Redação Pragmatismo
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Eleições 2014 24/Oct/2013 às 15:44
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Marina Silva repete na TV a política que diz condenar

Enquanto Marina continua falando em "superar a velha política", seu PSB negocia apoio com Geraldo Alckmin (PSDB) e atrai nomes como Heráclito Fortes e Jorge Bornhausen (ambos ex-ARENA)

marina silva roda viva cultura
Marina Silva durante o programa Roda Viva da TV Cultura (reprodução)

Mais ou menos dentro do esperado, a ex-senadora Marina Silva não falou na segunda-feira (21), durante a entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, sobre propostas de programa de um eventual governo seu. Muito menos apresentou soluções aos problemas brasileiros por ela apontados. Aliás, só o que se viu foi uma Marina rancorosa, destilando veneno e atacando o governo Dilma.

Tudo dentro do script combinado com o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB). Entre as estratégias traçadas pela dupla Campos/Marina para enfrentar Dilma nas eleições do ano que vem, ficou definido que a ex-senadora continuará na linha de frente, batendo na presidenta e, se possível, levando-a a responder aos ataques.

Numa reunião na semana passada, com Marina no diretório nacional do PSB, chegou-se à conclusão de que Dilma “não tem estômago de avestruz” e que não aceitará calada as críticas. A tática de Marina visa a ganhar espaço na imprensa e, claro, alguns votos de eleitores descuidados.

Durante a entrevista na TV estatal tucana, Marina falou também em “superar a velha política”. Mas, enquanto ela fala em velha política – depois de um dia ter declarado que não via diferenças entre Campos, Dilma e Aécio (veja aqui) –, o PSB negocia apoio com o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

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Dono de uma coligação de 14 partidos, Campos aloja em sua administração os aliados que o ajudaram na eleição de 2006 e na reeleição em 2010. Governa ao lado de “velhos nomes” como o deputado federal Inocêncio Oliveira (ex-PL e atual PR), que está no seu 10º mandato de deputado federal (e foi condenado em 2006 pelo Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão por manter trabalhadores em condição análoga à de escravidão em sua fazenda).

É aliado também do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti, que em 2005 cobrou propina para deixar o empresário Sebastião Buani instalar seus restaurantes na Câmara dos Deputados. Quando o escândalo veio à tona, o deputado renunciou para não ser cassado.

O jornal O Estado de São Paulo publicou uma reportagem último dia 13 sobre a chegada de Eduardo Campos ao poder em Pernambuco. Segundo a reportagem, para derrotar Mendonça Filho, à época no PFL, na disputa pelo governo do estado em 2006, o então candidato Campos aceitou dar a Inocêncio Oliveira duas secretarias de governo negadas pelo adversário, à época vice-governador de Jarbas Vasconcelos (PMDB).

Como prêmio por ajudar a tirar Campos do isolamento no início da campanha, Inocêncio pôde nomear um aliado na Agricultura e o primo Sebastião Oliveira, então deputado estadual, para a pasta de Transportes. No atual governo de Campos, o PR de Inocêncio Oliveira controla a Secretaria de Turismo, com o deputado estadual licenciado Alberto Feitosa. No segundo escalão, o PR administra o porto do Recife, com Rogério Leão.

O PSD de Gilberto Kassab assumiu o Instituto de Recursos Humanos. O partido foi criado com a ajuda de Campos. O PP de Severino Cavalcanti comanda a Secretaria de Esportes, com a indicação da filha Ana Cavalcanti.

Já o PTB, de Roberto Jefferson, comandado em Pernambuco pelo senador Armando Monteiro, controlava até sexta-feira (18), quando devolveu os cargos, a Secretaria de Trabalho, Qualificação e Empreendedorismo e o Detran local. O leque de alianças garante controle absoluto da Assembleia.

Sem esquecer que o novo partido da Marina, o PSB abrigou o ex-senador piauiense Heráclito Fortes (ex-DEM e ex-PFL) e o ex-deputado federal Paulo Bornhausen (ex-DEM e ex-PFL), filho do catarinense Jorge Bornhausen. Eduardo Campos, inevitavelmente, vai ter um conflito com o que prega Marina e o que ele faz. Ele condena a entrega de fatias de governo no plano federal, mas faz o mesmo em Pernambuco, entregando poderes para as forças mais conservadoras.

Como se vê, não há inocentes no caso Marina Silva e seu PSB. Só o que muda é a conveniência política. Coisas da “velha política”, a que a ex-senadora não dá sinais claros de disposição de enfrentar, ficando apenas (até quando?) na retórica.

Helena Stephanowitz, Rede Brasil Atual

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Comentários

  1. Marcos Amaral Postado em 24/Oct/2013 às 16:41

    "Içu é di menus, ela é crente entaun vo votá néla." - Crente

  2. Thiago Teixeira Postado em 24/Oct/2013 às 16:50

    Roda Morta.

  3. renato Postado em 24/Oct/2013 às 17:30

    Eu sou crente, e vou votar em DILMA. Já votei em LULA, todas as vezes.E continuei crente. Sou crente, e sou petista. Sou crente e sou de esquerda.

    • renato Postado em 24/Oct/2013 às 17:36

      Esta mulher não me representa!

  4. Igor Postado em 25/Oct/2013 às 13:45

    Votou em Lula e votará na Dilma? e depois não quer ser tratado como alienado, cego sem memória e trouxa, além de ser crente, precisa nem falar mais nada...

    • luiza valdorf Postado em 26/Oct/2013 às 11:43

      Igor, o troll mais troll do planeta. Em que país vc vive? Programa Mais médicos, o sucesso do leilão de Libra, o chega prá lá dado pela Dilma no Obama, tendo agora como aliada a Merkel, as duas mulheres mais poderosas do mundo . DILMA SERÁ REELEITA EM 2014 E VOCÊ É UM ZERO À ESQUERDA. Continue lendo veja, folha, estadão, e outros detritos de maré baixa, Mudar agora vai dar curto-circuito nesse cérebro do tamanho de uma ervilha.. DILMA 2014. VIVA O POVO BRASILEIRO

  5. Dinio Postado em 26/Oct/2013 às 09:41

    É isso que eles querem (a Blá-Blá e o Dudu e sua velha política que não querem um Brasil desenvolvido e soberano ) baixo nível e zero de debate político criativo.

    • Thiago Teixeira Postado em 28/Oct/2013 às 13:44

      Sem condições nenhuma de disputa com o atual governo. Em 2010 eles (PSDB) deveriam ter colocado Aécio para disputar a presidência e adquirir projeção nacional para ter alguma chance em 2014. Não fizeram, agora a Direita retrocedeu e está sem perspectiva de voltar ao governo federal.