Redação Pragmatismo
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Mulheres violadas 10/Sep/2013 às 09:44
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1º Ato das Trepadeiras acontece hoje em São Paulo

Mulheres promovem Ato das Trepadeiras contra músicas que reforçam a humilhação e a violência em suas letras

Ana Paula Galvão, Ciranda

trepadeiras emicida
Imagem do vídeo “Trepadeiras”. (Artista: Emicida)

Na primeira década do século passado, os sambas saiam das regiões empobrecidas e chegavam ao salões da alta sociedade com, dentre outras, a música que proclamava “se essa mulher fosse minha / Apanhava uma surra já-já / Eu lhe pisava todinha /Até mesmo eu lhe dizer chega”, cantada por José Barbosa da Silva.

Na década de 30, o compositor Francisco Alves gravou o imediato sucesso “Mulher de Malandro” que pregava: “Mulher de malandro sabe ser/Carinhosa de verdade/Ela vive com tanto prazer/Quanto mais apanha/A ele tem amizade/Longe dele tem saudade”.

Em 40, Ismael Silva, em coautoria com Francisco Alves e Freire Júnior, gravaram a música “Amor Malandro” e deixa claro a opinião dos compositores:”Se ele te bate é porque gosta de ti, pois bater em quem não se gosta eu nunca vi”.

Indo para os anos 70, pescamos a pérola de João Bosco e Adir Blac “Gol Anulado”, que diz “Quando você gritou mengo/No segundo gol do Zico/Tirei sem pensar o cinto/E bati até cansar/Três anos vivendo juntos/E eu sempre disse contente/Minha preta é uma rainha/Porque não teme o batente/Se garante na cozinha/E ainda é vasco doente”.

Na década de 80, a banda Camisa de Vênus emplacou nas rádios a música “Silvia”, com o absurdo refrão “Ôh Silvia, Piranha/Ôh Silvia, Sua Puta/Todo homem que sabe o que quer, pega o pau pra bater na mulher”.

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Já nos anos 90, o pagode brega, na voz de Alexandre Pires divertia milhões com a música que comparava a mulher a um inseto e dizia a plenos pulmões que iria chicotear, bater com chineladas, pauladas e o que mais tivesse mais ao seu alcance na música “A Barata da Vizinha”.

Na primeira década do século 21, o forró nos dá mais um exemplo rude com a canção “Quenga”: “Você voltou/Pra quela casa da luz vermelha/Você se deita com todo mundo/E ainda diz que me ama/Mas qualquer hora/Me da na louca/Me da na telha/Te invado a casa/Te dou porrada/Te quebro a cara/E quebro a cama.”

E em 21 de agosto último, o rapper Emicida nos ’brindou’ com a canção “Trepadeira”, em que o personagem masculino da canção proclama que sua companheira merece apanhar e morrer por envenenamento, além de sua absoluta descartabilidade após o ato sexual, numa composição cheia de apologia à violência social, física e psicológica da mulher, impondo padrões morais e estéticos e cerceando sua liberdade, cujo o auge da promoção misoginia está na rima: “merece era uma surra de espada-de-são-jorge e um chá de comigo-ninguém-pode“.

CHEGA!!!!

Queremos, a partir do 1º ATO DAS TREPADEIRAS, desautorizar qualquer um a dançar, a sorrir cinicamente, a se divertir e, muito menos, a ganhar dinheiro às custas de hematomas, dores, humilhações diárias e mortes que chegam ao endêmico número de UMA MULHER AGREDIDA A CADA 12 SEGUNDOS, só no Brasil.

Trata-se de um profunda mudança cultural da qual não podemos mais nos furtar em promover. Não é um problema do RAP, não é um problema do samba, não é problema do pagode, do funk, do sertanejo, nem do rock e nem do POP, é um problema da sociedade e, sobretudo, de TODAS as mulheres.

Não queremos mais o eterno papel de vítimas que nos enfiam goela e ouvidos abaixo!

Somos guerreiras! Somos trabalhadoras e se “a rua é nóis”, é bom que fique bem claro que “100% da rua foi a mulher que pariu!”.

#1atodastrepadeiras #femicidasnaopassarao #trepadeirasnaocalarao

Dia 10.09 – terça-feira – às 20h30 – na Rua Paes Leme, em frente ao SESC Pinheiros!

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Comentários

  1. silveria Postado em 10/Sep/2013 às 11:51

    Em frente! Queremos um Mundo sem Violência!"

