Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 27/Sep/2013 às 10:30
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A ilusão do padrão de beleza das mulheres da TV

Mulheres não se identificam com padrão de beleza mostrado na TV. Pesquisa revela que padrão feminino mostrado nos comerciais é completamente diferente da realidade

“Eu gosto de minhas cicatrizes, dobrinhas e marcas”. A administradora Ludmila Lemos, 26 anos, não é a única que gostaria de ver mais mulheres “normais”, como ela, aparecendo nos comerciais de TV. Segundo a pesquisa Representação das Mulheres nas Propagandas de TV, realizada pelo Instituto Patrícia Galvão em parceria com o Data Popular, 65% dos 1.501 homens e mulheres de 100 municípios brasileiros ouvidos acham que o padrão de beleza feminino mostrado nos comerciais de TV é diferente da realidade.

Enquanto a chamada classe C representa 53% da população brasileira e ganha, em média, R$ 1.450, a pesquisa aponta que 73% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres de classe alta, enquanto 83% dos homens e mulheres ouvidos veem as mulheres reais como sendo de classe popular.

Para 83%, os cabelos lisos aparecem mais, quando o que a maioria dos brasileiros gostaria de ver são os crespos e cacheados. Outros 80% consideram que as propagandas na TV mostram mais mulheres brancas, quando o próprio Instituto de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que 51% dos brasileiros se diz negro ou pardo.

Padrão

“Localmente falando, acho que é uma falta de alinhamento com a realidade étnica”, diz a publicitária e diretora de Atendimento e Planejamento da agência de comunicação Ideia 3, Renata Schubach, sobre comerciais baianos que usam modelos com traços nórdicos. Ela acredita, entretanto, que as propagandas nacionais usam mais pessoas brancas porque as maiores empresas de publicidade se concentram no Sudeste e Sul do país. “Lá tem a predominância de loiros”, diz.

mulheres na tv padrão beleza
(Fonte: Data Popular)

Ela também acha que o Brasil representa mulheres de forma diferente da realidade porque repete os padrões internacionais, seguindo uma lógica de mercado. “Se você pega as campanhas da Victoria’s Secrets, todas têm loiras magérrimas e de olhos claros. Uma negra como Naomi Campbell aparece na publicidade de 30 em 30 anos”, exemplifica.

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A pesquisa também revela que 84% concordam que o corpo da mulher é usado para promover a venda de produtos nas propagandas na TV, e, para 60% dos ouvidos, as mulheres ficam frustradas quando não têm o padrão de beleza que veem na televisão.

Questão delicada

Para a socióloga Petilda Vazquez, a questão é delicada porque as campanhas publicitárias reeditam a cultura da mulher como um objeto. “Essa ideia de só mostrar mulheres jovens, brancas, bonitas e com corpos esculturais é um traço discriminatório de uma sociedade que não lida bem com diversidades culturais”, acredita.

É nociva, de acordo com a socióloga, a representação de padrões estéticos que não correspondem à realidade como sendo os ideais. “Quem não estiver dentro desse padrão vai se sentir pressionado. Você acha que o homem se sente mais viril dentro de uma Brasília amarela ou de um Camaro amarelo?”, exemplifica.

Correio 24 horas

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Comentários

  1. Alexsandro Postado em 27/Sep/2013 às 11:19

    É que nem nos comerciais de cerveja, onde só tem mulheres bonitas esbanjando simpátia, e homens sarados. Não é bem o que acontece.Tem alguns comerciais também que vejo, é gente residindo em casa boa com piscina e tudo. Não é que vemos na realidade brasileira, pelo menos não na maioria.

    • Lucia Postado em 27/Sep/2013 às 11:36

      E as mulheres nestes comerciais são tratadas como objetos!

      • Vivian Postado em 27/Sep/2013 às 15:19

        Fato. E os caras na rua acham que agente podem e gostam de ser tratada assim também.

    • Guilherme Postado em 27/Sep/2013 às 11:57

      O padrão de beleza das ruas é a feiura.

      • Mama Postado em 27/Sep/2013 às 12:12

        e o seu padrão é a ignorância e Preconceito

      • Ana Paula Souza Postado em 27/Sep/2013 às 12:29

        Guilherme, é justamente esse o ponto: considerando que o discurso midiático modela nossa percepção de mundo e, principalmente, nossa percepção estética, ele logo opera nos afirmando o que não é belo. Porque belo é o que se encontra nele. Se não temos diversidade, e temos apenas um padrão na publicidade, tv, etc., qualquer outra composição nos será anti-estética, feia, porque é o que a mídia como um todo está nos dizendo a cada minuto. Nossa percepção do belo está intrinsecamente ligada a produção midiática. Daí a importância (política) de existir pluralidade (principalmente pelo fato de o Brasil ser tãaao diverso)

    • Vivian Postado em 27/Sep/2013 às 15:18

      A verdade é que essa gente até evita ou não toma cerveja.

  2. João Victor Postado em 27/Sep/2013 às 11:21

    Predominam os loiros?

    • Wilame Lima Postado em 27/Sep/2013 às 12:14

      "Ela acredita, entretanto, que as propagandas nacionais usam mais pessoas brancas porque as maiores empresas de publicidade se concentram no Sudeste e Sul do país. “Lá tem a predominância de loiros”, diz." - No Sul da Noruega, talvez...?

