Redação Pragmatismo
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Especial 01/Nov/2013 às 12:50
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Instituto Royal: o que é e como funciona?

Professor aposentado da Unicamp Carlos Alberto Lungarzo tenta desvendar o que faz o instituto, quem são seus clientes, que experimentos fazia com os beagles resgatados e como garantir o avanço ético da ciência

instituto royal
Instituto Royal (divulgação)

Que é o Instituto Royal? ou (…) Todo aquele que vive da ciência é mesmo cientista?

Ativistas dos direitos animais, desarmados, entraram num bunker de tortura de bichos protegido por guardas, para liberar 178 beagles, o que deve ser considerado um gesto até agora ímpar no Brasil, análogo aos feitos dos ecologistas e os pacifistas no mundo desenvolvido.

Não é por acaso que a mídia, alguns blogueiros, os profissionais da ciência e diversos membros do establishment se unificaram numa ampla perseguição contra os ativistas.

Esta é a primeira vez que uma petição no Brasil tem 660.014  assinaturas (às 11:00, 30/10) em apenas um de vários sites que acolhem o protesto.

Os especialistas em assuntos gerais dizem que o instituto era uma referência nacional. Mas, afinal, ninguém responde:

O que é o Instituto Royal?

Busca Inglória

Durante décadas no Brasil, eu nunca havia ouvido falar do Instituto Royal de São Roque, SP. Envergonhado, comecei uma busca com pouco retorno, através da internet.

Encontrei o verbete “Instituto Royal” no Google, mas associado apenas a protestos contra o trato cruel de animais (desde 2012), ou, a partir do dia 18/10/13, associado com a liberação dos beagles. Não encontrei nenhum site nem página, que indicasse a estrutura, função, staff, propósitos e história do Instituto. Quase toda ONG têm pelo menos um pequeno site com todos esses dados, salvo que…

(Procure no Google a palavra “instituto”, e acrescente diversos nomes. Verá que todos os institutos têm um site com uma aparência como a deste aqui.)

O único que encontrei foi uma página de 23 linhas, criada nas coxas e claramente às pressas pouco após a libertação dos cachorrinhos, explicando, superficialmente e sem dados, que o Royal era muito bom e tudo estava nos conformes. Obviamente, essa “informação” só serviu para aumentar as suspeitas.

A maior dúvida era que tipo de coisa era o Royal:

Um instituto dentro de uma estrutura pública, por exemplo, da USP? Ou um instituto dentro de uma estrutura privada, por exemplo, da PUC? Um instituto federal, como o IMPA? Ou Estadual como o BUTANTÃ? Ou Privado como o ETHOS? …. Uma empresa com fins lucrativos? Uma ONG?

Alguém me disse que era uma OSCIP e procurei  nos Registros de domínios da Internet. As OSCIPS são um tipo de Organizações semelhantes as ONGs, mas que podem ter parceria com o poder público, e gozam de muitos direitos e outros tantos deveres, alguns dos quais nem sempre são bem usados. Vide.

Eis o que achei no Registro.br

Domínio: institutoroyal.org.br
Servidor DNS: ns11.srv22.netme.com.br
Servidor DNS: ns12.srv22.netme.com.br
Expiração: 2014-07-02
Status: Publicado
domínio: institutoroyal.org.br
titular: Inst. de Ed. p/ Pesq. e Desenv. Inov. tec. Royal
documento: 007.196.513/0001-69
responsável: Silvia Ortiz
país: BR
c-titular: INROY
c-admin: INROY
c-técnico: INROY
c-cobrança: INROY
servidor DNS: ns11.srv22.netme.com.br
status DNS: 29/10/2013 AA
último AA: 29/10/2013
servidor DNS: ns12.srv22.netme.com.br
status DNS: 29/10/2013 AA
último AA: 29/10/2013
criado: 02/07/2009 #5725335
expiração: 02/07/2014
alterado: 25/10/2013
status: publicado
Contato (ID): INROY
nome: Instituto Royal
e-mail: [email protected]
criado: 25/10/2013
alterado: 25/10/2013

O problema continua. Onde a gente encontra tudo isto: o histórico “científico” do Royal, seus protocolos experimentais, a lista de seus colaboradores e clientes, os produtos realmente aplicáveis que foram viáveis graças a seus testes, os registros de suas experiências longitudinais, etc.

instituto royal
(Divulgação)

Aliás, é o Royal conhecido no exterior? Qualquer Instituição Brasileira respeitável é conhecida em todo Ocidente, pelo menos, pelos especialistas. Esta pergunta é relevante, porque nem organizações radicais de defesa dos animais, como PETA (vide), incluem o Royal na sua lista de desafetos. Ou seja, para os ecologistas, Royal nem merece aparecer na lista dos vilãos.

Formulo em minha própria linguagem uma pergunta que já fez a batalhadora atrizLuisa Mell: Por que ninguém, salvo as elites e as forças repressivas, consegue entrar nesse maravilhoso instituto? (Veja o blog de Luisa aqui?).

Aliás, o Royal obteve seu credenciamento pelo CONCEA (Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal) somente em 2013, mais precisamente há poucas semanas. O Deputado Estadual por São Paulo, Fernando Capez fez notar, num incisivo e emocionante discurso na ALESP que, sendo assim, nos anos anteriores de funcionamento as experiências não eram supervisionadas. Mas as coisas estranhas continuam: Em 2012, apesar disso, o Royal recebeu oficialmente R$ 5.249.498,52. Para quê? O lugar onde está instalado o Royal foi declarado para funcionar comocanil. (Vide). Estranho, se até poucas semanas atrás a finalidade era outra e não havia fiscalização do CONCEA, então os testes e as torturas de animais poderiam ser aplicados sem qualquer protocolo a verificar.

