Redação Pragmatismo
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Ditadura Militar 13/Nov/2013 às 10:13
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Aulas sobre a ditadura militar

Histórias da ditadura militar que a escola não contava. Projetos criam acervo e material didático para enriquecer aulas sobre os anos de chumbo

As lições sobre a ditadura militar nas escolas de educação básica não estão mais restritas a simples descrição cronológica ou burocrática do período. Iniciativas do governo e de pesquisadores estão colocando à disposição de professores e estudantes material didático mais próximo do que ocorreu nos porões da ditadura, como relatos de perseguidos políticos, detalhamentos de tortura, ação da censura e documentos produzidos pelos serviços de informações da época.

Na UFRJ, por exemplo, foram criados o Núcleo de Pesquisa, História e Ensino das Ditaduras e o projeto Marcas da Memória, com produção de material pedagógico e organização de oficinas para ministrar o conteúdo.

Do lado do governo, a Comissão de Anistia e a Secretaria de Direitos Humanos disponibilizam e distribuem seu acervo, como série de depoimentos de ex-perseguidos políticos e filmes. Num dos materiais da comissão — o livreto “Liberdades democráticas” — há capítulos com “o que foi a ditadura militar”, como agia e resumos de biografias de Lamarca, Marighella e Frei Tito, com dicas de livros e filmes.

As historiadoras da UFRJ não dizem que os atuais livros didáticos omitem a ditadura e suas mazelas, mas os criticam por apresentar o material de maneira cronológica e sem profundidade.

ditadura militar brasil tortura pau arara
Pau-de-arara. Um dos mais cruéis tipos de tortura utilizado pela ditadura militar no Brasil (Foto: Ilustração)

— Os novos livros abordam o tema, mas não têm visão global da ditadura. Os temas não dialogam entre si. Parece que não é um governo só, que são vários e sucessivos, quando se sabe que foram 21 anos de ditadura. E a luta armada sempre entra num quadrinho a parte, como se não tivesse relação. O que constatamos até agora é que há uma sede dos professores por material didático sobre o assunto — diz a pesquisadora Samantha Quadrat, que participa dos projetos da UFRJ.

Livros tratam período de forma pouco analítica

A historiadora Alessandra Carvalho, do Colégio de Aplicação da UFRJ, diz que os livros de História dão bom espaço para o período dos governos militares, mas sempre numa perspectiva mais descritiva do que analítica.

— Aparece assim: primeiro veio o governo Castelo Branco, depois o AI-1, o AI-2 e por aí vai. Até aparece a luta armada e o pós-AI-5, mas numa ordem cronológica direta, o que fica extenso para o aluno e difícil de perceber o eixo de explicação que organize essa cronologia. O ideal seria relacionar passado e presente. Houve uma Lei de Anistia, referendada pelo STF, mas contestada, a defesa de punição para torturadores, os julgamentos na Comissão de Anistia. Agora, a Comissão da Verdade. Tem muito mais a ser contado — disse Alessandra Carvalho.

Samantha Quadrat e Alessandra Carvalho vão ministrar uma oficina neste mês num seminário sobre o ensino da ditadura nas escolas. No material didático que apresentarão aos professores estão, entre outros, um cartaz distribuído pelos órgãos da repressão e informação sobre perseguidos políticos e cartas enviadas por cidadãos brasileiros à Divisão de Censura de Diversões Públicas, muitas endereçadas diretamente ao presidente Ernesto Geisel, sobre os mais variados assuntos. As autoridades do governo respondiam.

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Nesse seminário será apresentado ainda um livro para subsidiar professores — “O Ensino da Ditadura Militar Nas Escolas: problemas e propostas de trabalho”. As pesquisadoras responsáveis por esse projeto também dão atenção a história oral da ditadura e já colheram 44 entrevistas de ex-perseguidos políticos e de parentes de vítimas e desaparecidos pelos agentes do Estado.

Esses vídeos e áudios estarão disponíveis no acervo da universidade e na Comissão de Anistia. E serão disponibilizados para professores e estudantes. As organizadoras são as pesquisadoras Maria Paula Araújo, Desirree dos Reis Santos e Izabel Pimentel. A Comissão de Anistia encomenda projetos para universidades, como o “Marcas da Memória”.

