Redação Pragmatismo
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Aborto 02/Aug/2013 às 00:54
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Quem é a mulher brasileira que aborta?

O aborto no Brasil não deve ser tratado como uma chantagem, como vem fazendo os setores religiosos e conservadores, mas como uma questão de saúde pública e de respeito pela plenitude dos direitos reprodutivos das mulheres

Bia Cardoso*

A mulher que aborta pode estar sentada ao seu lado no ônibus. Ela pode ser sua mãe, sua esposa, sua irmã, ou a colega da faculdade. De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto feita pela Universidade de Brasília em 2010, a mulher que aborta é casada, tem filhos, religião, pertence a todas as classes sociais e costuma carregar sozinha o peso de sua decisão. Tratada pela lei como uma criminosa, sempre foi apontada pela moral e pelos bons costumes como uma mulher desonrada e sem sentimentos. Uma pária. Porém, essa mulher está muito mais próxima de você e de mim. De acordo com a pesquisa, uma em cada sete brasileiras entre 18 e 39 anos já realizou ao menos um aborto na vida, o equivalente a uma multidão de 5 milhões de mulheres. Elas merecem ir para a cadeia? Criminalizar o aborto resolve? Vai pensando aí.

Keila Rodrigues é uma dessas mulheres. Alega ser usuária de drogas e mãe de duas crianças criadas pela avó. Ontem, foi noticiado que o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo reformou a sentença da Justiça de Rio Preto e determinou que a ré Keila Rodrigues seja julgada pelo Tribunal do Júri pelo crime de aborto, cuja pena varia de um a três anos de reclusão.

A hipocrisia da desigualdade

Num país em que o aborto é ilegal, Keila procurou o auxílio de uma colega para interromper uma gravidez indesejada. Tomou a decisão de colocar sua vida em risco, porque sabia que essa gravidez não lhe faria bem, nem a ela e nem ao bebê. O médico ginecologista Daniel Jarreta Coelho poderia ter alegado sigilo médico, mas confirmou o atendimento da ré em trabalho de parto, e que ela relatou a utilização de dois comprimidos do medicamento abortivo.

No Brasil, a gravidez é compulsória. O aborto é permitido em casos de fetos anencéfalos, risco de vida para gestante e estupro. Fora isso, todos os anos várias mulheres são obrigadas a levar adiante uma gravidez que não as faz feliz e que gera diversas consequências físicas e psicológicas. Minto. Apenas as mulheres pobres são obrigadas a isso. Especialmente as negras.

Veja também: Brasileira que aborta é casada, católica, trabalha e tem filhos

Keila não tem advogado. Apenas quando a data do juri for marcada pela Justiça um defensor dativo será nomeado. As mulheres pobres, negras e jovens, do campo e da periferia das cidades, são as que mais sofrem com a criminalização. São estas que recorrem a clínicas clandestinas e a outros meios precários e inseguros, uma vez que não podem pagar pelo serviço clandestino na rede privada, que cobra altíssimos preços, nem podem viajar a países onde o aborto é legalizado.

aborto mulher brasileira

Perfil da mulher que aborta no Brasil

A maior hipocrisia que existe no Brasil em relação ao aborto é o fato de que mulheres que tem dinheiro podem realizar o procedimento com segurança e apoio. Argentina e Uruguai estão com propostas de legalização do aborto em seus órgãos legislativos. Se uma delas for aprovada, a salvação de várias brasileiras poderá estar em uma promoção de passagem aérea. Clínicas clandestinas brasileiras perderão muito dinheiro com isso. Quem ganha com a criminalização do aborto? A criminalização não evita o aborto, apenas força as mulheres a realizá-lo na clandestinidade. Uma mulher que decide colocar sua vida em risco, por meio de um procedimento abortivo inseguro, tem muita certeza de que não quer estar grávida, muito menos passar nove meses gestando.

Num país em que o aborto é ilegal e mata milhares de mulheres todos os anos em procedimentos inseguros, Keila foi absolvida de maneira sumária pela Justiça de Rio Preto. Porém, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiram discordar dessa decisão, porque Keila não comprovou, de modo cabal, a necessidade de tirar a vida do feto que trazia no ventre. A vida de um feto em formação vale mais que a vida de uma mulher adulta chamada Keila Rodrigues? Acredito que não.

Todos somos a favor da vida humana, mas sabemos que há uma grande diferença entre uma vida em potencial e a vida de uma pessoa adulta. O valor da vida não está acima de qualquer circunstância. Como Keila pode confiar na justiça humana se não confiam nas suas decisões sobre sua vida e seu corpo? Como a vida de um feto pode estar acima da vida de uma mulher adulta, se o feto só existe por causa do corpo de Keila? Os abortos acontecem e acontecerão, com ou sem a criminalização, pois nenhuma lei conseguirá constranger uma mulher a ter um filho contra sua vontade.

Legalização do aborto e políticas públicas

Quando o aborto não é legalizado milhares de mulheres colocam suas vidas em risco porque sabem que não terão uma gravidez, mas sim um calvário. Alguns alegam que são apenas nove meses. Tente passar nove meses grávido. Pegue ônibus lotados com pés inchados, hormônios enlouquecidos e uma barriga alterando seu equilíbrio. Após o parto, lide com as dores nos seios que empedram devido ao leite. Encare as consequências psicológicas de uma gravidez indesejada, sem afeto e alegria.

Leia também

Muitas pessoas argumentam que a mulher não pode abortar porque deve assumir a responsabilidade por ter feito sexo. Porém, é uma grande responsabilidade assumir para si mesma que, nesse momento, ela não quer ter um filho. Assumir a incapacidade de gestar, amar e cuidar de uma criança é uma decisão importantíssima. Quantas mulheres abortaram e depois tiveram filhos, os quais puderam dar atenção e carinho porque estavam em outro momento.

Aqui reside uma questão fundamental: mulheres que tem certeza de sua decisão ao fazer um aborto, tem menos chances de carregar ressentimentos ou traumas. Uma decisão consciente acarreta consequências, quando estamos cientes e temos apoio sabemos lidar com elas. Quantas mulheres pensaram em abortar, desistiram e hoje são mães felizes. Há várias, e é ótimo que não tenham tomado uma atitude da qual não estavam seguras.

Legalizar o aborto significa dar as mulheres a opção clara de uma escolha segura. Não ter que se preocupar em ser presa e ir à júri popular ajuda muito nesses momentos. Com opções seguras, gratuitas e acessíveis, as mulheres podem refletir sobre o que desejam para suas vidas.