De acordo com as generosas regras, uma Oscip tem cinco anos para se credenciar. Então, o Royal não estava em infração de acordo com a lei. Mas, seus trabalhos começaram, dizem, em 2005. Então, como é possível que as autoridades do Royal digam ao jornal O Estado de São Paulo, que os ativistas defensores dos animais “fizeram perder 10 anos de pesquisa”? (vide, 2º par.)

Isto significa que, nos primeiros 5 desses 10 anos, o patrimônio genético coletado estava em outros institutos e foi transferido ao criar o Royal, ou que foi acumulado por pesquisadores individuais ou pequenos grupos que se uniram para formar o Royal, ou alguma outra coisa igualmente espúria.

Intermezzo: Ciência e Ética

A ofensiva dos mercadores de animais para tortura tem atraído o mais sujo e infame da mídia, como a famosa revista subvencionada por racistas sul-africanos. Esta, em maior medida, mas também outras, aparentemente menos rasteiras, fazem gozação dos argumentos dos defensores de animais (DA, doravante) como: “Você nunca deu um remédio a seu filho doente? Ele foi testado em animais.” Estas insanidades confundem os leigos, que passam a ter um ódio irracional pelos ativistas, mas a motivação é apenas sede de lucro.

Cuidado! Muitos defensores de animais, especialmente líderes, aconselham calma e mesura aos seus colegas em suas ações, porque a comunidade científica está quase totalmente contra os ativistas. E como se pode pensar que a ciência, que foi a arma maior da racionalidade contra a superstição e o preconceito, possa incorrer nas mesmas provocações? Por exemplo, o ministro de Ciência, Marco A. Raupp, doutorado na University of Chicago sob a orientação de Jim Douglas Jr. com uma tese sobre métodos de Galerkin, uma tese séria, diz coisas como “isto se faz em todo o mundo, não apenas no Brasil”. Isso é um argumento próprio, ou melhor, suficiente para um matemático?

Bom, os DA’s, mas especialmente os de esquerda, como em meu caso (há DA’s de diversos estilos: religiosos, apolíticos e até de direita, como Brigitte Bardot), devemos nos confrontar com uma nova massa poderosa, além dos que têm as armas, o poder institucional e o dinheiro, agora aparecem os cientistas. Nossa! Um caso para que Clark Kent se transforme em Super Homem.

instituto royal
Mulher, integrante de grupo de ativistas durante resgate de cães no Instituto Royal (Avener Prado/Divulgação)

Mas, as coisas não são assim tão lineares. A relação entre ciência e sociedade é um problema complexo que têm séculos de história, começando com o confronto de Marx e Engels com os positivistas e malthusianos. Podemos, pelo menos, fazer uma observação geral até retomar a questão em outro texto.

O que hoje se chama “ciência” (chamada até 1844 Filosofia Natural, quando Wheeler aplicou a ela o termo science) foi filha da velha filosofia especulativa, cujos mitos e divagações combateu desde a época antiga (Epicúreos contra os dogmas Aristotélicos) e a época medieval (Escola de Oxford contra as invencionices de Santo Tomás), até crescer e poder prescindir totalmente da filosofia especulativa, com Galileu, Newton e a brilhante era da razão dos séculos 17 e 18. Quando Newton inicia seus Princípios Matemáticos da Philosophia Natural, deixa claro: a física (filosofia natural) se ocupa da matéria.

Ora, se a ciência está fundada sobre o empirismo e o racionalismo em ação conjunta, como é possível que a grande massa dos cientistas esteja equivocada? Esse é o ponto.

Os cientistas não estão equivocados. Mas nós devemos diferenciar entreracionalidade científica racionalidade ética. Quando estas estiverem integradas o mundo será uma maravilha, agora podemos reconhecer essa integração nas obras de algumas poucas figuras brilhantes da história da ciência do século XX como Bertrand Russell, Linus Pauling, Noam Chomsky… e muitos seguidores desconhecidos.

Muitas pessoas bem intencionadas, mas que desconhecem o ventre do mundo científico, confundem um fato absolutamente verdadeiro: (a) A ciência é a única forma de conhecimento objetiva, justificável, sistemática, aproximadamente explicativa, e produtora de enunciados crescentemente confirmáveis; com um falso: (b) Os cientistas são atores sociais que usam esse conhecimento para bem do mundo, de maneira ética e generosa.

Esta fábula pintada em (b), minha geração leu quando criança nos livros da moral oficial, mas basta chegar a adolescência para saber que não é assim a coisa real. As provas são esmagadoras: Alguém duvida que o 3º Reich teve de seu lado não apenas engenheiros, médicos e tecnocratas, mas também grandes cientistas, físicos, químicos e biólogos? Quantos prêmios Nobel em física trabalham na produção de bombas atômicas? Seria possível a Guerra química sem especialistas na área? Quantos prêmios Nobel americanos trabalham para o Pentágono, para a NSA, para a CIA? Quantos químicos e biólogos se especializam em drogas usadas em tortura?

A ciência é, grosseiramente falando, um conhecimento verdadeiro. Saber a verdade permite a você gerar ações com alta probabilidade de sucesso. Essas ações, porém, não têm moral própria. É o ator social que as dota de moral. Uma mesma teoria pode servir para construir um mundo melhor, ou para enriquecer donos de laboratórios, fabricantes de armas, exércitos, vigaristas e genocidas.

Então, os cientistas com ética pragmática não são inimigos novos. Eles são apenas executores, numa área da sociedade, dos interesses dos antigos inimigos: os grandes grupos econômicos.

Este foi um intermezzo. Volto ao Instituto Royal.

Dramates Personae

No rodapé da página que o Royal colocou na Internet  institutoroyal.org.br, há um link que promete mais informação. Clicando, aparece um vídeo onde uma senhora fala das virtudes do Royal e da malignidade dos invasores.

Essa senhora é mencionada pela mídia como Silvia Ortiz, mas também aparece em alguns outros lados como Sílvia Barreto Ortiz.

