Redação Pragmatismo
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Guerra injustificável 02/Sep/2013 às 13:17
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Rússia atacará Arábia Saudita caso EUA bombardeie Síria

Rússia poderá atacar a Arábia Saudita caso Ocidente inicie bombardeio à Síria

Um memorando classificado como urgente, segundo fontes militares russas, foi expedido pelo escritório do presidente Vladmir Putin, nesta quarta-feira, e ordena um ataque massivo da Rússia contra a Arábia Saudita caso as forças da Organização do Tratado Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês) ataquem a Síria. A informação, que não foi confirmada oficialmente pelo governo russo, conteria instruções semelhantes a uma ordem de guerra, expedida há cerca de um mês por Riad, na qual o governo muçulmano teria declarado que, caso a Rússia não aceitasse a derrota de Bashar Al Assad, os sauditas iriam arregimentar militantes na Chechênia para “aterrorizar” os XXII Jogos Olímpicos de Inverno que a Rússia realizará na cidade de Sóchi.

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Charge: Vitor Teixeira (https://www.facebook.com/vitortegom)

Fontes militares russas também informaram, nesta manhã, que uma flotilha, liderada pelo contra-torpedeiro Almirante Chabanenko, aproxima-se do porto sírio de Tartús. Segundo informes lidos pela rádio militar israelense Debka, desde o último sábado o exército russo está em estado de alerta frente a um possível ataque dos EUA, Grã-Bretanha e França contra a Síria. Segundo a agência russa de notícias RNA, além da Rússia, outros países aliados dos sírios recusam-se a colaborar com os planos bélicos do Ocidente.

Em Nova York, nesta tarde, ocorria uma reunião fechada dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Rússia, Reino Unido, China, França e EUA) sobre a situação na Síria. A reunião foi convocada por iniciativa dos Estados Unidos. Sabe-se também que a lista de participantes ainda poderá ser expandida nas próximas horas e o centro da discussão é um projeto de resolução britânico sobre o possível uso da força contra Damasco. Mais cedo, o vice-ministro do Exterior russo, Guennadi Gatilov, declarou que, se qualquer país usar a força contra a Síria, contornando o Conselho de Segurança da ONU, isso poderá ser considerado como uma flagrante violação do direito internacional.

‘Passeio no inferno’

Mas o possível bombardeio dos EUA e demais potências ocidentais, que poderá ocorrer dentro de mais algumas horas, não será uma atividade turística no Oriente Médio. Ao contrário do que ocorreu com Gaddafi, na Líbia, o governo de Damasco não está isolado. Potências nucleares como Rússia e China podem transformar a ação bélica norte-americana em “um passeio no inferno”, segundo aquelas fontes militares russas. Na ONU, ambas as nações asiáticas já vetaram qualquer ataque ou manobra militar contra os sírios. Depois, o Irã, maior potência militar do Oriente Médio, com um exército regular de dois milhões de militares efetivos e mais um milhão de guerreiros muçulmanos mobilizados, fundamenta sua sobrevivência regional na existência do regime de Damasco.

Em terceiro lugar, ainda segundo a RNA, Israel, o terceiro braço da Otan na região, encontra-se cercado por forças do Hezbolah, aliados de Síria e Irã, por um lado, e por mísseis e forças em terra do Hamas, na Faixa de Gaza; além do exército sírio, com aviões e mísseis de médio alcance. Mesmo o Iraque, com um governo xiita, é aliado preferencial do Irã e já negou seu espaço aéreo a qualquer incursão militar contra a Síria.

“Em quarto lugar, qualquer intervenção militar estrangeira na Síria desataria uma ação dos curdos contra a Turquia, aliado das forças ocidentais”, segue a agência russa de notícias, em análise divulgada nesta quarta-feira. E, por último, o Egito, hoje controlado por militares aliados dos EUA e Israel, poderá mergulhar em uma divisão anárquica, protagonizada por diferentes grupos islâmicos fundamentalistas, ainda dispersos por uma coalizão de forças que mantém o país unificado. Ao menor sinal de distúrbios na Síria, o Irã também poderá bloquear o Estreito de Ormuz, por onde escoam cerca de 40% de todo o petróleo consumido nos EUA e Europa.

Provas em contrário

Ao contrário do que afirmam a Casa Branca, em Washington, e o número 10 da Downing Street, em Londres, não há provas contundentes de que a ordem para o ataque com armas químicas à região ocupada por rebeldes, na Síria, tenha partido de Damasco. Nesta quarta-feira, segundo o especialista militar Joseph Watson, do Infowar, um sítio na internet especializado em estratégias militares, o panorama ficou ainda mais embaçado com o vazamento de um telefonema interceptado pela inteligência israelense. Segundo o serviço de inteligência de Jerusalém, a ordem para um ataque com armamento químico não teria partido do Ministério da Defesa de Assad, pois o ministro Moshe Ya’alon, em pessoa, teria telefonado, em pânico, para a unidade de armas químicas do exército sírio em busca de notícias sobre o uso de gás de nervos, em uma ação que teria matado cerca de mil pessoas, apenas uma hora depois de veiculada a notícia pelas agências internacionais.