  2. Suely Machado Postado em 10/Sep/2013 às 12:50

    Em breve aparecerá um(a) infeliz desqualificando o movimento porque acham o nome inapropriado. Há alguns anos eu li um trecho de um livro que tocava nesse assunto e me senti enojada com tamanha violência. Será mesmo que quaisquer desses compositores, assim como os defensores da sociedade machista nasceram de uma mulher? Fica difícil de acreditar pois não é possível alguém escrever um absurdo desses e nem sequer pensar na própria mãe! Sou mãe de um menino inteligente e lindo que acabou de completar 1 ano e 7 meses e se depender só de mim não é dessa maneira que ele se relacionará com um mulher. Trepadeira, Vadia ou Mulher que se dá o valor, todas nós merecemos respeito!

  3. Jayme de Antonio Postado em 10/Sep/2013 às 14:54

    Mulheres guerreiras, continuem vossa luta contra todo tipo de violência contra a mulher.Não se admite violência a quem dá a vida. A mulher é mãe do mundo e Deus é pai.....

  4. Lenir Jovint Postado em 10/Sep/2013 às 14:57

    Apenas uma observação, apesar de não elevar em nada o nível da música do SPC de Alexandre Pires, a barata está sendo utilizada para fazer um duplo sentido, no caso a barata não é a mulher mas seu órgão sexual. A música é baixa e de mau gosto mas a leitura de apologia à violência nesse caso foi por má interpretação de um texto simples, senão vejamos: A barata da vizinha ta na cama toda vez que ele chega em casa. a não ser que a vizinha tenha como bicho de estimação uma barata, fica claro que ela está na cama e a "barata "também. E segue: O que ele vai fazer? vai comprar uma bombinha pra se defender. Ele vai dar uma bombada na barata dela.... É sério que alguém que escreveu um texto tão interessante e sobre um tema tão delicado que é a violência contra mulher não se deu ao trabalho de prestar atenção pra não escrever besteira?

  5. Conrado Dallago Postado em 10/Sep/2013 às 15:33

    Esse protesto todo perante essa música na minha opinião é um exagero. Pra quem não conhece a carreira do artista é fácil falar, mas o mesmo já fez músicas como 'Rua Augusta' que procura humanizar a garota de programa, assim como outras muitas músicas que almejam a justiça social. Vocês estão apontando o holofote pro cara errado, e tem muitos outros pra apontar que inclusive tem uma popularidade muito maior. A música trepadeira é - como poesia - um trabalho de metáforas e rimas muito bem empregado, tomando emprestado a malandragem do samba. Engana-se quem acha que por ser rap, exista alguma forma de desrespeito implícito contra a mulher.

  6. renato Postado em 10/Sep/2013 às 17:31

    Eu não bato, não mordo, não belisco, não encosto, não passo a mão, não cuspo,não xingo, não dirijo a palavra, não desconsidero, não humilho, não faço amor, não pego na marra, tudo isto aí eu não faço, só quando ela pede, quando ela deixa, quando eu imploro, e ela me olha com olhos do gato de botas do Sherek. Mulher é tudo no Mundo, e se elas querem desfilar na BR101, é porque elas merecem. Só não levo minha mãe, porque ela já esta alquebrada..coitadinha. Vamos lá MULHERADA....

  7. Eliete Maidlinger Postado em 10/Sep/2013 às 18:50

    Infelizmente,tem muitas mulheres machistas,pois hoje mesmo vi uma postagem em meu face,discordei; e sabem o que aconteceu?Muitas mulheres caíram matando em meu comentário.Tem mulher que precisa matar no "NINHO" para que as outras vivam!

  8. Charles Postado em 10/Sep/2013 às 19:50

    Ridículo a mulher buscar se livrar de preconceitos se utilizando de um termo tão baixo, antes ela era símbolo de pureza e honestidade em todos os sentidos, hj ela sai as ruas se dizendo puta e trepadeira praticamente nua e exigindo respeito, quanta incoerência!

  9. Mira Santini Postado em 10/Sep/2013 às 20:05

    Até que enfim as vozes se levantaram contra essa indústria de entretenimento que banaliza as mulheres e a violência contra elas. Parabens, quando chega a iniciativa em Belém-Pa??

  10. João Postado em 10/Sep/2013 às 21:22

    A consciência e a prática social precisam serem aperfeiçoadas no Brasil! Chega de barbarismos e barbaridades!

  11. Ana Postado em 11/Sep/2013 às 08:13

    Infelizmente não posso participar, mas queria ir a todos eventos e manifestações que busquem uma maior visibilidade das mulheres, pq estamos cansadas de sermos objetos, com o único dever de agradar um homem. Força amigxs

  12. Damaris Postado em 11/Sep/2013 às 08:53

    Muito corajoso o ato destas mulheres... porém, poderiam ter colocado um nome menos vulgar, não?

  13. gilberto Postado em 11/Sep/2013 às 09:05

    E ainda não se vê nenhuma palavra sobre o funk, que destroi a dignidade das mulheres. Acho a atitude louvável e digna de todo apoio, mas precisam novamente arrumar um título "engraçadinho", de dupla interpretação? Não pode ser simplesmente um ato contra a violência contra a mulher presente nas músicas? Ficar criando esse títulos "espirituosos" só atrapalha o objetivo a ser alcançado. Se a "marcha das vadias" fosse simplesmente uma manifestação contra a violência sofrida pelas mulheres, seria mais levada a sério pela sociedade. Acho isso um erro estratégico imenso.