No único lugar onde existem dados que podem dar um perfil de Ortiz é na biblioteca da UNICAMP onde aparece sua dissertação de mestrado. Aí, ela está inscrita como:Silvia Colletta Barreto da Costa Ortiz.

Mas, seu nome não aparece na plataforma de currículos  Lattes. Nesta plataforma, mais de um milhão de pessoas vinculadas com o mundo da ciência inscrevem seus currículos. Qualquer pessoa interessada em atuar na área científica pode fazer isso: doutores, mestres, graduados, estudantes, técnicos, até autodidatas.

Procurando no buscador do Google, encontrei 34 referências a Silva Barreto Ortiz, a maioria vinculada com o incidente dos Beagles. Veja aqui. Nunca vi um cientista, mesmo jovem, ter menos de um milhar de referências. Poderia supor-se que Ortiz tem algum interesse em passar despercebida.

Mas, ela aparece sim no depósito virtual de dissertações e teses da UNICAMP. Este é um procedimento padrão da Universidade, e não depende da vontade do autor. Em 02-12-1996, defendeu uma dissertação de mestrado no Programa de Genética e Biologia Molecular.

Nesse acervo (vide) a busca devolve apenas um resultado, que é uma dissertação demestrado orientada por Julia K. Sakurada. A dissertação pode ser baixada por qualquer pessoa que preencha um breve cadastro no mesmo site. O trabalho estuda os aspectos genéticos da resistência de camundongos a certo agente patógeno. A dissertação confirma afirmações feitas por Ortiz nos últimos dias sobre a necessidade de usar animais saudáveis em experimentação, para evitar contaminação. Seu mestrado parece atentar à criação de um biotério de animais sãos, como sua atual atividade na USP confirma. Nesta universidade, Ortiz aparece como diretora dos biotérios, mas não temos encontrado nenhum dado relativo a seu doutorado.

No site do Institut Pasteur, de Paris (vide), encontramos  81 referências a “Ortiz”, mas todas elas se referem a pessoas com nomes diferentes de “Silvia” ou qualquer outro da gerente do Royal. Doutorado não significa sabedoria, muito menos ética, mas fico intrigado por saber onde Ortiz fez o seu. Fez?

Silvia Barreto Ortiz é também presidente do COBEA (Colégio Brasileiro de Experimentação Animal). O colégio aparece em seu estatuto (vide) como uma “sociedade civil, de caráter científico cultural, sem fins lucrativos”. Segundo isso, se sustenta com as mensalidades dos sócios.

Não apenas Animal Testing

O fato de que Ortiz estivesse vinculada à Unicamp e a USP foi usado como uma credencial de virtude por parte de cientistas e comunicadores. Não pode criticar-se esta adoração quase religiosa pelas pessoas instruídas (que raramente se vê em outros países) numa sociedade onde até ter uma escola primária de mínima qualidade é um grande privilégio, e onde as grandes universidades, especialmente as paulistas, se gabam de seu ranço elitista.

Contudo, apesar de estar num dos setores com menos demanda por parte do capitalismo (lógica matemática e história da ciência), nos 19 anos na Unicamp pude perceber que era difícil encontrar algum colega do campus que não fizesse parte de um convênio, ou tivesse uma consultoria paga através de fundações da mesma universidade, ou superpusesse mais de uma dedicação “exclusiva”, ou que não desse prioridade a seu consultório, escritório, empresa de planejamento ou assessoria, e assim em diante, sem faltar o caso de acúmulo de salários de dois países, embora esses casos fossem raros.

Mas, também a Unicamp tem um histórico sobre experimentação animal muito especial. Pelo menos no único caso que foi divulgado, usaram-se membros da espécie homo sapiens para experimentos com anticoncepcionais Norplant, que produziram danos catastróficos dos quais ninguém foi responsabilizado.

Não é possível dar referências on-line, porque os sites que denunciaram o caso foram desativados pouco depois, por causa de ordens de ninguém-sabe-quem. Era o período entre 1985 e 1993, e a Unicamp coordenou uma ação da qual umas vinte universidades brasileiras se tornaram cúmplices.

A médica Giselle Israel e a socióloga Solange Dacach se arriscaram a fazer uma detalhada pesquisa num universo de 3.544 mulheres das favelas do Rio de Janeiro, até onde os experimentadores chegaram com suas amostras de Norplant. O trabalho das denunciantes foi publicado no Brasil, mas anos depois saiu de circulação. Finalmente, o livro foi publicado em Texas. O leitor encontra uma versão no setor Google books, aqui:

The Norplant Routes-Detours of Contraconception.

Os experimentos em mulheres, pobres e afrodescendentes em sua maioria, foram feitas no Brasil, pois na Finlândia, pátria da matriz, bem como em outros países, as leis proibiam a experimentação em humanos, salvo no caso de voluntários. No caso em apreço, as mulheres nem sabiam exatamente o que estavam recebendo.

A droga não apenas barrou a concepção, como também deixou muitas mulheres estéreis. Além disso, as vítimas sofreram cefaleias (26%), agitação, ansiedade, confusão e agressividade (20%), obesidade (18%) e uns 10% de cistos, queda do cabelo, lesões ao útero e infeções.

Mesmo assim, o coordenador do experimento da Unicamp, o ginecologista LB, afirmava que o Norplant era totalmente confiável.

Nosso atual ministro de ciência talvez teria dito: “Por que tanto alvoroço? Não somos os únicos em fazer experimentos.” Com efeito, o Norplant foi experimentado em 24 países, míseros quintais do 3º mundo habitados por pessoas esfomeadas e marginalizadas, e alguns deles governados por ditaduras.

Não é raro, então, que os cientistas apoiem sem qualquer restrição experiências em animais não humanos, sendo que os experimentos com humanos só podem ser feitos em lugares muito afastados e discretos e isso custa dinheiro.

Quem tem possibilidade de fazer pesquisa de arquivos de jornais, pode ler a reportagem do Jornal do Brasil, caso a página não tenha sido censurada.

