Redação Pragmatismo
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Racismo não 20/Nov/2013 às 15:55
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Racismo: Como é ser 1 em cada 10

A exceção, da exceção... da exceção. Quando a cor da pele ainda faz com que o buraco seja sempre mais embaixo (...)

Por Maíra Souza*

Em 2010, tive a oportunidade de conhecer Paris. Numa tarde durante a minha primeira semana lá, estava esperando o ônibus no ponto de um bairro nobre da cidade. Um homem se aproximou de mim e começou a puxar assunto. Ele perguntou de qual país eu era, o que fazia em Paris, e como eu havia aprendido francês. Meio seca, disse que estudei o idioma durante alguns anos no Brasil, e que estava em Paris para um intercambio acadêmico na Sciences Po. Ele respondeu: então você não sabe sambar?

Fiquei sem reação. Milhares de respostas passaram pela minha cabeça, milhares MESMO. Porém, optei pelo silêncio acompanhado da cara feia de reprovação. Felizmente, o ônibus chegou e foi o cenário de uma das reflexões mais importantes que tive na vida. Durante os minutos daquela viagem, refleti sobre quem eu era, o que eu significava e o que eu representava, preparando-me para quantas vezes mais teria que ouvir aquela pergunta durante o intercâmbio. Quantas mulheres do mesmo porte físico que eu estavam vivendo em situações completamente opostas – e não por serem brasileiras, mas por serem negras?

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Sim, eu sei sambar, assim como sei ler, escrever e pensar. Igualmente sei da responsabilidade que, ainda inconsciente, carrego: a responsabilidade de ser uma exceção. Sou aquele “01 a cada 10″ das melhores escolas, das melhores universidades, dos cursos de idiomas. Sou o “01 em cada 10″ dos hospitais particulares. Sou o “01 em cada 10″ do público consumidor de acima de 3 salários mínimos. Sou o “01 em cada 10″ que nunca foi abordado pela polícia.

Do berçário até o fim da faculdade, eu era uma das poucas – ou se não a única- negra da sala de aula. Os meus amigos, em sua grande maioria, são brancos, afinal, compartilhamos da mesma realidade socioeconômica, frequentamos os mesmos lugares e temos os mesmos acessos ao lazer e a cultura. A minha realidade é uma exceção porque a cor da minha pele nunca me impediu de nada, assim como tenho nenhuma recordação de ter sofrido racismo. Simplesmente porque o dinheiro nos torna transparentes.

A diferença era mais berrante quando eu era criança. Cheguei a pensar diversas vezes que as minhas amigas eram mais bonitas do que eu, e que, consequentemente, atraiam mais a atenção dos garotos que eu gostava. Ué, não era a Barbie quem conquistava o Ken?! Eram as protagonistas brancas das novelas que tinham o seu final feliz com o mocinho. Ou seja, eu queria o cabelo das minhas bonecas, e sonhava com um Ken pra chamar de meu no final feliz da minha própria história. Mas a moça negra dos filmes e das novelas era das duas, uma: ou a empregada, ou a pobre.

Conforme fui crescendo, deixei tudo isso pra lá e percebi que a beleza se dá de inúmeras formas. O que passou a incomodar mesmo eram outras coisas como, por exemplo, a pejoratividade implícita no termo “neguinha”- ao contrário de “branquinha”, que não tem uma conotação negativa. Da mesma forma , os homens que me “””””””””elogiam””””””””” ” na rua se referem a mim como morena, demonstrando o eufemismo existente nas palavras morena/moreninha/morena de pele, numa tentativa de não “ofender” o afrodescendente.

Não, não ofende. O que ofende é uma sociedade que insiste em ignorar a herança histórica do Brasil escravocrata. O que ofende mesmo é esquecer que a Lei Áurea não trouxe a liberdade em seu sentido pleno, pois os ancestrais de grande parcela da população negra continuaram sem receber nada pela sua força de trabalho, restando-lhes as beiradas da sociedade como moradia. Seus filhos, seus netos, seus bisnetos e seus tataranetos continuam ali, às margens: nas periferias, nos subempregos, nas favelas, nos orfanatos, nas prisões.

Gostaria de deixar claro que estou me referindo a uma maioria comprovada por estatísticas e por análises a olho nu, e não generalizando a imagem que todo negro é pobre e de que todo pobre é bandido. Mas sim, reafirmando que a cor da pele ainda faz com que o buraco seja sempre mais embaixo.

Se, hoje, eu me considero uma exceção, é porque meus pais foram uma exceção, porque meus avós foram uma exceção, porque meus bisavós foram uma exceção. Minha família se construiu no “01 a cada 10″. Mas meus tataravós não. Eles foram reféns de sua própria condição de existência, tiveram sua cidadania, cultura e religião reduzidas. Em 1800 e pouco, não havia a opção de traçar o próprio caminho, não existia auxilio do governo, não existia cotas.

Quanto a mim, continuarei sendo uma exceção até as minhas próximas gerações não o serem; até a maior parte da população carcerária não ter o mesmo tom de pele que o meu; até os hospitais, escolas particulares, universidades, shoppings Iguatemis, e tantos outros espaços privados da elite brasileira estiverem tão definidos por um só tom. E se eu e a minha família somos exceções, é porque a regra existe. E a regra está muito clara na nossa sociedade, basta perguntar para a família dos milhares de Amarildos.

Maíra Souza é graduada em Relações Internacionais pela PUC-SP, Analista de Energias Renováveis e colunista do blog Esparrela. Colaborou para Pragmatismo Politico.

