Redação Pragmatismo
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Contra o Preconceito 25/Oct/2013 às 12:22
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A nova geração de japoneses que preferem namoradas virtuais

População do Japão vai diminuir por um terço entre agora e 2060. Um dos motivos é o surgimento dos otaku – japoneses que gostam mais de literatura mangá, anime e computadores do que sexo no mundo real

otaku japão sexo
Otakus preferem namoradas virtuais do que mulheres reais (Reprodução)

A não ser que algo aconteça para melhorar o índice de natalidade do Japão, a sua população vai diminuir por um terço entre agora e 2060. Um motivo para a falta de bebês é o surgimento de uma nova “categoria” de homens japoneses – os otaku, que gostam mais de literatura mangá, anime e computadores do que sexo no mundo real.

Tóquio é a maior metrópole do mundo, com 35 milhões de habitantes, e é difícil acreditar que natalidade seria um problema aqui.

Mas Akihabara, área da cidade com forte tradição de cultura mangá e anime, oferece uma pista sobre um dos problemas do país. Akhibara é o paraíso dos otaku.

Trata-se de uma geração de nerds que cresceu durante os últimos 20 anos de estagnação econômica. Eles preferiram se desligar do resto do mundo e imergir em suas fantasias. Hoje adultos, eles seguem com esse comportamento.

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Kunio Kitamara, da Associação Japonesa de Planejamento Familiar, descreve estes japoneses como “herbívoros” – passivos e sem desejo carnal.

Como no colégio

Eles são muito diferentes dos ambiciosos “machos alfa” do pós-Guerra, que na consciência coletiva do Japão foram responsáveis por reerguer o país e transformá-lo em uma superpotência.

Já os otaku vivem uma vida mais sedentária e com pouca interação com o sexo oposto.

Uma pesquisa do ministério da Saúde, Trabalho e Bem-Estar em 2010 afirma que 36% dos japoneses com idades entre 16 e 19 anos não têm interesse em sexo – o dobro do registrado no levantamento realizado dois anos antes.

Dois otakus – Nurikan e Yuge – conversaram com reportagem da BBC Mundo sobre suas namoradas virtuais. As “meninas” chamam-se Rinko e Ne-ne, e são partes do jogo de vídeogame Love Plus, da Nintendo.

“É o tipo de relacionamento que gostaríamos de ter tido quando estávamos no colégio”, diz Nurikan.
No jogo, ele tem 15 anos, apesar de na vida real estar com 38.

“Enquanto eu tiver tempo, vou continuar com esse relacionamento para sempre”, diz Yuge, de 39 anos.

“Como ela está no colégio, ela passa para me pegar pela manhã e vamos juntos para a escola. Depois da escola, nos encontramos nos portões e vamos para casa juntos. No jogo, eu tenho 17 anos de idade.”

Yuge diz que costuma colocar Ne-ne – ou pelo menos a capa do jogo do Nintendo – em sua bicicleta, e que tira fotos junto com o jogo em vários lugares.

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Pesquisas mostram que mesmo quando estão em relacionamentos, japoneses e japonesas têm poucas relações sexuais (Reprodução)

Ele é solteiro e tem vontade de conhecer uma mulher de verdade. Já Nurikan é casado. Mas ambos dizem que é mais fácil ter uma namorada virtual do que uma real.

“Na escola, você pode ter relacionamentos sem pensar sobre casamento. Com namoradas de verdade você precisa sempre considerar se vai casar. Então eu penso duas vezes antes de namorar uma ‘mulher 3D'”, diz Yuge.

Nurikan diz que sua esposa real não sabe da existência de Rinko, e espera nunca ter que escolher entre uma das duas.

Pais

Especialistas não sabem dizer exatamente porque esse mundo de fantasia tem tanto apelo entre os otaku.

O sociólogo Roland Kelts, baseado em Tóquio, diz que muitos japoneses são pessimistas sobre seu futuro. Eles não acreditam que terão a possibilidade de igualar a renda de seus pais, e por isso não querem se comprometer com relacionamentos.