LEAL, L. N. Entrevista com Marinete Souza de Farias. Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 18 de maio 1997.

Algumas pessoas talvez ainda guardem o livro original

ISRAEL, G; DACACH, S. As rotas do Norplant: desvios da contracepção. Rio de Janeiro: Redeh, 1993.

Na busca que fiz com os indicadores “silvia ortiz” e os expandidos “silvia barreto…”, com ou sem acento, seu currículo não é encontrado. Se quiser experimentar por sua conta, procure “cnpq”. Todo cientista tem interesse em figurar no Lattes, inclusive aqueles que abandonam definitivamente a ciência. Meu currículo, desatualizado, é claro, ainda se conserva após de 7 anos de aposentado da vida científica.

O mistério do Royal

É óbvio que o Royal e seu staff estão tentando se esconder, e isso parece ter sido sua atitude desde o começo. As hipóteses sobre as causas deste mistério podem ser várias, mas todas são da mesma índole.

A “fabricação” de animais sãos, para serem alvo de experimentos e depois descartados, deve ter parecido um negócio original e graúdo aos misteriosos e anônimos fundadores do Royal. Com efeito, tendo como padrão de comparação o trato dos doentes pobres nos hospitais, é evidente que os animais usados em experimentação deviam estar eivados de diversas pestes, e os efeitos neles não poderiam ser apreciados. Então, uma ideia brilhante: laboratórios estrangeiros pagariam muito bem por experimentos feitos em animais saudáveis.

Ora, sendo que o Brasil não assina quase nenhum acordo internacional sobre proteção aos animais e os poucos que por ventura tenha assinado não respeita, esse mistério não seria necessário. Mas há outras razões; algumas são mais sociais, outras mais econômicas.

Uma razão é que o povo brasileiro, com seu singular naturalismo e sua sensibilidade com os animais, promoveria, como aconteceu neste caso, uma reação muito grande se todas as atrocidades ficassem óbvias como estas.

Mas, a quem beneficiam estes atos de sadismo na experimentação com animais?

Se descartarmos as disfunções psiquiátricas de alguns pesquisadores (Vide) fica o grande negócio da produção de animais para experimentos tortuosos.

Com efeito, a realização de numerosos experimentos cruéis onde se mutilam, esquartejam, cegam, queimam e matam milhares de animais, diminui as despesas dos laboratórios, pois é menos caro que experimentos In silico (simulação com computador) ou in vitro (ensaio com culturas).

Estas duas são formas que, combinadas com experimentações reversíveis e indolores em animais não humanos e em voluntários humanos, substituiriam totalmente a prática atual de tortura e extermínio massivo de bichos.

Por sinal, os argumentos que pretendem que as culturas também exigem experimentação animal são falaciosos. O soro fetal bovino usado em muitas culturas, pode ser extraído mediante uma cirurgia com anestesia. Isto se faz com cavalos de raça e touros reprodutores, cuja saúde é cuidada pelos veterinários dos magnatas muito mais que a de qualquer humano. Quanto à extração do feto sob anestesia é, simplesmente, um aborto. Sendo o aborto aceitável em humanos, por que não seria em animais?

Imagino que os principais clientes sejam laboratórios estrangeiros, sendo que, qualquer que seja o grau de civilização de um país, os capitalistas preferem dinheiro e não direitos, sejam animais ou humanos.

Neste sentido, em muitos países de Europa, e inclusive nos EUA, há restrições para o uso de animais em experimentos. O Animal Welfare Act (Laboratory Animal Welfare Act of 1966, P.L. 89-544) restringe o uso de animais de sangue quente, salvo algumas espécies de ratos. Obviamente, proíbe totalmente a tortura de bichos domésticos, especialmente gatos e cães, que não podem ser utilizados mesmo mortos, por causa da dificuldade para saber de que maneira morreram.

A União Europeia possui diversas restrições de acordo com o país, mas o Testing ban de cosméticos é válido em todos eles (vide). É muito provável que o Royal tenha nesses laboratórios de cosméticos, bem como nos dos produtos de limpeza, seus principais fãs. Um especialista não identificado que colaborou no exame dos beagles teria dito que as raspagens de pele em frio era típica de experimentos com cosméticos.

Se os ativistas se informam o suficiente com cientistas sensíveis (que existem) e pressionam seus parlamentares, poderão conseguir que o Instituto seja desativado, e seus responsáveis indiciados por crimes ambientais. É possível que haja pessoas que sabem exatamente o que acontece no Royal, e que, se lhes fosse dada proteção, talvez falassem. Essa é a esperança. E permitirá um grande avanço ético na ciência.

Carlos Alberto Lungarzo é matemático, nascido na Argentina, e mora no Brasil desde sua graduação. É professor aposentado da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), São Paulo, e milita em Anistia Internacional. Tem escritos vários livros e artigos sobre lógica, estatística e computação quântica, mas seu interesse tem sido sempre os direitos humanos. (Revista Fórum)

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Comentários

  1. renato Postado em 01/Nov/2013 às 13:01

    Muita coisa para ler. Sou a favor da retirada dos bichinhos, mas infelizmente sou obrigado a usar remédios testado em animais. Em outra vida espero não ter doença para precisar de remédio, nem de cobaias. Valeu a retirada...

    • Carlos Postado em 01/Nov/2013 às 14:17

      Preguiçoso do cacete, ai sai na rua a falar besteira porque não leste algo útil.

      • Alice Postado em 02/Nov/2013 às 18:02

        Verdade, Carlos.... 'e assim, desanda a humanidade'

    • Rafael Postado em 03/Nov/2013 às 16:42

      Se tivesse lido tudo, saberia que testes em animais não são a única forma de criar um possível remédio ou qualquer outro produto...

