Redação Pragmatismo
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Direita 06/Nov/2013 às 11:32
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Miriam Leitão bate em Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino

Miriam Leitão detona Reinaldo Azevedo e Rodrigo Constantino: "representantes da direita hidrófoba que emburrecem o Brasil"

reinaldo azevedo constantino
Reinaldo Azevedo (esq.) e Rodrigo Constantino (divulgação)

A jornalista Miriam Leitão, colunista do Globo, publicou um artigo no último domingo sobre a “miséria do debate” brasileiro.

No texto, ela bate duro em dois representantes da “direita hidrófoba” brasileira: o colunista Reinaldo Azevedo, de Veja e Folha, e o economista Rodrigo Constantino, que tem colunas em Veja e no próprio Globo.

“Os epítetos ‘petralha’ e ‘privataria’ se igualam na estupidez reducionista. São ofensas desqualificadoras que nada acrescentam ao debate”, diz a jornalista.

Dizendo-se alvo dos dois lados, de quem a critica pela esquerda e pela direita, Miriam passou a tratar então de Reinaldo Azevedo. “Recentemente, Suzana Singer foi muito feliz ao definir como um ‘rottweiler um recém-contratado pela Folha de S. Paulo (…) ele já rosnou para mim várias vezes, depois se cansou como fazem os que ladram atrás das caravanas”.

Miriam resgatou ainda um texto revelador, em que Reinaldo cobrava dela um pedido de desculpas ao senador corrupto Demóstenes Torres.

Depois de tratar de Reinaldo, Miriam saltou para Rodrigo Constantino, o mais caricato personagem da nova direita brasileira, que, segundo a jornalista do Globo, produz “indigências mentais”. Miriam se refere à resposta agressiva que recebeu quando defendeu a nomeação de Janet Yellen para o Federal Reserve, o banco central americano. “O que importa o que a liderança do Fed tem entre as pernas?”, perguntou Constantino em Veja.

Miriam conclui seu texto afirmando que tais tipos de desqualificação são apenas “lixo”. Nada mais.

Leia abaixo a íntegra do texto.

MISÉRIA DO DEBATE

O Brasil não está ficando burro. Mas parece, pela indigência de certos debatedores que transformaram a ofensa e as agressões espetaculosas em argumentos. Por falta de argumentos. Esses seres surgem na suposta esquerda, muito bem patrocinada pelos anúncios de estatais, ou na direita hidrófoba que ganha cada vez mais espaço nos grandes jornais.

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É tão falso achar que todo o mal está no PT quanto o pensamento que demoniza o PSDB. O PT tem defeitos que ficaram mais evidentes depois de dez anos de poder, mas adotou políticas sociais que ajudam o país a atenuar velhas perversidades. O PSDB não é neoliberal, basta entender o que a expressão significa para concluir isso.

A ele, o Brasil deve a estabilização e conquistas institucionais inegáveis. A privatização teve defeitos pontuais, mas, no geral, permitiu progressos consideráveis no país e é uma política vencedora, tanto que continuou sendo usada pelo governo petista. O PT não se resume ao mensalão, ainda que as tramas de alguns de seus dirigentes tenham que ser punidas para haver alguma chance na luta contra a corrupção. Um dos grandes ganhos do governo do Partido dos Trabalhadores foi mirar no ataque à pobreza e à pobreza extrema.

Os epítetos “petralhas” e “privataria” se igualam na estupidez reducionista. São ofensas desqualificadoras que nada acrescentam ao debate. São maniqueísmos que não veem nuances e complexidades. São emburrecedores, mas rendem aos seus inventores a notoriedade que buscam. Ou algo bem mais sonante. Tenho sido alvo dos dois lados e, em geral, eu os ignoro por dois motivos: o que dizem não é instigante o suficiente para merecer resposta e acho que jornalismo é aquilo que a gente faz para os leitores, ouvintes, telespectadores e não para o outro jornalista. Ou protojornalista. Desta vez, abrirei uma exceção, apenas para ilustrar nossa conversa.