Legalizar o aborto também significa promover melhores políticas públicas de prevenção da gravidez indesejada. Os números de abortos que temos atualmente no Brasil são questionáveis, porque são baseados na quantidade de curetagens realizadas por hospitais. Sabemos que muitas mulheres abortam no Brasil, porque essa é uma situação cotidiana, desde as garrafadas de ervas vendidas nas feiras populares, passando pela venda ilegal de medicamentos no mercado negro, até procedimentos que não entram nos prontuários de clínicas respeitadas das grandes capitais. Onde há mulheres, há abortos, porque até médicas ginecologistas engravidam sem desejar. Com a legalização do aborto é possível diminuir o número de abortos, porque a questão vai deixar de ser um tabu e os órgãos de saúde terão informações plenas sobre a situação do aborto no país.

A partir da legalização do aborto é possível ter números reais, além de saber as razões pelas quais as mulheres abortam. Por meio desses dados, pode-se descobrir problemas pontuais em locais ou grupos específicos, que estejam fazendo com que muitas mulheres optem pelo aborto como: falhas na distribuição de métodos contraceptivos, pouca informação sobre prevenção, atendimento precário nas unidades de saúde, desemprego, enfraquecimento da economia, idade, carência de iniciativas educacionais e assistenciais do poder público para auxiliar gestantes, exiguidade de perspectivas futuras, entre outros. Acredito que qualquer proposta séria de legalização do aborto feita atualmente tem como principais pilares: a educação sexual, o planejamento familiar e a distribuição gratuita de métodos contraceptivos. O aborto legal é para não morrer. Porque não somos máquinas, somos humanos e toda prevenção pode falhar.

Gravidez não pode ser punição

As mulheres não devem ser obrigadas a serem mães, muito menos punidas por fazerem sexo por prazer. Há quem diz: “abriu as pernas para dar, mas não quer abrir as pernas para parir”. Gravidez não pode ser punição para a mulher que faz sexo.

Não importa se a maioria do país é contra ou a favor do aborto, não somos uma maiocracia. A questão principal é: há mulheres morrendo em decorrência de abortos inseguros e nenhuma mulher deve morrer por isso. Assim como nenhuma mulher deve ser presa por isso. A gravidez é algo que diz respeito a a vida e ao corpo de quem tem um útero. E antes que alguém venha dizer que a mulher não fez o filho sozinha e que o homem também tem que decidir, aviso logo: enquanto não for possível para um feto viver fora de um útero, você não poderá obrigar ninguém a ser uma chocadeira apenas porque quer um filho.

Keila Rodrigues é uma mulher que aborta e que está sentindo a ira de uma sociedade que vira as costas para mulheres pobres como ela. Muitos dizem: “a minha filha fez um aborto, mas ela é limpinha e inteligente, essas faveladas aí vão fazer toda semana”. A criminalização só existe para quem não está no topo da pirâmide social. A criminalização só beneficia quem quer a morte das mulheres.

Precisamos reestabelecer amplamente o debate do aborto no Brasil. Não como uma chantagem, como vem fazendo os setores religiosos e conservadores do legislativo brasileiro, mas como uma questão de saúde pública e de respeito pela plenitude dos direitos reprodutivos das mulheres dentro de um estado laico. Pelo direito de não ser um útero a disposição da sociedade, mas de ser uma pessoa plena, com liberdade de ser, pensar e escolher.

Todo o nosso apoio a Keila Rodrigues.

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Comentários

  1. Larissa Coelho Postado em 02/Aug/2013 às 01:03

    Esse gráfico é um tapa na cara dos conservadores

  2. Paulo Silva Postado em 02/Aug/2013 às 08:15

    não sou religioso, mas o pouco, muito pouco, que sei sobre religião entendo que a tal da salvação é individual, porque os religiosos se preocupam tanto com as ações alheias?

    • lucas Postado em 19/Apr/2014 às 23:13

      vc ja leu na palavra de Deus amar a Deus e o próximo como a ti mesmo. eu me amo quero ser salvo, amo meu próximo quero que ele seja salvo tbém, por isso a preocupação com a vida alheia.

  3. Bruna Postado em 02/Aug/2013 às 08:17

    "Pelo direito de não ser um útero a disposição da sociedade, mas de ser uma pessoa plena, com liberdade de ser, pensar e escolher." Ok. Escolha usar camisinha e tomar anticoncepcional. Sou a favor do aborto só em casos em que a mulher realmente não escolheu (estupro.).

    • Beatriz Postado em 14/Oct/2013 às 00:38

      Mesmo com o uso de metodos contraceptivos a mulher ainda pode engravidar. A legalização não te obriga a abortar, te da a opção de. Se você não concorda, ótimo, não aborte. Mas não cabe a você decidir pelas outras pessoas.

    • Amanda Postado em 11/Jan/2014 às 23:45

      E quando a camisinha ou o anticoncepcional falham, a mulher escolheu engravidar?

  4. Davi Postado em 02/Aug/2013 às 08:31

    Não vou falar sobre criminalizar ou não, mas minha opinião recém formada sobre o assunto (esse tema é muito polêmico, não é fácil uma pessoa que não passou por isso se posicionar por ser difícil visualizar as consequências) é a seguinte: 1. Vejo as pessoas falando que a vida que a mãe gera é graças a ela, então ela decide. Discordo. Ninguém tem posse a outra vida. 2. Independente de criminalizar ou não, acho que sempre haverá uma punição social, afinal, de fato existe sim uma irresponsabilidade por não assumir as consequências da própria vida, como engravidar. Se engravidar é algo muito provável no ato sexual, não faltou um bom senso ao transar sem camisinha? Mas ninguém é perfeito, todos cometem erros, a questão é que isso não impede que as pessoas recriminem as outras. 3. Não há relação entre quem é mais importante: a mãe adulta ou o feto em potencial? Cada um é cada um. Esse negócio de ponderar os interesses é um argumento jurídico para vivermos em uma sociedade, e só. 4. As consequências de uma gravidez indesejada sempre será por falta de planejamento (exceto casos como estupro), falta de limites. Uma decisão que envolva parar a gravidez sempre será uma perda. 5. Um dia os conceitos como moral, ética, leis internas (no sentido da lei que temos dentro de nos), será mais importante que as leis que estão escritas. 6. E MAIS IMPORTANTE, esse tema é complexo, polêmico, e deve ser discutido de forma clara e sincera, não temos que ter cabeça fechada para um posicionamento, temos que observar as outras verdades que existem. Desculpem se ofendi alguém, mas essa não foi minha intenção.

  5. Bela Postado em 02/Aug/2013 às 09:36

    "todos os anos várias mulheres são obrigadas a levar adiante uma gravidez que não as faz feliz e que gera diversas consequências físicas e psicológicas'. e o direito de viver de quem não pediu p nascer. Estamos falando de uma vida, de um ser, de uma criança. Ela é a culpada? ela paga pelos nossos erros. Isso chama-se atentado a vida. Tirem todos os policiais das ruas, todos juízes, promotores e advogados dos seus gabinetes, eliminem todas grades, cercas elétricas, câmeras de suas casas, tudo isso não tem mais sentido, a medida que a morte já está sendo legalizada.