“Se você comparar com China e Vietnã, por exemplo…Ali, a maioria dos jovens vão de moto para boates e dançam bastante, talvez tendo relações sexuais, pois eles sabem que estão melhorando, que vão superar a renda dos seus pais. No Japão, ninguém se sente assim”, diz ele.

Muitas pesquisas mostram que mesmo quando estão em relacionamentos, japoneses e japonesas têm poucas relações sexuais. Um levantamento mostra que apenas 27% disseram fazer sexo todas as semanas.

O número de casamentos também desabou, assim como a quantidade de bebês nascidos fora do casamento.

Outro problema populacional no Japão é a falta de imigração. Na Grã-Bretanha, uma em cada oito pessoas nasceu no exterior, comparado com uma em 60 no Japão. As regras de imigração seguem muito rígidas no país.

O Japão mantém sua cultura singular no mundo globalizado, mas em alguns casos – como no dos otaku – isso pode ser até mesmo prejudicial para os problemas populacionais do país.

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Comentários

  1. lucas Postado em 25/Oct/2013 às 12:42

    Oh, admirável mundo novo! Já dizia aldous huxley

    • Olegário Almeida Postado em 26/Oct/2013 às 13:24

      Foi Shakespeare quem disse isso. Huxley só fez a citação. Se além de citar o nome do livro do Huxley v. também tivesse lido, saberia disso.

  2. Bola Postado em 25/Oct/2013 às 13:11

    Parece piada pronta, Japão preocupado com a proliferação de...otakus!!!!

  3. Leandro Otaku-comedor Postado em 25/Oct/2013 às 13:24

    Pessoal, sem sensacionalismo. O problema não são os otakus, os otakus são uma parcela pequena da população japonesa. A questão toda é o dia-a-dia extremamente estressante dos japoneses, em relação ao trabalho, estudos, pois eles sofrem muita pressão para serem bem sucedidos. É algo cultural. Por isso muitos deixam relacionamento homem-mulher de lado, pra ter menos uma responsabilidade pra se preocupar.

  4. renato Postado em 25/Oct/2013 às 14:56

    Olhem bem, é nisto que vocês vão se transformar. Porque eu já fui até lá. Este é o exemplo de Avanço Tecnológico. Não há como escapar. Portanto larguem mão de ficar jogando games, e vão jogar bola e passear com as meninas, no campo ou na fazenda. Vão conhecer galinha viva. Porco, cavalo e vaca. Vão tomar leite e comer polenta com açúcar e canela. E também, vejam se conseguem ao menos arar cinquenta metros com uma enxada, tirar as banhas. Larguem mão de ficar cozinhando o Zóio no PC. Membro que não se usa, atrofia , e não pense bobagem, falo dos braços e pernas. E não esqueçam da camisinha e do RESPEITO. Não precisa ser um Samurai, basta ser um jovem, que tem a certeza que vai envelhecer.

    • Anny Postado em 25/Oct/2013 às 15:25

      Ih amigo, considerando que o problema é a baixa natalina, o conselho melhor a se dar seria: esqueçam da camisinha. Mas não se preocupe, no Brasil não temos esse problema, ahaha.

    • guliver Postado em 25/Oct/2013 às 17:28

      não precisa ser um samurai foi a melhor cara (Y)

  5. Lucas Postado em 25/Oct/2013 às 15:14

    renato, toda essa paisagem bucólica descrita é muito interessante, mas não passa de romantização da realidade. Vai ver o quanto você curte capinar na prática. Ou tirar o leite da vaca. Uma vez ou outra como ecoturismo não vale. Tem que ser todo dia como a população rural de verdade faz. Lógico que tem vantagens, mas comparar o pior de uma possibilidade com a melhor (e romantizada) de outra é injusto, deixa de considerar diversos outros fatores como sentido e valor da vida por exemplo, coisas extremamente subjetivas para serem resumidas em um argumento naturalista.