  14. Rodrigo Postado em 11/Sep/2013 às 11:31

    Só uma reparação: a música do Só Pra Contrariar ("nada contra, nem a favor, muito pelo contrário"), ao falar em "chinelada", "bombada", "paulada", usava tais termos como conotativos de atividade sexual, mas não de agressão física. A vizinha, toda vez que o sujeito da canção chegava em casa, estava em sua casa, com suas "partes pudendas" à mostra, esperando por ele. Ele, comentando com seus amigos, pedia conselhos se deveria ou não se dar à prática do ato sexual, somente. Temos de ter cuidado com interpretações que acabem por colocar palavras não ditas, em especial as de agressão, na boca de quem não as disse.

  15. camila Postado em 11/Sep/2013 às 20:10

    Mas tudo bem, Rodrigo, chamar a mulher de barata né?

  16. Leandro Postado em 12/Sep/2013 às 09:01

    Digo a mesma coisa que o Rodrigo... concordo com o movimento em 100% mas vamos ter um pouco de noção e remover essa parte sobre a "Barata da Vizinha" porque ela não tem nada de apologia a violência contra a mulher... é tão ridícula a afirmação que quase parei de ler nesse ponto.

  17. Kathielle Postado em 12/Sep/2013 às 12:43

    Já diz Tom Zé: "Mas no Brasil ocidental civilizado Não extraímos uma unha sequer Porém na psique da mulher Destruímos a mulher."

  18. Junim Postado em 12/Sep/2013 às 12:46

    Rap é compromisso, Rap é realidade... Não dá pra falar que Emicida é preconceituoso só porque falou a verdade na música... Liberdade de expressão, pô!!!! Se foi assim, onde estavam essas minas que protestam quando o É o Tchan tava chamando as dançarinas de ordinária???????? Estavam dançando na boquinha da garrafa??????? Quem nunca falou que fulana é biscate???? quem nunca falou que ia trepar com ciclana??? Até elas falam... Nada contra o feminismo, que venham mais executivas, chefes de família, advogadas, médicas, enfim... Que venham mais leis como a da Maria da Penha para combater a violência e a desigualdade... Mas o que esses grupos estão querendo é censura!!!

  19. Abigail Pereira Aranha Postado em 12/Sep/2013 às 14:47

    O ato é até interessante, mas sabem o que vai funcionar de verdade? Vocês, mocinhas, pararem de dar pros caras dessas músicas (os personagens), de enfrentar fila de revista pra fazer visita íntima pra vagabundo na cadeia enquanto pros caras legais vocês só dão cara de cu ou conversinha sem toque sobre amenidades. Pior que ver a violência contra a mulher é ver que os homens que respeitam as mulheres são os primeiros a se lascarem. E viva a putaria, abaixo a falsidade das vadias! Beijos. http://avezdasmulheres.blog.com/2012/11/29/vamos-acabar-com-a-violencia

    • Essa abigail é homem Postado em 21/Sep/2013 às 22:26

      Mascu, que tu pensas que enganas?

      • Abigail Pereira Aranha Postado em 02/May/2016 às 23:02

        A ninguém. Eu não vim enganar, vim trazer a verdade. E tomara que você não seja XY, se não ficou feio dizer que eu sou homem. Hua, hua, hua, hua, hua!

  20. ilvania miranda Postado em 12/Sep/2013 às 16:13

    Existem musicas que sao pagode,rep,brega,enfim sao de boas batidas e sao construtivas. Eu apoio a ação contra musicas que sao obscenas nas suas letras.

  21. João Azevedo Postado em 12/Sep/2013 às 17:29

    Um exagera gigantesco. Lamentável que algumas mulheres pensem assim da letra do rapper. É total desconhecimento. "Trepadeira" é uma 'resposta' a outra música de autoria do próprio que em "vacilão"expõe situações em que o homem perde a mulher por não valorizá-la como ela merece. Pobres "vadias", "trepadeiras" e ativistas do Femen, podiam usar seu tempo e inteligência em ações muita mais produtiva como ações de Educação infantil, valorização e igualdade sexual verdadeira, não através de simples protestos sem embasamento.

  22. eu daqui Postado em 06/Feb/2014 às 14:47

    Mulher fácil incomoda esses fracassados e as difíceis também: aqui em Salvador, não se pode recusar convite de homem pra conversar nem dançar que a gente é xingada e periga até apanhar. E isso inclui um filho de um conhecido politico/advogado/professor local. Será por isso que a PM sabe mas não reage?