  6. Verônica Postado em 02/Aug/2013 às 09:46

    1) Nem toda a mulher que aborta está segura de sua decisão: inúmeras se arrependem. 2) A gravidez e o puerpério alteram o sistema hormonal, deixando a mulher muito mais sensível, emotiva, estressada. Por que permitir que ela tenha fácil acesso ao aborto, tomando, SOZINHA, uma decisão irreversível? 3) É proibido fazer ligadura de trompas antes de 3 meses após o parto porque a mulher tem grandes chances de se arrepender, pq não está em condições de tomar decisões definitivas nesse momento... O mesmo se aplica ao aborto! 4) Um estudo na Noruega mostrou um alto índice de doenças mentais (depressão, psicose etc.), uso de drogas, tentativa de suicídio, culpa etc. em mulheres que provocaram aborto. Mulheres que tiveram aborto espontâneo apresentaram o mesmo quadro, mas após 1 ano sua saúde mental era semelhante à da população em geral. Importante: foi na Noruega, e não em um "país religioso". Ou seja, legalizar ou descriminar o aborto pode ser trocar um problema de saúde pública por outro. 5) Abortos sempre têm riscos. Partos têm riscos, cesáreas mais ainda! Falar que abortar legalmente é seguro é uma leviandade.

  7. Verônica Postado em 02/Aug/2013 às 09:46

    Conclusão: a sociedade quer abandonar as grávidas à própria sorte. É mais fácil, ainda que incoerente e hipócrita, lidar com suicídios e doenças mentais (ninguém vai saber a causa...) do que com morbidades e mortes decorrentes de abortos clandestinos, então a mulher que se exploda! Todos concordamos que aborto não é um passeio no parque, tanto que quem defende o direito de abortar destaca que não existe isso de ser a favor do aborto, que todos somos contra, que lamentamos. Sugiro deixar de lado esses argumentos falaciosos e pensar de verdade na saúde TOTAL da mulher, criando uma rede de apoio, investindo na educação que visa o planejamento familiar, transformando o sistema de adoção e tudo o mais que puder ser feito em benefício de quem engravidou sem querer.

  8. Paula Postado em 02/Aug/2013 às 10:25

    Acredito muito que o aborto não é liberado porque não são os homens que engravidam...é um absurdo essa discriminação toda...

  9. Rafael Postado em 02/Aug/2013 às 10:26

    Você está certa Verônica......o país tem que trabalhar na prevenção e na educação e dar suporte para aquelas que engravidou sem querer. E isso depende de todos nós.... O próprio "Pragmatismo Político" publicou uma excelente reportagem sobre o ensino de medicina em Cuba, onde os alunos aprendem ao não participar da "ditadura do dinheiro" buscando uma medicina preventiva (isso é o que deve ser feito): http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/08/brasileiros-formados-em-cuba-destacam-rompimento-com-a-ditadura-do-dinheiro.html#

  10. Gabriel Postado em 02/Aug/2013 às 10:26

    Deixar o SUS realizar aborto em mulheres de baixa renda (pois seria exatamente isso que aconteceria)? Na maior parte do Brasil o sistema de saúde está um caos, tanto por culpa dos médicos quanto pela estrutura fornecida pelos maravilhosos administradores públicos que temos. O SUS muitas vezes não dá conta de fazer um curativo, quem dirá um aborto. Existem vários estudos que mostram que o aborto é extremamente deletério para a saúde, física e mental, da mulher. Ao iniciar a vida sexual é preciso ter em mente as possíveis consequências do ato. E mesmo assim se algo sair errado existe a pílula do dia seguinte. Não estou certo se cadeia é a melhor punição, mas certamente tem que existir uma, e deveria ser estendida ao pai também.

  11. thiago machado Postado em 02/Aug/2013 às 10:46

    Acho curioso como as matérias jornalísticas sobre este tema abordam somente a questão da despenalização (legal e moral) das mulheres que praticam o aborto, contudo em nenhuma delas dão o enfoque em relação ao feto. Não se pode esquecer que, mesmo estando em formação, o feto é uma vida (desconsiderando, portanto, qualquer cunho religioso), de modo que, se assim a mesma deva ser tratada, qualquer tentativa de lhe ceifar deve ser punida com o que dispõe a lei (homicídio qualificado). Até onde eu sei a vida é indisponível e inviolável no Brasil, Constitucionalmente consagrado, e da mesma forma como os pais não podem tirar a vida de um bebê ou o Estado não pode condenar algum transgressor a pena de morte, o mesmo se aplica ao indivíduo no ventre de sua mãe.

  12. Vanessa Postado em 02/Aug/2013 às 12:10

    Pequeno detalhe: o aborto no Uruguai foi legalizado, mas é somente para uruguaias, brasileiras não podem fazer um aborto nesse país.

  13. Vinícius Postado em 02/Aug/2013 às 12:22

    Eu acho o Brasil um país digno de estudo e pesquisa. Uma país de liberais conservadores, um país de pessoas que invertem os valores das atividades individuais que afetam a sociedade com as que não afetam. Um empresário, banqueiro, dono de empreiteira, mega especulador, fazendeiro latifundiário, etc... comprometem toda a sociedade com suas atividades individuais mas isso é empreendedorismo, se meter nisso é comprometer a liberdade individual de se gerar riqueza, afinal é mérito de uma pessoa ter atingido o poder econômico e político, mesmo se para isso exploram trabalhadores, escravizam camponeses, matam índios, sem terras e sem tetos, quando não aliciam políticos e o poder público para se beneficiar dos impostos da união, agora atitudes individuais como o aborto, o casamento homo afetivo e uso da maconha são extremamente prejudiciais a sociedade como um todo não é mesmo? Por que uma mulher não pode ter a liberdade de interromper uma gravidez indesejada, independente se ela se arrepender depois ou não? O risco que ela corre de ter problemas psicológicos decorrente de uma decisão mal tomada em relação a fazer o aborto é igual ou menor do que o mesmo que ela teria tendo a criança e não podendo corresponder com as expectativas básicas de educação e formação das mesmas. Essa pesquisa que citaram na Noruega não se faz jus no Brasil, uma mulher que interrompe uma gravidez lá não o faz aqui pelos mesmos motivos, uma norueguesa não tem a pressão da pobreza, da miséria, da violência da periferia, da pressão conservadora e moralista da sociedade e da religião como se tem aqui, lá provavelmente uma mulher que interrompe uma gravidez indesejada seja por problemas psíquicos mesmo, aqui o problema é social, estrutural. A sociedade tem que entender que cada um tem que avaliar com juízo cada atividade que realmente interfere na vida dos outros ou não, a liberdade como diria Rousseau vai até onde começa a liberdade do outro, e a legalização do aborto não chega nem perto deste limite. Agora gente, falar que não pode ter aborto legalizado porque o sistema público de saúde não teria condição de fazer isso é piada né, por mais ruim que seja o sistema público ele sempre vai ser melhor que o mercado negro e a clandestinidade, e um aborto não é um procedimento nada complicado também.

