Luis Soares
Colunista
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Mulheres violadas 20/Aug/2013 às 16:08
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Feministas "trollam" o Miss Islândia 2013

Sucesso do Miss Islândia 2013 é resultado de uma divertida campanha de “trollagem” do concurso que enfrenta a oposição de parte da população e das aguerridas e bem-humoradas feministas islandesas

Carolina de Assis, revista Samuel

miss islândia 2013 feminista

Hildur Lilliendahl, Miss Troll 2013 (Foto: DV.is)

O concurso Miss Islândia 2013 tem causado furor nacional desde a abertura das inscrições, em junho. O evento recebeu um número recorde de candidaturas: em um país com pouco mais de 320 mil habitantes, mais de 1.300 pessoas se apresentaram. Não, não há uma horda de islandesas aspirando à coroa e à faixa. O sucesso de participação é resultado de uma divertida campanha de trollagem do concurso que enfrenta a oposição de grande parte da população e das aguerridas e bem-humoradas feministas islandesas.

Quando as inscrições foram abertas, Rafn Rafnsson, diretor do evento, declarou que o concurso tinha sido “revigorado”, e que a intenção era popularizar o evento fazendo algo “moderno e diverso”, indo além do estereótipo da miss islandesa “loira, alta e com olhos azuis”. O critério de seleção seria bem mais generoso, não haveria mais requisitos mínimos de peso e altura, e todo mundo poderia se candidatar. A ativista feminista Hildur Lilliendahl entendeu o recado, postou sua candidatura em seu perfil no Facebook e anunciou sua participação. No dia seguinte, Sigríður Ingadóttir, membro do parlamento islandês pelo partido de esquerda Aliança Social Democrática, também embarcou na ideia. “Quando vi a candidatura de Hildur no Facebook, pensei ‘bom, também vou me inscrever, é uma maneira divertida de participar do protesto’. Às vezes você precisa usar o humor para chamar a atenção das pessoas”, disse a parlamentar.

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A brincadeira se espalhou, e mulheres e até homens de várias idades decidiram participar. “Estou fazendo isso para mostrar o quanto esse concurso é sem sentido”, diz a pastora Sigridur Gudmarsdottir, 48 anos, que espera que o protesto faça as pessoas pensarem sobre o arbitrário conceito de beleza. Para a crítica literária Brynhildur Omarsdottir, que também enviou sua candidatura, o diretor do evento deu a margem que as feministas queriam para criticar o concurso por promover a objetificação das mulheres e o estereótipo da “mulher ideal”. Hildur, o estopim do movimento, concorda: “Os concursos de beleza tradicionais promovem o exemplo perfeito do tipo de mulher criada pelo patriarcado. Esse sistema ensina (e/ou força) mulheres a serem belas e amáveis e doces e bem-comportadas e compostas e totalmente reprimidas, e é exatamente assim que as mulheres são mantidas fora das posições de poder, do mercado de trabalho e da potencial revolução capaz de destruir esse sistema idiota.”

A generosidade da direção do concurso, porém, vai mesmo ficar só nas inscrições. “As regras continuam as mesmas”, diz Íris Jónsdóttir, coordenadora do evento e representante da Islândia no Miss Mundo 2012. “As competidoras devem ter entre 18 e 24 anos, e não podem ser casadas ou ter filhos. As regras são as mesmas do concurso para Miss Mundo, que é a próxima etapa. Todas as candidaturas serão avaliadas, mas a escolha para a competição seguirá as regras de sempre.”

Para a parlamentar Sigríður, o protesto deixou claro que houve uma mudança de valores e que as mulheres não admitem mais serem julgadas da maneira como fazem os concursos de beleza. “Hoje, em 2013, esse tipo de coisa não é mais aceitável.” Não deveria ser, mas concursos de Miss Qualquer Coisa seguem firmes e fortes no mundo todo. No Brasil houve até uma tentativa de renovação do concurso nacional nos últimos anos, inclusive com o respaldo de uma grande emissora de TV. As inscrições para o Miss Brasil 2013 já foram encerradas, mas que tal um protesto/trollagem em 2014? Na contramão das islandesas, proponho a campanha “ninguém somos Miss Brasil”: porque concursos de beleza são demodê e cheiram a naftalina, e nenhuma pessoa deveria ser avaliada, julgada e medida de acordo com a régua dos outros.

* Miss por miss, eu fico com Olive e a dança subversiva da família Hoover no adorável “Pequena Miss Sunshine”:

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Comentários

  1. Steven Postado em 20/Aug/2013 às 21:09

    E se no Brasil elegessemos uma sósia da personagem Roxane da Tatá werneck como miss bumbum? Vejam isso: http://2013.missbumbumbrasil.com.br/candidatas/bahia/

  2. Ricardo Matos Postado em 20/Aug/2013 às 21:21

    Acho uma besteira dessas feministas criticarem um concurso de beleza. Quem participa desse tipo de concurso, vai porque quer, ninguém é obrigado. O chato do movimento feminista querer impor sua vontade. Imagine se as islandesas conhecessem nossas funkeiras; nossas mulheres frutas? Certamente, declarariam a terceira guerra mundial.

  3. Diddo Braga Postado em 21/Aug/2013 às 09:44

    depois que venho escutando e conhecendo Bjork e seus país, só tenho que admirar a Islândia!!

  4. Fhilipe Viana Postado em 21/Aug/2013 às 13:47

    Acredito que o movimento feminista, embasa suas críticas em relação à posição da mulher (Submissa/Estereotipada), engajam suas causas na liberdade e igualdade perante não só aos homens, quanto ao estado. Aprecio o enaltecimento e difusão das idéias e á inserção de novos membros.

  5. murilo Postado em 11/Mar/2014 às 10:11

    muito bom, agora quem sabe elas tb nao trabalham pra aliviar a imensa pressao estrutural que existesobr eo sexo masculino, mas, de preferencia, perguntando aos homens como eles gostariam de ser, e nao consultando manuais feministas que dizem como "o homem - ou a masculinidade - deve ser?"...enquanto o feminismo se arvorar de desconstrutor de padroes tradicionais de genero, mas ao mesmo tempo querer ser o chefe da nova transicao, decidindo por nos homens o que nos sofremos e o que nao, o que nos devemos e o q nao, ele nao vai ser diferente de uma nova versao do tradicionalismo... homens sao pressionados a serem bonitos, ricos, confiantes, e os padroes de elegibilidade para um homem podem ser tao crueis qto para mulheres...