Recentemente, Suzana Singer foi muito feliz ao definir como “rottweiller” um recém- contratado pela “Folha de S.Paulo” para escrever uma coluna semanal. A ombudsman usou essa expressão forte porque o jornalista em questão escolheu esse estilo. Ele já rosnou para mim várias vezes, depois se cansou, como fazem os que ladram atrás das caravanas.

Certa vez, escreveu uma coluna em que concluía: “Desculpe-se com o senador, Miriam”. O senador ao qual eu devia um pedido de desculpas, na opinião dele, era Demóstenes Torres. Não costumo ler indigências mentais, porque há sempre muita leitura relevante para escolher, mas outro dia uma amiga me enviou o texto de um desses articulistas que buscam a fama. Ele escreveu contra uma coluna em que eu comemorava o fato de que, um século depois de criado, o Fed terá uma mulher no comando.

Além de exibir um constrangedor desconhecimento do pensamento econômico contemporâneo, ele escreveu uma grosseria: “O que importa o que a liderança do Fed tem entre as pernas?” Mostrou que nada tem na cabeça. Não acho que sou importante a ponto de ser tema de artigos. Cito esses casos apenas para ilustrar o que me incomoda: o debate tem emburrecido no Brasil. Bom é quando os jornalistas divergem e ficam no campo das ideias: com dados, fatos e argumentos.

Isso ajuda o leitor a pensar, escolher, refutar, acrescentar, formar seu próprio pensamento, que pode ser equidistante dos dois lados. O que tem feito falta no Brasil é a contundência culta e a ironia fina. Uma boa polêmica sempre enriquece o debate. Mas pensamentos rasteiros, argumentos desqualificadores, ofensas pessoais, de nada servem. São lixo, mas muito rentável para quem o produz.

Brasil 247

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Comentários

  1. renato Postado em 06/Nov/2013 às 11:57

    Esta turma não me engana, conbinaram uma "cena", muito conhecida no meio do "jornalismo das estrelas, que sempre apresentam brigas e separações antes de um grande evento artístico. Agora juntaram os caras da direita para brigarem, se arranharem, só para chamar atenção dos leitores, já que a leitura de jornais em bancas esta ciado vertiginosamente. A fabricas que estão mudando sua linha de produção de papel jornal para outro tipo de papel. Conta outra, estas pessoas são contra o povo brasileiro. Estão defendendo com unhas e dentes o seu espaço. ( Fraude explica)

  2. Bruno Maeda Postado em 06/Nov/2013 às 11:58

    Vou fazer das minhas palavras as palavras de uma amiga: "a seção de comentários deixou de servir como um espaço de debate para se transformar num espaço de compartilhamento de discursos de ódio". Daí eu abriria o ponto pros artigos dos referidos autores. Política já é um assunto um tanto complicado de ser discutido por si só; quando quem deveria dar uma outra visão de um outro extremo para que se visse uma outra face do problema a ser debatido simplesmente joga argumentos no lixo e usa de ofensas, fica pior. E não são só ofensas, é o generalismo bizarro que insiste em apresentar soluções absurdas pra assuntos que não são simples. "É só cortar a 'tucanada'/os 'petralhas'/acabar com a 'privataria' que isso se resolveria". É o que mais é repetido. É a ofensa com um generalismo imbecil que não dá em ponto algum. E o problema é que, por mais absurdo que seja, há quem ache coerência nesses discursos.

    • Alexandre Postado em 06/Nov/2013 às 22:23

      É o que mais me assusta, há quem ache coerência nesses discursos, não surpreende ver tantos fascistas saindo do armário de ambos os lados, ao menos se apenas ficarem nos discursos, infelizmente vejo uma disposição de atropelar a democracia, daí para uma guerra civil falta pouco.

    • isaias Postado em 07/Nov/2013 às 00:06

      Lamentável, né bruno? Ingenuidade acreditar que essa dualidade de "correto" e "errado" na política seja distinguível em partidos.