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Comentários

  1. renato Postado em 20/Nov/2013 às 16:53

    Minha mãe, hoje disse, ao saber de histórias de diferença de raças, que não entendia porque Deus fez homens diferentes. Fiquei indignado com minha " vai idosa ", e perguntei qual cor ela queria que Deus fisesse os homens, ela olhou para si e disse: Branco oras! Não foi racismo, e explico, o fato de ela dizer Branco estampava a repudia que os brancos tem para com o Negro, que ela não admite. E achando que se todos fossem Brancos, acabaria com esta tragédia Grega.... Eu ainda perguntei: e se fossem todos negros, e ela assim: dai eu queria ver...

    • José Carlos Postado em 21/Nov/2013 às 17:28

      Antes de qualquer discussão sobre raça,cor e etc..no Brasil temos que considerar algumas questões : 1-O Brasil é um país de maioria negra e mestiça.todos os brasileiros têm sangue africano independente da cor da pele-Chico Buarque é branco ? FHC é branco ? Caetano Veloso é branco ? Machado de Assis era branco ? Camila Pitanga é branca ? a familia Marinho(Rede Globo) é branca ? então no Brasil todos nós temos sangue negro,indio, e branco.Jesus Cristo era branco ?(na região onde ele nasceu pouco provável,a imagem que temos foi criada pela Igreja Católica).Em fim: está provado cientificamente que o primeiro homem do planeta terra nasceu na África.Temos sempre que desmascarar o racismo,a intolerância e o preconceito,principalmente no Brasil,um povo mestiço, e essa mistura que nos faz um dos povos mais bonitos do mundo.O racismo é com certeza um dos motivos do nosso atraso(trezentos anos de escravdão).A maioria do povo(negros e mestiços) não tem acesso a saúde, a educação, a segurança, ao trabalho, aum salário digno e moradia.Um absurdo que sempre devemos combater.

    • Luciano Postado em 03/Dec/2013 às 19:07

      Se todas as pessoas fossem da mesma cor haveria preconceito do mesmo jeito por motivo de peso, altura, situação financeira etc etc etc.

  2. Thiago Teixeira Postado em 20/Nov/2013 às 16:53

    Maíra, não tiro a sua razão mas eu pergunto: Porque a mulher negra da classe alta, aquela 01 de 10, decide virar branca por dentro? A primeira coisa que fazem é arrumar um namorado branco. Segundo, só arruma amigas brancas. Terceiro, viajam para a Europa achando que serão tratadas como branca. Se estivesse em Dakar no Senegal, seria bem tratada. Depois que conheci alguns países africanos e o jeito que fui tratado, passei a ter nojo de Europa, Brasil (país onde nasci e toda vez fico de cueca na sala da PF em Cumbica) e EUA.

    • Guilher,e Postado em 21/Nov/2013 às 01:38

      Por que ser/agir como branco ainda é visto como melhor do que ser/agir como negro, e é isso mesmo que a Maíra propos no texto. Ela é uma exceção, nao por ser apenas 01 entre 10, mas por nao acreditar nessa separação subjetiva culturalmente construida entre branco e negro

      • Beth Raposo Postado em 21/Nov/2013 às 18:03

        Ela não propôs que é melhor agir como branco, porque: Por acaso existe agir de brancos e negros? Qualquer ser humano desde que tenha inteligência, competência e oportunidade pode e deve estudar nas melhores escolas, universidades e evoluir profissionalmente... O que ela quis foi mostrar como o racismo está presente nos estereótipos que as pessoas têm dos negros como você, Guilherme, ao dizer que ela age como brancos. Não que você seja racista, mas essa visão de que os negros são pobres, bandidos, sambistas foi tão bem construída culturamente durante todos esses séculos de escravidão que nem percebem. Segundo a sua própria afirmação de que ela age como brancos, sem querer, você quis dizer que não há negros inteligentes, cultos, universitários, de classe média alta ou alta, bilíngue, que viaja para a Europa ou etc... De certo, não devem ser muitos a julgar pela trágica sociedade escravocrata eurocêntrica que perdura em nossa cultura, infelizmente, porém existem. E são pessoas querendo evoluir, não parecer o que não são. E qual o problema de quando a mulher alisa o cabelo, se assim ela o quer? Ou arranja um namorado branco? Primeiramente, mulheres (e até homens, hoje em dia) estão sempre mudando alguma coisa. Não existem cores, texturas, comprimentos de cabelos verdadeiros nelas, sejam brancas, morenas, negras. E, diga-se de passagem, nem bundas e peitos verdadeiros... Segundamente... Quem é branco? Vai estudar a sua herança genética e aquele que parecia alemão vai encontrar genes dos seus ancestrais negros e indígenas. Convenhamos... Amor não vê cor, corpo, sexo, amor é um encontro de almas.

    • Franklin Weise Postado em 21/Nov/2013 às 11:39

      Acho que a Maíra mesmo responde à tua pergunta: é porque, infelizmente, não há negras na mesma realidade socioeconômica que ela.