  14. fernanda Postado em 02/Aug/2013 às 12:24

    Ligadura de trompas (SUS): A mulher tem o direito, em toda a rede do SUS e conveniados, a realizar cirurgia para esterilização quando desejar, contanto que seja maior de vinte e cinco anos de idade ou, pelo menos, com dois filhos vivos, e se em convivência conjugal, com o consentimento do marido. A esterilização também será possível quando houver risco de vida ou à saúde da mulher. Amparo legal: Lei nº 9.263, de 13 de novembro de 1996, Artigo 10, Parágrafos I e II. Querida Bia Cardoso o seu texto somente incentiva a mulheres fisicamente saudáveis ao aborto ,quando houver risco de vida a mulher sim tem o direito de faze-lo . A grande maioria das mulheres querem abortar porque se sentem incapazes de criar uma criança , outras por estéticas ... mulheres psicologicamente abaladas são incapazes de decidir tal situação ,se não podemos decidir nem fazer ligação de trompas como esta escrito na lei 9.263 ,uma lei tem que existir sim contra um aborto e concordando com o Gabriel o pai da criança deve ser penalizado também ,o que deve ser mudado a pena ,nao o crime .

  15. Anna Postado em 02/Aug/2013 às 12:29

    Por que há uma grande diferença entre a vida em potencial e a vida de uma mulher adulta? Por que eh mais fácil legalizar o aborto do que implementar uma política de controle de natalidade? Se eh p/ legalizar o aborto, que se faça a contracepção definitiva compulsória, através da laqueadura então. Tenho dois filhos, nunca abortei, não apoio quem deseja isso, nem que sejam amigas. Conheço casos de mães que levaram filhas adolescentes para abortar. Tenho uma filha adolescente e converso bastante com ela para que isso não aconteça. Não estou livre disso, claro, mas ainda assim mantenho minha posição. Algumas dessas amigas que abortaram nunca se recuperaram emocionalmente, outras têm filhos e sentem remorso qdo olham p/ filho e lembram do que fizeram antes. Tirar uma vida, ainda que em potencial, eh um crime. Ficar grávida por nove meses, como foi falado no texto, com pés inchados, pegando condução lotada, tendo que trabalhar, nada disso eh tão insuportável assim, nada justifica o aborto, ainda mais com tantos métodos e tanta informação. Ao invés de apoiar a legalização, que tal nos preocuparmos mais em informar, em apoiar campanhas de controle de natalidade? Talvez assim o resultado seja melhor do que aprovar uma matança que já eh bastante alta. Ah, concordo com o leitor que disse que a punição deve se estender ao pai. A mulher não fez o filho sozinha.

  16. Tom Postado em 02/Aug/2013 às 12:42

    O SUS, deve sim oferecer serviço de acompanhamento (no mínimo) aos casos de aborto e sem estigmas legais, com receptividade para analisar e orientar, compartilhar informações,com serenidade para uma questão tão delicada, amparo psicológico para decidir até o último momento. O ilegalidade turva o processo de aprendizado sobre tema, tanto para pacientes quanto para autoridades médicas.

  17. Edson Postado em 02/Aug/2013 às 12:47

    Quem sabe do risco deve se prevenir. Até na diversão é preciso ter responsabilidade.

  18. maria Postado em 02/Aug/2013 às 12:57

    foi muito importante pra mi messa matéria, obrigada .

  19. Francisco Postado em 02/Aug/2013 às 13:50

    A questão da descriminalização do aborto está na ponta, no final do problema. Não é por aí que devíamos começar a discutir. Li no texto: "Apenas as mulheres pobres são obrigadas a isso.", achamos o problema. O Brasil é a 7ª economia do mundo, no entanto, mais de 3 mil municípios brasileiros têm renda menor que o salário mínimo, segundo o IDH; só esse ano já estamos na sexta alta seguida no índice de desemprego; , tivemos o 2º maior déficit na balança Comercial; os bolsões de miséria estão em todas as cidades brasileiras. Junto a isto tudo, somos um dos campeões em corrupção no mundo; em um ranking de 155 países, somo o 88º em educação; a questão da saúde pública brasileira é caótica; a segurança não existe; o saneamento básico é pífio em diversas localidades. Então alguém diz que apenas as mulheres pobres são obrigadas a levar adiante uma gravidez que não as faz feliz e que gera diversas consequências físicas e psicológicas. Ok, e o que se tem oferecido a elas como alternativa a essa gravidez? Matar! Isto e mais nada. Porque é mais fácil e barato matar um feto do que consertar todas as mazelas que descrevi, ou pelo menos quase todas, e depois mandar a mulher para casa, com todos os problemas psicológicos gerados por sua atitude, que na maioria dos casos são incidentes. Quem vai dar suporte psicológico a essa mulher? o estado? Não oferecem nem assistência à saúde, quanto mais a um "probleminha" psicológico. Vamos discutir a descriminalização do aborto sim, mas também não nos esqueçamos de que o Estado não dá alternativa às mulheres para terem os seus filhos com qualidade de vida, oferecendo como única saída, sem opção, matar!!!

  20. Catarina Postado em 02/Aug/2013 às 13:53

    Para Verônica: Procure o estudo sobre depressão pós parto, ou mais fácil ainda, vá até uma rua movimentada de uma grande cidade como São Paulo ou Rio de Janeiro e veja o número de crianças passando necessidade. Acredito que, se houvesse o controle de natalidade subsequente ao estudo dos abortos que este texto propõe, o número de crianças em situação de risco no nosso país cairia drasticamente também. E eu sinto vergonha por você, que é mulher (ou não, né?) e passa todos os meses por altos e baixos hormonais. Você se sente inapta a tomar decisões porque está na TPM? Se esse é o caso, então mantenha sua inépcia para você mesma, e não obrigue outras mulheres do mundo a arcarem com as suas consequências! A legalização do aborto não torna o procedimento obrigatório a ninguém, mas é uma ESCOLHA, que sim, a mulher pode (e deveria) tomar sozinha! Depois de conselhos de profissionais, médicos, psicologos, sem se sentirem acuados porque serão presos. Mas em última instância, uma escolha que será levada a cabo com SEGURANÇA.

  21. bella Postado em 02/Aug/2013 às 14:35

    Acho uma vergonha a hipótese da legalização do aborto... O que precisamos é de mais políticas de informação, se é que a internet já não te mostra tudo, nosso país já é uma verdadeira orgia, se legalizar o aborto, aí que ferra tudo mesmo. A mulher tem que tomar vergonha na cara e se previnir, isso sim! e não sair por ai dando pra quem bem entender e depois simplesmente matar uma criança inocente. "Antes previnir do que remediar". Não é questão de religião, e sim de princípios e vergonha na cara.

