Redação Pragmatismo
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Racismo não 11/Nov/2013 às 16:45
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A história da primeira-dama de Nova York

Escritora e engajada politicamente, ela foi vítima de preconceito por causa da cor da pele e de sua sexualidade. Conheça a história de Chirlane McCray, a nova primeira-dama de Nova York

Chirlane McCray nova york
Chirlane McCray e Bill de Blasio, recém eleito prefeito de Nova York (AFP)

A nova primeira-dama de Nova York, Chirlane McCray, tem uma vida que chama mais a atenção do que seu marido, Bill de Blasio, recém eleito prefeito da cidade (o primeiro democrata em vinte anos). Esta mulher negra nasceu na cidade de Springfield e lá ela viveu até 10 anos de idade quando seu pai, um funcionário do militar, decidiu se mudar para Longmeadow, um lugar onde Chirlane McCray descobriu que o mundo não era tão justo quanto ela acreditava e levou-a a tornar-se poeta, escritora e a figura política que é hoje.

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Na época da mudança, os vizinhos “receberam” a família pedindo-lhes para deixar o bairro. Eles foram a segunda família de negros na área e ela a primeira estudante negra na escola. Seus colegas de classe “brincavam” com ela por causa da cor da pele, então a hoje primeira-dama de Nova Iorque calmamente se refugiou nos poemas que escreveu como uma válvula de escape para sua raiva reprimida. Esta foi a sua primeira abordagem ao racismo e intimidação, o que chamam agora de “bullying”. McCray não sentiu-se triste, mas a raiva a levou a escrever e expressar até no seu jornal da escola o seu descontentamento.

Assim que se formou ela foi para Nova York, a metrópole onde, finalmente, seus escritos foram ecoados. Em 1979, no auge da libertação da mulher escreveu um ensaio intitulado “Eu sou lésbica”. A carta tinha a intenção de desmistificar o ditado “negro não é gay”. McCray foi a primeira negra que ousou falar abertamente sobre sua sexualidade. “Em 1970, eu me identificava como lésbica e escrevi sobre isso. Em 1991, eu conheci o amor da minha vida e me casei com ele “, afirmou em 2012.

Em 1991, ela passou a trabalhar com o prefeito David Dinkins em Nova York, onde conheceu Bill de Blasio, de ascendência alemã e italiana. Ela escreveu seus discursos, enquanto ele atuava como vice-prefeito. Em meio às vicissitudes políticas se apaixonou e se casou três anos depois. Hoje eles têm dois filhos, Clara e Dante, que se tornaram alvo de críticas por seus cabelos afro e pelas tranças.

Na campanha de seu marido para prefeito de Nova York, foi ela quem editou as falas e entrevistou candidatos para cada posição. Hoje McCray já entrou para a história como a primeira mulher bissexual que ocupa o cargo de primeira-dama no país. “Eu realmente nunca namorei nenhum homem. Então eu pensei: Uau, o que é isso? Agora eu me sinto atraída por homens. Eu fui atraída por Bill. Ele era a pessoa perfeita para mim. Como duas pessoas muito diferentes, mas temos muito em comum. Somos um casal não convencional “.

Correio Nagô
Edição: Pragmatismo Politico

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Comentários

  1. Caio Postado em 11/Nov/2013 às 18:15

    “Em 1970, eu me identificava como lésbica e escrevi sobre isso. Em 1991, eu conheci o amor da minha vida e me casei com ele “, confessou em 2012. ela nao confessou nada, ela simplesmente afirmou, mas aos olhos preconceituosos desse site é uma confissão.. algo totalmente normal uma pessoa se identificar como lésbica e com o tempo mudar sua sexualidade e viceversa , não há confissão nenhuma na colocação o pior não é nem o preconceito explicito que todo mundo percebe, é o preconceito velado, nas pequenas coisas... sutilezas

    • danusia Postado em 12/Nov/2013 às 02:25

      boa observação, caio.

    • Alexandre Postado em 12/Nov/2013 às 12:07

      É normal para pessoas simplórias, mas se tratando de pessoas públicas no EUA, isso é muito relevante, serve para desmitificar o preconceito...

      • Andressa Postado em 12/Nov/2013 às 13:14

        Acho que o que o Caio quis dizer é que o termo confissão remete a ideia de culpa. E sexualidade não tem nada a ver com isso. A linguagem, às vezes, é um baita de um obstáculo...

  2. renato Postado em 11/Nov/2013 às 19:12

    Poderia pensar em algo positivo. Mas vindo dos USA, nada de novo.

    • alusio Postado em 11/Nov/2013 às 21:42

      Quem sabe se vier de Cuba ou da Coreia do Norte tem algo positivo.

      • renato Postado em 13/Nov/2013 às 00:09

        Quem sabe? Eu sei. Há uma evolução aí, o reconhecimento do fato. Por mais timido que seja.

  3. Thiago Teixeira Postado em 11/Nov/2013 às 19:18

    É muito complicado desvirtuar uma lésbica. Já tentei e me dei mau, quase apanhei! kkkkkkkk Esse Bill tem que tirar o chapéu para ele!

    • José Ferreira Postado em 11/Nov/2013 às 22:00

      Hahahaha!!! Boa, Thiago!!! Alguém poderia fazer isso com uma prima minha...

      • Aracelli Postado em 12/Nov/2013 às 04:29

        Por quê?