    • Vanessa Postado em 21/Nov/2013 às 11:59

      Colega Thiago, achei seu comentário muito pretensioso. Não quero que você entenda este comentário como uma ofensa para si, mas como uma crítica ao seu comentário. Eu discordo completamente de "mulher negra de classe alta decide virar branca por dentro". Se estudarmos, mesmo que superficialmente, como se desenvolvem as relações sociais humanas, percebemos que as pessoas têm a tendência de interagirem com pessoas de seu mesmo "padrão". Uso aspas, pois, o que poderia ser condicionado por um padrão biológico foi modificado a seguir um padrão social, um padrão plástico, inventado. A crítica está, exatamente, no fato de que há muito mais pessoas brancas fora dessa classe pobre e desfavorecida do que negras (e isso não é novidade para ninguém!). Mas as interações sociais dessa moça que escreveu o artigo - os lugares que frequenta, os namorados que tem, o padrão de vida que segue - está associado exclusivamente aos RECURSOS que ela tem disponíveis, e não à cor de sua pele. E é EXATAMENTE isso que o texto trata, o fato de ela ser esmagadora minoria nesse meio em que vive. Portanto, quando você diz "uma negra virar branca por dentro", (talvez sem querer), você está dizendo que somente as pessoas brancas têm direito de desfrutar desse tipo de vida que essa moça tem. Isso é considerado racismo numa sociedade em que as regras do bem viver são ditadas por quem tem recursos para tal, e não pela etnia a que pertence. Sou ruiva, tenho olhos azuis, "branquela" e pobre. Não sofro o mesmo preconceito da moça do texto. Mas também não sou aceita nos grupos "coxinhas", os de shoppings Iguatemi Brasil afora, nem nunca viajei para o exterior. Isso não me faz "negra" por dentro, porque essa é uma comparação tola. É certo que, para que se diga que uma sociedade esteja começando a se livrar do preconceito, essa associação "cor da pele nível social/econômico" seja desfeita.

      • Sílvio Postado em 21/Nov/2013 às 12:26

        Obrigado pelas palavras Vanessa! Nada mais a declarar. Pôs no colo e deu mamadeira pro Tiago!

      • Aline Postado em 21/Nov/2013 às 13:40

        Vanessa, obrigada pelas suas palavras. Já deu o que tinha que dar pensamentos como o do nosso "apóstolo", de que se você é verde deverá sempre se relacionar com pessoas verdes e por aí vai... e a segregação continua. Vivo pela diversidade de tons, de gostos, de sabores. Respeito é bom e conserva o Planeta!

      • Thaís Postado em 21/Nov/2013 às 14:02

        Excelente resposta, Vanessa. Me sinto contemplada.

      • Guilherme Postado em 21/Nov/2013 às 14:11

        Aplausos!!

      • Flávia Postado em 21/Nov/2013 às 14:14

        Perfeito, Vanessa! Obrigada!

      • Paula Postado em 21/Nov/2013 às 14:17

        Totalmente de acordo com a Vanessa. Eu também sou “01 a cada 10″ como no texto acima. O Comentario deThiago foi demasiado equivocado. Nunca decidi nem virei branca por dentro. Não reneguei minhas origens em nenhum momento, como outras que são como eu não o fizeram. Mas como a Vanessa disse, o padrão de vida que tenho é diferente ( infelizmente) de muitos que tem a minha cor. Tenho amigas brancas sim que vieram em maioria dos ambientes em que vivo : colégios e faculdades particulares , onde é muito inferior o nivel de pessoas negras. SEr amiga de pessoas brancas ou namorar um rapaz branco por questão de afinidades faz que eu vire branca por dentro? Não quero ser tratada como branca, mas como uma igual. Quero ver pessoas de cor sendo tratadas com igualdade. Pelo comentario do Thiago dá a entender que eu devo me relacionar apenas com pessoas negras iguais a mim. Que eu devo aceitar ser tratada diferente. O que ele diz em seu discurso é que eu deveria aceitar uma segregação racial. O fato de eu agir de acordo com meu padrão social significa que to virando branca por dentro? Isso foi muito preconceituoso e de tom presunçoso. Foi exatamente igual a pergunta que levou a Maíra escrever o texto. Só por que sou negra tenho que aceitar ou agir com esteriótipos? Só porque sou negra sou obrigada a me relacionar só com pessoas da minha cor ? Eu gosto de pessoas da minha cor, me interesso por pessoas da minha cor, mas estou no parâmetro de que todos somos iguais, sem segregações de forma de agir, relacionar e se vestir perante a cor da pele

      • Patrícia Postado em 21/Nov/2013 às 14:35

        Parabéns Vanessa! Você disse toda a "verdade". Me senti compreendida...

      • Kathlein Postado em 21/Nov/2013 às 15:43

        Excelente comentário!

      • Lili Postado em 21/Nov/2013 às 17:04

        Lindo, Vanessa. Conheço muitos Thiagos Teixeiras que precisam urgentemente tanto do texto da Maíra quanto da sua resposta.

      • Fábio M Valente Postado em 21/Nov/2013 às 17:26

        clap-clap-clap... nem lendo tem gente que entende o assunto e comenta exatamente o oposto que o texto propõe... obrigado pela contribuição Vanessa!

