Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 04/Nov/2013 às 15:34
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"De bêbado tem dono", diz monografia sobre mulheres estupradas

'De bêbado tem dono, sim', diz monografia sobre estupro de mulheres embriagadas. Título do trabalho de aluna de Direito causa susto, mas é bem recebido em universidade

monografia de bêbado tem dono
‘De bêbado tem dono, sim’, diz monografia sobre estupro (Arquivo Pessoal)

A universitária Thays Gonçalves, de 19 anos, apresentou uma monografia no IV Congresso Jurídico-Científico da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo, em São Paulo, com um título um tanto quanto inusitado: “Cu de bêbado tem dono sim”. A intenção era causar um choque inicial para chamar atenção sobre o tema, descrito no subtítulo “estupro de vulnerável em caso de embriaguez feminina”.

Aluna do 6º período, Thays alcançou seu objetivo ao apresentar o trabalho na última semana durante a XIII Semana Jurídica da instituição.

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– A primeira reação foi de susto, mas depois, quando falei do tema e do crime, as pessoas entenderam por quê. A apresentação foi bem tranquila, fui muito bem recebida pela sala. O título fez exatamente o que eu queria: chamar atenção para o tema. No final, todos aplaudiram e vieram me parabenizar pessoalmente – comemora Thays.

No trabalho, a universitária se baseou no artigo 217-A do Código Penal: ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos. O parágrafo primeiro descreve que incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. Para ilustrar o tema, Thays se baseou em estudos de casos:

– Teve um caso de Pinheiro Preto (SC), em que uma moça foi chamada por conhecidos para beber e fumar num ginásio esportivo. Após se recusar a beijar um dos caras, a menina continuou bebendo, até ficar embriagada. Ela foi estuprada pelo rapaz, se lembra de tudo, mas não conseguia se mexer ou pedir para parar. É agonizante. Pretendo prolongar o tema para minha monografia do final do curso, na qual quero entrevistar moças que sofreram esse tipo de estupro e se procuraram ajuda ou não. Muitas mulheres sentem vergonha de pedir auxílio quando sofrem.

A estudante conta que não sofreu resistência dos professores quanto ao polêmico título para um trabalho acadêmico, apesar de reconhecer que no curso de Direito são poucos os que entendem a necessidade de desmitificar do juridiquês e deixar mais acessível a linguagem. Ainda assim, ela diz que sua orientadora de iniciação científica, Gisele Salgado, e o professor de Direito Penal, disciplina na qual apresentou o trabalho, aprovaram o tema e o título.

– A Gisele amou o título! Até quer uma camiseta com ele – conta Thays.

O Globo

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Comentários

  1. Cris Postado em 04/Nov/2013 às 16:11

    Bastante interessante. Parabéns pela iniciativa. Uma observação: quatorze se escreve com "Qu" e não com "C". :)

    • Administrador
      Moderação Postado em 04/Nov/2013 às 18:12

      Cris, Catorze ou Quatorze, ambas as formas estão corretas.

  2. renato Postado em 04/Nov/2013 às 16:23

    Tem dono até, que se embriaga! Ela não está entendendo, nem o Superman o INVULNERÁVEL. se encher o "caco", com vodka e pedras de kriptonita, e ficar chamando papai de "anhng", o LuThor vai lá e cRAù. Depois sim, pode levar para a POLICIA, mas não vai evitar a perda do elemento mais cobiçado entre homens e mulheres, mesmo que seja momentâneo. E se for preso por fazer isto, quando você entrar lá dentro, daí sim descobrirá que você carrega a joia preciosa a ser disputada pela turma que também já não é donode seus a muito tempo. Pensando bem neste "elemento de tese", o mesmo é um elemento natural de crime. E dizer que alguns fingem estarem vulneráveis e bêbados para levar os inocentes a cometer tal barbaridade.

    • Marco Ruivo Postado em 04/Nov/2013 às 16:41

      Renato, estuprar é diferente de se aproveitar dos desejos estimulados pelo álcool. Mesmo bêbada, a vítima ainda é dona de seu corpo, e faz dele o que bem entender, indiferente da ocasião.

      • Jacob Postado em 15/Nov/2013 às 21:30

        Marco, te embrigas a ponto de não consedguires ficar em pé, para poderes falar isto depois. Tu és dono do teu corpo, mas quero ver se chegares a tal estado de embriaguez se vais ter força para reagir a tal agressão. Sei que cada pessoa reage diferentemente a quantidade de álcool ingerida, por isso que falei no nivel de embriaguez.

  3. Spock Postado em 04/Nov/2013 às 16:48

    Sempre tem um analfabeto funcional nks comentários, é impressionante.

    • Luminus Postado em 05/Nov/2013 às 15:22

      Bem isso...

  4. Thiago Teixeira Postado em 04/Nov/2013 às 17:47

    São valores que se aprendem no berço. Infelizmente há muitos covardes espalhados por ai que agridem bêbados, abusam de garotas embriagadas com a desculpa tipo: "Ah, ninguém mandou beber".

  5. Olympio Postado em 04/Nov/2013 às 19:02

    Tema interessante, só acho que deu muita ênfase ao título e pouca ao trabalho. Tomará que mostre depois mais um pouco sobre a monografia dela. Fiquei curioso.