Redação Pragmatismo
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Mundo 27/Nov/2013 às 13:21
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Obeso é recusado em avião, navio e trem

Jovem de 22 anos que pesa mais de 220 quilos teve sua viagem vetada em um avião, em um navio e em um trem

Kevin Chenais jovem gordo
Kevin Chenais (Reprodução)

Um francês considerado clinicamente obeso teve sua viagem vetada em um avião, em um navio e agora também em um trem da empresa Eurostar, que liga Londres a Paris.

Kevin Chenais, de 22 anos, pesa mais de 220 quilos e estava nos Estados Unidos desde maio de 2012 para tratar um desequilíbrio hormonal.

Ele deveria voltar para a França pela British Airways, mas a companhia aérea se recusou a levar o jovem alegando que ele é muito pesado.

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A família então tentou atravessar o Atlântico em um navio, o Queen Mary 2. Mas os proprietários do navio também recusaram Chenais.

A companhia aérea Virgin ofereceu passagens para Chenais e a família do aeroporto JFK, em Nova York, para Heathrow, em Londres.

“Foi muito gentil da parte deles”, afirmou o jovem.

A família foi então recebida em Heathrow por um funcionário do consulado francês, que tentou ajudá-los a embarcar em um trem da Eurostar para Paris.

Mas, a Eurostar afirmou que não poderia levar Chenais devido aos regulamentos de segurança para a retirada de passageiros.

“O peso dele significa que nós não conseguiríamos cuidar dele ou carregá-lo para fora em caso de evacuação (do trem)” dentro do canal da Mancha, afirmou uma porta-voz da Eurostar.

A companhia informou que não existe um limite de peso para os passageiros e cada trem tem dois lugares para pessoas portadoras de deficiência ou com problemas de mobilidade. Mas os funcionários do trem precisam ser capazes de retirar cada uma daquelas pessoas do local em caso de emergência.

Nesta quarta-feira, uma empresa de transporte de balsa se prontificou a transportar Chenais à França, alegando estar acostumada a levar ambulâncias e pessoas com problemas de saúde pelo canal da Mancha, informa a agência PA.

Oxigênio

A porta-voz da Eurostar informou que Chenais está em um hotel perto do terminal da companhia na estação de St. Pancras, em Londres.

O destino final de sua família é a cidade de Ferney-Voltaire, perto da fronteira com a Suíça.

Kevin Chenais usa oxigênio extra com frequência e também precisa de cuidados regulares. E, apesar de elogiar a iniciativa da Virgin, de colocar a família em um voo entre Nova York e Londres, afirmou que o voo transatlântico foi “terrível”.

“O voo foi muito difícil. Não parei de chorar”, afirmou. “Eu estava muito incomodado, tenho muitos problemas com minha pele nas coxas e o assento era pequeno demais”, acrescentou.

Mas, a indignação do jovem francês é maior contra a British Airways e contra os proprietários do navio Queen Mary 2, a companhia Carnival.

“Estávamos prontos para ir a bordo do navio, mas eles nos rejeitaram sem ao menos me ver, sem sequer tentar. Então estou muito bravo – duplamente bravo pois a British Airways (também) se recusou a me levar”, afirmou.

A British Airways foi a companhia que levou Chenais para os Estados Unidos, segundo o pai do jovem, Rene, de 62 anos.

A companhia aérea britânica informou em uma declaração que sempre aceita passageiros “quando é possível e seguro”.

“Infelizmente não foi possível acomodar de forma segura o passageiro e sua família, e foi oferecido reembolso total.”

BBC

Comentários

  1. Carlos Prado Postado em 27/Nov/2013 às 19:28

    Preconceito se não dá para levá-lo sem desrespeitar normas de segurança? Se ele mesmo disse que o voo foi sofrível! É um passageiro fora do padrão e que não se considerou ao projetar estes meios de transporte. O que se pode fazer é se pensar nessas pessoas quando se for conceber novos veículos. Mas por causa do problema de saúde ele fica com diversas limitações e não se pode simplesmente ignorá-las assim.

  2. Rodrigo Postado em 28/Nov/2013 às 16:58

    Já embarquei em aeronaves com poucos passageiros, quando da necessidade de troca de aeronave. E foi solicitado aos passageiros que se dispusessem na aeronave da forma requerida ("espalhados"), a fim de ser equilibrado o peso na aeronave. Então não estamos tratando, ao menos no caso da aeronave e do trem, de um caso de discriminação, mas de observância a normas de segurança. Já quanto ao navio, precisamos saber se as dimensões do corpo do jovem o permitiriam passar pelos corredores e portas, mais estreitos em embarcações, bem como face às dimensões de coletes e botes salva-vidas . Muitas das vezes nos esquecemos de que, prontamente, quando de um acidente, quem suportou a lesão irá buscar a reparação que seja justa junto ao Poder Judiciário. E, em todos esses casos (aeronave, trem e embarcação), não haveria como proporcionar condições seguras de viagem também ao jovem. Assim, certo é não ser culpa dele ter o peso e dimensões atuais, padecendo de grave problema de saúde. Mas, ao mesmo tempo, não podemos perder de vista que a recusa, com base em normas de segurança (ainda que sejam desprezadas em casos outros), não é discriminatória.