      • Thiago Teixeira Postado em 22/Nov/2013 às 14:49

        Vanessa, respeito seu ponte de vista, não há o que contestar nos seus argumentos, mas você não entendeu o que escrevi, principalmente os modinhas que aplaudem qualquer comentário contra o meu. Não disse que cada pessoa deve andar com a sua raça, pois ninguém é passarinho. Quis dizer que para "algumas" mulheres negras, ter status é agir como branca, e no meio do caminho acabam sendo constrangidas e eu acho isso bem feito. Sou negro, de classe média, frequento também a alta sociedade, estudei numa das maiores universidades do país e convivi com inúmeras "01 a cada 10", e todas eram iguais (brancas por dentro). Recusavam-se a fazer amizades com negros (nem olhavam na cara, um nojo total), todas se matavam para fazer intercâmbio na Europa, e da mesma forma que escreveu "RECURSOS que ela tem disponíveis", dentro do "disponível" do alto padrão de vida também há pessoas negras e países com escolas conceituadas que se pode estudar sem ser de origem europeia. Não importa a classe social, elas sempre estavam com coxinhas de sobrenome italiano. Da mesma forma que criticam os homens negros bem sucedidos que casam com loiras (jogadores de futebol, por exemplo), mulheres negras com ascensão social fazem o mesmo e com todo direito, pois as pessoas são livres. Quando li este post, imediatamente veio na minha mente "as estrelinhas" que conheci: umas PAULAs na vida. E tem mais Vanessa, todas as minhas ex-namoradas eram brancas pobres, nunca fiquei com uma negra e hoje sou casado com uma moça de origem indígena, pois no meu “RECURSOS disponíveis”, não há chances com as "01 a cada 10".

    • Heroshi Okano Postado em 21/Nov/2013 às 13:43

      Pois bem! Foi o que eu entendi: Poque uma mulher, afrodescendente, classe alta, 01 de 10, se sentiu hostilizada só porque li foi perguntado sobre o seu conhecimento CULTURAL?!?!?! Carnaval, futebol, SAMBAR, não fazem parte da nossa cultura? Pois bem, lá fora é essa a imagem que o "gringo" tem sobre o nosso país! Quando descobrem que se trata de um brasileiro eles logo emedam a celebre frase, "BRAZIL, CARNAVAL, FUTEBOL, SAMBA!!!", O preconceito tá na cabeça de quem é preconceituoso! O preconceito está na cabeça, meus queridos! Amadureçam, somos todos iguais, somos HUMANOS!

      • Joel Postado em 21/Nov/2013 às 19:50

        A negação da existência de preconceito é uma das piores formas de preconceito que existem.

  3. Juniperos Postado em 20/Nov/2013 às 16:56

    Sem duvida a segregação racial é uma das muitas manchas que possuímos nesta sociedade, e mesmo para o maior defensor anti-racista, surgem problemas complexos: A historia do negro no Brasil, desde a escravidão, aos dias atuais, fato porcamente explorado por novelas que nem deveriam tentar fazer algo sobre o assunto, pois não importa o que se faça, jamais poderão expor o que realmente se passou, por tão terrível e violento que foi. Penso que se não se pode mostrar a verdade, devido a censura, então não se deve mostrar uma mentira para ganhar ibope, pois muitas pessoas, arredias a informação e cultura, acham que isso é a verdade. Também passamos pela triste experiência da demonização de cultos afro, criada por um ódio quase irracional ministrado por lideres religiosos em todo o pais. O negro cristão, (lembrando que foram trazidos da Africa, logo possuem um legado cultural africano, de grande volume e intensidade digno de orgulho e estudo) é totalmente alheio a cultura raiz do continente Africano, e dele nada se fala nas escolas, mas sim em muitos templos, como algo vergonhoso e demoníaco. Há negros se sentem incomodados com a ligação das palavras negro-Africa, crendo em decorrência da nossa atual pobre educação que o negro brasileiro teria surgido por aqui, magicamente. Neste exato momento uma emissora se prepara com belíssimas negras, mulatas e pardas para a escolha de sua garota propaganda das vinhetas. Esta em geral é a preocupação da mídia: como usar o negro como produto, e como vender seu estereotipo enlatado? Talvez seja esse o nosso problema: o que é a cultura brasileira atual? Por que se escondem negros em tantas revistas, a ponto de haver necessidade de criação de uma exclusiva? E as crianças? Temos uma grande quantidade de orientais nos nosso queridos personagens da “Turma da Mônica”, mas em anos sequer surgiu uma menina negra no bairro do limoeiro, o que contraria a estatística de 40 a 60% de negros do pais. Fora dos quadrinhos se vê casais mesclados, branca-negro, branco-negra, e os que são certamente já ouviram comentários desagradáveis ao menos uma vez na vida. Aos pequenos, quando posso, ensino-lhes a união além da pele, mas isso ainda é pouco. Ainda hoje, temos pequenos em seus lares sendo educados a odiar e separar as pessoas por raças.

  4. Ana Spinozza Postado em 21/Nov/2013 às 08:56

    Falar que uma mulher negra está querendo virar branca foge do seu sentido lógico no começo. Como posso virar branca se sou negra e como posso virar negra se sou branca? Porque criar um falso senso de personalidade? Agimos como a sociedade que vivemos age. A cor muda, sim, mas o que uma mulher negra faz? Samba? Deixa os cabelos encaracolados? Fala alto e ouve pagode? Ja vi muita mulher branca fazendo isso em sua essência. Agimos de acordo com o que vemos ao nosso redor. Nao podemos falar "você é negra mas age como branca" se as ações sempre estiveram ai. Sou branca de pele mas sou filha de um homem negro e uma mulher italiana, também acho que sou 1 a cada 10 já que vivo bem de vida, porém, quando era criança, vivia desconforto de ouvir "você é branca mas é filha de negro?". Até mesmo o fato de ser chamada de sarará me incomodava. O fato de eu sou negra a ver as pessoas rindo e dizendo que nem ao menos sei sambar. Estereótipos estão ai, nao só com negros mas como outras etnias, o problema é viver sendo aquele que é a minoria e ainda ser jogado na sua cara que os negros só sofreram no passado como se tudo estivesse muito fresco para se mencionar.

