Luis Soares
Colunista
Compartilhar
Educação 27/Aug/2013 às 12:12
5
Comentários

O vestibular que reprovou todos os 25 mil candidatos

Universidade reprova todos os candidatos em ‘vestibular’ na Libéria. Quase 25 mil alunos foram reprovados no teste para estudar na Universidade da Libéria

A ministra da Educação da Libéria afirmou nessa segunda-feira (26) não conseguir acreditar que nenhum dos alunos foi aprovado no exame de admissão para a universidade, uma espécie de vestibular local.

Quase 25 mil alunos foram reprovados no teste para estudar na Universidade da Libéria, uma das duas universidades públicas do país.

reprovados vestibular universidade libéria

25 mil candidatos foram reprovados em prova da Universidade da Libéria (Foto: BBC)

Um funcionário da instituição disse que “faltava entusiasmo aos estudantes” e que eles “não tinham sequer uma compreensão básica de inglês”.

O país se recupera de uma guerra civil brutal que terminou há uma década.

‘Sonhos despedaçados’

A presidente liberiana, a prêmio Nobel da Paz Ellen Johnson Sirleaf, admitiu recentemente que o sistema educacional do país ainda é “uma bagunça” e que muito precisa ser feito para melhorá-lo.

Leia também

Em muitas escolas, falta material e os professores são pouco qualificados, segundo o correspondente da BBC Jonathan Paye-Layleh na capital, Monrovia.

No entanto, de acordo com Paye-Layleh, essa é a primeira vez que cada um dos estudantes ─ que pagaram cerca de US$ 25 (R$ 59) pela inscrição ─ falhou.

Isso significa que a universidade, atualmente superlotada, não terá nenhum aluno do primeiro semestre no próximo ano acadêmico, que começa no mês que vem.

Estudantes afirmaram que o resultado era “inacreditável” e que seus sonhos foram despedaçados, diz Paye-Layleh.

A ministra da Educação Etmonia David-Tarpeh disse ao programa da BBC Focus on Africa que pretende se encontrar com representantes da universidade para discutir a reprovação.

“Eu sei que há muitas fragilidades nas escolas, mas que um grupo de pessoas faça as provas e seja reprovado, eu tenho minhas dúvidas sobre isso”, disse David-Tarpeh. “É como assassinato em massa.”

A ministra afirmou que conhece alguns dos alunos e as escolas que eles frequentam.

“Não são só escolas que dão notas às pessoas. Eu realmente gostaria de ver os resultados dos estudantes”, afirmou.

O porta-voz da universidade, Momodu Getaweh, disse que a instituição mantém sua decisão e que não será influenciada pela “emoção”.

“De inglês, que é como a mecânica dos idiomas, eles não sabiam nada. Então o governo tem que fazer algo”, disse Getaweh.

“A guerra acabou há 10 anos. Precisamos deixar isso para trás e ser realistas.”

BBC

Tags

Recomendados para você

Comentários

  1. Luiz Postado em 27/Aug/2013 às 12:26

    Bela maneira de extorquir 60 reais, hahah

  2. Larissa Paola Postado em 27/Aug/2013 às 13:20

    Se essa manipulação acontece com o vestibular, imagina o que estão a doutrinar os jovens nas salas de aula destas universidades. Com o Brasil não é diferente. Os cursos ensinam aquilo que lhes é permitido. Médicos não são ensinados nutrição, para deixarem seus pacientes reféns da indústria farmacêutica. Cursos de humanas ensinam aquilo que está nos livros, sem nenhuma indagação ou suspeita da história oficial. Nada de contrariar governos e sistema econômico. Se o estudante tiver a mente aberta e opinião contrária, é ridicularizado. Essa doutrinação começa nas escolas e se estende à universidade. Concluo que este mundo está pior que eu imaginava.

  3. Gilmar Postado em 27/Aug/2013 às 15:22

    Larissa Paola falou tudo!

  4. renato Postado em 27/Aug/2013 às 18:37

    Larissa você me deixou sem palavras. O que devemos fazer.

  5. Thiago Teixeira Postado em 28/Aug/2013 às 14:59

    O problema de língua nos países da África subsaariana (Resumindo, os negão) é muito grave. Os jovens não estão falando as línguas oficiais, a moda entre eles é falar os dialetos, ou crioulo com chamado em alguns países. Estive recentemente em Cabo Verde, onde a língua oficial é o Português, e só conseguia dialogar com pessoas mais velhas. Assim como no Brasil, a educação dos anos 60 / 70 +- 80 era de boa qualidade, embora poucos tinham acesso.