Luis Soares
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Contra o Preconceito 10/Aug/2013 às 18:46
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Uruguai aprova cotas para negros em concursos públicos

Uruguai aprova quota de 8% para afrodescendentes em concursos públicos. Dispositivo também prevê incentivos fiscais para empresas que adotarem mesmas políticas

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Uruguai aprova cotas para negros em concursos públicos (Foto: Pepe Mujica)

A Câmara de Deputados do Uruguai aprovou nesta quinta-feira (08/08) a Lei de Ações Afirmativas para a população afrodescendente, pela qual o Estado deverá reservar 8% das vagas em concursos públicos. As informações são do jornal El Observador.

Também está prevista uma quota nas becas outorgadas pelo Ministério de Educação e Cultura para estudantes afrodescendentes que pretendam fazer cursos de pós-graduação no exterior.

O texto também estabelece incentivos fiscais para empresas que estabeleçam quotas para afrodescendentes e fomenta a participação dessa parcela da população em cursos de formação profissionalizantes.

“Trata-se de uma lei que, em primeiro lugar, se baseia no reconhecimento do tráfico de escravos como um crime contra a humanidade que se propõe a começar essa reparação através de ações afirmativas (…) com o objetivo de reintegrar a população afrodescendente”, explicou Andrés Scagliola, diretor da Secretaria Macro de Políticas Sociais do Mides (Ministério de Desenvolvimento Social).

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Segundo o dirigente, a intenção do governo é, no futuro, aumentar esse percentual, ou seja, a quota de 8% ainda pode ser reajustada para cima.

Após a aprovação, a lei terá 90 dias para ser regulamentada pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura), o Mides e o Ministério do Trabalho.

“É uma lei que abre um caminho para as ações afirmativas no Uruguai em relação à diversidade étnica e racial. Sabemos que existem diferenças significativas entre a maior parcela da população e a parcela afrodescendente em relação a nível de pobreza, acesso a empregos de qualidade, acesso à seguridade social e educação. Por isso, posso dizer que hoje é um dia histórico”, disse Scagliola, que acompanhou a votação.

Opera Mundi

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Comentários

  1. Vitor Postado em 10/Aug/2013 às 19:31

    um exemplo de governo justo e sensato

  2. renato Postado em 10/Aug/2013 às 21:53

    Exemplo de compromisso com o Povo.

  3. Lidiane Monteiro Postado em 11/Aug/2013 às 00:46

    Reparação muito justa com os que historicamente sempre foram excluídos ou discriminados. Cota é um meio de dar acesso imediato aos que tiveram sempre seus direitos roubado! Sem falar que, poucos questionam, mas como a maioria da população é negra/parda no Brasil e poucos destes tem acesso a educação, cargos públicos e etc...?! Será que é válido o argumento de falta de esforço pessoal?! O que dizer da histórica opressão, discriminação e crime contra os direitos humanos que foi implantado antes mesmo da escravidão e permanece até hoje?! Uruguai tocando o rebu e mostrando a América Latina e ao Mundo como é que se faz para se chegar a igualdade! ‪#‎VivaMijuca‬!

  4. Yongman Postado em 11/Aug/2013 às 02:03

    Precisamos de 500 políticos como o Pepe Mujica no Congresso.

    • Alysson Postado em 03/Sep/2013 às 22:35

      Se fosse assim, o Brasil afundava de vez...

  5. Carlos John Postado em 11/Aug/2013 às 07:22

    parabéns Mujica

  6. milton Postado em 11/Aug/2013 às 08:36

    Ai eu vejo como globosta a veja, nao falam nada... O brasil ja adota isso tem uns 4...5 anos...politicas de cotas e o que eu vi foram vários ESTUDANTES de classe média reclamando...agora esses mesmos estudantes elogiam o MUJICA, também concordo em elogiar o mujica mas O LULA JÁ FAZIA ISSO EM SEU GOVERNO...apenas não era reconhecido por uma parcela da população brasileira que ainda vive o complexo do vira-lata

  7. Carlos Postado em 11/Aug/2013 às 09:16

    Tem que tomar cuidado com isto de ir aumentando que o certo é diminuir com o tempo. Cota deve ser uma politica com prazo, não eterna.

    • rafael pamplona Postado em 09/Nov/2013 às 15:45

      Concordo, pode ser um prazo semelhante ao da escravidao no Brasil, uns 300 anos (n sei exatamente, n sou bom em historia), mas acho q seria suficiente.