    • Franklin Weise Postado em 21/Nov/2013 às 11:44

      Ana, entendo totalmente teu incômodo. Por quê alguém é obrigado a viver a cultura de seus antepassados? O mundo atual permite que sejamos multiculturais e escolhamos os fragmentos de cada cultura que mais apreciamos para nossa própria vida. Lembrei agora do Paul Simon, muito elogiado pelo seu álbum Graceland (com fortes influências africanas), mas quando um artista negro decide enveredar por um gênero tradicionalmente dominado por brancos, ele tende a ser desqualificado. É injusto, não?

  5. brasilmestiço Postado em 21/Nov/2013 às 09:17

    o brasil já não é um pais de raças divididas, mas sim um pais de mestiços com variação de cores onde aqueles que tem pele um pouco mais clara se acha branco, e se torna um racista contra a própria raça. o brasil tem 500 anos de historia de escravidão e miscigenação, é quase impossível se encontrar um branco de puro sangue europeu, ou um negro de puro sangue africano, ou seja todos estão entrelaçados, os problemas vão continuar porque a situação foi gerada por 5 séculos, por pessoas com ideais primitivas que nos deram de herança, em forma de cultura negativa, de corrupção, de inveja, de egoísmo ETC...

    • Heroshi Okano Postado em 21/Nov/2013 às 13:19

      Isso mesmo! Finalmente alguém sensato por aqui..

  6. Victoria Postado em 21/Nov/2013 às 09:36

    Thiago, o que ela deveria fazer então para continuar "branca por dentro"? Se mudar para a periferia? Trabalhar em subempregos? Virar atriz de novela e fazer sempre o papel de escrava ou empregada? Relacionar-se sempre com pessoas negras? Nunca ir à Europa? Francamente, seu comentário é digno daquele ridículo "Eu não sou racista, mas..."

    • Franklin Weise Postado em 21/Nov/2013 às 11:46

      Victoria, você disse tudo. Considerando o significado da palavra, o comentário do Thiago é BEM racista...

      • Thiago Teixeira Postado em 22/Nov/2013 às 14:57

        O meu comentário é racista ... A senhora Victória deu um show de discriminação como se relacionar com negros fosse deixar de ser da classe alta. Conheço muitos negros bem sucedidos, empresários, que continuam frequentando churrascos nas lajes das periferias, viajam para Dubai, África do Sul, Singapura como se estivessem indo até a esquina, e não são paga pau de Europeu.

  7. Luciana Postado em 21/Nov/2013 às 11:41

    So tenho uma opiniao contraria ao seu textos: Eu sou branca, moro na europa e todo mundo que me conhece e sabe que eu sou brasileira também me pegunta se eu sei sambar. Isso acontece com as mulheres brasileiras no mundo todo. Negras ou nao. Infelizmente

    • Guilherme Postado em 21/Nov/2013 às 17:25

      É a mesma crítica que eu faria ao texto. Estou buscando entender o porquê de o ser visto como alguém que sabe sambar desencadeou essa reação da autora. O samba é algo da cultura brasileira, exportada ao mundo e não exclusivo da população negra do Brasil. A maior parte das brasileiras no exterior passa pela mesma situação relatada, mas não sei se a reação é tão ruim quanto a da autora. Acho que ela precisa tentar aprender a separar mais as coisas, a pergunta poderia ser considerada xenófoba? Talvez, dependendo do tom com que foi dita, mas pensar como uma pergunta racista é se colocar sempre em uma posição inferior em função da cor da pele, obviamente que isso é completamente plausível, visto que o racismo é velado e a autora já deve ter sentido isso muito, das formas mais escrotas possíveis. De qualquer forma, muito bom o texto, mostra um outro lado da realidade.

  8. vanise Postado em 21/Nov/2013 às 11:52

    Ótimo texto esta foi exatamente a minha sensação ao começar a pós graduação. Sempre a única." E se eu e a minha família somos exceções, é porque a regra existe"

  9. Cristina Postado em 21/Nov/2013 às 12:29

    Sou professora universitária, casada, mãe de dois filhos, loira, branca e bonita. Quando estive na Inglaterra fazendo o doutorado e souberam que eu era brasileira, ouvi insinuações sobre o samba, que mulheres brasileiras são muito "brincalhonas", como "alguém como eu" podia ficar na Europa desacompanhada, e que brasileiras eram muito "interessantes". Percebia claramente o preconceito por conta das inúmeras prostitutas que saem do Brasil para fazer programa na Europa. Aprendi rapidinho a fechar a boca, evitar falar com desconhecidos e deixar que minha aparência física os enganasse. Enfim, o problema não é ser negra - o problema é ser brasileira.

    • anna Postado em 21/Nov/2013 às 13:38

      concordo plenamente, pois já tive a mesma experiência na Europa, e não sou negra

    • anna bibi Postado em 21/Nov/2013 às 13:42

      Um dos principais motivos pelo qual esse senhor se aproximou dela em Paris para perguntar se ela samba (obviamente por interesse em "sexo exótico", já que em Paris as pessoas não costumam puxar assunto nas ruas) é o fato de que, em qualquer restaurante brasileiro na França, e talvez em toda a Europa, e talvez em todo o mundo, sempre brota uma negra brasileira pelada de repente, rebolando entre as mesas. Eu já testemunhei uma cena assim jantando com amigos em um restaurante brasileiro na França. E o pior é que nevava. Estava realmente muito frio. E a mulher pelada, rebolando ao som de É o tchan. O que pensar em um caso desses?