  22. Azaghal Postado em 02/Aug/2013 às 14:35

    Sou ateu, abomino as religiões atuais e as mortas também. Mas alguém pode me explicar... existe camisinha, pilulas anti-concepcionais, dio, implantes subcutâneos anti concepcionais, pílula do dia seguinte... Sendo que camisinha e pílula anticoncepcional são GRÁTIS em postos de saúde... Ou seja, literalmente, só engravida a mulher que EVITA todos os métodos e faz sexo sem se importar com gravidez... até engravidar! Daí entra numa campanha desesperada para MATAR o próprio filho!!! Antes de engravidar, qual era a desculpa para não evitar a gravidez? Estourou a camisinha? tava com muito tesão e deixou ir até o fim?? Dá pra tomar medidas na mesma hora!!! Não precisa esperar que um ser humano se forme e ganhe VIDA!!! Ganhe capacidade cerebral e conciência!! No caso de estupro, claro que não foi possível evitar a gravidez antes. Mas a pessoa que sofreu a violência sexual pode tomar a atitude de evitar a gravidez assim que conseguir se encontrar livre do estuprador!!! Não precisa esperar até 2 ou 3 meses após o estupro!! Não precisa esperar a vida nascer dentro dela para MATAR...

  23. Bianca Postado em 02/Aug/2013 às 15:02

    É muito fácil falar de "educação sexual" seguindo o ponto de vista de alguém que mora em uma área privilegiada do país. Quero ver falar disso em áreas menos privilegiadas, onde as pessoas sequer tem acesso à comida. Vamos parar de considerar tudo a partir do ponto de vista que temos por trás de nossos muros. Ia ser um gasto legalizar o aborto? Sim, claro que ia. Mas quanto o sistema publico de saúde JÁ gasta com abortos mal feitos? Levianidade é considerar a vida do resto da população do país achando que todos são como nós.

  24. Aline Postado em 02/Aug/2013 às 15:04

    Estar grávida não é punição por ter feito sexo, como disse o texto. A tal punição é a prisão, que considero algo muito severo. A gravidez é a consequência de um ato consciente. O aborto é um assunto muito polêmico por não haver verdade absoluta, mas eu não estou a favor de legalizar isso. A tentativa de suicídio também é um crime. Tente se matar e você será preso, mas se formos usar o mesmo raciocínio de quem apoia o aborto, o suicídio deveria ser permitido. Afinal a pessoa deve ter o poder de decisão sobre seu próprio corpo e vida. A questão vai muito alem de ser legal ou ilegal. Uma mulher abalada pela inesperada notícia de gravidez não está preparada para uma decisão irreversível.

  25. Afonso Postado em 02/Aug/2013 às 15:04

    "Muitas pessoas argumentam que a mulher não pode abortar porque deve assumir a responsabilidade por ter feito sexo. Porém, é uma grande responsabilidade assumir para si mesma que, nesse momento, ela não quer ter um filho. Assumir a incapacidade de gestar, amar e cuidar de uma criança é uma decisão importantíssima. Quantas mulheres abortaram e depois tiveram filhos, os quais puderam dar atenção e carinho porque estavam em outro momento." Simplesmente lamentável essa tese. Como se abortar fosse meramente uma questão de escolha pela conveniência ou não de se ter um filho, numa visão extremamente egoísta do ponto de vista somente da mãe. Então, se o pai também achar que não está preparado para ser pai pode simplesmente se esquivar da sua responsabilidade e estará tudo bem? acho engraçado esses argumentos pró-mulher, como se a mesma não tivesse responsabilidade pelo filho que gerou, como se este fosse concebido por uma geração espontânea! por que o Estado não investe em consciencientização quanto a métodos contraceptivos, políticas de adoção a nascituros indejados, primando sempre pela vida que se está gestando? aquele argumento de que a mulher tem total plenitude sobre seu corpo então, é demais! ainda que ela tivesse tal plenitude, a vida de um ser ainda em gestação não é seu próprio corpo, se trata de um outro corpo, uma outra vida, que está sob a guarda e proteção dessa mãe, sendo que não cabe a ela decidir pela vida alheia.

  26. Aline Postado em 02/Aug/2013 às 15:10

    E outra, pelo texto, o "pai" não deve opinar se quer ou não ter um filho, pois a mulher não deve ser uma "chocadeira" porque ele quer, mas e se ela quer ter o filho e ele não? A responsabilidade dele é a mesma perante a justiça e perante a criança, querendo ou não ter o filho. A mulher que toma essa decisão por ele? Cabendo a ele apenas baixar a cabeça, esperar pelo filho e acarretar com as obrigações de ser pai? Bastante contraditório, não?

  27. Vanessa Postado em 02/Aug/2013 às 15:19

    Descordo totalmente do texto, acho que ninguém tem o direito de arbitrar o direito de viver de quem quer que seja! Se fosse desta forma, "meu filho eu decido" poderia terminar com a brincadeira no momento que não quisesse mais? Vejo o aborto como um egoísmo imenso, pois se tira uma vida nova para evitar novas responsabilidades e desfrutar de conforto. Hoje em dia é muito fácil evitar uma gravidez, temos inúmeros métodos contraceptivos, só engravida quem quer!

  28. terezinha Postado em 02/Aug/2013 às 15:35

    1) Nem toda a mulher que aborta está segura de sua decisão: inúmeras se arrependem. 2) A gravidez e o puerpério alteram o sistema hormonal, deixando a mulher muito mais sensível, emotiva, estressada. Por que permitir que ela tenha fácil acesso ao aborto, tomando, SOZINHA, uma decisão irreversível? que no meu ver sempre se arrepende quando ve uma criança lindinha e pensa poderia ser a minha porque abortei na minha velhece com certeza cuidaria de mim ..não é pela religião mais pelo fato que depois de concebida ja é uma criança que não pediu para ser feita aceite e veráz que nunca no futuro se arependerás.sou contra o aborto, ja pensei em fazer e agradeço a pessoas que me deram conselho e amo meus filhos são uma benção.

  29. Rodrigo Manuel Postado em 02/Aug/2013 às 16:08

    Veronica: Sobre suas afirmações: 1)2)5) Nem quando compramos um carro estamos completamente certos da ação que iremos tomar, é difícil carregar o peso da SOCIEDADE INTEIRA em cima de você, por um ato ou atitude julgada por puro sexismo, onde o oprimido acha que o opressor pode mandar na sua vida e ele está certo. O Corpo é dela e ELA deve saber o que deve ser feito. Na sociedade atual, indiferentemente onde esteja localizada ou sua classe social, ela jamais conseguiria tomar a decisão sozinha, pois já carrega dogmas que alteram sua percepção e sua opinião sobre si. 4) Nos países escandinavos(Noruega está entre as menores) há alto índice de depressão e suicídio, atribuído em parte ao clima muito frio e às várias horas de escuridão durante grande parte do ano. Quase 90% das pessoas são luteranas diferente da ideia que o povo seja ateu. Conclusão, o estado deveria amparar a mulher de todas as formas possíveis! Não são todos que possuem a mesma oportunidade ou dispõem de auxílio médico particular. Seria interessante verificar os índices de abortos, aborto não tem cor e nem religião, pois não importa. O Corpo é dela e suas escolhas devem estar dentro de sua decisão e não por homens.