      • Robson, UFMG Postado em 03/Nov/2013 às 21:17

        Única forma? Acho que o senhor precisa de mais estudos na área da biologia, amigo. Tem que ler mais e estudar mais, pra poder falar coisas com "propriedade". Proponho um artigo da Deutsche Welle sobre experimentação animal, bem simples e para leigos, como é, aparentemente o seu caso. Não consigo postar links no comentário, então procure algo como: "115 milhões de animais e testes farmacêuticos".

  2. Leici Postado em 01/Nov/2013 às 13:39

    Bastante obscura a história desse instituto... Mas agora caiu a casa, não só para eles, porque esse resgate dos beagles está causando discussão sobre direitos dos animais. Que disso tudo resulte uma mudança na forma como o Brasil trata as questões relativas a testes em animais!

  3. Sérgio Baviera Postado em 01/Nov/2013 às 13:57

    Após este artigo, não preciso ler mais nada sobre o tema. É extremamente técnico e conclusivo. Não foi escrito por qualquer blogueiro de esquina, mas por um cientista tocado pelas ideias de Edgar Morin.

  4. Ricardo Postado em 01/Nov/2013 às 13:59

    Interessantíssimo artigo, especialmente a respeito da reputação deste instituto Royal... Agora, pelo que li em inúmeros lugares, infelizmente hoje em dia há muitos testes em animais que não podem ser substituídos por simulação em computador... Isto até onde eu sei é um mito. Teoricamente possível, mas na prática não... Claro que se os pesquisadores continuarem pesquisando, um dia eles irão conseguir... Mas estes testes em cultura ao qual o autor se dirige não se comparam com as conclusões obtidas em um organismo vivo... Triste, mas é verdade. Me impressiona que o autor que fala mal da classe científica mal intencionada falar isto (se bem que não é área dele, ele é matemático). Se alguém tiver o link de algum lugar sério que me contradiga em relação a substituir testes de animais por simulação em computador, por favor compartilhe que eu realmente gostaria de ler. Obrigado.

  5. Cristian Postado em 01/Nov/2013 às 14:08

    Este ato não teve nada de revolucionário... foi a mostra da ignorância de um povo cientificamente iletrado. Não somos uma republiqueta de bananas que faz o que "países desenvolvidos" não fazem. Todos testam em animais, seja na área farmacêutica ou cosmética. Inclusive, aquelas marcas que dizem não executar esse tipo de teste, utilizam componentes que foram testados em animais, terceirizam suas pesquisas para outros laboratórios ou para institutos criados apenas para esse fim. CIENTISTA NÃO É TORTURADOR! Ninguém é contra a busca de métodos alternativos (hoje insuficientes para garantir segurança ao consumidor final), todos são explicitamente a favor da racionalização dos experimentos com animais, reduzindo o número, utilizando práticas que aumentam o bem-estar animal... São contra testes em animais? Não utilizem remédios...

  6. patricia Postado em 01/Nov/2013 às 14:21

    Pessoas que tiveram a paciência de ler todas essas besteiras, por favor assistam: http://youtu.be/MsjgGVQ-fSc

    • alexandre Postado em 01/Nov/2013 às 15:11

      Isso por que você nem leu o texto, esse vídeo não faz sentido com o que o Carlos Alberto escreveu

    • Andrea Postado em 01/Nov/2013 às 15:27

      Besteiras? O texto é excelente, a não ser que você possua problemas cognitivos sérios que limitem a sua compreensão acerca da amplitude e profundidade do texto. Tudo o que ele defende desde o CNPQ e o caso de ser uma OSCIP é LÓGICO e puramente racional.

      • Glauco Postado em 01/Nov/2013 às 16:40

        O autor é leigo, partidário e manipulador. Só dele dizer que experimentos in silico e in vitro substituem e são mais baratos demonstra que é só um jornalista que leu algumas coisa em literatura popular que criticam experimentos em animais. Nunca deve ter passado um dia em um laboratório pré-clínico. Por favor, parem com esse comportamento de manada (similar a bois).

      • Norma Said Said Postado em 01/Nov/2013 às 22:43

        Concordo contigo, o texto é excelente e elucidativo!

      • Augusto Postado em 03/Nov/2013 às 13:00

        Só para elucidar a mente leiga de quem julga estudos alheios.... Em momento algum ele disse ser mais barato os experimentos in silico e in vitro... pelo contrario, ele apontou o fato dos testes em animais serem mais baratos que os retrocitados, como sendo um dos fatores para a não aplicação destes... Talvez partidário seja aquele que pouco se importou em compreender os estudos feitos pelo autor, mas sim, se preocupou em encontrar falhas para descreditar o trabalho feito.

    • Norma Said Said Postado em 01/Nov/2013 às 22:42

      Quem defende a vida agora é leigo? E me espanta vc achar o texto uma besteira se o leu todo. Perguntas pertinentes sim, o texto é lógico e faz pensar: Já esta provado que a porcaria do lugar é uma OSCIP que recebe verbas do governo (nossos impostos) e está registrada como canil e sóp há um mês atrás recebeu aval p/ realizar testes e estão reclamando que os ativistas estragaram os testes de 10 anos atrás qdo eles não tinham autorização p/ fazê-lo? Eles testavam p/ grandes marcas que obtem seus lucros através da tortura animal e agora vem com esse papo de testes p/ cancer. Uma mentira após a outra e me admira que haja gente que ainda se deixe iludir por esses pseudo cientistas. Quem mexe c/ a vida deveria ter o requisito básico que é compaixão. Caso contrário, mude de área.

    • Valéria Postado em 02/Nov/2013 às 10:53

      iSSO É UMA BESTEIRA?

    • Maite Pontes Lindo Postado em 02/Nov/2013 às 14:00

      então um cientista que relata a sua experiencia e o seu curriculum, escreve besteira?, desculpa, mas que coisa linda usar um animal doméstico para experimentos , né?