“Por que o ministro sírio da Defesa faria um telefonema desesperado, no qual ‘exigia respostas imediatas’ para o ataque com armas químicas se fosse ele quem o ordenou”, questiona o informe da inteligência de Israel, publicado no Infowar. “O fato de que o alto comando do governo sírio aparentemente não sabia do ataque sugere, fortemente, que eles não deram a ordem para tanto, em um cenário no qual a liberação do agente químico teria sido realizado pelos próprios rebeldes ou por ‘oficiais sírios que agiram por conta própria, acima das ordens de seus superiores”, acrescentou o especialista do site Foreign Policy Noah Shachtman.

Um oficial de inteligência dos Estados Unidos também disse ao Foreign Policy que todos no Pentágono estão querendo, até agora, entender exatamente o que houve mas, seja lá quem ordenou o ataque, “fez uma coisa realmente estúpida”. Se, mesmo sem saber exatamente o que houve de verdade, porque o ataque aconteceu e quem o ordenou, sem que os técnicos das Nações Unidas investiguem o incidente, os EUA lançarem um ataque de mísseis contra a Síria, “potencialmente inflamará toda a região”, acrescenta Shachtman.

Para deixar a situação ainda mais confusa, há evidência prévias que sugerem a participação de rebeldes, com o apoio norte-americano, no preparo e uso de armas químicas em numerosas ocasiões, completamente esquecidas devido ao rumo dos acontecimentos. Na última vez que a ONU investigou evidências de uso de armas químicas na Síria, os inspetores concluíram que parecia obra dos rebeldes e não das forças regulares do regime de Assad.

“Em adendo, conversas telefônicas vazadas entre integrantes do (exército rebelde) Free Syrian Army revelaram detalhes de um plano para a liberação de armas químicas em um ataque capaz de impactar uma área de cerca de um quilômetro”, acrescenta o Infowar.

O vice-chanceler sírio, Faisal Maqdad, também disse, nesta quarta-feira, que Estados Unidos, Grã-Bretanha e França ajudaram “terroristas” a usar armas químicas na Síria, e que os mesmos grupos vão em breve atacar a Europa com essas armas. Falando a repórteres do lado de fora do hotel Four Seasons em Damasco, Maqdad disse que apresentou provas aos inspetores de armas químicas da ONU de que “grupos terroristas armados” usaram gás sarin em todos os locais dos supostos ataques.

– Nós repetimos que grupos terroristas são aqueles que usaram (armas químicas) com a ajuda dos Estados Unidos, Reino Unido e França, e isso tem que parar. Isso significa que essas armas químicas serão usadas em breve pelos mesmos grupos contra o povo da Europa – acrescentou.

Ainda assim, os navios da Marinha de Guerra dos EUA e da Frota Real do Reino Unido que estão no leste do Mediterrâneo, possivelmente, efetuarão um ataque aéreo contra alvos na Síria já na noite de quinta para sexta-feira, logo depois da votação no parlamento britânico em apoio da operação militar contra o regime sírio, informa a imprensa e televisão norte-americanas. Pressupõe-se que o ataque pode durar várias horas, entre objetivos principais citam unidades do Exército da Síria que podem potencialmente usar armas químicas, bem como os Estados-Maiores, centros de comunicação e complexos de lançamento de mísseis, afirma a mídia, se referindo a uma fonte anônima no Pentágono.

Correio do Brasil

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Comentários

  1. Samuel Postado em 02/Sep/2013 às 14:38

    Apenas um comentário chulo: Isso vai dar m**da

  2. Luiz Postado em 02/Sep/2013 às 14:45

    O que eu ouvi foi que a Arábia Saudita estava barganhando acordos com a Rússia para que ele aandonassem o apoio à Assad. Há tempos, inclusive.

  3. Mariah Postado em 02/Sep/2013 às 15:05

    Vish!

  4. bianco Postado em 02/Sep/2013 às 17:19

    o sistema capitalista vive sobre uma navalha, vemos um futuro sombrio, a classe trabalhadora tem o dever de lutar para que as próximas gerações tenham um futuro!

  5. guilherme Postado em 02/Sep/2013 às 17:23

    Por favor, nao publiquem nada do Infowars, site da extrema direita fantasiosa e teorico-conspiracionista. P.P. me deixou decepcionado...

    • Igor Postado em 03/Sep/2013 às 14:50

      Publiquei. Não gosto do modelo de governo dos EUA

      • Luiz Postado em 04/Sep/2013 às 23:39

        Os EUA estão mesmo envolvidos com Iluminatis e Reptilianos, Igor?

  6. marcos Postado em 02/Sep/2013 às 17:34

    Será que eles aceitam nossos traficantes e presidiários para combater?

    • Maíra Postado em 03/Sep/2013 às 08:54

      Será que eles aceitam nossos POLÍTICOS(piores que traficantes e presidiários) para combater?

  7. michel stamatopoulos Postado em 02/Sep/2013 às 19:20

    Desculpem a ignorância, mas qual o tamanho da importância da Siria, para Russia e China...???