    • Aracelli Postado em 12/Nov/2013 às 04:31

      Se a lésbica não for bissexual, vc ñ tem mesmo a menor chance. Então fique na sua.

    • Natália Postado em 12/Nov/2013 às 08:50

      "Desvirtuar uma lésbica" " Tirar chapéu" Meus parabéns por achar que afirmar sua masculinidade é "sou tão macho viril fodão que fiz uma lésbica ficar comigo" , e aliás, se você quase apanhou foi porque com certeza tentou algo que alguém não queria, logo, assédio; pena de gente machista e homofóbica beijaço

    • Sílvia Postado em 12/Nov/2013 às 10:21

      Quanta ignorancia e machismo! Como se lésbicas tinham que ser "desvirtuadas" pro bel prazer de babacas desse tipo.. Pena q não apanhou.

    • bRUNO Postado em 12/Nov/2013 às 12:07

      Devia ter apanhado e perdido 4 dentes da frente...

    • Thiago Teixeira Postado em 12/Nov/2013 às 12:28

      Agora é ser reacionário, machista e de direita abraçar uma velha amiga (lésbica), muito gata, por trás e dar um beijo no pescoço? Então todo o homem ou mulher que levou um fora deveriam estar presos.

      • Natália Postado em 15/Nov/2013 às 09:34

        Tomar um fora é quando você PEDE algo a alguém e não sai beijando os outros, sim vc é um reáça machista, sinto lhe informar; Vai no dicionário e lê CONSENTIMENTO

  4. Mentado Postado em 12/Nov/2013 às 03:03

    Aparentemente, é uma história de vida muito comovente e inspiradora. Poderia ser o roteiro de um bom filme. Agora veremos como essa história acabará: será que eles continuarão fiéis aos seus ideais ou o poder os corromperá e os fará dizerem para que a opinião pública esqueça o que escreveram, o que disseram, o que viveram, como se deu com um certo FHC?

  5. System Of A Down Postado em 12/Nov/2013 às 11:20

    Ela disse que se identificava.Mas em uma certa fase da vida a pessoa pode se descobrir Bissexual.É o que esta escrito no titulo do texto.Primeira Dama Bissexual.Assim como muito hetero em certa fase da vida se descobre gay.Uma lésbica pode se descobrir bi.Uma vez que vc foi lésbica ou gay,o máximo que vc pode ser depois é bissexual.Por n motivos,pq é bom estar com os dois sexos.Pq vc simpatiza com os homossexual,pq vc acaba tendo muito carinho por tudo aquilo.Enfim,ela é bissexual,pode continuar sentido atração por mulheres e ser casada com um cara.Assim como os heteros casados continuam sentido atração,mas estão casados.

    • Thiago Teixeira Postado em 12/Nov/2013 às 12:22

      Cara, não existe isso. O blá blá blá é bonito, contagiante, mas homem casado que sente atração por homem é viado. E casamento não significa atestado de heterossexual, muitos mantém o casamento apenas por status e melhor aceitação da sociedade.

  6. System Of A Down Postado em 12/Nov/2013 às 15:27

    Vc não entendeu nada do que eu disse.....! Eu respondi aos comentários que diziam.Que o sr Bill tinha desvirtuado uma mulher lésbica. Uma pessoa que se identifica como homo,um dia pode se descobrir bissexual.Mas ela no máximo pode chegar ser bissexual,por causa de n motivos.E pq ela esta casada com um homem,não quer dizer que ela seja hetero.Ou que deixou de sentir atração por mulheres.Vc deturpou o que eu disse.Nunca afirmei que casamento era atestado de heterossexualidade.Eu disse exatamente o contrario,como vc pode ver.....E também eu não disse que.Um homem casado que sente atração por outro é viado...Eu disse que assim.Como pessoas heterossexuais casadas,não deixam de sentir atração pelo sexo oposto.Uma pessoa bissexual,casada com outra do sexo oposto (caso da sra Chirlane McCray).Não deixa de sentir atração por pessoas do mesmo sexo. Vc disse que meu comentário era um blá blá blá.Pode ate ser.Porem,esse seu ultimo comentário é pura groselha sem nexo....

    • Thiago Teixeira Postado em 12/Nov/2013 às 18:27

      O que está havendo desacordo é a palavra BISSEXUAL, que no meu conceito não existe, embora é comum pessoas homossexuais se relacionarem de vez em quando com o sexo oposto, e ai serem considerados Bi. Desculpe se te ofendi, não foi a intenção e sim provocar um debate!

      • La Mano Negra Postado em 13/Nov/2013 às 09:19

        No meu conceito você não existe Thiago.

      • Natália Postado em 15/Nov/2013 às 09:36

        MEO DEOS VC DE NOVO. sou o boitatá então, porque sou bissexual, o que pra vc não existe.

  7. Vinicius Postado em 12/Nov/2013 às 18:56

    Pessoas bissexuais existem. Não é questão de conceitos e sim de fatos. A Bissexualidade existe assim como a homossexualidade. A Bissexualidade diz respeito a pessoas que se sentem atraídos por ambos os sexos; ela se manifesta em diferentes fases da vida, isto é, ora o indivíduo vai sentir atração física emocional por alguém do mesmo sexo, ora pelo sexo oposto e vice versa. Um indivíduo bissexual pode ter atração prevalente por um sexo ou outro.