Luis Soares
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Saúde 29/Aug/2013 às 10:22
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Cubanos são os médicos mais respeitados em operações internacionais

Médicos cubanos são os mais respeitados em operações internacionais. Críticas ao programa “Mais Médicos” têm origem em divergências partidárias, e não nas necessidades da população

Por Suzanne Serruya*

Ando sem paciência porque esta discussão é claramente política e partidária e muitos médicos estão portando-se de maneira tão ridícula que fico sem terreno para argumentar com fatos, números, dados, enfim, para debater como é salutar. Ademais, o posicionamento da mídia e das representações médicas é totalmente pela defesa da saúde como mercado, lucros e interesses privados.

médicos cubanos brasil

Médicos cubanos são os mais respeitados do mundo em operações internacionais.

Sempre fico feliz quando, trabalhando nos países da região, digo que sou brasileira e recebo um sorriso. Em geral, além das nossas belezas naturais, falam de futebol. O Brasil exporta jogadores para o mundo e eles são recebidos como heróis por suas qualidades.

Desde sempre a presença de médicos para os mais pobres é um problema. Mundial. Em lugares de crises, nos lugares inóspitos, para população rural ou indígena, e é um problema difícil de resolver porque precisa de gente, gente com compromissos e valores, mais do que qualquer outra coisa. Nos países prioritários que venho trabalhando na região das Américas, os cubanos, entre os médicos estrangeiros, são os mais respeitados. A parte de concordar ou não com o regime político, as pessoas reconhecem que suas capacidades técnicas e compromisso são de excelência.

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Como exemplo, cito a ajuda cubana ao Haiti. Principalmente depois do terremoto, chegaram milhões de dólares, vários países mandaram médicos, mas eles reconhecem que onde os estrangeiros fizeram diferença foi onde ESTÃO ainda agora os cubanos, porque os dólares estão sumindo e a ajuda internacional também, mas os cubanos estão lá trabalhando e ajudando este país que muito ainda necessita.

Centralizar nos cubanos me feriu desde o inicio, mas o comentário racista e inclassificável desta menina [a jornalista que disse que médicas cubanas tinham cara de empregada doméstica], representante do pior que tem na nossa sociedade, me revolta. Por que a mídia elogiou em 99% ou não deu bola? Por que até agora ninguém acusou os prefeitos e os governadores que pediram os médicos? Por que só o ministro Alexandre Padilha é publicamente açoitado? Ninguém acha que a discussão deve envolver os responsáveis locais ou isso já não interessa na discussão?

E, afinal, alguém perguntou ou a mídia divulgou algo dos interessados? Alguém que passa no Facebook para dizer estas barbaridades conhece estes municípios? Conhece as pessoas? Sabe o que é promoção da saúde? Sabe o que significa a atenção primaria? NÃO! É simplesmente achismo, preconceito e política partidária contra o ministro que teve peito para enfrentar este problema. O mundo tão necessitado de saúde e esta gente egoísta reclamando de maneira tão xenofóbica. Vergonha do país. Orgulho de alguns brasileiros.

Para terminar, os médicos, e é uma vergonha quase permanente, todos os dias são denunciados: é dedo de silicone, médico que não levanta para ver a paciente morrer, médico que assina e não trabalha e o número crescente de queixas judiciais de má pratica. Mas quando vi a foto do médico cubano vaiado em Fortaleza, fiquei orgulhosa. De ser médica e ter exemplos como ele.

Esta discussão, que podia ter servido aos médicos e ao país, mostrou que estamos imaturos.

Espero que os cubanos e os outros estrangeiros nos desculpem. Este país não é xenófobo e, apesar de muitos preconceituosos, a maioria dos brasileiros e os que mais precisam agradecerão a estes homens e mulheres, médicos.

* Suzanne Serruya é Assessora Regional da OPAS/OMS para as Américas. (Opera Mundi)

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Comentários

  1. José Ferreira Postado em 29/Aug/2013 às 11:02

    O problema não é a xenofobia ou o racismo, mas é o regime de trabalho que não concordamos, pois o dinheiro não vai direto para eles, como em relação aos portugueses, argentinos, uruguaios e brasileiros formados no exterior. Existem alguns racistas, que fazem questão de demonstrar o seu ódio nas redes sociais, mas a maioria questiona essa forma de contratação, além de perceber a importância da vinda de médicos para os lugares distantes do Brasil.