— É uma temática sensível, mas questões de direitos humanos chamam a atenção dos jovens. Diante de temas como a tortura e outras violações daquela época ninguém fica passivo — contou Izabel Pimenta, pesquisadora da UFF.
O presidente da Comissão de Anistia, Paulo Abrão, promove, na sua gestão, essas iniciativas de levar o conteúdo sobre o regime militar aos estudantes.

— Penso que o ensino da História deve se apropriar da memória conquistada nestes 25 anos de democracia e refletirem sobre os efeitos do autoritarismo nesta véspera dos 50 anos do golpe — disse Abrão.

Agência Globo

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Comentários

  1. luiz carlos ubaldo Postado em 13/Nov/2013 às 10:30

    O que estão esperando para punir esses carniceiros oriundo do golpe de 64?

    • Juniperos Postado em 13/Nov/2013 às 11:14

      Estão ocupados protegendo políticos ladrões, dando tiro de borracha no povo. Continua tudo na mesma? E agora?

      • Antonio Postado em 13/Nov/2013 às 16:27

        Estamos em plena democracia , os tiros agora são de borracha , na ditadura era de metal e os corruptos da época eram protegidos pela justiça.

      • Antonio Carlos Milli Postado em 10/Mar/2014 às 18:01

        Estamos na democracia, onde cada um pode se manifestar desde que não ultrapasse os direitos alheios, porém se a policia foi se corrompendo aos poucos e não foi reprimida, não é culpa do regime adotado, mas sim da conduta escolhida. Cada povo tem o governo que merece, mas se tal povo escolhe de forma errônea, não fiscaliza e nem se interessa, o que se pode esperar? Agora é fazer o dever de casa, e escolher politicos como se escolhe o alimento que levamos para nossa casa, pois se não se escolhe direito, passa-se mal por longo tempo.

  2. Rodrigo Postado em 13/Nov/2013 às 12:15

    Falam de todas as ditaduras ou só das de direita? Se se esquecerem dos genocídios, torturas, presos políticos e bárbaras violações outras, que não apenas a "direita", mas também a "esquerda" praticou, também faltará parcialidade e profundidade.

    • Gabriel Postado em 13/Nov/2013 às 16:03

      Concordo. Mas na história recente tivemos uma ditadura no Brasil e foi de direita: anticomunista e conservadora. É justo que seus crimes fiquem conhecidos, pois hoje há uma parte da direita brasileira que acredita ter o monopólio dos valores democráticos.

  3. Thiago Teixeira Postado em 13/Nov/2013 às 15:41

    O Fim da ditadura só beneficiou a mídia, agora podem desestabilizar o governo, alienar a população e praticamente mandar no país. O primeiro presidente eleito democraticamente a Veja tirou do Poder, através de um irmão (corno) que quis se vingar. Agora de forma massiva querem fazer lavagem cerebral na população jovem pregando o Satanismo na Ditadura. Quem trabalhou, estudou, foi da casa para a ocupação e da ocupação para casa não foi zuado, agora os revolucionários, num verdadeiro governo que prega a ORDEM, levaram cassetada sim, e os reincidentes pau-de-arara, os mais reincidentes ainda, aqueles que queriam tumultuar, foram pra vala. Sinto saudades daquela época onde no BRASIL existia a palavra RESPEITO.

    • Danilo Postado em 13/Nov/2013 às 18:14

      RESPEITO era ter sua família trucidada pelos militares? Era ter um regime que pregava a ORDEM ou MORTE? Esses revolucionários baderneiros mortos lutavam por essa miserável e minima liberdade que você tem hoje.

      • Thiago Teixeira Postado em 14/Nov/2013 às 12:25

        Meu amigo, você acha que foi o clamor da população de levou a ditadura ao fim? Você acreditou nisso? E outra, não há relatos de militares invadindo a casa de cortadores de cana dando chute na mesa no almoço de domingo, não seja sensacionalista, se trucidaram foi por que bateram de frente com sistema.

  4. Luizão Bernardo Postado em 13/Nov/2013 às 17:20

    Bien, parece que esquecem do óbvio...A resistência armada não foi composta somente por militantes de esquerda. Eu era estudante e militante cristão, embora tenha sido espancado aos berros de "comunistas podres"... Em 1965, ainda garoto de escola no bairro do Andaraí, no Rio de Janeiro, caminhava com minha mãe, irmã e mais três primos, na época eu tinha 8 anos e fui atirado na parede do antigo Banco Halles da rua Barão de Mesquita por um tiro de água de um canhão Brucutu. lembro até hoje do sorriso de satisfação do soldado do exército que cumpriu tão nobre missão. Entrei para o VAR em 1975, e fui um dos poucos sobreviventes de meu aparelho. Saudações aos que acreditam que um país deve ser conduzido com mão de ferro, esquecendo-se que a ferrugem os consumirá sem perdão e que daqui a poucos tempos, nem se lembrarão de que tais pessoas existiram. Para quem nunca teve vergonha na cara de dizer que apenas cumpriam-se "ordens", fica a certeza que o Brasil foi sucateado pelos ditadores e mais tarde pelos que se diziam contrários a violência, graças a forma de pensar introduzida por tais mandatários.