  10. Vani Postado em 21/Nov/2013 às 12:32

    Só não entendi a parte de olhar de cara feia pro coitado do Francês que provavelmente a única coisa que sabe do Brasil é o que vê do carnaval. Ele "esteriotipou", não vi como "racismo" propriamente dito, não acho que deva se sentir ofendida por algo tão pequeno. Do mesmo jeito que se ele visse um alemão, provavelmente perguntaria "gosta de uma cerveja, hein ?!" ou se visse um Russo, perguntaria "Quantas vodkas tomou hoje?" Viu uma negra do Brasil ? é óbvio que ele vai perguntar a única coisa que é de conhecimento mundial referente ao nosso país: Samba.

  11. Bibi Postado em 21/Nov/2013 às 12:40

    Um dos principais motivos pelo qual esse senhor se aproximou dela em Paris para perguntar se ela samba (obviamente por interesse em "sexo exótico", já que em Paris as pessoas não costumam puxar assunto nas ruas) é o fato de que, em qualquer restaurante brasileiro na França, e talvez em toda a Europa, e talvez em todo o mundo, sempre brota uma negra pelada de repente, rebolando entre as mesas. Eu já testemunhei uma cena assim jantando com amigos em um restaurante brasileiro na França. E o pior é que nevava. Estava realmente muito frio. E a mulher pelada, rebolando ao som de É o tchan. O que pensar em um caso desses?

  12. Marianne Postado em 21/Nov/2013 às 12:43

    Belo texto. Mas o que a Luciana disse também se aplica para mim. Sou branca e já fui interpelada no exterior, milhares de vezes, ao saberem que sou brasileira, sobre minha capacidade de sambar. Como não o sei, decepciono os estrangeiros ao responder isso. Aliás, uma vez, ao dizer que não sabia sambar a uma professora BRASILEIRA de dança no exterior, fui surpreendida com isto: "Mas toda brasileira TEM de saber sambar!". Sinto que, de maneira geral, na Europa e nos Estados Unidos, há menos racismo e mais oportunidades para os negros do que no Brasil. Estou estudando cinema em Los Angeles e tenho, aqui, mais professores e colegas negros do que tive em todos os anos de estudo no país em que nasci e cresci (incluindo a faculdade). Além disso, vejo muitos profissionais negros bem sucedidos por aqui, inclusive na área de cinema e TV (cito esta, em particular, por ser a que vivo diariamente aqui). Infelizmente, no Brasil, não conheço muitos nessa mesma situação. Por fim, apesar dos pesares, vejo que aqui, na televisão mesmo, há muitos atores negros, especialmente em comerciais. E, ao contrário do Brasil, em propagandas de diversos segmentos, das mais diferentes marcas -- e constantemente penso que, aí, seriam brancos fazendo esses papéis, pois é descarada a diferença entre a quantidade de atores brancos e a de negros nos materiais publicitários brasileiros. Isso tudo, sem contar grandes ídolos da música americana, verdadeiros gênios em sua área. Nomes como Ray Charles, Jimmy Hendrix e Stevie Wonder (um dos meus maiores ídolos, inclusive) são venerados aqui, por brancos, negros e outros tantos -- por seres humanos, enfim. Afinal, somos todos uma raça só, com talentos e capacidades inerentes à nossa condição.

    • José Carlos Postado em 21/Nov/2013 às 19:01

      Mariane,são esteriótipos criados aqui dentro do Brasil e exportados para o exteror.Sou negro e não sei sambar.Conheço amigos negros que não sabem jogar futebol.Sou carioca(da gema) e evito usar girias.Temos mazelas históricas que criaram estes esterótipos.Um exemplo atual: o concurso Globeleza deveria ser aberto a qualquer pessoa,ndependente da cor, conheço meninas brancas que sambam muito bem no entanto o concurso é somente para as mulatas(sub-entende-se negras bonitas)nós criamos as nossas dificuldades,nossos preconceitos,nossos racismos.Nos nascemos com capacidades,talentos e etc....mas no Brasil, um grande grupo social não tem oportunidades(negros e mestiços),que são a maioria da população.

      • Marianne Postado em 22/Nov/2013 às 07:52

        José Carlos, concordo com você e, de fato, vejo que esse grupo não tem as oportunidades que deveria ter! É por isso mesmo que eu fico tão triste quando comparo o que vejo aqui com o que noto aí. Não estou dizendo que não exista racismo nos EUA (é claro que há, e como, muito infelizmente!), mas, de todo coração, acho maravilhoso conviver diariamente, há apenas dois meses, com tantos negros aqui -- quando, no Brasil, como já disse, tive pouquíssimos colegas negros (e um só professor!) em meus 30 anos de estudos. Falo muito de cinema e música porque essas são minhas paixões e tenho um enorme respeito por quem faz isso com talento e alma. A questão de saber sambar, citei apenas para não reduzir a questão, deixando claro que isso é um estereótipo da mulher brasileira, em geral, no exterior (com exceção da professora de que falei, nunca decepcionei nenhum brasileiro por não saber sambar). E, embora algumas pessoas, com agressividade, digam que esse estereótipo não é ofensivo, creio que tenhamos o direito, sim, de nos sentir ofendidos -- o que não significa que vamos, necessariamente, nos sentir ofendidos; cada pessoa responde a isso de uma forma, pois, afinal, somos diversos psicologicamente. Gosto de samba, acho lindo ver as pessoas sambando, mas sou descoordenada demais para fazer isso bem (é apenas um fato). Agora, esse aspecto, de maneira nenhuma, anula a questão de que negros são, sim, minoria na TV brasileira, por exemplo, e nos bancos escolares de tantas instituições de ensino. Isso tem de mudar, e logo, pois é vergonhoso! Espero não ofender ninguém com minhas colocações. O que escrevo é o que sinto, mas não sou perfeita nem dona da verdade. E, só pra constar, depois que escrevi o primeiro comentário, fui participar de um evento musical no condomínio em que moro e havia tanta gente talentosa (em particular, um maestro, negro, ao piano) que fiquei emocionada quando eles tocaram/cantaram... Stevie Wonder.