  30. Ana Postado em 02/Aug/2013 às 18:07

    Acho bem engraçado ver gente falando disso sem ter a menor idéia do que é passar por essa situação. A mulher que tem um DIU, por ex, não deseja engravidar. Se ela usar camisinha junto com o diu, como muitos pregam, o fio que é o controle para saber se o diu está no lugar pode perfurá-la. Sim, perfurá-la, a ponto de tirar sangue do pênis do parceiro. Já presenciei essa cena INÚMERAS vezes com o meu parceiro. Tivemos que interromper a relação várias vezes por ele não aguentar de dor pelas "pinicadas" do fio do diu. E do mesmo jeito que perfura a pele, perfura a camisinha. Camisinha perfurada serve de NADA na prevenção da gravidez. E o diu pode falhar. Tanto pode, quanto conheço intimamente um caso em que ele falhou. E que a mãe abortou ilegalmente o embrião pois sequer ela ou o namorado dela têm condições tanto físicas (saúde), psicológicas e financeiras para criar uma criança. E ambos não suportam crianças e nunca desejaram ter filhos. E o diu estava lá. E ela engravidou mesmo assim. Agora, obrigar uma pessoa dessas a ter um filho é sacanagem. Com ela, com o pai e com a criança. Eu vi pessoalmente ela se desmanchar em desespero porque ela não quer ter filhos biológicos. Ela sempre disse que a hora que ela escolher ser mãe ela vai adotar uma criança. E eu conheço ela bem o suficiente a ponto de saber que ela não é capaz de sequer gostar de algo a que ela tem aversão. E ela pegou aversão ao embrião crescendo dentro dela, a ponto de ela não conseguir comer por três dias e passar somente com água até conseguir encontrar o meio para fazer seu aborto. Clandestino, claro, porque ela não encontrou apoio em lugar ou com pessoa alguma exceto com os amigos. E correu riscos, passou dificuldade, teve que manter segredo disso e não pôde contar com praticamente ninguém, pois arriscaria ir presa. E ainda assim, não se arrepende do que fez. Há aqueles que vão dizer "ela devia ter tomado anticoncepcional hormonal, blá bá blá" sem conhecer a situação. Pois bem, ela tem um problema genético que a impede de tomar esses hormônios e mesmo a gravidez é risco pelo tanto de progesterona que é lançado no sangue. Pensem comigo no que passou na cabeça dela sobre o assunto: "vou tomar anticoncepcional e arriscar um AVC ou embolia pulmonar ou vou arriscar engravidar? E, merda, agora que engravidei mesmo com o diu, vou levar a gravidez adiante, ter que parar a faculdade por sei lá quanto tempo e arriscar morrer de qualquer jeito por um AVC ou embolia pulmonar, pra depois a criança nascer e eu não ter condições de dar um lar decente pra ela porque não tenho estabilidade emocional nem financeira pra isso e, ah, eu odeio crianças, não consigo suportar uma criança chorando ao meu lado sem ter vontade de sair correndo ou jogar a criança longe, ou eu vou fazer o que é mais sensato, abortar e impedir que alguém venha ao mundo pra passar necessidade (emocional, financeira, psicologica, etc) e destrua a minha vida?" Na boa, pra mim a decisão é fácil. E vocês que não passaram por isso não têm como opinar em como a mulher vai se sentir. Eu que vi de perto posso dizer com certeza: desespero, falta de esperança, insegurança, medo por si própria. É isso que a mulher sente. E por quê? Porque ninguém acha que cada um deve cuidar da sua vida, todo mundo fica dando pitaco em assunto que não conhece um terço. Em assunto que não tem nada a ver consigo. O lance é simples: NÃO GOSTA DE ABORTO NÃO FAÇA! Não impeça os outros de viver a vida deles. O meu aborto (ou de qualquer pessoa com quem você não tenha um relacionamento) não vai interferir na sua vida!

    • Pamela Postado em 18/Nov/2013 às 12:53

      excelente relato! a ideia que todo mundo tem na cabeca eh a da piriguete no baile funk sem calcinha... ninguem... nao suporto esses pro-vida(sexual alheia sob controle) que chamam um ser que nem SNC tem de crianca... fala serio! e sim, se a minha mae nao me desejasse quando engravidou, teria sido melhor ter sido abortada... cambada de machistas..

  31. Natália Postado em 02/Aug/2013 às 18:24

    "Sugiro deixar de lado esses argumentos falaciosos e pensar de verdade na saúde TOTAL da mulher, criando uma rede de apoio, investindo na educação que visa o planejamento familiar, transformando o sistema de adoção e tudo o mais que puder ser feito em benefício de quem engravidou sem querer". Ok, Verônica. Mas você se esqueceu totalmente dos casos em que a mulher é violentada. Só vi você incluindo aí, os casos em que a mulher engravida por descuido. E outra, onde foi que falamos que a mulher não teria direito a um planejamento, profilaxia ou até mesmo apoio, por meio de políticas públicas, em caso de resolver ter o filho? Ha, sim, claro, com essas medidas proibitivas, é que de fato não conseguiremos discutir eficazmente essas pautas da saúde da mulher

  32. pamela Postado em 02/Aug/2013 às 22:38

    Afonso, cabe a ela sim decidir se quer ter um filho ou não!! Porque para esta "vida alheia" viver, ela dependerá totalmente da mãe e não de outra pessoa, e isso é para o resto da vida!!!! Sou totalmente a favor da legalização do aborto, contudo acho que se fosse legalizado, a mãe deveria ao menos conversar (antes do aborto) com um profissional competente (ex: psicólogo) antes de tomar a decisão.

  33. Anonimo Postado em 03/Aug/2013 às 02:33

    Sou a favor da descriminalização do aborto, mas digo que a jornalista simplesmente jogou a postagem inteira no lixo no momento em que escreveu isso: "E antes que alguém venha dizer que a mulher não fez o filho sozinha e que o homem também tem que decidir, aviso logo: enquanto não for possível para um feto viver fora de um útero, você não poderá obrigar ninguém a ser uma chocadeira apenas porque quer um filho."

    • Pamela Postado em 18/Nov/2013 às 12:55

      argumentos?

