Redação Pragmatismo
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Racismo não 29/Aug/2013 às 09:27
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"I have a dream" - 10 curiosidades sobre o discurso histórico de Martin Luther King

Com direito a provocação ao presidente Kennedy, lendário discurso do ativista teve vários episódios ao seu redor. Conheça 10 coisas que você não deve saber sobre “I have a dream” e Martin Luther King

A Marcha por Trabalho e Liberdade, em 28 de agosto de 1963, reuniu em Washington mais de 250 mil manifestantes em frente ao monumento a Lincoln, o presidente que emancipou os escravos e cujo decreto, nas próprias palavras de Luther King, pôs fim aos tempos de cativeiro dos negros. Naquela tarde, foi consagrado um dos discursos mais clássicos de todos os tempos: “I have a dream” (eu tenho um sonho). Conheça dez fatos curiosos que envolvem um dos principais momentos da história recente dos EUA.

1- Luther King não era o líder da Marcha para Washington: o verdadeiro idealizador da marcha foi A. Philip Randolph, negro ligados a movimento sindical norte-americano. Ele tentava organizar o protesto desde 1941. King Jr, é verdade, ajudou na organização, mas nem de longe pode ser considerado o líder da Marcha. Assim como Joan Baez e Bob Dylan, a priori, era apenas mais um orador do dia.

matin luther king have dream

Martin Luther King (Foto: Arquivo)

2- A frase “I have a dream” (eu tenho um sonho em português) só foi dita no décimo nono parágrafo do discurso de Luther King.

3- Nada inédito. A expressão ficou famosa no dia 28 de agosto de 1963. No entanto, Luther King já tinha usado os mesmos termos diversas vezes em discursos anteriores.

4- Marlon Brandon. Eternizado na história do cinema por suas interpretações em Último Tango em Paris e o Poderoso Chefão, o ator foi um dos mais ativos durante o processo de mobilização dos manifestantes. Reza lenda que chegou a puxar pelo braço outros colegas de Hollywood para participar da Marcha.

5- O presidente Kennedy pediu à organização que o evento não fosse realizado em um fim de semana devido ao medo da proporção que o movimento pudesse tomar. A manifestação foi feita em uma quarta-feira e, mesmo assim, foi uma das maiores da história dos EUA. Cerca de 1.500 ônibus e 30 trens foram fretados por sindicatos e movimentos sociais dos EUA. Algumas cidades, como Nova York, decretaram feriado para que as pessoas pudessem ir ou acompanhar pela TV os manifestantes.

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6- Algumas mulheres acusaram a organização de discriminação. Apesar do papel ativo que muitas mulheres brancas tiveram durante o movimento, apenas negras puderam falar no microfone. Após a Marcha para Washington, muitas que ficaram frustradas partiram para o movimento das mulheres.

7-Lei Seca. As autoridades norte-americanas temiam que a multidão perdesse o controle e partisse para violência. Washington, então, proibiu que bares, restaurantes e supermercados vendessem bebidas alcoólicas.

8- Após a marcha e o famoso “I have a Dream”, o presidente Kennedy recebeu os principais nomes do evento. Documentos da época revelam que, afoito, Kennedy falava compulsivamente a King Jr, Randolph, entre outros – que já estavam exaustos por um dia inteiro de caminhada e discursos. Randolph, com um bom teor de ironia, interrompeu o presidente: “Por favor, será que poderíamos tomar pelo menos um leite?”, disse. Kennedy serviu lances e bebidas. A reunião prosseguiu logo após.

9- Malcolm X. Um dos principais líderes do movimento negro e com influências dos Panteras Negras fez oposição à Marcha de Washington. Malcolm X afirmou que o movimento estava tomado por “brancos”.

10- Sonho virou pesadelo. Outra frase marcante na vida de Martin Luther King veio anos depois. Crítico ferrenho da guerra do Vietña e da política externa norte-americana ele afirmou meses antes de sua morte que “o sonho virou pesadelo” após decepção com engajamento político e social dos afro-americanos nos EUA.

Dodô Calixto, Opera Mundi

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Comentários

  1. ARMISTRONG DE ARAUJO SOUTO Postado em 29/Aug/2013 às 10:14

    Malcom X: o outro lado do preconceito.

    • Isaac Postado em 06/Sep/2013 às 21:19

      Sou fã do Malcolm X, esse extremismo dele tem origem no extremo racismo a qual foi submetido a vida toda.

  2. Rafael Postado em 29/Aug/2013 às 21:17

    Eu sou a favor de cotas para todos, diversas nacionalidades pobres construíram o Brasil e até mesmo hoje milhares de brancos pobres, descendentes de Japoneses pobres, Italianos pobres entre outros são literalmente discriminados ao tentarem entrar em uma universidade publica em um país praticamente pardo. As cotas devem ser sociais e não raciais, mas fazer o que.....

  3. Rafael Postado em 30/Aug/2013 às 03:28

    As cotas são sociais, mas seguem a proporção da etnia em cada capital ou estado... assim, um branco pobre sai em vantagem na bahia, assim como um negro pobre sai em vantagem no rio grande do sul...