  5. Antonio Postado em 13/Nov/2013 às 18:21

    Também sinto saudades daqueles tempos, José Dirceu, Dilma Roussef eram pessoas que foram torturadas e perseguidas naquela época. E hoje? Eu adoraria vê-los pendurados em um pau de arara pagando pelos seus crimes contra o povo!!!!! Saibam que a própria Dilma foi uma grande terrorista e culpada de muitas mortes durante o período da ditadura. Naquela época, que era honesto, trabalhador e estudante tinha todos os seus direitos garantidos, agora, os ladrões, baderneiros, corruptos e etc., estes eram severamente punidos. E hoje???? Os corruptos condenados vão pra cadeia e ainda continuam deputados?!?!?! Que saudades da ditadura!!!!!

    • Luizão Bernardo Postado em 10/Mar/2014 às 17:54

      Não amigo, você não tem saudade da ditadura, e sim dos tempos em que a lei e a ordem eram cumpridas. Naquela epoca de chumbo que durou 20 anos, estudantes eram espancados e presos, pessoas honestas eram espancadas e presas, padres e lideres religiosos eram espancados e presos, professores, cantores, e qualquer um que se opusesse ao regime era morto , preso ou expulso, e isso levou nosso pais a um retrocesso economico e social sem precedentes.E disso ninguem pode ter saudades... Leia menos maquiavel e um pouco mais de Rousseau e Kant para entender melhor os mecanimos que levam o estado a ser o detentor do "Monopólio da Violência".

  6. Ellifaz Siqueira Postado em 13/Nov/2013 às 19:28

    Acho otimo uma "Comissão da Verdade" ou até mesmo um "Nucleo de Historia" relacionada a ditadura. Porem, acho que infelizmente no Brasil historiador = PCdoB, infelizmente essa eh a realidade, acho que deveria sim ter comissões da verdade, mas de uma verdade documentada e com embasamento HISTORICO e não IDEOLOGICO como 99% das porcarias contadas até hoje nas nossas escolas publicas. "O Brasil viveu uma das piores ditaduras do mundo", "os revolucionarios lutavam por DEMOCRACIA", kkkk essas e outras que essas comissões fazem a gente engolir. Antonio, saudades da ditadura, meus familiares, que diga-se de passagem nao eram terroristas, nao eram ladroes de banco, nem sequestradores e muito menos fumava baseado nas escolas PUBLICAS, não foram tocados pelos militares. Brasil!! Saudades da Ditadura, se o Newton ainda tivesse na ativa, era aço neles

  7. [email protected] Postado em 13/Nov/2013 às 21:28

    Esse projeto merece ser destacado, já que a reprodução dos fatos é de suma importância, não só para o perfeito conhecimento e entendimento do "período negro" vivenciados, mas, sobretudo, como alerta, para que não torne acontecer.

  8. luiz carlos ubaldo Postado em 14/Nov/2013 às 08:33

    exemplos a serem seguidos por nossa juventude devem ser: Costa e Silva, Castelo Branco, Medici, geisel, figueiredo, Fleury, Felinto Muller e outros carniceiros fardados e civis subservientes, quem se contrapos e não aceitou a chibata made in EUA, e se rebelou em favor de seu pais, foi e é até os dias de hoje, chamado de comunista, terrorista, bicha ou qualquer coisa do genero, a ditadura foi muito boa, da até saudade, pra quem vivia alienado ou mancomunado com os milicos!

    • Thiago Teixeira Postado em 14/Nov/2013 às 09:44

      Agora você está no paraíso, num país democrático, onde alunos agridem os professores, policiais são vistos como inimigos, ônibus são queimados, comércios depredados, presidente é tratado como lixo, funcionários públicos desacatados, putaria na televisão, mídia manda e desmanda no supremo ... em fim, viva a liberdade de expressão, a falta de respeito e a glorificação da insubordinação.