  2. VANDERLEI Postado em 29/Aug/2013 às 20:22

    JOSÉ FERREIRA O OUTRO ARTIGO "Conheça o médico que liderou os xingamentos contra cubanos" As perguntas serve para você. Troca o JOSÉ MARIA por JOSÉ FERREIRA que dá no mesmo, exemplo abaixo Blog da Cidadania – Mas o senhor não acha que a opinião deles também conta? Essas pessoas estão fora do país delas e, se estivessem sendo submetidas a trabalho escravo, poderiam muito bem, estando em território estrangeiro, denunciar e pedir asilo político dizendo ao governo brasileiro “Olha, estou sendo escravizado, me dê asilo”… Eu digo isso, senhor José Maria, porque nunca vi um escravo que gostasse de ser escravo. Aliás, muito pelo contrário, os médicos cubanos têm dado declarações no sentido de que estão muito satisfeitos por estarem aqui, de que não visam somente dinheiro porque o Estado cubano lhes deu a formação que têm, deu assistência médica, educação, moradia, alimentação a eles e às suas famílias. Então, trata-se de uma realidade diferente da nossa.

  3. Tânia Andrade Postado em 30/Aug/2013 às 09:34

    O Banco Mundial distribui 100% do que recebe aos seus consultores que vêm ao Brasil fazer o trabalho real? Qualquer Fundação brasileira (FGV, FIPE, FUBRA, etc) paga aos consultores que fazem o trabalho o total do valor cobrado dos governos? Essa conversa é hipocrisia. O que dói é que quem ficará com a diferença dessa vez será Cuba...

  4. Fátima de Assis Postado em 30/Aug/2013 às 10:42

    Ainda bem que não existe unanimidade da classe médica nessa questão de preconceito e racismo ou xenofobia,, tenho lido declarações de médicos renomados que se declaram a favor do Mais Médicos e são contra essas manifestações que estão acontecendo contra os médicos que chegam, repercutindo de forma negativa na imprensa internacional.

  5. Daniele Postado em 30/Aug/2013 às 10:45

    Aqueles que acham um abusurdo que a maior parte de dinheiro que os médicos cubanhos ganharam trabalhando no Brasil vá ao governo de Cuba, deveria se lembrar também que lá essas pessoas não tiveram que pagar um centavo para estudar medicina. Enquanto no Brasil a mensalidade de um curso não sai por menos de R$5.000,00 por mês durante anos e anos de estudo. Será que os profissionais de medicina brasileiros no final da contas não recebem o mesmo que um professional cubano, sendo a única diferença que eles eles pagam antes, os cubanos depois?

  6. Marco Postado em 30/Aug/2013 às 13:48

    José Ferreira, se informe melhor. Eles vão receber uma porção do que seria o salário mais bolsa do governo (que está disponível para qualquer médico que queira trabalhar no interior, por sinal). Esses médicos são funcionários do governo cubano, não contratados particulares.

  7. Franco Adailton Postado em 30/Aug/2013 às 13:53

    Simplesmente, bravo, Suzanne Serruya! Além das questões que você pontuou, faltam os Cremebs da vida abrirem a caixa de Pandora corporativista. Pois, a despeito de tudo que você escreveu, não se vê punição, suspensão de registros, e afins, nos casos de denúncias contra profissionais que deturpam a profissão. José Ferreira, conta outra história, porque essa de regime de trabalho não cola...tem médico que bate o ponto no serviço público, abandona o posto e vai ganhar mais dinheiro no consultório particular. E, sim, eu, como jornalista, tenho vergonha daquela que se diz minha colega. Pois, embora haja certa utopia, nossa profissão demanda que a gente expurgue os preconceitos e crenças para desempenhar um mínimo possível de qualidade no trabalho.

  8. Cidadania e Democracia Postado em 03/Sep/2013 às 11:01

    Muito bom, parabéns, realmente esta é toda a realidade que está acontecendo, muitos não tem a coragem de expor o que pensam dessa maneira. www.cidadaniaedemocracia.com.br