  7. Rafael Postado em 01/Nov/2013 às 15:09

    Galera abre o olho, tomar remédio testado em animais não quer dizer que você tem que apoiar um instituto que tortura animais! Existem milhares de outros institutos que fazem pesquisas com animais para remédios e que tratam pelo menos os bichos com dignidade.

  8. Thiago Teixeira Postado em 01/Nov/2013 às 15:23

    Cada indivíduo deveria ter um registro ao consultar o CPF com a seguintes enquetes respondidas: É doador de órgão? É favorável a experiência com Animais? É ou foi doador de sangue? Ao cidadão doador de órgão, se um dia ele precisar, receberá, aquele que não é doador, adoeceu? Foda-se. Precisa de remédio, e este teve de ser produzido com ajuda dos instituídos que fazem experiência com bichos, quem é contra, ficará sem o remédio. Precisou de sangue, nunca se importou em doar, morra. É muita hipocrisia das pessoas criticarem os métodos que tentam salvar vidas humanas e na hora da coisa ruim recebem o benefícios quietinhos.

    • Mariana Postado em 01/Nov/2013 às 15:31

      Mais um com sérios problemas cognitivos ou é analfabeto funcional. LEIA o texto direito e sua base de argumentação antes de defecar discursinho midiático à lá Arnaldo Jabor. Você viu o livro que ele disponibilizou para baixar? Sobre mulheres pobres brasileiras que serviram de cobaias sem saber e ficaram estéreis? Ele critica primeiro: O mais óbvio que o Instituto Royal é um fornecedor de cães e não faz pesquisa alguma, 2 que a falta de ética de cientistas e laboratórios se perpetua no 3º mundo onde as leis são mais brandas e 3 que ele não falou, criam-se doenças para posteriormente curá-las e você otário comprar e gastar com remédios.

      • Ana Paula Postado em 01/Nov/2013 às 15:43

        Ok, então qual é a solução? Qual é a melhor forma de combater/previnir doenças? Como curar um cancer ou até mesmo a aids? Eu li o texto inteiro e entendo o ponto de vista. Sei que a industria farmacêutica não é nada santa. Acontece que ngm aponta uma solução para acabar com pesquisas em animais. Testes in vitro realizados na Europa ainda não são suficientes para detectarem tudo. http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?pid=S0009-67252008000200021&script=sci_arttext

      • Glauco Postado em 01/Nov/2013 às 16:34

        Sentimentos demais. Racionalismo de menos. Leigos.

  9. heline Postado em 01/Nov/2013 às 15:26

    excelente texto, parabens!

  10. Glauco Postado em 01/Nov/2013 às 16:00

    O autor é só mais um leigo em ciências que usa de uma retórica humanística totalmente desconectada com a realidade dos centros de pesquisa e suas rotinas. Ultra-partidário (provavelmente vegan), diz absurdos que induzem o leitor leigo a acreditar que existem opções alternativas ao uso de animais que não são utilizadas por causa de valores. É de uma ignorância tão profunda, de um desconhecimento tão patético que dá preguiça de explicar que é totalmente o contrário. Dica para os críticos, se informem antes de se posicionarem. Aliás, se informem bem, porque não fazemos nada via achismo ou sentimentalismo barato. Nossas decisões são baseadas em lógica e argumentos sólidos.

    • Ana Paula Postado em 01/Nov/2013 às 17:18

      Achei manipulador e partidário tb. Não entendo do assunto, mas pelo que compreendo, acho que não adianta apelar por algo (ex: não a pesquisa com animais em hipótese nenhuma) sem achar uma solução que se iguale ou supere.

      • Helton Postado em 02/Nov/2013 às 17:08

        Eu ainda gostaria de ver as provas de que os animais eram mutilados e mal tratados nesse instituto. O fato do autor ser um matemático especialista em lógica explica por que vários aqui nos comentários caíram em suas falácias.

    • Débora Soares Postado em 02/Nov/2013 às 15:26

      Concordo ''Achei manipulador e partidário também.'' Quem trabalha com ciência no Brasil, sabe as dificuldades que encontramos todos os dias, atualmente é impossível substituir os testes em animais, se há dificuldade em encontrar bons softwares para elucidação de estrutura química, imagina para se prever a ação em um organismo vivo. Infelizmente nosso conhecimento científico é pequeno. Esse tipo de protesto só mostra uma população ignorante cientificamente.

  11. Francis Postado em 01/Nov/2013 às 16:55

    TExto muito mais ideológico que esclarecedor, existem pontos sombrios sobre o referido instituto, no entanto, as principais perguntas não são respondidas. Como eram dados esses maus tratos? por que foi concedido o alvará ao instituto? ondem estão as provas dos maus tratos? no que a invasão ajudou no processo que corre contra o instituto? os procedimentos feitos no local eram mesmo regulares? Vi muito apelo emocional e nenhuma informação nova, entendo a paixão dos ativistas, mas ainda não se colocou nada que prove sua razão.

  12. Flávsson Octávio Postado em 01/Nov/2013 às 17:07

    Superficialmente falando, não tenho uma posição concreta se o ato dos ativistas foi certo ou errado, mas, superficialmente falando² da mesma forma que não conseguimos obter informações sobre o instituto, também não conseguimos obter sobre o ato em si. Em notas, os ativistas (e os defensores animais de facebook) alegaram diversas atrocidades, como beagles sem olhos e/ou patas, porém as imagens compartilhadas pela massa não passam de hoax, aliás, nos vídeos do resgate, os animais aparentam estar assustados (óbvio) porém, longe dessa realidade apresentada por tais "ativistas". Questiono aos tais ativistas qual será (qual está sendo, na verdade) o procedimento pós resgate, se alguns dos beagles estivesse em algum tipo de tratamento médico em decorrência dos estudos (contraíram a doença para depois receber o remédio e confirmar se o mesmo reagirá da forma esperada), como os mesmos ficarão já que estão doentes e o tratamento foi interrompido? E por fim, basta pesquisar um pouco para saber que tais pesquisas são necessárias e não existe outra opção. Me questiono em relação ao ato de libertarem os beagles foi uma ação louvável ou não passou de mais um ativismo burro!

