5. José Ferreira Postado em 05/Dec/2013 às 22:19

    Se fodeu, bem feito...

  6. deoclecio Postado em 05/Dec/2013 às 23:45

    * Tudo passa e isto também passara ,e parece que isto tudo lhe deu uma humanizada. vida que segue *

  7. fabio Postado em 06/Dec/2013 às 02:15

    no fim não era a direita extrema e tresloucada infiltrada?

    • Carlos Postado em 06/Dec/2013 às 10:19

      No fim não eram os comunistas???

  8. Carlos Postado em 06/Dec/2013 às 10:18

    Depois de todo esse revertério na vida dele,ele ainda se orgulha dizendo "acredita que tenha se tornado uma espécie de ícone das chamadas jornadas de junho". Tem que perder o emprego mesmo.É pouco!!!

  9. Rafael Lopes Postado em 06/Dec/2013 às 13:07

    Parabéns pragmatismo político por imbuir preconceito no título da notícia contra a profissão de garçom. Moralismo barato.

  10. luiz carlos ubaldo Postado em 06/Dec/2013 às 13:55

    Torço para que vc tenha aprendido com o seu erro!

  11. Anderson Postado em 06/Dec/2013 às 17:53

    Qual o sentido desta reportagem?O cara quis se aparecer, apareceu, pague pelo ato, queria uma medalha será.

  12. renato Postado em 06/Dec/2013 às 23:10

    Convidaram ele para a parada GAY..mas de tres mil, só dois não positivaram????????????? vai sair de marreta cibernética.... esta cobrando mais caro para desfilar. Gente, como ele estragaram as manifestações... Não tem perdão, quando for pedir emprego, o empregador tem que saber quem é. Em respeito a sociedade.

  13. pedro Postado em 06/Dec/2013 às 23:43

    Mandou bem, um ato de heroísmo pelo qual o parabenizo. Se todos agisse dessa forma rapidamente conseguiríamos extirpar das forças políticas o que é de direito do povo. Homem político na essência, homem forte. Diferente disso, um grego chamaria de idiota e um romano de efeminado, ou orientalizado

  14. Lucia Postado em 09/Dec/2013 às 10:08

    Se ele estivesse "bem na fita", se fosse considerado "um orgulho" nas manifestações, alguém da Casa Grande já teria lhe dado uma bolsa de estudos, academia de graça e um emprego com carteira assinada e salário de fazer inveja. É isso que dá não saber onde está se metendo. Cobre dos chefes dos BB`s o seu infortúnio, ou ......!

  15. Gabriel Postado em 09/Dec/2013 às 16:49

    me lembro muito bem que este site veiculou uma matéria onde o autor exigia que "o cara de branco" fosse identificado. o autor entrou na onda da mídia vendida. lamentável.