    • Bernardo Postado em 02/Sep/2013 às 23:15

      Parte da esquerda tem classificado aquilo como uma revolução do povo. Algo absurdo. Revolução com alianças imperialistas, via OTAN, Al Qaeda, Qatar, Arábia Saudita? Não existe! Eles estariam agindo contra o ditador, só que há o apoio de um monte de organizações de fora. Apesar do que está sendo dito, até oficialmente, acho improvável que ocorra essa intervenção direta dos EUA. Se ocorrer, creio que Rússia e China também ingressarão e o conflito transcenderá as fronteiras da Síria. Desde o início do conflito os EUA têm financiado setores da oposição. O governo estadunidense esperava que a derrubada do regime ocorresse com menos turbulência. Certamente eles já devem ter um plano B de invasão direta, como tinham para a Líbia quando derrubaram Kaddafi, e como devem ter para o Egito caso o aporte bilionário dado aos militantes desse país não seja suficiente para conter as revoltas populares. Todos têm olhos voltados para as reservas de gás e os estratégicos gasodutos de lá. Ninguém vai querer abrir mão de tacar um pedaço. A Rússia vem perdendo espaço na Ásia desde a desfragmentação da URSS. Não permanecerá assistindo de camarote a queda de um governo que apóia substituído por um marionete dos EUA. Posso estar chovendo no molhado ao dizer o óbvio, mas puxemos algumas lembranças recentes. Em 2008 a Ossétia do Sul declarou-se emancipada da Geórgia. Os russos foram rápidos e enviaram tanques e aviões para garantir o processo de secessão. Lembra? O governo Bush, à época, foi pego de calças curtas e teve de engolir a agressão contra seu aliado. EUA e Rússia não se confrontaram diretamente, mas financiariam organizações oficiais e paramilitares. E qual o mote daquele conflito? Região militarmente estratégica e gasodutos. Agora os EUA percebem uma brecha que tentam explorar na Síria. Seria um revide. Não creio que se concretize um conflito de intervenções diretas dos EUA e da Rússia, um contra o outro, mas a continuidade desse formato terceirizado. Espero eu. O que está me parecendo possível é mesmo a secessão do país, o que significaria, por um lado, uma derrota simbólica para a Rússia e, por outro, um mal menor do que a queda do regime que os russos apoiam por uma organização pró-EUA. Faço menção ao conflito da Ossétia do Sul e da Geórgia porque, naquele momento, foi bastante paradigmático para tentar entender a rearticulação das ofensivas imperialistas na Ásia com o fim da URSS. A China demanda combustíveis fósseis, principalmente o gás, sua matriz energética. Como os EUA são um parceiro comercial fundamental (tanto para um quanto para outro), creio que a China, indisposta em entrar no conflito (tem seus próprios problemas com Tibet etc.), não vai querer território, mas os recursos que possam ser negociados com um ou outro, desde que a disputa não atrapalhe isso. A China seria decisiva para garantir uma "paz" nesses termos. E tem o agravante da Síria ter fronteiras dom Israel e Iraque. Se fundamentalistas islâmicos da Al-Qaeda ou insurgentes patrocinados pelo Hezbollah tomam o poder, aí o caldo engrossa. São algumas opiniões sem uma reflexão mais detida. Preciso ler e debater mais a respeito.

      • Olavo Postado em 03/Sep/2013 às 01:34

        Parte da esquerda não, só o PSTU!

      • Luiz Souza Postado em 05/Sep/2014 às 13:11

        Eu já ia xingar o Bernardo, mas a memória boa do Olavo lembrou-me de que ele tem razão. Amigos do PSTU vieram, há um ano atrás, me falar que Assad deveria cair. Disse lhes que nem Assad, nem Kadafi e muito menos Saddam poderiam ter caído. Eles pensaram que a Primavera Árabe era algo como as manifestações de 2013 em SP onde estiveram envolvidos desde o começo. Não tem nada a ver uma coisa com outra e espero que o PSTU - já bastante desgastado e isolado politicamente - reconsidere e assuma o erro de avaliação.

    • Gabriel Postado em 02/Sep/2013 às 23:20

      É um dos únicos países da região que os EUA não têm influência direta além de ser um ponto estratégico para os Russos

    • Marcus Postado em 03/Sep/2013 às 00:00

      A primeira guerra mundial começou com a Russia defendendo a Servia,oque é a servia?Mas por volta desse conflito a um conjunto de fatores que estão agregados. Não olhe a Síria como a pequena e insignificante nação,mas observe oque esta por trás dela.

      • poisé Postado em 20/Sep/2013 às 19:07

        sim, o que esta por tras disso seria uma terceira guerra mundial.

  8. Hudson Postado em 03/Sep/2013 às 08:21

    Armagedon

  9. EU DAQUI Postado em 21/Mar/2014 às 11:04

    MATAR ÁRABES É FACIL E DIVERTIDO, NÉ? POR QUE RUSSOS E ESTADUNIDENSES SIMPLESMENTE NÃO SE MATAM TODOS UNS AOS OUTROS? TALVEZ AÍ ENTÃO O MUNDO CONSIGA AVANÇAR UNS 1000 ANOS DA NOITE PARA O DIA.