      • OLIVARES ROCHA Postado em 04/Dec/2013 às 18:14

        na verdaee vivemos sob o jugo de políticas impingidas pelos comunistas, infiltrados que estão desde os anos 80 na surdina silenciosamente, e que estão destruindo nossa sociedade pra dominá-la mais facilmente (dividir pra dominar) baseada nas teoris de Antonio Gramsci. Visite centros acadêmicos e verá propaganda comunista de ponta a ponta) ou a própria política de propaganda comunista, que fala em metas e objetivos mas não diz com instrumentaizar a execução destas. A vinda de agentes comunistas disfarçados de médicos, atendendo, ou fingindo atender, uma real demanda popular, tal qual fizeram na Venezuela uns 10 anos atras...

      • Luizão Bernardo Postado em 10/Mar/2014 às 17:47

        Caro Thiago, adorei seu comentário que confunde a frouxidão das policias corrompidas e burocráticas do periodo pós ditadura, esquecendo-se que o Estado tem a obrigação de garantir a segurança e a paz pública. A sua queixa resume-se numa inercia do Estado como um todo, incapaz que é de conter a onda de anarquia, não por ser democrático, mas sim pelo total desaparelhamento e pela falta de capacitaçãode alguns (não todos) dirigentes e comandantes. No seu entender, paises de tendencia direitista devem ser mais seguros, porem a sua visão utópica não condiz com a realidade.Os paises mais ordeiros são democráticos e tem policiais treinados e bem pagos em seu território, e também leis duras para todos os que transgridem a lei e a ordem.

  9. Mauricio Postado em 14/Nov/2013 às 11:17

    DITADURA MILITAR, FOI UM MAL NECESSÁRIO!

    • Luizão Bernardo Postado em 10/Mar/2014 às 17:38

      Com certeza foi, um mal necessário a quem oprimia, necessário a quem matava impunemente, necessário a quem expulsava do pais a quem resistia, um mal necessário sem duvidas... Mas necessário a quem mesmo?

  10. Olivares Rocha Postado em 04/Dec/2013 às 17:44

    Há a ditadura de direito, sim criminosa e carniceira. Mas defendiam basicamente a democracia que hoje é usada pra transformar este país em uma ditadura comunista. ora, crimes de guerra foram cometidos pelos dois lados,e os esquerdistas da época não lutavam por ideais democráticos, lutavam sim pela imposição do comunismo neste país, regime político que não deu certo e que só existe hoje por ser ditatorial...e toda ditadura é corrupta e genocida... Hoje usam a política gramsciniana para dominar a plebe.

    • antonio Carlos Milli Postado em 10/Mar/2014 às 18:13

      E Papai Noel era comunista visto que anda vestido de vermelho e corre atrás de criancinhas... Até livros como "Os três porquinhos" e "Chapeuzinho vermelho foram censurados na época kkkkkkkkkk No minimo você dirá que o nome dos três porquinhos eram Vladmir, Illich e Lenin kkkkkkkk

  11. Olivares Rocha Postado em 30/Jun/2015 às 18:44

    Antonio, seu sarcasmo não explica nada. Compare a histpria da expansão nazista, com suas táticas de terror e corrupção, e verá incrivel semelhança com a atual esquerda cavia que domina e explora á falência este país de parvos como os que querem crucificar os que antes defendiam o país de seu dominio. Se não houvesse o golpe militar de 64, hoje estaria vc e eu usando usando máquinas de escrever pois a censura que impera proibe a livre manifestação e vivendo os "idílios" s do comunismo mundial. O grande erro dos golpistas de 64 foi deixar de fora os que hoje vendem o brasil pra China. Logo terá que falar mandarim e adorar Fidel. Agurade.

  12. Olivares Rocha Postado em 30/Jun/2015 às 18:44

    Antonio, seu sarcasmo não explica nada. Compare a histpria da expansão nazista, com suas táticas de terror e corrupção, e verá incrivel semelhança com a atual esquerda cavia que domina e explora á falência este país de parvos como os que querem crucificar os que antes defendiam o país de seu dominio. Se não houvesse o golpe militar de 64, hoje estaria vc e eu usando usando máquinas de escrever pois a censura que impera proibe a livre manifestação e vivendo os "idílios" s do comunismo mundial. O grande erro dos golpistas de 64 foi deixar de fora os que hoje vendem o brasil pra China. Logo terá que falar mandarim e adorar Fidel. Agurade.