  3. Alexandre Lopes Postado em 06/Nov/2013 às 12:01

    É evidente que a Miriam exagerou , na introdução de seu artigo , na imparcialidade, nesse dogma utópico chamado imparcialidade. Exemplo disso foi colocar PT e PSDB no mesmo patamar, dizendo que cada qual tem seus erros sem explorar muito as nuances . Porém , esse artifício é extremamente útil para se ganhar credibilidade e , de fato , ela defendeu uma tese contundente , logo em seguida . Não obstante, a despeito de haver alguns erros pontuais, como atribuir ao PSDB o mérito da estabilidade econômica ( para contatar-se que se trata de um erro, é só analisar a conjuntura internacional da época ) , o artigo dela é muito bom , pois ataca duas figuras desprezíveis que, como ela bem disse , emburrecem o debate com ignorância, grosseria e argumentos maniqueístas . Portanto , acho que foi muito profícuo para o leitor do globo esse artigo , porquanto incita o senso crítico e , no particular , detona dois vermes .

  4. MArcos Garcia Neto Postado em 06/Nov/2013 às 12:17

    Ui, ela não gosta de "petralhas". É o mesmo tipo que chama de "reaça".

  5. Giovanni Postado em 06/Nov/2013 às 12:21

    Enquanto isso o "debate" fica restrito a essas figurinhas lamentáveis aí. Não é x, ou y, ou z. A quase totalidade do jornalismo no Brasil praticado no Brasil é de baixa qualidade analítica, ignoram nas suas reflexões a dimensão histórica que os fatos e os personagens trazem consigo, resumindo-se a apenas relatar futricas e reproduzir o texto e a agenda política de agencias de notícias estrangeiras.

  6. Carlos Eduardo Postado em 06/Nov/2013 às 12:28

    Ambos são fruto do pensamento conspiracionista de OLAVO DE CARVALHO como pode ser visto, neste vídeo http://www.youtube.com/watch?v=UXlvin7aHaE&feature=c4-overview&list=UUfy_mY2w05cbs15iDFSrm5g Olavo, se acha filosofo.

  7. Thiago Teixeira Postado em 06/Nov/2013 às 13:35

    Não entendi nada este artigo, por sinal muito bom e até imparcial no meu ponte de vista, mas não contempla o seu cotidiano no (Bom?) Dia Brasil. Uma atuação extremamente anti-governo onde ela reprovada todas as manobras de Guido Mantega. Engraçado que ela não citou o blog do Paulo Henrique Amorim que a chamam de Urubóloga! kkkkkkkkkk

  8. Bruno Diniz Postado em 06/Nov/2013 às 14:26

    PSDB não é neoliberal? Expressão de partido não diz nada sobre ideologia, mas sim o que o partido faz. A própria autora do texto comenta sobre privatizações e depois nega o posicionamento econômico do PSDB. Mas a crítica central do texto é boa. O importante é ridicularizarmos os protojornalistas que promovem esvaziamento de conteúdo.

  9. leonardo Postado em 06/Nov/2013 às 20:16

    Em uma matéria do jornal nacional diz que mais da metade da população brasileira não tem tratamento de esgoto. É este o programa de inclusão de 10 anos de governo?Nem o básico ele resolveu. Segundo estatísticas quem ganha, 291 R$ por mês é considerado classe média no Brasil.Um preso custa no mínimo 700R$ . Assim fica muito fácil manipular dizendo que 2/3 da população ascendeu para a classe média.

  10. IGOR Postado em 06/Nov/2013 às 23:13

    Vão responder co o "Debate da Miséria"?

  11. Vitor Postado em 02/Jan/2014 às 19:33

    Realmente o PSDB não se assume como neo-liberal pois se assumir de direita nesse país virou uma vergonha de maneira justa. Mas os atos deles demonstram o quão são neo-liberais sim, assim como o próprio PT.