  13. Marco Valpaços Postado em 21/Nov/2013 às 12:59

    Me pergunto, se as pessoas ainda vão acreditar em certos programas políticos pra resolver essa situação de racismo ,ou se vão fazer alguma mudança dentro de si mesmas pra que esse problema realmente tenha um fim ?

  14. LEDA Postado em 21/Nov/2013 às 13:09

    E quando vc é branca e pobre e não consegue benefícios assistenciais porque os responsáveis pelas entrevistas te olham de cima a baixo e "acham" que vc não precisa? E depois vc descobre que todos que conseguiram eram negros, inclusive os que não eram pobres. O preconceito tem muitas formas e todas são cruéis! O problema é ser brasileira, ser pobre ou ser negra? Ou ainda, ser mulher? Penso que nenhuma dessas condições é problema, pois o verdadeiro problema é a discriminação!

  15. Heroshi Okano Postado em 21/Nov/2013 às 13:14

    NO BRASIL TEM UM POVO SÓ! E EU TENHO MUITO ORGULHO DE FAZER PARTE DESSA MISCIGENAÇÃO! É muita hipocrisia e sensacionalismo nesse meu Brasil! Esse artigo é pra lá de tendenciosa... O que falta é vergonha na cara desses membros de partidos políticos: PSDB, PT, PMDB e a "PQP"... Tenho certeza de que, se os recursos públicos fossem direcionados para os devidos fins, não haveriam tantas MAZELAS nas periferias de SP, RJ, PB, BA, AM e etc... O problema aqui no "Brazil" não é a pigmentação da pele, Porr@!!! O problema do nosso país é a corrupção politica que não nos deixam evoluir intelectualmente, nos pondo uns contra os outros com esses debates que levam a lugar nenhum. Eu li aqui uns dois ou três posteres que tocavam no real problema, DESIGUALDADE SOCIAL independente da origem! O resto é só mimimiii... Que os Afros dessedentes são isso, foram aquilo, mas nenhum sabe o que é realmente ser descriminado por ser AFRO-, anglo-, euro-, franco-, indo-, luso-, sino-, e etc... E pode parar com essa porr@ de RAÇAS! Exitem varias raças, mas HUMANA SÓ EXISTE UMA! RAÇA HUMANA! ESSA É A NOSSA RAÇA! HUMANA! Agora que tal a gente prestar atenção e nos focar nas próximas eleições?!?!?! Pra não fazer palhaçadas, ou pior, colocar palhaços (TIRIRICA) para nos representar?!?!?! Tenho certeza de que essa desigualdade SANGUÍNEA e SOCIAL, já que o Brasil é miscigenado, ou seja, mistura de sangue de muitos povos (temos sangue de europeus, índios, negros, mamelucos, portugueses e outras misturas), será resolvida. Volto a dizer, - NO BRASIL TEM UM POVO SÓ! E EU TENHO MUITO ORGULHO DE FAZER PARTE DESSA MISCIGENAÇÃO!

  16. Victoria Postado em 21/Nov/2013 às 13:32

    Só uma correção no meu comentário...eu quis dizer "continuar negra por dentro"

  17. anna Postado em 21/Nov/2013 às 13:35

    Olá Pragmatismo. Gostaria de saber porque todo o santo dia publico comentários aqui, sempre respeitosos, coerentes e bem argumentados, e eles nunca são publicados? Porque vocês prejudicam a credibilidade da página apelando À censura? Uma pena essa atitude burra...

    • Administrador
      Moderação Postado em 21/Nov/2013 às 17:11

      Olá, Anna. É importante que utilize o mesmo nome e e-mail quando for comentar. De todo modo, pedimos desculpas pela demora na aprovação.

      • Franklin Weise Postado em 22/Nov/2013 às 10:15

        A propósito, parabéns à equipe do Pragamatismo Político pela sua política de moderação. Isto torna este um ambiente muito mais civilizado e construtivo que a maioria das seções de comentários de outros sites.

  18. pedro Postado em 21/Nov/2013 às 14:07

    Europeu tem um PUTA preconceito contra brasileiro, eu com minha branquisse e cara de italiano sei bem disso, pois moro na Europa. Mas contra o negro é sempre pior. O europeu respeita as leis, mas é pura conversa fiada de que não são racistas. São, e muito, e bem mais que o brasileiro (apesar de que nossa sociedade estimula e premia o racismo, enquanto aqui as leis são mais obedecidas). Alías, de quem o brasileiro herdou o racismo? Do europeu. Tem uns artigos (inclusive aqui) laudando os alemães como povo não racista... Faça-me rir. Novamente, parabéns pelo excelente site, e pelo ótimo artigo!!!!