  34. Cristiane Postado em 03/Aug/2013 às 10:46

    Gata, gravidez não é PUNIÇÃO pelo prazer do sexo. Se você tem idade o suficiente para fazer sexo, no mínimo, tem que saber que pode engravidar. Gravidez é uma consequência natural do sexo. Então DST's são punições também?!? DST's são consequências de sexo sem responsabilidade. Se você não pode ser mãe agora pense antes. Existem vários métodos contraceptivos, inclusive distribuídos pelo SUS! Outra coisa, acho ridículo num país como o nosso, onde não temos saúde e nem educação, pessoas morrerem sem uma cirurgia e a população pagando para uma irresponsável tirar um filho. Sim, porque se for feito no SUS é a população brasileira que paga a conta! E se o perfil são mulheres maduras, casadas, religiosas e de classe média, elas que criem seus filhos! Porque eu não consigo ver uma justificativa para isso não acontecer! O brasileiro já tem que pagar um imposto filho da mãe pelo "bem da população", agora pagar imposto para uma inconsequente abortar?!?! Faça-me o favor...

  35. Fatima Costa Postado em 03/Aug/2013 às 11:52

    Infelizmente quando o assunto é aborto só se fala em um individuo, aquele que tem voz, consciência, atitude, personalidade. Por acaso se aborta um tijolo ou uma pedra? E quem fala pelo menos favorecido. Esta sociedade que que se compadece de cães e gatos a ponto de dar seu tempo, voz e dinheiro para serem salvos, é a mesma que luta pela morte de tantos inocente e indefesos de sua própria raça. Uma mulher com um pouco de dignidade não cometerá esse tipo de assassinato em justificativa a algo acontecido com seu corpo; com sua anuência ou não. E quando isso vir a acontecer, para essa mulher estará faltando DEUS.

    • Aline Postado em 18/Oct/2013 às 20:35

      Na verdade, no nosso país só se vê o lado do feto. Se vissem o lado da mulher, o aborto já seria descriminalizado e legalizado há muito tempo.

  36. Marcelo Postado em 03/Aug/2013 às 14:17

    O aborto é contrário ao instinto natural da mulher de proteção à vida do seu filho(a). Interessante: quem escreveu o texto acima não comentou, em nenhum momento, sobre o direito de viver da criança. A lógica burra e cruel é a seguinte: mulheres estão morrendo nas clínicas clandestinas, então vamos dar "segurança" a elas para que possam assassinar seus filhos legalmente.

  37. Larissa Paola Postado em 03/Aug/2013 às 14:41

    Se existisse uma educação sexual efetiva nas escolas, se as meninas aprendessem o funcionamento do ciclo hormonal da mulher, se ensinassem as estudantes a reconhecerem os dias férteis, não teríamos tantos casos de aborto. O que mais se vê são mulheres com vida sexual ativa que nem sequer sabem os dias do mês em que estão férteis. Isso é deplorável.

  38. Afonso Postado em 03/Aug/2013 às 15:16

    Pamela, é muito conveniente você deliberar sobre a vida alheia simplesmente porque não está a fim de assumir algo de que participou e sabia das possíveis consequências! não é nem um pouco razoável e proporcional se colocar a vontade da mulher acima do valor da vida porque "não tenho condições psicológicas, sociais ou financeiras para suportar uma gravidez". Essa justificativa de achar que não teria condições de ser mãe é muito fraca em relação ao valor da vida que se está em jogo.

    • Patricia Postado em 18/Nov/2013 às 12:57

      palavras de quem nunca vai ser mae

  39. Alex Silva Postado em 04/Aug/2013 às 19:13

    Concordo com o aborto no caso de estupro, de anencefalia, quando há grave risco de morte para a mãe ou a morte é certa para o bebê. Fora destes casos, deveriam perguntar ao feto se ele aceita ser assassinado porquê sua mãe não tomou os devidos cuidados com seus "direitos reprodutivos", mesmo sabendo que: não quer ter filho, não tem condições financeiras para cria-lo, ou não tem condições outras quaisquer. Elas querem o direito de poder matar, tirando o direito de quem quer viver. E essa história de direito, do corpo.....aliás, estória.......Se não é a placenta, o pobre do feto seria destruído pelo corpo da mulher. Logo, não é extensão do corpo dela coisa nenhuma. Fosse assim, se implantássemos um zigoto de um casal branco no útero de uma mulher negra, a criança nasceria negra, o que não ocorre, na realidade. Logo, o correto é fazer as coisas com responsabilidade e respeito pela vida. Se isso acontecesse, não teríamos esta discussão na pauta. Sobrariam apenas os casos excepcionais que mencionei no início.

    • Pilar Postado em 18/Nov/2013 às 13:00

      palavras de quem nunca corre o risco de uma gravidez indesejada

  40. Thiago Teixeira Postado em 04/Aug/2013 às 19:50

    Muito legal os gráficos. Excelente reportagem.

  41. Léo Postado em 04/Aug/2013 às 22:05

    E por que a Keila engravidou? Não tem métodos anticoncepcionais sobrando por ai? Inclusive com o patrocínio do governo? Cínicas, malvadas e assassinas, se não querem engravidar, por que abrem as pernas? quem defende o aborto defende um assassinato, um crime hediondo, pois é o atentado contra a vida de alguém que não pode se defender. É o cúmulo do egoísmo, quantas mães por ai perdem seus filhos pela violência, mulheres que o único desejo é ser mãe e não conseguem. E um bando de feminista de coração pequeno e alma menor ainda, atenta contra a vida e o bom senso. A mulher foi criada pra maternidade e triste a mulher que não tem isso em sua vida.

    • Penelope Postado em 18/Nov/2013 às 13:01

      "se não querem engravidar, por que abrem as pernas?" ok, avisa a tua namorada/mulher que sexo agora so quando vcs quiserem filhos, ok?

  42. Luiz Postado em 05/Aug/2013 às 09:45

    Acho engraçado o povo que vem aqui falar q é contra o aborto pq o governo disponibiliza vários métodos contraceptivos e blablabla. Vale lembrar que NENHUM método contraceptivo é 100% eficiente. Já conheci casos de mulheres que engravidaram com DIU, muitas outras com pílula e por aí vai. Daí se a mulher que faz tudo direitinho e usa método contraceptivo engravidar vai ter que ter um filho pq deu azar? Se a mulher não quiser ter um filho ou não tem condições de ter um filho que não tenha. O pai já tem o direito de decidir: se quiser pular fora é só pagar uma PA ridícula e acabou (isso quando paga a PA). Não precisa nem conhecer a criança. Em muitos casos de mães que não tem condição isso é o mesmo que uma sentença de morte pra criança e pra mãe. E não me vem com esse papo de "ah o estado tem que cuidar" pq sabemos que estamos muuuuito longe dessa realidade. É muito fácil julgar os outros quando vc nasceu e cresceu com escola, hospital, comida no prato, presença da mãe, etc.

    • Keli Postado em 09/Sep/2013 às 15:03

      É isso mesmo, Luiz. Vamos defender os pobrezinhos que não pediram pra nascer, essa pária, essa irresponsável que engravidou tem que se virar pra sustentar um filho indesejado.Tem que deixar nascer, sim. E depois se não der certo, a gente mete na jaula. (redução da maioridade penal)

  43. jose elias Postado em 05/Aug/2013 às 11:11

    Vivemos sob o império da Lei. O Código Civil e a Constituição Federal grantem o direito à vida. Cinco milhões de genocídios, tirando a oportunidade de vida de milhões de crianças. Temos que ter muito cuidado com o que defendemos. Eu sou a favor da vida, inclusive, das gerações futuras, sem genocídio.