  13. Carla Postado em 01/Nov/2013 às 19:08

    Acredito que temos que separar o que é ciência que salva vidas e a pseudociência que serve apenas para suprir nossas necessidades supérfluas. Usar animais para descobrir a cura de doenças ou testar medicamentos e uma coisa, já usá-los para criar cosmeticos que diminuem as rugas ou um detergente que limpa melhor é outra completamente diferente. Daí a necessidade de se conhecer exatamente o que acontecia no Instituto Royal e outros semelhantes. Minha opinião é a de que, se não tivesse nada a esconder, encontraríamos mais referencias a respeito dele.

  14. Erica Postado em 01/Nov/2013 às 19:27

    "vCom efeito, a realização de numerosos experimentos cruéis onde se mutilam, esquartejam, cegam, queimam e matam milhares de animais, diminui as despesas dos laboratórios, pois é menos caro que experimentos In silico (simulação com computador) ou in vitro (ensaio com culturas)." Esta informacao esta errada, visto que animais utilizados pata testes sao criados desde o nascimento em regimes extremamente regulados e expendiosos, o que custa MUITO MAIS do que meio de cultura e/ou reagentes. Ou mesmo softwares, que sao caros, mas a licenca vale por anos e pode ser utilizada para mais de um mesmo fim ao mesmo tempo.

  15. Umbrae Postado em 01/Nov/2013 às 19:39

    http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4778198E9 "Silvia Colletta Barreto da Costa Ortiz"

  16. Leici Postado em 01/Nov/2013 às 22:28

    Para os leitores que quiserem ver mais uma opinião sobre testes em animais, aqui vai a entrevista com um cientista americano. É bem interessante as análises que ele faz, vale a pena ler! http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI344794-17770,00-USO+DE+ANIMAIS+PARA+ESTUDAR+DOENCAS+E+TESTAR+DROGAS+PARA+USO+HUMANO+E+UM+GR.html

  17. Mayara Postado em 02/Nov/2013 às 10:08

    Parabéns Thiago e Glauco. Seus comentários só reforçam a ignorancia humana. Me respondam uma coisa, o que permite que voces julguem que suas vidas sao superiores a de qualquer animal? E aquele ser humano estupido e asqueroso que estupra sua própria filha bebe, ele tem mais valor do que um animal indefeso? E não sejam hipocritas, meus queridos... há alternativas sim, só que são caras né. Para que investir se há uma solução muito mais barata, e comoda? Mas olha, meus sinceros parabéns pela arrogancia de voces. E de qualquer outra pessoa que passar por aqui com o mesmo pensamento. Eu concordo, plenamente, que a ciencia precisa se desenvolver, mas nao em cima da vida de outro ser. E Glauco, 'desconectada com a realidade'? Qual realidade, a capitalista? A que enche o seu bolso de dinheiro? 'Preguiça de explicar'? Preguiça de ler, né? E me desculpa, mas o leigo aqui é voce... leigo em relação a vida. Boa sorte.

    • Helton Postado em 02/Nov/2013 às 17:15

      Mayara, você sabe que os cachorros estupram suas mães, filhas e tias? Se você prefere nivelar a humanidade por baixo, aí é com você minha cara.

    • Thiago Teixeira Postado em 04/Nov/2013 às 12:58

      Mayara, existe duas facções nesse mundo: 1° Aqueles que fazem. 2° Aqueles que criticam (essa se enquadra vossa senhoria). Alguém tem que fazer. Precisa de cosméticos, remédios seja para tumor cerebral como para reduzir o sovaco. Se usam animais foi porque alguém já estudou viabilidade de produção e versatilidade. É cruel, claro que é, não tiro a sua razão, mas precisa ser feito. Agora precisamos de mais pesquisas para evitar o uso de animais e buscarmos outros métodos e com baixo custo.

    • Alessandra Postado em 14/Nov/2013 às 10:02

      Mayara, os beagles tem a fisiologia mais próxima do ser humano, quando o comparamos com outros animais de fácil tratamento. Isso é comprovado científicamente, procure ler um pouco em fontes confiáveis, daí a explicação de utilizarem os cães. Se ler um pouco mais, também vai descobrir que estes animais, bem como todos permitidos em pesquisas são previamente muito bem estudados e liberados por órgãos competentes, como a COVISA e a Comissão de Bioética. Estes ativitas vagabundos estão indo contra qualquer tipo de evolução médica. Engraçado que salvar os animais todo mundo quer, agora, quem está disposito a se oferecer para pesquisas? E no caso de pesquisas infantis, quem vai dar seu filho primeiro? Tá na hora do Brasil parar de pensar como cachorrinho e aprender a pensar como gente. Não sou a favor de maltratar, isso com toda certeza, até porque eles respondem a órgãos sobre as vidas de animais que estão sob sua responsabilidade... Enfim, antes de defender tanto os animais, a galera podia se informar melhor, e em fontes confiáveis! E não sair por ai repetindo o que os outros falam... :) A biomédica que vos fala espera que você nunca precise de algum tratamento para a sua saúde. Passar bem.

  18. Rafael Torres Postado em 02/Nov/2013 às 12:05

    Fui na praia com meu sobrinho no fim de semana. Ele viu a água suja do mar e resolveu salvar os peixinhos, então colocou alguns dentro de um balde, em poucas horas todos estavam mortos.

    • Alessandra Postado em 14/Nov/2013 às 09:09

      hm, e...?

  19. Robson Postado em 02/Nov/2013 às 16:05

    O comentário que resume a posição dos ecofascistas: "aquele ser humano estupido e asqueroso que estupra sua própria filha bebe, ele tem mais valor do que um animal indefeso?". Ódio ao humano... Algo bem humano.