    • Ana Paula Souza Postado em 27/Sep/2013 às 12:24

      Não só loiros, João Victor. A estética mais valorizada é a de cabelos claros, lisos, olhos também claros, corpo jovem e magro e, é claro, pele branca. Joel Zito aponta esse padrão como "estética ariana", que é preferência de toda a mídia no Brasil

    • Marco Cardoso Postado em 27/Sep/2013 às 13:53

      Pensei a mesma coisa. No sul, talvez. No sudeste, nem pensar.

      • Bruno Postado em 28/Sep/2013 às 14:47

        Aqui no sul predomina o estilo "português/italiano/", brancos, mas de cabelos e olhos escuros. Em algumas cidades de colonização alemã, como Blumenau e Joinville em Santa Catarina existem muitos loiros, mas mesmo assim ficam longe de serem maioria.

  3. Polyana Postado em 27/Sep/2013 às 12:05

    É sempre assim mesmo. Pior quando vemos propaganda de cosmético, por exemplo, eles colocam uma mulher, geralmente atriz, com o cabelo mais lindo, liso e 'perfeito do mundo' e então quando você vê realmente a tal atriz, percebe que o cabelo dela é tão ruim quanto o seu. Rsrsr.... Eu sinceramente não me apego a essas propagandas. O mesmo acontece com propagandas com bebês. Eles geralmente parecem príncipes. Seria interessante uma propaganda voltada para a realidade brasileira da maioria da população.

  4. Carolyne Postado em 27/Sep/2013 às 13:33

    De fato, Renata Schubach, desconhece o sul e sudeste do país. Eu particularmente conheço todas as capitais do sudeste e em nenhuma delas predominam loiros. Já no Sul, só conheço duas cidades de SC, ainda assim não predominam loiros. As campanhas publicitárias se baseiam apenas numa classe e num biotipo, não está nem aí para diversidade étnica e cultural.

  5. Gustavo G Narciso Postado em 27/Sep/2013 às 16:22

    Eu penso da seguinte maneira, acho que as propagandas não funcionam tentando mostrar o próprio consumidor. Mostram o que os consumidores gostariam de ser ! Por exemplo uma consumidora de perfumes fica extasiada com a belíssima ( e maquiadíssima diga-se de passagem ) Charlize Theron, totalmente europeia ( embora americana ) dos cabelos loiros. Se a população mundial é maioria parda ? Porque ser branco parece ser mais rico, parece ser mais bonito ( só parece ! perceberam ?) Parece mais chique, etc, etc. Assim nunca as propagandas querem mostrar o consumidor mas passar a ilusão de que comprando determinado produto ele será mais, terá mais status social que outros !

    • Olga Postado em 27/Sep/2013 às 20:49

      Tem razão, Gustavo. O sucesso da propaganda está galgado na ideia de que ser branco e rico é o máximo que alguém desejaria ser. A receita publicitária tem seu sucesso partindo do nosso próprio racismo e discriminação. E aí ficamos com um paradoxo: quem influencia quem? a propaganda, ao colocar as brancas macérrimas-de-sorriso-perfeito como "O" esteriótipo de beleza? ou a própria sociedade brasileira (desde sempre racista, elitista, preconceituosa) que impulsiona a publicidade a adotar tais concepções? (se retroalimentam!!)

    • fernanda Postado em 28/Sep/2013 às 08:55

      Charlize Theron nasceu na África do Sul :D e concordo com o que vc disse. Agora, o que vejo atualmente é mimimi....ora bolas, ficar se sentindo mal pq não é igual à modelo belíssima da TV?! me poupe....as pessoas precisam amadurecer...todo mundo se sente super ofendido por tudo...parecem criancinhas mimadas incapazes de lidar com sentimentos e impressões...

    • EULER Postado em 28/Sep/2013 às 09:01

      Ótima e objetiva percepção dos fatos, parabéns

  6. Amanda Postado em 27/Sep/2013 às 16:52

    Ela acredita, entretanto, que as propagandas nacionais usam mais pessoas brancas porque as maiores empresas de publicidade se concentram no Sudeste e Sul do país. “Lá tem a predominância de loiros”, diz. ---> le "tudo loiro de farmácia", né? Isso não justifica NADA.

  7. Geraldo Postado em 28/Sep/2013 às 15:29

    Há uma diferença bem grande entre pardos e negros, a forma como o gráfico foi exibido coloca como se negros e pardos fossem a mesma coisa, quando na verdade não são.

  8. Ricardo Machado Jorge Postado em 28/Sep/2013 às 23:20

    Eu gosto de mulheres naturais sejam elas gordinhas, magrinhas entre outros. É mais do que óbvio que as propagandas tem um único objetivo empurrar goela abaixo padrões de beleza em detrimento da diversidade, que é muito mais interessante do que dizem as aparências como um fim em si próprio. Eu pouco assisto televisão e esse pouco que vejo não me seduz porque sei que as ruas dizem outra coisa e eu prefiro ficar com essa voz que é muito mais sedutora e sexy do que as bonecas de borracha dos comerciais. Em primeiro lugar: Eu escolho as minhas parceiras (namoradas)pelo cérebro e não pelo tamanho dos quadris e do busto é muito mais saudável a inteligência do que a mediocridade. Obs: É claro que gosto de mulheres bonitas, pois seria hipócrita se eu não admitisse isso, mas para mim não é tudo.

  9. Gilmar Postado em 09/Oct/2013 às 20:30

    Faz propaganda quem quer. Assiste e compra quem quer. Sei que a educação influencia, mas não 100%. Se o cara coloca uma loira pra fazera propaganda é porque ele sabe que estatisticamente venderá mais. Não necessariamente porque ele quer. Mas é claro que tem gente que é por preconceito também. Mas os dois lados têm que ser discutidos.