    • renato Postado em 25/Oct/2013 às 17:23

      Lucas você manda bem. Mas meu querido, existe idade para fazer todas estas coisas, e o lugar onde vivemos conta, por isto no Brasil ainda dá para andar no Campo, sem pagar para fazer ecoturismo, acredite, que num pequeno terreno dá para você criar ao longo do tempo, um mundo romantizado, acredite, eu o fiz em 36 anos. E todo dia dá para bater uma enxada, uma cortadeira, um cortador de grama, uma arvore e um livro, uns cinco cachorros, umas frutas aqui, umas verduras ali. Dá para fazer, é só não perder tempo na internet. A não ser que queira saber quando é que se pode arvore de caqui, e outros. Portanto, por favor, ache tempo para fazer as coisas, casar, ter filhos, convidar os amigos e parentes para comer milho verde ou fazer pamonha. E quando a lua estiver cheia, e um pouquinho frio, pegue D." Maria", e vá namorar sentado no banco da varanda. Outra coisa, nada é de graça, em tudo o você tem,vc tem que ver seu suor. Agora vá lá, e de um beijo em sua amada!

      • Mentado Postado em 19/Nov/2013 às 02:21

        Não importa se estás certo ou errado, o que importa é que você encontrou o modus vivendi que lhe faz feliz. Admiro pessoas que são verdadeiramente livres em suas convicções. Abraços e boa sorte!

  6. Thiago Teixeira Postado em 25/Oct/2013 às 15:49

    Caso governo Japonês precise de reprodutor, estou a disposição para atender as Japinhas.

    • Carol Urokawa Postado em 26/Oct/2013 às 13:45

      Pelo sobrenome você não tem pedigree.

      • Mentado Postado em 19/Nov/2013 às 02:28

        Se a sua intenção foi combater o comentário machista e desrespeitoso do Thiago, perdoe-me, o meu comentário não é para você, ignore-o, por favor, contudo, se você é racista, isto é para você: Você tem pedigree, e os meus cães também...

  7. diego f Postado em 25/Oct/2013 às 16:04

    No japão sempre tiveram problema para ser relacionar .. Não problema dessa geração e sim da cultura. Lá e falta de educação pergunta como a família do outro ta Tanto que a maioria dos animes são valorizando o laço da amizade para tentar fazer crescer isso.

  8. Cássio Postado em 25/Oct/2013 às 16:56

    Sensacionalismo da reportagem...o problema é bem maior que os tais Otaku. Em um país onde a população é cada vez mais idosa, fica complicado a capacidade de reprodução dessa população. E esse não é um problema só Japonês...o 1º mundo como um todo, excluindo os Estados Unidos (graça a imigração latina), tem sofrido com o problema. Prevejo que nos próximos anos teremos uma reviravolta quando a essa questão da imigração nesses países, que provavelmente será flexibilizada.

  9. Guliver Postado em 25/Oct/2013 às 17:25

    deixa assim , ai quando vai um estrangeiro louco pra transar , vai conseguir facil facil ... ridiculo .

  10. Anderson Nunes Postado em 25/Oct/2013 às 23:04

    Sou otaku e faço sexo, jogo videogame e trabalho, uso computador e pratico esportes....realmente nao entendi porque 0.0001% dos otakus-fanáticos( assim como existe fanático por religião, futebol, etc) ser considerado a totalidade de sua classe. Então peço que antes de GENERALIZAR, busquem saber mais do que estão falando, assim vocês ofendem toda uma cultura nerd/otaku com essas postagens. Afinal, otaku noa é um cara que não vive uma vida "real", e sim, um adorador do japão e sua cultura.

  11. Cheryn Postado em 26/Oct/2013 às 00:57

    Na minha opinião essa matéria é preconceituosa e sensacionalista. Mal-feita, não explica nada e só usa de suposições. Esse site faz muitas matérias boas, mas essa sinceramente, extremamente rasa.

  12. Adalberto Postado em 10/Nov/2013 às 20:08

    Que o japonês é um povo esquisito, isso é verdade...

  13. Beatriz Postado em 16/Nov/2013 às 00:47

    Pelo menos há uma vantagem: Lá o nível de estupro deve ser baixo já que a maioria dos homens de lá não costumam correr atrás da mulherada e preferem as namoradas virtuais rsrsrsrsrs