  20. Patty Kirsche Postado em 02/Nov/2013 às 16:13

    Na verdade, um biotério custa bem caro, mais caro que outros métodos. Mas ainda existem testes que precisam ser feitos em animais, até por questões legais. Inclusive o fato de que as pessoas têm animais de estimação em casa exige que produtos sejam testados em animais.

  21. Chico Postado em 03/Nov/2013 às 00:22

    Registrado como canil??? Fala serio!!! dar orelha pra tucano!!! 07.196.513/0001-69 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 14/01/2005 NOME EMPRESARIAL INSTITUTO DE EDUCACAO PARA PESQUISA, DESENVOLVIMENTO E INOVACAO TECNOLOGICA - ROYAL TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) INSTITUTO ROYAL CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL 72.10-0-00 - Pesquisa e desenvolvimento experimental em ciências físicas e naturais

  22. Sandro R. De Souza Postado em 03/Nov/2013 às 10:53

    Prezados colegas... É importante divulgar este texto nas redes sociais. Há muita bobagem sendo dita por aí. Principalmente pelos meios de comunicação mais conhecidos. As redes sociais são uma força importante e este tema merece nossa atenção. Já compartilhei em todas as minhas redes sociais enviei por e-mail também. Espero que em breve surjam outras informações relevantes.

  23. Gunther Furtado Postado em 03/Nov/2013 às 15:16

    Caro Carlos Alberto, sobre o fato do Instituto ser OSCIP: as OSCIPS são inscritas no ministério da justiça, para o qual devem apresentar balanços e coisas do gênero. Há mais furos lá: eles alegam que 0% da renda que auferem vem de "clientes" privados, mas listam projetos financiados pelo CNPq. Se interessar: http://portal.mj.gov.br/CNEsPublico/relatorioCNEs/130885/RelatorioCircunstanciado.html OSB: não sou um insider, só não gosto de ouvir qualquer argumento de autoridade (no caso, argumento de saberes) ou de força.

  24. João Postado em 04/Nov/2013 às 08:15

    Por que o autor deste texto não citou o nome do presidente do Instituto Royal, João Antônio Pegas Henriques? Por que não verificou o currículo lattes do mesmo? Por que omitiu o fato de que o presidente deste famigerado instituto é simplesmente umas das maiores autoridades em mutagênese no Brasil? Ah, mutagênese? O que é isso? Será que tem a ver com os testes nos beagles? "experimentos In silico (simulação com computador) ou in vitro (ensaio com culturas). Estas duas são formas que, combinadas com experimentações reversíveis e indolores em animais não humanos e em voluntários humanos, substituiriam totalmente a prática atual de tortura e extermínio massivo de bichos." Desde quando isto é possível? Falar que culturas de células e experimentos in silico substituem qualquer experimentação animal é no mínimo ingênuo. A ciência ainda está longe de compreender toda a complexidade de uma única célula, muito menos a de um organismo completo. E quanto às pesquisas que usam animais, mas que não atendem a interesses de empresas privadas? Como será que as pesquisas com diversos tipos de doenças (câncer, diabetes, hipertensão, parasitoses, distúrbios psiquiátricos) são feitas? Sim, os cientistas usam uma quantidade absurda de camundongos, os mesmos que não mereceram a atenção dos ativistas. Sim, eles também sofrem, sentem dor, ficam com medo e têm consciência sobre eles mesmos. Vários camundongos são geneticamente modificados ou recebem um tratamento de forma que desenvolvam a doença que será o objeto de estudo. Isso implica que vários camundongos ficarão cancerosos, diabéticos, hipertensos, parasitados e loucos. Ou seja, estes animais já nascerão em estado de sofrimento. Gostem ou não, é assim que a ciência funciona. Não há como pesquisar um fenômeno biológico, sem que ele exista. Para pesquisar doenças, sob inúmeras variáveis e perspectivas, as mesmas precisam ser geradas em organismos vivos. Para saber o papel de uma determinada molécula biológica em uma doença qualquer, é preciso inativa-la (ou ativa-la) no contexto daquela doença. Testes impensáveis com humanos, pois o efeito desta manipulação pode ser benéfico, ou catastrófico. Concordo que a ciência pode ser usada para o bem e também para o mal. Afinal, o que fazer com o conhecimento gerado pelos cientistas não é de forma alguma uma decisão a ser tomada apenas por cientistas, mas sim por toda a sociedade. Porém, o autor deste texto, como formador de opinião que é, deveria se informar melhor sobre como a ciência é feita. Fazemos ciência, não por sadismo, ou porque gostamos de observar o sofrimento de animais, ou para ficarmos ricos, mas sim, porque buscamos, com isso, entender a natureza e nós mesmos. Resumindo, levamos a ciência muito a sério, porque acreditamos que "(a) A ciência é a única forma de conhecimento objetiva, justificável, sistemática, aproximadamente explicativa, e produtora de enunciados crescentemente confirmáveis" e não somos tolos o bastante para acreditar em "(b) Os cientistas são atores sociais que usam esse conhecimento para bem do mundo, de maneira ética e generosa."

  25. Fernando Mello Postado em 04/Nov/2013 às 11:09

    E a ANVISA continua implicando com a babosa. Isso sim é remédio. Ainda insistem que a gente precisa dessas químicas todas, quando a maioria dos produtos usam químicas que nos causam câncer. Ah! Vão se ferrar!

  26. Riaj Postado em 04/Nov/2013 às 16:30

    parabenizo o autor pelo testo e pelos comentários. Aos incautos que difamaram o autor certamente além de ignorantes no assunto desconhecem a atuação do escritor Lungarzo. Talvez devam conhecer a trajetória do autor antes de falar asneiras.

  27. lucia Postado em 17/Nov/2013 às 15:48

    acho lamentavel publicarem um texto, usando palavras do proprio autor, tao falacioso quanto esse. Pra falar de metodos biologicos de pesquisa pq não incluem um um cientista dessa area.