  8. Caio Postado em 11/Aug/2013 às 17:10

    Oras... e quem decide quem e' negro o suficiente para ser beneficiado com as cotas? Todos os negros, independentemente, serão beneficiados? Inclusive os pertencentes a's elites economicas e politicas? O discurso de segregar pela "igualdade" e' o mesmo de "bombardear pela paz".

  9. Leon Postado em 11/Aug/2013 às 20:47

    Caralho velho , mujica para presidente do mundo hahahaha

  10. Leon Postado em 11/Aug/2013 às 20:48

    Acho eu difícil existir algum negro na America que não tenha descendentes forçados a vir para um continente como escravos ... é uma dívida histórica com essa etnia .

  11. Pedro Postado em 12/Aug/2013 às 06:15

    Caio, você realmente acha que essa é uma analogia válida?

  12. Vander Postado em 12/Aug/2013 às 09:28

    Não basta fazer merda com a liberação da maconha, tem é que fuder tudo de uma só vez.

  13. Cacique Postado em 12/Aug/2013 às 11:42

    Isso mesmo Vander, você está 100% certo. Não basta fuder uma coisa de cada vez, os preconceitos estão todos amarrados uns aos outros. Os uruguaios estão conseguindo fazer o impensável: fuder com os preconceitos de classe, étnicos, de gênero, religiosos, relativos a uso de drogas lícitas e ilícitas, enfim, estão revolucionando os valores sociais superados, um após o outro. Com certeza não está sendo fácil. Toda ruptura sangra. Mas eles estão conseguindo andar pra frente. Fico me perguntando quanto tempo ainda vai levar para nós e os outros hermanos seguirmos o exemplo.

  14. Geane Postado em 12/Aug/2013 às 12:41

    Cacique concordo com vc, infelizmente por causa de pessoas como o Vander é que estamos na mesmice sem evoluir as drogas existem a séculos e nenhum combate foi efetivo, TUDO é educação e sobre cotas acho que abrindo esse espaço para os negros terem efetivamente consciência de igualdade futuramente vai ser uma coisa corriqueira e o governo tende a cortas essas cotas quando houver igualdade para que todos se esforcem com igualdade de direitos..

  15. Guilherme Postado em 12/Aug/2013 às 13:57

    se for pra cargos de nível médio, não vejo problemas. O problema seria pra cargos de nível superior...

  16. Lucas Postado em 12/Aug/2013 às 21:46

    Gosto muito do Mujica mas nunca fui a favor de cotas raciais. Acho mais sensato cotas sociais, porque assim como existem muitos afrodescendentes ricos também existem muitas pessoas de outras etinias necessitando de uma ajuda.

  17. Marcos Postado em 12/Aug/2013 às 23:09

    Dividas históricas não fazem o menor sentido, malditos romanos!!!! kkkkk

  18. Zé Luiz Postado em 13/Aug/2013 às 07:56

    Pregunto: ?Hay afrodescendentes allá?

  19. bernardo Postado em 14/Aug/2013 às 18:28

    Triste ver que até o Mujica caiu nessa armadilha racialista. Criar cotas implica em colocar um rótulo oficial de "negro" em alguém, segundo critérios totalmente arbitrários. Quem é negro? Quem é branco? Filho de branco com negro é o que? Se uma pessoa de pele escura migrar da Índia pro Uruguai será classificada como negro? O Uruguai tem uma dívida com esse imigrante? E os descendentes de japoneses, chineses, etc? São o que? Brancos? Negros? E o africano que migrou pra América depois da abolição? Os filhos dele também tem direito a cotas? E o negro filho do jogador de futebol, que nasceu em berço de ouro e nunca passou necessidade na vida? Temos uma dívida com ele? Mas se o garoto nunca teve direito a nada na vida e tem pele clara, então não temos uma dívida com ele? É nojento ver as pessoas revivendo e oficializando o mito das raças. Não há raças. E se há quem pense que há raças, e que uma raça é superior às outras, que se puna essa pessoa. Aceitar a ideia de raças é o momento em que se nega o direito à igualdade. Porque se você é classificado como branco, não há nada no mundo que você possa fazer, ou que possa vir a acontecer que te torne negro. Se você viver entre negros, pintar a pele de preto, nunca ver um branco na vida, fizer cirurgia, o escambau a quatro, você será sempre branco. E o outro será negro. Essa é em si só a DEFINIÇÃO de desigualdade. Uma desigualdade imutável. Não se pode aceitar isso em um estado democrático.