  44. Verônica Postado em 05/Aug/2013 às 16:04

    Natália: O aborto em caso de estupro já é legalizado. E sou a favor de dar um amplo apoio à mulher que decide NÃO CRIAR o filho: mudança no sistema de adoção. Gestar o feto sabendo que ele será acolhido ao nascer. Acabar com a aberração de fila de gente querendo ser pais x fila de criança querendo ser adotada... Antes que digam que a causa é a cor da pele das crianças, que não é fácil ter uma família multicolorida, eu digo que é fácil sim, cada membro da minha é de uma cor e vivemos muito bem.

    • Pilar Postado em 18/Nov/2013 às 13:03

      vc viu muito Chiquititas quando crianca..

  45. Verônica Postado em 05/Aug/2013 às 16:12

    Catarina: Não é possível comparar sintomas de TPM com o caos hormonal de uma gravidez + desespero pq não se quer o filho! Uma mulher à beira do abismo e sem equilíbrio emocional tem risco sim de tomar decisões precipitadas e de se arrepender depois, somente pq mudou a perspectiva. Pq ajudá-la a se tornar uma assassina (para citar Camille Paglia) qdo se pode dar esperança e garantias de que seu filho será bem criado por outra família? Não acho que se deva manter tudo como está: devemos mudar, mas para melhor.

  46. Verônica Postado em 05/Aug/2013 às 16:14

    Marcelo: perfeita a explicitação da lógica, vou usar futuramente.

  47. Verônica Postado em 05/Aug/2013 às 16:43

    Ana: Seguindo teu raciocínio, se eu for assassinada agora, isto não vai interferir na tua vida. Mesmo assim é um crime de ação penal PÚBLICA... Para tu entender a razão não religiosa pela qual muitos combatem a legalização / descriminação do aborto, é por conta do rumo que o tema está tomando: não é crime em caso de estupro ou risco de morte para a mãe, muito bem. Aí inventaram que é recomendado em caso de anencefalia (conheço MAIS DE UMA criança com esse prognóstico que nasceu com cérebro, que era normal!). Ah, então tb deve ser recomendado em caso de deficiências severas, má formação. Oi?! Bandido bom é bandido morto, deficiente bom é deficiente morto, é isso? Já posso tatuar uma suástica ou ainda vão me sugerir mais ações eugenistas?! Mas como os exames intrauterinos não são 100% seguros, quem sabe a gente espera o bb deficiente nascer e depois dá uma injeção letal, nem vai doer! Por fim, uma novidade: crianças planejadas tb podem vir a ser rejeitadas, podem ficar órfãs, podem ter doenças, podem sofrer maus tratos, quem diria, podem sofrer! Se existem tantos abortos clandestinos feitos por mulheres carentes como podem existir tantas crianças abandonadas pelas ruas das grandes cidades? Os números não estão fechando, o aborto não está solucionando o problema social (que novidade). Ou vamos forçar mulher pobre a abortar? Me criei numa favela e via e vejo as meninas de 15-16 anos planejarem gravidez! Em resumo: estamos caminhando a passos largos para a legalização da barbárie, minha cara.

    • Patricia Postado em 18/Nov/2013 às 13:04

      "conheço MAIS DE UMA criança com esse prognóstico que nasceu com cérebro, que era normal!" confessa que foi o seu caso :)

  48. Mércia Gloria Postado em 09/Aug/2013 às 20:18

    Será que legalizar o aborto vai resolver as aberrações desses estupros?????? Será que atacar com leis duras os causadores dessa malignidade não seria a coisa certa? Viram que aquele canalha que atacou a atendente cuspiu na cara da sociedade e dos legisladores como se emprega mal as leis nesse país? Será que se tivesse leis pra valer, ainda teria algum canalha que se atrevesse a atacar alguma mulher? Salvaguardar a mulher que foi estuprada vai contribuir para deixar de acontecer novamente esse nojo? Se toca minha gente, não é atacando a consequência que resolve problema, não. País de vergonha não tem estuprador, muitos menos mata inocentes. Vão para as ruas exigir leis que moralize esse país, que acabe com as variadas poucas vergonhas que jogaram o país na lama... Minha cara Larissa Coelho, esse gráfico aí não é nem de longe um tapa na cara da IGREJA CATÓLICA, mulher católica de verdade, ela é convertida, aproximada de DEUS, JAAAAMAIS ela fará aborto, entendeu?? porque ela sabe que é contra os preceitos DIVINOS. Numa pesquisa, eu dizer que sou católica é uma coisa e ser de verdade é outra. Esse gráfico é mais uma perseguição do maligno pra enganar os otários. A mulher que é CATÓLICA, casada, mãe, dona de casa e sei mais o que, ela tem princípios doutrinários (temor a Deus), ela tem como formar sua família sem interferências mundanas. Sou casada, catolissíssima, mãe, dona de casa, nunca fiz, nem nunca farei aborto nenhum. Eu dou um conselho a vc e aos adeptos do aborto. TENHAM TEMOR A DEUS. Façam uma reflexão: essa bandalheira que está acontecendo aqui no Brasil pode devesse às liberdades infundadas, exageradas, etc, etc, etc, etc.

  49. Marcos Postado em 11/Aug/2013 às 16:41

    A questão do aborto entra na ética é superior a moral, é um absurdo e sempre vai ser, matar crianças não tem justificativa e nunca terá. Esse "progressismo" é uma vergonha para todo planeta, estimulam a promiscuidade e são favoráveis ao aborto. Talvez o demônio exista.

  50. Marcos Postado em 11/Aug/2013 às 16:43

    Quando a vida da mulher esta em risco e quando a probabilidade da criança nascer morta devido a qualquer doença é muito alta, obviamente que esses raros casos devem ser "justificados".

  51. gessica lima Postado em 13/Oct/2013 às 21:09

    eu ate entenderia o que vcs estão falando se não tivesse métodos para evitar uma gravidez indesejada camisinha é de graça e é dada em qualquer esquina eu não falo so por que estou passando pela dor de ter perdido um bebe que eu queria tanto a poucos dias mas por que eu valorizo a vida se tem meios para evitar por que não fazer isso ao ter que tirar a vida de uma criança que já bate o coração que já sente tudo que vc sente sou a favor de dar a criança no hospital ou em uma casa que acolham crianças abandonadas mas sou totalmente contra o aborto.

    • rafael Postado em 29/Jul/2014 às 21:04

      Vale lembrar: nenhum método é 100% eficaz. A gravidez mesmo usando métodos contraceptivos é uma realidade.