  19. André Postado em 21/Nov/2013 às 14:22

    o cara só estava puxando assunto. provavelmente porque o brasil é conhecido pelo samba. pare de ser melodramática. hoje em dia todo mundo tá com essa porcaria de preconceito em tudo que há. chato, entediante, monotono. coisa de gente que vive na defensiva. acho que a falta de diálogo entre as pessoas é que provoca isso. uma resposta simples e educada resolveria o problema e nos pouparia de mais um sofrível texto sobre o preconceito, tipo: Não sei sambar não. nem todo mundo no brasil samba. foda isso. daqui a pouco iremos precisar de uma cartilha sobre o que falar e o que não para não ferir os sentimentos das frágeis almas do sec XXI. geração melindrosa. sou negro e para mim provavelmente o cara perguntaria se sei jogar futebol e tal. Sério. Parem com esse choro. foi um caso normal. o cara perguntou se você não sabe sambar por ser brasileira? e qual é o problema moça? você por acaso é uma boneca de porcelana? chega de bobagem. o resto do texto é verdade, há muito racismo na televisão. eis aí a nossa chance! vamos desligar a TV? aff ... é tanta bobagem que estou com preguiça de criticar.

  20. André Postado em 21/Nov/2013 às 14:56

    Thiago Teixeira, para começar, porquê é que há diferença entre ser branco e ser negro por dentro? você não sabia que a cultura que predomina sobre as pessoas é aquela que há maior disseminação? na nossa geração a mídia dita uma cultura e outra. seria ela branca ou negra por dentro? quanta besteira. "viajam para a europa achando que serão tratadas como brancas"? nem branco nem preto, apenas humano. cara, procure no dicionário o significado de racismo. eu acho que você não sabe o que significa

    • Thiago Teixeira Postado em 22/Nov/2013 às 15:03

      Outro que não entendeu porcaria nenhuma que eu escrevi, desisto ... Vê se me erra e publica o que VOCÊ ACHA DO ASSUNTO, Kct. Quem não sabe o que é racismo é você, pois o pior racismo que sofri veio de pessoas negras, incrível que pareça.

  21. Kathlein Postado em 21/Nov/2013 às 15:37

    Excelente matéria!

  22. Marina Mafra Postado em 21/Nov/2013 às 15:59

    A melhor definição foi a que Chico Buarque deu. No Brasil, não existem brancos. A aparência pode ser branca, mas temos negros dentro da nossa genética. TODOS NÓS. O que vivemos é um racismo apenas com fundamento histórico que temos que abandonar, pois o racismo ofende a nós mesmos. Não tenho a aparência negra, mas sou negra sarará como todo brasileiro, assim como sou tupiniquim, xangô, etc. Essa é a nossa beleza. Somos todos misturados, e lindos. Apesar de branca de pele, achava que era mais feia por meus olhos serem marrons, meus cabelos não serem loiros. Enfim,, uma coisa idiota mas que afeta muita gente de uma maneira muito cruel. Acompanho seu blog e gosto muito dessas suas observações acerca do racismo. Um grande beijo.

  23. mari Postado em 21/Nov/2013 às 16:26

    Achei o texto muito bom, discordando apenas do sugestão de cotas raciais seriam uma maneira de ajudar. No meu ver, nāo passam de uma mais uma maneira discriminatória de uma sociedade que não consegue assimilar o ser humano, como ser humano. Mas meu comentário se deve ao fato da questão "não sabe sambar?". Sou brasileira, tenho a pele branca, os cabelos e os olhos castanhos. Moro na Alemanha a alguns meses, e frequentemente me pergunta a mesma coisa. Na primeira vez, fiquei muito abalada, me intriga... seria essa pergunta apenas a ignorância da generalização cultural ou preconceito?

  24. juniperos Postado em 22/Nov/2013 às 09:13

    Gosta de futebol? Não, não gosto. De feijoada? Não, também não. Novela? Não assisto, tem bobagem demais. Cerveja? Não bebo. Bebo outras coisas. Então você não é brasileiro! Essa foi a conversa que tive com um amigo, revoltado quando eu lhe respondi que não torcia para nenhum time. Perguntei em seguida, se ele sabia algo do hino, ou da historia do Brasil ou do presidente, ou das riquezas do nosso pais. Não. Perguntei se sabia de qualquer historia, de qualquer pais, de qualquer cultura, se havia assistido algum filme interessante ultimamente. Não, mas quanto a filme não tolerava nada diferente de velozes e furiosos. Ficou em choque ao saber que eu era casado com uma negra (logo descobri que era racista). Mas eu já havia passado por isso muitos anos antes; quando mais jovem tive uma namorada negra. Indo visita-la certo dia, fui abordado por um morador do bairro dela, achando que havia ido comprar entorpecentes (sim, o bairro era “da pesada!”). “Não, que nada, vim ver minha namorada”. Mais tarde saímos e encontrei o jovem, que ficou me observando. Ele me abordou noutro dia, e me deixou boquiaberto com a seguinte pergunta: “Não entendo, por que você branco, está namorando com uma negra!” Eu só tive tempo de perguntar, “Como?”, e logo chega a namorada do carinha, uma menina loira. Minha namorada me veio de encontro, logo em seguida, e ele lançou um olhar de desdém e sarcasmo, como se ela fosse uma sub mulher. Interessante, ele também era negro, mas por racismo imputado, cria que saíra ganhando por estar com uma mulher branca. Tão triste quanto branco racista, é negro que acha “racismo de branco”, algo bom. Quanto a nossa cultura, bom o governo já faz a parte dele extinguindo qualquer resquício, enquanto aplaude nosso admirável PIB.