Redação Pragmatismo
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Direita 08/Oct/2013 às 16:53
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Burguesia brasileira nos EUA com manias pouco discretas

O nada discreto charme da "burguesia brasileira". Reportagem do The New York Times revela espanto com uma nova mania entre brasileiros de elevado poder econômico: celebrar aniversários e casamentos em terras norte-americanas

burguesia brasileira eua nova york
Casal de empresários organizam festas de luxo para brasileiros nos EUA (Reprodução / NYT)

Em 2012, os turistas brasileiros gastaram US$ 2,4 bilhões com compras e entretenimento em Nova Iorque. Embora o significativo montante possa dizer respeito à ascensão de parte de uma classe média que passou a poder viajar ao exterior, o que impressiona é o recrudescimento de um mercado de luxo com serviços extravagantes, no qual membros da elite econômica brasileira têm se destacado.

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É o que conta uma reportagem do jornal The New York Times, intitulada São Paulo Parties on the Hudson (Festas de São Paulo no Hudson). A matéria é aberta com a história do aniversário de uma criança de três anos, um brunch para uma dúzia de convidados na sala de jantar privada do Hotel Plaza Athénée, na “cidade que nunca dorme”. “O espaço foi sabiamente decorado para parecer uma cena do filme O Rei Leão, repleto de pequenas miniaturas da selva. Outra festa no Dylan’s Candy Bar deu continuidade à comemoração, e então o clímax: uma viagem para assistir O Rei Leão na Broadway”, descreve o periódico contando que, para planejar o aniversário, o custo total teria chegado a US$ 30 mil.

“De acordo com quem organiza os eventos, festas extravagantes como essa são o último exemplo de uma onda de brasileiros que gastam dinheiro em Nova Iorque, com orgias de compras no varejo e de imóveis”, diz o NYT. “O que está acontecendo no mercado de luxo do Brasil é que eles querem se exibir e comprar mais do que compraram antes”, explica na reportagem Clarissa Rezende, que organizou sete festas durante o ano passado para clientes brasileiros na cidade. “Em torno de metade dos nossos clientes querem ir para Nova Iorque fazer seu evento. É um mercado que cresce muito rápido, e nós nem sabíamos que ele existia”, disse a empresária pelo telefone direto de Orlando, na Flórida, onde planejava outro aniversário.

A matéria do jornal conta que “até mesmo em uma cidade como Nova Iorque, conhecida por seus excessos, alguns desses eventos podem parecer um exagero”. Para justificar o espanto, cita um casamento ocorrido em setembro de 2012, estimado em US$ 2 milhões e feito para mais de 400 convidados no Oheka Castle. O evento contou com uma parede de orquídeas, um bar completamente feito de gelo e um DJ vindo de Ibiza, na Espanha.

hotel hudson nova york
Hotel Hudson – Nova York (Divulgação)

O NYT cita ainda a segurança como um dos motivos que levariam brasileiros a promover eventos em Nova Iorque. De acordo com a empresária Clarissa Rezende, que se casou em Las Vegas no Graceland Wedding Chapel em abril do ano passado, esse fator faz com que as cidades norte-americanas pareçam mais atraentes. “Crime no Brasil está ficando cada vez pior,” explicou na matéria. “As pessoas gostam de ter festas em Nova Iorque porque elas podem por suas joias e vestir suas melhores bolsas sem se preocuparem.”

Revista Fórum

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Comentários

  1. Homem-Man Postado em 08/Oct/2013 às 23:21

    É muita caipirice.

  2. ALGOPI Postado em 08/Oct/2013 às 23:25

    A nossa elite é órfã da hegemonia americana. No mundo globalizado não cabe mais certos nacionalismos, mas até para os padrões americanos, a elite brasileira escandaliza. E depois ficam de lá, mandando recado para o país que cuida de seus pobres: #changeBrazil. Por mim, podem ficar por lá, mas teriam que abandonar seus patrimônios por aqui. Nos esqueçam.

  3. Ricardo Vaz Postado em 09/Oct/2013 às 13:00

    Tá vendo? Se o avô da D.Baratinha não fosse mão-de-porco, teria poupado a netinha daquele constrangimento...

  4. Leonardo Cezar Postado em 09/Oct/2013 às 16:23

    Brasileiro é jácu por natureza.

  5. leonardo Postado em 10/Oct/2013 às 13:14

    Não entendo este estigma imposto na nossa trabalhadora classe média. Não se pode relar nos intocáveis ditos vitimizados pelo sistema. O povo não tem sua parcela de culpa também? Somente o governo e quem estudou e lutou a vida inteira para ter um pouco de conforto é obrigado a levar porrada? Quem ralou e se esforçou para ganhar seus míseros R$ 2000,00 por mês merece ser rotulado de burguês? Porque não rotulam de burguês também os internos da fundação casa que custam quase o preço de uma Sorbone por mês aos cofres públicos. Meus pais foram pobres, não se acomodaram, ralaram e estudaram para passar em concurso público, antes de me rotular de coxinha, saiba que eu ando de trem, não uso cartão, consumo conscientemente etc etc

  6. Adalberto Postado em 10/Oct/2013 às 17:52

    Dinheiro é pra gastar, não importa onde e como. Se for ganho honestamente. Caixão não tem gaveta. Melhor que deixar pro filhos desperdiçarem.

  7. Müller Postado em 10/Oct/2013 às 19:09

    Que vergonha! kkk e extremo mal gosto...tanto lugar mais interessante...